PRODUZIMOS MAIS INFORMAÇÃO DO QUE SOMOS CAPAZES DE CONSUMIR?

Excesso de informação O Pateta
O Pateta deitado na cama coberto de jornais com o telefone dizendo: Não Minie!Ainda estou tentando ler os jornais do mês passado!

Em parte é verdade, ou seja, é verdade que produzimos mais informações do que somos capazes de consumir, e que a grande maioria das informações produzidas são inúteis, também é verdade!

Porém, também é verdade que sempre produzimos mais informação do que somos capazes de consumir, e, da mesma forma, é verdade que sempre se produziu muito mais inutilidades do que conteúdo.



Informação é um produto infinito – o que pode ser largamente comercializado, como nos mostra os sofistas da Grécia Antiga já no século V [1]. Raramente há escassez de informação, somente, é claro, em países com histórico de controle das liberdades individuais – leia-se origem socialista/comunista – mas, dentro das proporcionalidades, historicamente, sempre produzimos mais informação do que somos capazes de absorver.

Ninguém, foi ou é, capaz de ler todos os jornais publicados no dia. Ou ler todos os livros lançados no ano corrente. Mesmo que adentrássemos na biblioteca de estantes hexagonais de Jorge Luiz Borges (1899 – 1986) em “A biblioteca de Babel”, a quantidade/possibilidade é infinita mesmo para uma eternidade. Não é possível ler tudo que nos interessa no ano, imagina estudar/absorver tudo.

É necessário selecionar o que é bom. É necessário peneirar. Reter simplesmente aquilo que existe algum valor intelectual e prático. E isso somente o tempo é capaz de fornecer. É necessário tempo de dedicação à leitura e aos estudos, selecionando e focando sobre o que é importante. Sem deixar se dispersar. O mundo a sua volta é formatado para te tornar apático e submisso. Mas são os propósitos e objetivos que o torna mais forte.

[1]. Sofistas eram pessoas que criavam demanda por habilidades intelectuais então, vendiam seus serviços a preço de mercado, aos compradores.

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INFORMAÇÃO E RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL – A Saída da Menoridade Intelectual



INFORMAÇÃO E RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL – A Saída da Menoridade Intelectual

 

Rosto de Noam Chomsky sobre o fundo preto com a frase “How it is we have so much information, but know so little?”
― Noam Chomsky

Desde a primeira fase do expansionismo mercantilista – considerado começo da integração capitalismo/globalização – tenta-se criar um sistema que possibilitasse trocas comerciais em nível global. Com a informação não é diferente. Informação também é comércio. Talvez por isso há tanta FakeNews, uma tentativa de moldar a opinião pública momentaneamente, pois são mentiras rápidas, fáceis de serem desmascaradas.

Porém, as mentiras fazem parte do ônus da liberdade. John Stuart Mill (1806 – 1873) parece que acertou quando diz que as mentiras devem ser permitidas, dessa forma saberemos, ao confrontá-las, o que é verdade. Afinal, sem confrontar as mentiras como chegar as verdades?



Mas na velocidade que a informação nos chega hoje nota-se claramente que é impossível absorver tudo que é mostrado todos os dias.

Por exemplo:

“A notícia do assassinato do presidente norte-americano Abraham Lincoln, em 1865, levou 13 dias para cruzar o Atlântico e chegar à Europa. A queda da Bolsa de Valores de Hong Kong (outubro-novembro/97), levou 13 segundos para cair como um raio sobre São Paulo e Tóquio, Nova York e Tel Aviv, Buenos Aires e Frankfurt. Eis ao vivo e em cores, a globalização” (Clóvis Rossi – do Conselho Editorial – Folha de São Paulo). [2]

Mas, somente informação não é suficiente, é necessário a instrução – capacidade de discernir sobre aquilo a que está exposto – saber o que fazer com o conhecimento para não cair nas garras de charlatões da mídia. Schopenhauer (1788 – 1860) em “Arte de Escrever” faz uma diferenciação entre informação e Instrução [1]. Informação está ao alcance de todos, hoje – acredito que sempre foi assim, apesar de proporcionalmente diferente – é necessário saber selecionar e trabalhar com a cascata de informações que chegam a todo momento em nossa TimeLine.

A principal função é instruir-se para lidar com a informação, como Immanuel Kant (1724 – 1804) diz a saída da menoridade intelectual é de responsabilidade pessoal. Perceber o que é informação de qualidade e/ou verdadeira do que é mera especulação.



É compreensível que a  democracia [3], para além de seus valores atuais, tornou os julgamentos turvos. Ou, como preferem alguns: os sofistas venceram! [4]. Na sociedade moderna, o controle foi substituído pelo convencimento e pela participação ou representatividade, o que evita desconfiança no sistema.

Ao afirmar que os homens são a medida de todas as coisas eliminam a possibilidade de busca pela verdade. Logo, cada um com sua própria verdade precisa de representatividade democrática. Impedindo, quem sabe, a maioridade intelectual. Os reflexos mais claros são a irresponsabilidade sobre o que fala e a incapacidade de quem ouve de discernir sobre o que está sendo dito. O simples fato de alguém dizer aquilo que o sujeito quer ouvir elimina a possibilidade de questionar se, o que está sendo dito, é verdade ou mentira.

A democracia, segundo Platão (428/427 – 348/347) é retórica, argumentativa e demagógica. Com toda razão. O que me leva a pensar sobre a necessidade da responsabilidade individual sobre aquilo que falamos e acreditamos pessoalmente.



Sair da bolha, dito do pensamento contemporâneo, liberdade de pensamento como fala Stuart Mill, discernir entre informação e instrução como em Schopenhauer, ou sair da Menoridade Intelectual a expressão Kantiana, é, basicamente – desprezar a massa! Ou seja, faz parte da busca de aprendizado constante conhecer si mesmo, a própria intelectualidade e, principalmente, ser indivíduo na turbulência do povo.

 [1] Informação é diferente de Instrução

[2] Globalização diminui as distâncias e lança o mundo na era da incerteza

[3] Democracia, antiga e moderna, diferenças fundamentais.

[4] A vitória Sofista, Luis F. Pondé – na Folha