MENTIR é lucrativo



Personagem frente a notebbok com notas de dinheiro saindo da tela.

Todos os dias há um boato novo. Alguém famoso que morreu ou está muito doente. Especulações financeiras e políticas. Tudo em nome da visualização. Blogueiros e palpiteiros de rede sociais nem se dão ao trabalho de verificar as notícias que jogam para seu público ansioso pelo último e mais recente boato. Assim ganham não somente os difusores de mentiras, mas também aqueles que se aproveitam dos difusores de mentiras para ganhar dinheiro.

Há buracos na mídia iterativa, blogs e redes sociais, são muito veloz para dar furos, ou tentativas de furos, precisa desesperadamente de histórias, desta forma, caem fácil em mentiras criadas por usuários.



Há alguns anos um rapaz publicou brincando no site iReport, plataforma online da CNN, que uma fonte segura afirmou que Steve Jobs sofreu um ataque cardíaco. Havia sido a primeira e única mensagem deste usuário. Claro, era obviamente um bait. Apesar de parecer uma simples brincadeira o Silicon Alley Insider mordeu a isca e publicou como notícia verdadeira, vinte e cinco minutos e as ações da Apple estavam em queda livre até que, a empresa, negasse toda a história. Quem ganhou com isso? Quem comprou as ações da Applle! [1].

Boatos econômicos surgem a todo momento. É fácil criar comunicados falsos e ninguém ser responsabilizado. Veja outro caso:

“Foi assim com Lambro Ballas, corretor de ações de Nova York: ele foi acusado pela Comissão de Valores Mobiliários de fazer falsos comunicados de imprensa online a respeito de ações de empresas como Google, Disney e Microsoft e enviá-los a blogs e fóruns sobre finanças. Com a notícia falsa de uma oferta de aquisição supostamente feita pela Microsoft, as ações da Local.com subiram 75 por cento em um dia”

de Ryan Holiday (1987), em seu livro “Acredite, Estou Mentindo – Confissões de um Manipulador das Mídias”.

Imagina o que pode ser feito por políticos com vontade de poder!

Hoje, as informações, circulam em velocidade não em confiabilidade, o que torna cada vez mais difícil discernir sobre a verdade ou sobre o que é verdadeiro, além, claro, do agravante – mentiras são lucrativas! [1]

Muitos dos problemas com as fakenews se deve a velocidade e a quantidade de informação disponibilizada em anonimato, tempo é dinheiro e verificar informações ou “dar a cara a tapa” é caro. É mais fácil publicar e, quem sabe, depois se retratar, mesmo que as retratações não tenham o mesmo efeito da notícia anterior.

Antigamente, com um número menor de jornalistas, a delegação de confiança era mais simples, ao noticiar algo era possível descobrir quem deu o furo, em qual agencia e, principalmente, se era confiável. Coisa difícil hoje em dia.

NÃO ESTOU DEFENDENDO REGULAÇÃO DA MÍDIA, já deixei claro que a checagem é de responsabilidade individual, [2] e que mentiras são o ônus da liberdade [2]. Inclusive como deveríamos agir, [3] com cuidado, e com ceticismo, é claro!

[1]. ÓDIO GERA LUCRO! Ou você acha que a tua opinião importa?

[2]. INFORMAÇÃO E RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL – A Saída da Menoridade Intelectual

[3]. MANIPULAÇÃO DAS MÍDIAS – COMO AGIR?



O PRÍNCIPE de MAQUIAVEL – O Que saber antes de ler



A obra de Nicolau Maquiavel (1469 – 1527) é defina como uma nova perspectiva sobre política, ou seja, é um pensamento diferente do até então modo de pensar e fazer política. Assim, o livro é expresso por diversas vezes com frases como “observando-se pela experiência”, “na realidade” e com diversas citações históricas, tanto antigos príncipes como aqueles próprios de sua época, analisando a psicologia humana e citando particularidades. Nasce, então, o que é conhecido como realismo político, ou seja, falar de questões política como elas realmente são, e não como deveriam ser. O príncipe de Maquiavel, foi escrito dentro da literária de conselhos aos governantes, ou Specula Principes, gênero que dizia aos governantes como deveriam agir, com referência nos valores cristãos, porém, cria um novo olhar na abordagem política, observando o presente e buscando referência no passado.



Niccolo Machiavelli

BIOGRAFIA. Como visto, N. Maquiavel, baseou-se na realidade que o cercava para escrever seu livro, então, quem era Nicolau Maquiavel? Nascido em Firenze, atual Florença, na Itália em 1469. Em uma família não abastada, porém possuíam algumas terras. Criado em ambiente culto, o pai tinha um certo gosto por estudos literários e históricos. Estudou, também aritmética, latim, e leu os principais autores latinos. Iniciou a carreira pública aos 29 anos como diplomata na Segunda Chancelaria, responsável por tratar de negócios internos e externos relacionados à guerra, sendo, por diversas vezes, negociador e mediador, além, é claro, de tratar dos relacionamentos entre Florença e outros principados e ou repúblicas. Foram essas funções que deram enorme material histórico e político que compõe a espinha dorsal de toda sua obra.



O RENACIMENTO, época em que os renascentistas, redescobrem uma dimensão política deixada de lado pelos antigos medievais. Medievais colocaram a contemplação acima da razão. Ou seja, para os renascentistas era necessário colocar valor à vida ativa. Valores àqueles que, realmente operam na pólis, os que fazem política.

Maquiavel acredita na ação. Entendia política de modo prático, e a caracterizava como algo inerente ao humano. Para ele, era necessário atuar como se pudesse lidar com todas as possibilidades. Não era um pensamento anticristão, mas um pensamento laico, ou seja, um distanciamento das doutrinas políticas defendidas na Idade Média.

O filosofo, apesar de ser o herdeiro das tradições humanistas, era também um crítico, julgava que os humanistas anteriores não conceberam uma teoria plausível de analisar e compreender a política. Foi um crítico também dos antigos gregos, principalmente Platão, pois, este acreditava na possibilidade de construção pela razão, pelo logos, ou seja, uma forma ideal de governo criado através da razão, através de um modelo regulador, ou um guia, mesmo que distante da realidade.



Uma QUESTÕES IMPORTANTE, para Maquiavel, é que a aplicação de conjunto de valores à política nem sempre promove os efeitos desejados. E, na maioria das vezes, leva os governantes ao fracasso. Isso quer dizer que, um conjunto de valores tomados como bons, na esfera moral, ou uma tradição, se aplicado fora do campo para o qual foram pensados, trará o fracasso ao governante. Ou seja, é preciso pensar em política de forma autônoma, onde os valores não se aplicam ipsis litteris. A política tem seus próprios mecanismo para ser investigada, e Maquiavel busca esses mecanismos, mas para achá-los não há como manter-se fixo a valores cristãos.



COMO A NATUREZA HUMANA DE SER PENSADA QUANDO PENSAMOS A POLÍTICA? Segundo Maquiavel, os homens, de modo geral, observando a realidade, são maus, ingratos, volúveis, simulados, gananciosos, diferente da doutrina cristão onde o Homem tende a ser bom, e deve seguir esta tendência. Assim, é mais sensato pensar política de uma perspectiva negativa.

Maquiavel não esta dizendo que política não precisa de ética ou que políticos não possam ser éticos, mas que são coisas diferentes se comunicando constantemente. Ou seja, mostra a existência de inúmeras possibilidades e não somente uma única fórmula. O filósofo torna a política mais complexa ou invés de simplificar. Nada é absoluto em política. A vida é a soma de imaginação, desejos, valores, é preciso abandonar o IDEAL e olhar para la verittà effettuale dele cose, a VERDADE efetiva das coisas. Assim, Maquiavel se distancia das tradições do Espelho dos Príncipes e do modelo clássico de Estado Ideal.



Em O Príncipe, capítulo XV, Maquiavel apresenta a ideia de que o governante deve ser realista, ou seja, ver política como ela realmente é e não como imagina que seja. Assim, “Todavia, como é meu intento escrever coisa útil para os que se interessarem, pareceu-me mais conveniente procurar a verdade pelo efeito das coisas, do que pelo que delas se possa imaginar. E muita gente imaginou repúblicas e principados que nunca se viram nem jamais foram reconhecidos como verdadeiros. Vai tanta diferença como se vive e como se deveria viver. ”, argumenta que há uma distância entre a maneira em que vivemos e aquela que deveríamos viver.

Como a perfeição não é uma característica própria dos seres humanos, nem é possível reunir em si todas as virtudes, é preciso prudência par evitar escândalos e assim, praticar qualidades essências para continuar no poder. Não deve se preocupar com vícios que não podem salvar o Estado, e, dependendo, algumas virtudes podem levar à ruína.

O filósofo desmontou os valores, mostrando que não são universais, ou melhor, não podem ser aplicados universalmente a condições específicas. Circunstancias particulares necessitam de outros valores.



No capítulo XVII, mostra que é melhor ser temido do que amado quando diz:

“E os homens hesitam menos em ofender aos que se fazem amar do que aos que se fazem temer, porque o amor é mantido por um vínculo de obrigação, o qual devido a serem os homens pérfidos, é rompido sempre que lhes aprouver, ao passo que o temor que se infunde é alimentado pelo receio de castigo, que é um sentimento que não se abandona nunca. Deve, portanto, o príncipe fazer-se temer de maneira que, se não se fizer amado, pelo menos evite o ódio, pois é fácil ser ao mesmo temido e não odiado […]”.

SER E PARECER é a abordagem de Maquiavel no capítulo XVIII. A questão dos símbolos e das imagens que são fundamentais na política. Nenhum homem pode possuir todas as virtudes, então precisa equilibrar entre o SER e o PARECER SER. O príncipe não precisa ter todas as virtudes mas precisa parecer ter todas as virtudes.

“É que os homens, em geral, julgam mais pelos olhos do que pelas mãos, pois todos podem ver, mas poucos são os que sabem sentir. Todos vêem o que tu pareces, mas poucos o que és realmente, e estes poucos não têm a audácia de contrariar a opinião dos que têm por si a majestade do Estado”.

Como já dito, dependendo conjuntura, virtudes podem se tornar vícios.

FORTUNA, É OUTRO CONCEITO IMPORTANTE. Fortuna é a deusa romana, instável e imprevisível, e pode ser a portadora do bem ou do mal, ou seja, a sorte, ou o acaso, não podem ser controlados, cabe aos governantes estar preparado para quando a deusa der as caras.

A argumentação do autor é que o mundo é governado pela sorte ou acaso, ou seja, não há garantias que as coisas saíram como planejadas, ou sempre do mesmo jeito, há sempre mudanças, alterações e modificações constantes nas manifestações políticas.

Então, aos que desejam fazer política, é preciso deixar a fortuna governe em alguns momentos. Maquiavel acredita que a fortuna é responsável por, pelo menos, metade das ações humanas, e somente a outra metade é possível controlar. A fortuna é como um rio que por onde passa destrói tudo.



PARA DOMINAR A FORTUNA É NECESSÁRIO VIRTÚ que, para Maquiavel não é o mesmo que virtude. Virtú pode ser traduzida como a capacidade de ação do agente político de conseguir lidar com as circunstâncias. É a competência de se contrapor à fortuna.

Não existe cálculo ou probabilidade que consiga englobar todas as possibilidades do mundo, ou seja, há incerteza, ambiguidades inimagináveis e incontroláveis, a fortuna. Na presença da realidade, há uma tensão entre a Virtú e a fortuna. Ou seja, a fortuna não pode simplesmente ser eliminada, então, também não é possível uma ciência positiva da política.

Assim, afirma Maquiavel:

“Estou convencido de que é melhor ser impetuoso do que circunspecto, porque a sorte é mulher e, para dominá-la, é preciso […] contrariá-la. E é geralmente reconhecido que ela se deixa dominar mais por estes do que por aqueles que procedem friamente. A sorte, como mulher, é sempre amiga dos jovens, porque são menos circunspectos, mais ferozes e com maior audácia a dominam”.



CONCLUSÃO, no pensamento de Maquiavel os governantes são alertados a darem valor a vida ativa, valor àqueles que agem na cidade, que fazem política. Com seu realismo político rompe com o idealismo platônico e com os valores cristãos dentro da política, já que nem sempre valores fixos na política traz os efeitos desejados, e, consequentemente, pode levar o governo a falência.

Não se pode pensar em política como ambiente de valores aplicados literalmente. Alguns valores tomados como bons, que fazem parte da tradição ou da moral podem levar a ruína, se levados a um domínio para o qual não foram pensados.

REFERÊNCIAS:

MEGALE, Januário. O Príncipe: Roteiro de Leitura. São Paulo: Ática,1993.MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. São Paulo: Golden Book, 2008



POLITICAMENTE CORRETO, O Problema da Linguagem

A linguagem nada mais é do que máscaras das ideias, permitir que o politicamente correto interfera na linguagem é o mesmo que não deixar ideias se desenvolvam



A LINGUAGEM não é nada mais que uma máscara das ideias. Ao expormos ideias o fluxo é interrompido pela máscara incapaz de reproduzir fielmente suas intenções, ou seja, as reais intenções daquele que se comunica é incapaz de serem comunicadas em sua totalidade através da linguagem, seja falada ou escrita. Então para isso, o interlocutor, usa linguagens que facilitem a totalidade de forma que possa resumir, ou diminuir a linguagem, por exemplo a linguagem cotidiana ou corriqueiras de um povo ou região, como “Em terra de cego quem tem um olho é rei”, demostra que o que realmente nos importa é o significado da ideia não o que a linguagem coloca.

A ideia que o “mundo” e a linguagem são coisas diferentes e de natureza distinta esta incorporada a filosofia ocidental há séculos. Ou seja, a função da linguagem é reportar os fatos não de cria-los. Assim, para a grande maioria dos filósofos, o discurso tem como objetivo relatar os fatos, então o melhor discurso é aquele que reproduz o mais fielmente possível os fatos do mundo.

Platão (427 a.C – 387 a.C), em seus diálogos já pensava em linguagem como exterior ao homem, ou seja, a linguagem é o corpo que esta sujeito a degradação própria da matéria enquanto o pensamento é o que perdurará para sempre.

Karl Marx (1818 – 1883), não foge de igual conclusão dos anteriores filósofos, e muitos até hoje, quando diz “Até agora os filósofos se preocuparam em interpretar o mundo de várias formas. O que importa é transformá-lo” Em “Teses sobre Feuerbach”.



Já para filósofos da escola do pragmatismo Norte-americano, como Richard Rorty (1931 – 2007), a linguagem não passa de mera ficção que só existe na cabeça dos filósofos, o que o leva a acreditar que muitos dos problemas filosóficos só passaram a existir quando os filósofos passaram a ver a linguagem como instrumento para determinadas finalidades.

Resumidamente Karl Marx acredita que somente descrever o mundo não é o suficiente, Richard Rorty, ao contrário, acredita que é pretensão até mesmo tentar descrevê-lo.

Politicamente correto
O politicamente correto é um fenômeno incapaz de tratar com profundidade das questões da alma humana, decidiu resolver tudo, simplificadamente, atropelando estas indagações com o rolo compressor da hipocrisia. Marcelo Madureira

Isto posto, o POLITCAMENTE CORRETO não deixa, ou dificulta ainda mais, a ideia tornar-se real. Mesmo que seja impossível torna-la material, uma linguagem livre dá a oportunidade de aproximação com a real intenção. Uma linguagem livre é, inclusive mais benéfico do ponto de vista social, já que torna mais fácil identificar más intenções.

Acreditar que suprimir o discurso e a linguagem suprime-se junto toda ideia advinda do discurso é infantil, e, no mínimo danoso, principalmente quando evita o surgimento de novas ideias advindas da própria linguagem que se tornou “incorreta”.

Um exemplo claro foi a palavra “Denegrir” usada pelo juiz Sergio Moro, onde o ex presidente Lula tenta alertá-lo para uma possível represaria do movimento negro, um racista não deixaria de ser racista simplesmente por estar acuado em não usar a palavra “denegrir”, mas a exposição de um, no caso, juiz para demonstração da sua ideia é comprometida quando ele necessita vigiar as palavras para não ofender um grupo que nem ao menos esta posto em questão naquele momento.

A coisa existe antes da linguagem. Como diz William Shakespeare (1564 – 1616), uma rosa não terá outra fragrância mesmo que você queira chamá-la por outro nome.



É um equívoco infantil considerar que a simples troca de palavras é capaz de diminuir preconceitos, é simplista! No caso da Marvel seria mais benéfico manter o nome do personagem, desta forma, veríamos quem realmente são os racistas, agora ficou fácil se esconder atrás do politicamente correto.

O mais acertado é que os preconceitos existem antes da linguagem, outro exemplo é a palavra “Judiar” que se refere a ser maltratado como os judeus foram maltratados, ora o que veio primeiro a palavra – para então começarem a maltratar judeus – ou os maltratos – para então associar aos judeus?

Mesmo que se argumente que o discurso retroalimente o preconceito, é o preconceito que existe anterior ao discurso. O politicamente correto é um disfarce da realidade, não adiante trocar a máscara se a pessoa por traz dela é o verdadeiro problema. Como disse anteriormente, um discurso livre torna mais fácil identificar os verdadeiros preconceituosos, tais imposições de linguagem é a maneira de empurrar assuntos delicados para escanteio.

Argumentos em defesa do politicamente correto são recentes, marqueteiros que acreditam que a coisa toma valor segundo seu nome. Mas as coisas não mudam sua natureza de acordo com seu nome, como já exposto. E o cenário político brasileiro mostra como isso não é possível, inclusive através dos próprios marqueteiros. Todos os dias inúmeras acusações de corrupção envolvendo políticos e seus marqueteiros, entre outros, mostram as mentiras do discurso. Qualquer pessoa que tenha interesse em seguir qualquer candidato, verá as diferenças discrepantes entre os momentos de campanha e os anos que seguem eleitos.

Mesmo que o poder da mídia esteja na linguagem, ou seja, fazer aquilo que não é vir a ser, isso mostra que a realidade esta sendo maquiada. Objeto continua o mesmo. E, por mais que se acredite que o marketing, através da linguagem consiga interferir no mundo, tal interferência é, falsa, baseada em mentiras, logo qualquer pessoa que desejar se aprofundar no objeto mascarado retornará a realidade e acabará a interferência da mídia/máscara.

Se o melhor relato do mundo é o mais fiel ao objeto qualquer desvio é nocivo! É uma mentira. É absorver a máscara em detrimento da verdade.

 



Selvagem é o Socialismo

As mentiras são costumeiras e fazem parte do ônus da liberdade, mas sempre levam a erros, principalmente, conceituais. Ouvir que o capitalismo leva a miséria, ou que o acúmulo de riqueza só existe porque há pobres, é senso comum por todos os lados, mesmo essas chamadas sensacionalistas sendo nada mais que um devaneio cheio de incoerência.



NA ERA DA INFORMAÇÃO E DAS PÓS-VERDADES, há inúmeras mentiras que circulam sem qualquer fundamento, somado a isso, a incapacidade dos indivíduos de discernir a respeito dos diferentes assuntos que saltam à tela todos os dias sem cessar.

As mentiras são costumeiras e fazem parte do ônus da liberdade, mas sempre levam a erros, principalmente, conceituais. Ouvir que o capitalismo leva a miséria, ou que o acúmulo de riqueza só existe porque há pobres, é senso comum por todos os lados, mesmo essas chamadas sensacionalistas sendo nada mais que um devaneio cheio de incoerência.

Porém, entre as mentiras mais distante da verdade esta “CAPITALISMO SELVAGEM” termo primeiramente cunhado por k. Marx (1818 – 1883), em O Capital, agora, usam para se referir a grandes corporações mundiais, mas sem qualquer definição plausível, pergunte a alguém o que é capitalismo selvagem, provavelmente ninguém responderá de forma, no mínimo, coerente, ou entrarão em um consenso, ou seja, é uma dessas palavras que esta na boca de todo mundo e ninguém sabe o que é.



Mas o que quero dizer realmente é que selvagem é o socialismo. O socialismo é selvagem quando suprime a liberdade dos indivíduos, quando arranca sua vontade de potência e o joga no meio da turba, é selvagem quando transforma o coletivo em um meio de agressão de forma impiedosa.

Selvageria é dilacerar o espírito dos fortes e dar seu sangue aos incapazes de olhar para si mesmo como indivíduo responsável por si próprio, é selvageria sugar a vontade de conquista, e entrega para aqueles que preferem a calmaria das multidões, o conforto das opiniões simples e do jeito fácil. Para se manter no poder, políticos roubam dos que produzem e entregam como esmola aos que tem medo ou incapacidade de produzir, aos invejosos! Isto é ser selvagem. Selvagem é o coletivismo!

A livre iniciativa é a resposta do indivíduo para com o mundo externo, para criar soluções e facilidades em troca de alguma coisa. Quando ideias socialistas pervertem esse “sentimento” o sujeito se vê preso e restrito aos conluios com os governos ou com as manadas que o cerca. Quanto maior a liberdade, maiores serão as necessidades e maior será a vontade de romper tais necessidades, assim cria-se riqueza – com liberdade!

A liberdade é colocar a prova a moral do Homem. Sem liberdade não há qualquer resquício de moral, se não há escolhas não se pode optar pelo certo ou pelo bem. Só é possível escolher o certo/bem se existir a possibilidade do errado/mal. É a possibilidade de escolha que pode decidir o que é o belo e moral.

O socialismo é imoral porque rouba o primordial, a liberdade. Faz o mundo parecer perigoso, assim, suprime a coragem e faz com que todos vivam como gados.



Não somente os socialistas, mas todos as formas de coletivismo, fizeram os fortes parecerem maus. Quando Jean-Jacques Rousseau (1712 – 1778), escreve em “Discurso da Desigualdade “O primeiro homem que cercou um pedaço de terra e disse que era sua propriedade e encontrou pessoas que acreditaram nele foi o fundador da sociedade civil. Daí vieram muitos crimes, muitas guerras, horrores e assassinatos que poderiam ter sido evitados se alguém tivesse arrancado as cercas e alertado para que ninguém aceitasse este impostor. Não podemos esquecer que os frutos da terra pertencem a todos nós e a terra a ninguém” ou outros coletivistas que falam em emparelhamento dos homens – sempre através do Estado – negam os instintos mais profundos. Ao cercar, os homens estava se protegendo, ao fazer do espaço propriedade separada o obteve o necessário para desenvolverem suas potencialidades, quando os outros viram as possibilidades de troca e ajuda mútua tiveram que desenvolver a moral, o direito, e a justiça. Não existe justiça sem propriedade privada, já a que a ideia  de propriedade é diretamente vinculada a de direito a algo ou alguma coisa, então, a injustiça é a invasão e violação desse direito, como demonstra John Locke (1632 – 1704) e F. A Hayek (1899 – 1992). Depois, dizer que a violência surgiu após a propriedade separa é notável falácia, quando a verdade é justamente ao contrário. A natureza é violenta, e foi justamente a capacidade de respeito mútuo pelos direitos naturais que nos elevou para além da condição de animais.

Os fortes, em qualquer espécie animal sobre a Terra, são os que delimita seu espaço, forjam suas próprias armas, produzem sua própria comida e alimenta sua prole. Forte sabem que o mundo é muito mais deveres do que direitos. O socialismo é selvagem, principalmente porque é coletivista!

Há inúmeros e persistentes erros na interpretação da história, mesmo que a história seja contada de um ponto de vista, é impossível que qualquer pessoa com senso crítico não veja que o capitalismo foi, entre as opções disponíveis a 100 anos, a melhor opção. Poderia, ainda, falar dos mitos da Revolução Industrial, interpretada como escravidão quando, na verdade, foi a emancipação do homem e de sua vida no campo, servindo antigos senhores feudais, desmistificar ideias equivocadas sobre livre mercado e pobreza. entre tantos outros.

Mas, o que desejei mostrar, de forma simples, é que tais discursos são, principalmente, desonestos e vazios. E, novamente, há uma diferença enorme entre informação e instrução.



Processo Revolucionário e a Arte

No começo do século XX com o que é conhecido como “Crise da Consciência Europeia” e, enquanto eclodia a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), foi a primeira vez que a ideia de um Estado como motor para realizar a revolução utópica de “Um mundo sem Capitalismo” apareceu. Para isso os revolucionários precisavam de todos as armas possíveis, físicas ou não, assim, artistas se tornam o elemento de propagação de ideias, novos valores, e uma nova consciência para um novo mundo, que abandona o velho mundo burguês, seus valores, ideias e consciência. Desta forma, uns combatiam liderando a revolução política outros a revolução estética, encontrando uma convergência para criação do novo mundo.



A ideia “Guerra Cultural” não é recente, os mecanismos usados por socialistas são, inclusive, anteriores a Revolução Russa. O que é chamado de “Processo revolucionário” sempre foi uma estratégia de conquista pré-revolucionário, não somente na economia com Leon Trotski (1879 – 1940), por exemplo em “Programa de Transição” de 1936, demostrando, como poderia ser implantado o socialismo de forma gradualista, mas, o Processo Revolucionário, deveria se estender por toda área da vida humana, inclusive, é claro, na arte.

No começo do século XX com o que é conhecido como “Crise da Consciência Europeia” e, enquanto eclodia a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), foi a primeira vez que a ideia de um Estado como motor para realizar a revolução utópica de “Um mundo sem Capitalismo” apareceu. Para isso os revolucionários precisavam de todos as armas possíveis, físicas ou não, assim, artistas se tornam o elemento de propagação de ideias, novos valores, e uma nova consciência para um novo mundo, que abandona o velho mundo burguês, seus valores, ideias e consciência. Desta forma, uns combatiam liderando a revolução política outros a revolução estética, encontrando uma convergência para criação do novo mundo.



Revolução e Cultura. Eram comuns as expressões “Agitação Cultural” e “Construção da Nova Ordem Socialista” tais expressões faziam parte da mesma problemática, Marcos Napolitano (1997) em “Arte e Revolução – Entre o artesanato do sonho e a engenharia da alma” diz que é possível ver na recém-criada União Soviética duas fortes tendências que debatiam na cultura.

Um eram os Formalistas ligados à revista frente de Esquerda da Arte (LEF), que através de nomes como Isaac Babel e Meyerhold influenciavam o cinema. O outro eram os “proletkult” um movimento de 1904 criado por Bogdanov que buscava uma arte proletária, para se diferenciar da “arte burguesa”.

Dentro deste contexto revolucionário, e ao longo do século XX, outra corrente alinhada ao partido surge, ganha força rejeitando tanto os revolucionários (LEF), como os que desejavam romper com a herança cultural burguesa, os Naturalistas, ligados ao naturalismo social de 1890 e as ideias de Gueorgui Plekhanov (1856 – 1918), entre outros diversos artistas revolucionários.

Havia, ainda, um Comissário de Instrução A. V. Lunatcharski (1875 – 1933), dramaturgo e crítico literário, alinhado ao proletkult, que coodernava as frentes de esforço na “Guerra Cultural”.

Óbivio que, mesmo com as contradições e conflitos entre o movimento cultural e o partido, sempre estiveram alinhados, inclusive em períodos anteriores a revolução. Desta forma, a arte tornou-se objetiva! A busca pela verdade, o Belo, e o Sublime desapareceu, dando lugar ao Reformismo Revolucinário.

 


Arte, Moralidade e Liberdade

(…) a própria ideia de relativismo moral não é capaz de se sustentar, se houvesse uma teoria “x” para mostrar que todos os valores são falsos ou relativos, a teoria “x” também seria relativa, então, igualmente, falsa! Já que não poderia existir um valor verdadeiro. Sendo assim, se a teoria “x” existisse, cairia no paradoxo do mentiroso.



As preocupações com as questões morais/ética são tão antigas quanto a filosofia.

Os gregos no século VII a.C já pensavam em um redimensionamento social e político para as polis, cidades-estados, mas pensavam na moral/ética como uma virtude a ser buscada constantemente, o que servia tanto para a vida privada quanto a pública, ou seja, os cidadãos são livres, porém parte de uma comunidade.

Hoje, os conceitos de moralidade estão turvos em parte devido um relativismo moral, que atribui valores intrínsecos a pessoa. Tenta fazer acreditar que os valores são pessoais, que cada um têm seus próprios critérios morais, tornando-os subjetivos. Assim, todos os valores tornam-se falsos, se cada um têm seus próprios valores então, não existem valores. O que parece um absurdo!

Porém, a própria ideia de relativismo moral não é capaz de se sustentar, se houvesse uma teoria “x” para mostrar que todos os valores são falsos ou relativos, a teoria “x” também seria relativa, então, igualmente, falsa! Já que não poderia existir um valor verdadeiro. Sendo assim, se a teoria “x” existisse, cairia no paradoxo do mentiroso.

Desta forma, ao tornar os valores subjetivos, cria um sentimento de que não há ponto de vista alheio ao próprio, e que, o sujeito, dono dos próprios valores, não pode ser julgado, ou seja, seus desejos e ambições são sua única orientação, passando a ver os outros como o entrave aos seus objetivos, não como um regulador de comportamento, coisa tal, que sempre esteve intimamente ligada ao comportamento humano – o julgamento alheio. Com isso, o resultado não pode ser outro se não uma pulverização dos objetivos comuns, ou da comunidade, ninguém mais olha para si mesmo como parte integrante de uma sociedade com objetivos comuns.



Sempre quando se fala em moralidade o senso comum entra em polvorosa a acusar a religião e tudo que a cerca, mas não é essa a questão, não é preciso ser religioso para ter um senso moral, e, principalmente, saber que existem valores irrevogáveis. Valores que sustentam nossa sociedade e a nós mesmo como humanos, ou seja, nossa psique e nossa integridade física, mesmo que esses valores sejam de origem religiosa, como são, e sempre foram, não devem ser banidos pelo simples fato da sua origem.

Quanto a ARTE, parece contraditório, mas, acredito que a liberdade de expressão deve ser total! Mesmo que esta arte questione os valores vigentes, ou queira impor novos. Sem tais contradições não poderí­amos chegar a um consenso, ou seja, é questionando as verdades, que saberemos que as verdades são realmente verdades, e, é, por serem verdades, que devem ser seguidas. A Arte é representação, não a realidade, e é essa característica que a torna livre e questionadora.

Não acredito que a arte seja livre, ou que em algum momento da história tenha sido livre. Durante a o perí­odo Grego a arte já servia para a educação do povo, e incutir sentimentos morais e ensinamentos da elite, dita pensante. O mesmo ocorria no Egito, e em outras civilizações antigas. Na Idade Média estava sobre o domínio da igreja, e a nobreza feudal. Hoje, no capitalismo, esta submetida as vontades do capital, o que levou o Santander pedir desculpas, por exemplo. A arte nunca foi totalmente livre, nem acredito que um dia será, principalmente porque ela é um atributo humano e o humano nunca será totalmente livre, pois liberdade total não existe, ela é contraditória em si mesma. A liberdade sempre estará condicionada a alguma coisa externa a ela. Uns são mais livres que outros, é a natureza, mas todos, de alguma forma, estão submetidos as regras. Para o capitalista a liberdade é a propriedade, para o socialista marxista a liberdade é a revolução, e, assim caminha a humanidade, sem ideia do que esta fazendo, com um refúgio chamado arte!



EM DEFESA DO CHARLATANISMO

Existem charlatões de toda sorte, mas como diz Stuart Mill (1086-1873) as mentiras também devem ser permitidas, faz parte do ônus intrínseco à liberdade, do contrário como saberemos que o que seguimos é verdade?



Entre mentiras, Pós-Verdades, e histeria midiática, com a “Cura Gay”, o que, resumidamente, foi feito pelo juiz federal da 14ª Vara do Distrito Federal Waldemar Cláudio de Carvalho é, simplesmente, proibir a proibição que o Conselho Federal de Psicologia havia imposto sobre os indivíduos – nada demais!

Estamos na era da Informação e ainda é difícil discernir a diferença entre informação e instrução.

Mentiras sempre existiram e sempre existirão – no caso há duas – o texto não fala em Cura Gay e, caso algum Psicólogo queira vender a ideia, continuará sendo mentira. Particularmente, acho que não existe uma cura, e, sinceramente, acho que isso não é importante no século XXI. Mas, a liberdade individual e, neste caso, científica, deve ser respeitada e sempre ampliada.

Sobre mentiras, nada pode ser feito a não ser desmascará-las. A “Cura Gay” é só mais um desses casos – que ganha grande repercussão por causa da agenda LGBT.

Existem charlatões de toda sorte, mas como diz Stuart Mill (1806-1873) as mentiras também devem ser permitidas, faz parte do ônus intrínseco à liberdade, do contrário como saberemos que o que seguimos é verdade? E, mais, as mentiras são uma oportunidade de reconhecermos as verdades e seguirmos pelo caminho mais correto. Desta forma, como saberíamos que algo é mentira se não podemos desmascará-la? Se existe, da parte do leitor, qualquer apego à liberdade e ao bom senso, sabe que proibições criam mitos e mitos dificilmente são desfeitos se não por meio de ideias e discussões.



A proibição é, nada mais, que um puritanismo hipócrita típico de esquerdista – apesar que a direita brasileira não fica atrás, aprendeu direitinho como impor suas vontades no grito – já que todo tipo de proibição é uma proibição para aquilo que a Esquerda ou a Direita acha que é errado e deve ser proibido, nenhuma dessas polarizações estão pensando na liberdade do indivíduo e, sim, numa doutrinação estadista, onde só vale o que um lado deseja. A liberdade esta para além desta polarização! É, nesse, como em outros casos, o indivíduo contra o Estado.

A pauta LGBT é amplamente divulgada devido seu apelo social, mas já imaginou se tivesse que proibir todo o charlatanismo, que hoje paira sobre a medicina? Poderia cortar a metades dos atendimentos hoje prestados por fisioterapeutas, enfermeiros, médicos etc., o próprio SUS promove uma série de programas que não há comprovações científicas.

O que esta em questão, no caso, é a Ética da Liberdade, a compreensão que o homem tem de si mesmo, e do seu lugar, na ordem e harmonia do universo e não a ética dos conselhos de classes – que já deveriam ter sido abolidos há tempos. O que esta em jogo é a liberdade individual, a liberdade de escolha, que é referente ao sujeito e com aqueles com que ele se relaciona, por qualquer que seja o motivo.

Ou seja, a liberdade individual consiste em uma obrigação intrínseca consigo mesmo o que inclui o direito e o dever de governar a si próprio. Isto é, nenhum governo ou qualquer instituição tem legitimidade sobre a vontade do indivíduo.

Desta forma, o direito individual de cada ser humano é também o risco de se colocar em perigo durante qualquer que seja o tratamento que pretende se submeter – bioquímico ou psicológico – ou seja, pode ser a cura gay, acupuntura, remédios homeopáticos ou qualquer outro, e, inclusive, não se submeter a nenhum tratamento, caso assim desejar, seja por motivos religiosos ou não.



A questão, deste específico caso, é nada além de político. É a agenda esquerdista tentado se impor sobre a vontade dos indivíduos para parecer como um salvador das minorias em troca de alguns votos. Porém, a verdade, é outra, os direitos individuais nunca foram pauta da esquerda, pelo contrário, a esquerda sempre olhou para o ser humano como massa, e sempre fez dele massa de manobra. A pauta das liberdades individuais sempre esteve mais à direita desta polarização, mesmo que no Brasil estes conceitos sejam tão confusos.

O debate é conhecido, foi somente depois da Queda do Muro de Berlin (1989) que a esquerda se reorganiza e começa o seu discurso no sentido de liberdades individuais. E, para esquerda, estes novos conceitos se tornam turvos, já que, até hoje, ainda pensa e olha o mundo de forma gregária, ou seja, dividindo-o em grupos.

Porém, estas divisões, sempre criarão conflitos porque o indivíduo não é responsável por si mesmo e o direito não esta vinculado a natureza intrínseca de ser humano, mas na origem daqueles que o possui, ou seja, para o socialista, não se tem o direito à liberdade porque é um ser humano, mas porque pertence ao grupo de mulheres, negros, gays etc., desta forma, sempre o grupo mais forte, ou aquele que gritar mais alto, se sobressairá sobre o outro, aqueles que detiverem o poder de coerção do Estado terá todos os outros nas mãos, e, não poderia ser diferente, porque esse é o objetivo – criar conflitos e possuir o monopólio da violência, o Estado!

A esquerda absorveu a pauta, mas não a compreendeu ainda, não existe direitos coletivos, e, a tentativa de aplicá-los, sempre se tornará uma tragédia.

Desta forma, fica tudo tão confuso que se perguntarmos a alguém o que são Direitos Naturais, cada um responderá segundo seu grupo de origem, o que sempre leva ao detrimento do outro grupo. Ao invés disso se entendermos o direito como sendo intrínseco ao humano, por ser um indivíduo, este direito abarcará também aos semelhantes mesmo que ele seja diferente. As diferenças conceituais são muito sutis, entre direitos de grupos e direitos individuais, mas que acarreta uma grande diferença na organização mental do indivíduo.



A crítica da Esquerda é Fútil

Apesar do monopólio da Esquerda sobre o pensamento social, ela não consegue fazer uma crítica razoavelmente concreta, cai em clichês e futilidades que nada acrescentam.



A FUTILIDADE É UM PRIVILÉGIO. No outro post CAPITALISMO E O DIREITO BURGUÊS DE SER FÚTIL, citei Emil Cioran (1911 – 1995) que diz “a frivolidade é um privilégio”, na realidade ele é mais profundo, ele diz:  “futilidade é um privilégio e uma arte” em “Breviário da Composição”, poderia colocar aqui o texto completo que não ficaria satisfeito, devido a profundidade de seus escritos. Mas deixarei somente frases soltas e a indicação do livro, continuarei aqui a mesma proposta do pensamento anterior.

A futilidade é um privilégio! E acrescento que a banalidade do mundo é uma oportunidade de fugir do conforto ao reconhecer na existência algo para além do senso comum. Sair da caverna dá medo! Concordo com I. Kant (1724 – 1804), quando diz que a maioridade é de responsabilidade exclusiva do indivíduo, e, somente na liberdade é que podemos nos afirmar moralmente, sem liberdade a moral não pode ser verdadeira!

A banalidade e o medo da liberdade ou da maioridade intelectual, consequentemente, leva a uma vida de rebanho, desprezando a beleza de ser indivíduo, ou como prefere Nietzsche (1844 – 1900), aproveitar a dor e as alegrias da existência humana.

A turma da esquerda, com seu monopólio das ciências sociais, nem ao menos consegue fazer uma crítica razoável ao modo de vida contemporâneo, eles estão, no mínimo, com a cabeça presa na década de 1920. Veja qualquer discurso ideológico de Marilena Chauí (1941), sempre fico com a impressão de ter ligado o radinho de pilha do meu avô e ter sido transportado para época da Guerra Fria.



Ninguém nunca irá abrir mão do conforto dos bens de consumo que somente o modelo capitalista é capaz de gerar – é uma bobagem, um absurdo! Uma crítica vazia. Quem abriria mão de WI-FI, Smartphones, FaceBook Airbnb, Netflix e todo o aparato de mercado? Outra coisa, achar que a tecnologia não nos aproximou é uma cegueira ideológica! Não faz sentido nenhum. Ninguém nunca saiu por aí conversando com todo mundo só por que não existia outros meios de comunicação, o comum é, o isolamento, por uma série de motivos, principalmente, segurança. A verdade é, a tecnologia nos aproximou das pessoas que realmente são importantes, antes quanto tempo demorava para receber uma carta de alguma pessoa importante, os pais, esposa ou filhos? Eu não sei. Mas o que vejo hoje é que estamos a um click de distância de vídeo conferências para qualquer parte do mundo – fácil!

Agora, é claro, muito antes de tudo isso, os antigos Gregos já nos alertavam sobre excessos. Que tal um contraste entre Apolíneo e Dionisíaco? O primeiro deus Grego da moderação o outro representante dos exageros. Ainda, há um outro Grego que vivia dentro um barril, Diógenes de Sinope (412 a. C – 323 a. C), vivia de forma simples buscando um homem honesto. Na Idade Média, a influente filosofia cristã, faz uma filosofia, em boa parte, sobre abusos no modo de viver.

A conversa sobre achar a boa maneira de viver é antiga. Não nasceu ontem na mão de um monte de malucos esbravejando nas redes sociais com um seu Iphone e achando que está protegendo chineses através do seus Likes em páginas contra o mercado. A coisa é séria, e tão séria que podemos ver a preocupação dos nossos antepassados no tema.



Sou de modo geral pessimista, mas acho que estamos indo bem. O mundo é melhor do que já foi. Tirando os países que caíram nas falácias de igualdade e hoje estão na pobreza sem muitas perspectivas de sair, porém até mesmo eles, por que não dizer? Estão melhores do que foram a 200 anos atrás quando começou a Revolução Industrial. Países em desenvolvimento como brasil ainda têm chances.

Somente a história dos últimos cem anos mostra que, entre as escolhas que tínhamos, o capitalismo, foi a melhor opção. Não é perfeito, nada é! Mas pode ser aperfeiçoado. Dizer que não estamos melhor é muito desapego da realidade, ou simplesmente apego ideológico – vai entender!

No mais, quanto as questões humanas, sempre fomos o que somos, animais pouco civilizados que gosta muito da sua privacidade! Dizer que pessoas não se olham nas ruas por causa de celulares é uma bobagem, uma afirmação fácil, fraca e infantil. Basta olhar para imagem acima. Quando é que fomos tão sociáveis como somos hoje, com as redes socias? Esta certo que a turba é enfurecida, mas a realidade é, a turba sempre foi enfurecida, Senêca (4 a. C – 5 a. C) morria de medo de revoltas populares e a concelhava aos reis a moderação e a medidas populistas, para agradar o povo, pão e circo é coisa antiga, Étienne de La Boétie (1530 – 1563) em “Discurso da Servidão voluntária” discorre sobre tempos e lugares que esta prática foi comum. Mas estamos muitos mais sociáveis, sim.

Porém, a verdade é, aqueles que estão a sua volta no transporte público ou qualquer outro lugar não importam, as pessoas que realmente importam são aquelas do seu dia-a-dia, amigos e familiares.



DETURPARAM MARX? Entre os delírios socialistas e a inconveniente realidade

Há, todos os dias, alguém para dizer: “ deturparam Marx! ” Mas a história recente mostra outra, incontestável, versão, pelo menos na antiga União Soviética foram aplicadas boa parte da teoria marxista. Assim o começo do século XX foi manchado pelo vermelho-sangue com respaldo, ou através de boa parte, do que era chamado de socialismo.



Há, todos os dias, alguém para dizer: “ deturparam Marx! ” Mas a história recente mostra outra, incontestável, versão, pelo menos na antiga União Soviética foram aplicadas boa parte da teoria marxista. Assim, o começo do século XX foi manchado pelo vermelho-sangue com respaldo, ou através de boa parte, do que era chamado de socialismo.

Os socialistas/comunistas ofereceram ao mundo uma nova configuração para a sociedade. Era a resposta para solucionar problemas básicos e de sobrevivência material das populações, a solução para o fim da opressão causada pelo capitalismo. E, para isso, era necessário banir as classes sociais. Seria uma nova sociedade, igualitária e livre dos problemas causados pelo livre-mercado, assim, a emancipação do homem no mundo, estaria completa.

Mas, como sempre, e desde o princípio, infelizmente para os socialistas a realidade bate à porta. Entre promessas e realidade há um abismo e o sonho socialista foi por água abaixo, mas, não sem antes deixar seu rastro de morte e destruição por onde passou, neste caso, União Soviética.

Longe da liberdade e da igualdade prometida, a história da União Soviética e da Revolução de 1917 para uma instauração de regime comunista, mostra que nem tudo são flores e que a realidade é cruel. O Estado se mostrou ainda mais opressor e as desigualdades ainda maiores. Mortes e desaparecimento de diversas pessoas tanto da esquerda como da direita, mostrava o cenário muito desconexo das promessas de outrora, os sonhos de ampliação da democracia tornaram-se um pesadelo!

A URSS passou a perseguir todos aqueles que não louvassem o ÚNICO PARTIDO, ou o chefe infalível. Representando um imenso retrocesso para toda população e, agora, uma ditadura sem qualquer liberdade, igualdade ou justiça.

Felizmente o socialismo acaba oficialmente em 1991 com o fim da URSS, mas os rastros de violência seguem até hoje.



Marx e a União Soviética entre a Teoria e a prática 

Karl Marx (1818 – 1883) acreditava que a base da exploração capitalista era a propriedade privada. Logo, a conclusão é, abolir a propriedade privada e socializar os meios de produção e de distribuição, segundo K. Marx com isso a riqueza produzida perderia seu o caráter de valor, assim se reduzindo ao valor de uso, ou seja, produtos para satisfação das necessidades humanas. A própria força de trabalho perderia seu caráter de mercadoria com a eliminação do trabalho assalariado. Acreditava que suprimindo a propriedade privada ninguém conseguiria explorar o outro.

Na URSS toda propriedade privada foi abolida. Houve a nacionalização dos meios de produção e da distribuição – a nacionalização da terra de forma violenta e cruel, e, segundo Moshe Lewin (1921 – 2010) contra a vontade dos camponeses.

Infelizmente a eliminação da propriedade privada e dos meios de produção não foi como teorizado, ou seja, para as mãos e controle do povo, pois, obviamente, ao suprimir a propriedade se suprime junto o poder intrínseco a ela. A natureza da liberdade está condicionada a propriedade, sem a garantia da propriedade não há onde o indivíduo se resguardar, seja da violência física ou psicológica. Porém, os burocratas do Estado sim!

Apesar da propriedade ter sido declarada juridicamente pública, e não estatal, os homens do Estado são os que controlam “a coisa pública” e no Estado sempre estão os homens do partido.

Há, ainda, o Plano Econômico Centralizado. Através de um plano centralizador era estabelecido impostos sem qualquer discussão democrática entre os produtores e consumidores e o Estado. A prática coerciva de arrecadação continuava, e, agora, não havia qualquer oposição.



Outra característica era a Superação da Divisão Social do Trabalho – K. Marx acreditava que existia um topo de onde poucos comandavam enquanto a grande maioria dos trabalhadores, simplesmente executava tarefas sem controle dos instrumentos de trabalho, ou seja, era contra a especialização do trabalho, acreditava que todos deveriam ter plena consciência de todo o processo de produção da mercadoria. Esta característica de divisão era alienante para os produtores, então, era necessário eliminar não somente a relação homem-trabalho, campo e cidade, mas também entre trabalho manual e trabalho intelectual.

Isso não somente não foi possível devido as características individuais, físicas e intelectuais, como desde cedo criou-se apenas duas classes sociais, os burocratas de alto escalão, que se apoderou de toda as tarefas de planejamento, administração e controle – sem, uma relação direta com a produção – e, a outra, grande massa de produtores que não tinham qualquer controle sobre a produção, desprovida de poder sobre os investimentos e consumo, ou o controle da produção e, menos ainda, sobre o ritmo de trabalho.

Quanto aos salários. K Marx admitia que seres humanos são desiguais e que mesmo em um mundo de igualdade os homens seriam desiguais. Então ele propõe que seja cobrado de cada um segundo suas capacidades e dar a cada um segundo suas necessidades – eu não acredito que alguém consegue ver possibilidade nisso! Mas, continuando… Então, a URSS continua com as relações de trabalho assalariado. Mas, agora, está pior. O trabalhador não conseguia produzir se não somente para própria subsistência, já que o Estado arrancava das mãos do trabalhador parte do produto excedente, e, mais, havia também os altos impostos para sustentar a nova burocracia. Assim, ao fim da história, foi possível constatar que a desigualdade social e a alienação do produto não se relacionam com a propriedade privada, como acreditava K. Marx.

Em “Ideologia Alemã” K. Marx imaginou que sem classes e sem a exploração o Estado Progressivamente Desapareceria como consequência. Mesmo negando o anarquismo K. Marx e F. Engels (1820 – 1895) acreditavam que o próprio Estado prepararia sua extinção, ou seja, o Estado e o capitalismo teriam seu fim juntos e uma população autogestora surgiria das cinzas do velho mundo. É de uma inocência fora do normal ou cinismo? Decidam por vocês mesmos.



Mas a realidade é outra, seres humanos são egoístas! Agem segundo suas vontades e farão de tudo para conquistar seus objetivos e manter seus privilégios. E junto aos delírios vem o ônus dos delírios. O Estado é um mostro e crescerá sempre na medida em que for alimentado. E, na URSS cresceu através da burocracia e da violência, tornou as relações assimétricas, enfraqueceu os indivíduos e os desorganizou. Então, um único partido, dono do Estado, com um regime cruel e desumano floresceu através das perseguições e delações.

O totalitarismo da URSS proibiu tanto outros partidos como fragmentações. Suspendeu os direitos democráticos, coletivos e individuais. Assassinou opositores, inclusive da própria esquerda do stalinismo. Teve rígido controle da imprensa, com censuras, onde só poderiam noticiar versões oficiais, qualquer crítica, visão alternativa ou acontecimentos negativos eram rechaçados. Foram suprimidas as organizações sociais, e mantinham sindicatos no cabresto do Estado, assim o stalinismo iludia os trabalhadores com falsas ideias que estavam no poder através do Estado. Não concebia qualquer pluralidade, qualquer um que apresentasse autonomia era visto como opositor, uma ameaça ao regime ou falta de submissão.

Há aqueles que não admitem as relações, as características e os fatos de que a teorias socialista foi colocada em prática, e, existem aqueles que sabem e admitem os erros característicos do marxismo, porém, como sempre, atribuem os erros a algo externo a teoria. Como sempre a culpa nunca é da inviabilidade do socialismo, mas de fatores para além da teoria, como atraso material e cultural da população da velha Rússia, isolamentos etc. Há desculpa para tudo! Mas fica a pergunta: se o socialismo só é possível em um lugar em que já existe prosperidade material e cultural, então é melhor deixar o capitalismo agir primeiro, certo? Já que o comunismo é incapaz de gerar tais condições. E, se é assim, para que serviria o socialismo em um lugar onde as pessoas já têm tudo o que precisam para viver? Estas questões levantadas servem para questionar tanto os marxistas como o próprio K. Marx, pois, ele acreditava que as revoluções ocorreriam primeiro em lugares prósperos.

Mas, todos aqueles que simplesmente dizem que o socialismo é uma ideia de liberdade e generosidade são os que menos bagagem teórica possuem, precisam de palavras subjetivas para defender uma teoria que na prática já foi desmascarada – mostram uma completa desconexão com a realidade! Não importa quais as intenções pelas quais as ideias são concebidas, cabe, simplesmente, saber qual a viabilidade prática. Por mais bem-intencionada que seja uma teoria é na prática que deve se provar necessária e verdadeira.



CAPITALISMO E O DIREITO BUGUÊS DE SER FÚTIL.

A sociedade de mercado – capitalista – trouxe inúmeras facilidades para o codiano, e, com isso, uma geração de mimados se levantou, agora exigem todos seus direitos à futilidades.



Capitalismo, leia-se Livre Mercado, é, sem dúvidas, o melhor sistema econômico criado. Não houve na história humana um sistema que, em tão curto espaço de tempo, tenha tirado um número tão expressivo de pessoas da miséria. Um sistema, que nos últimos 200 anos, elevou as condições de vida humana a ponto de nos fazer esquecer a nossa condição diante da natureza – a pobreza!

Mas o conforto leva a uma certa frivolidade.

Pode-se argumentar que grande maioria da população é movida por suas frivolidades, são ociosas, fúteis e pouco se importam com questões intelectuais. Mas não é inteiramente verdade. Há em Sêneca (4 a.c – 65 d.c) uma preocupação com setores subalternos da sociedade romana. O que chama a atenção é sua doutrina de moderação da parte do soberano para não criar oposições e instabilidade no poder, ou seja, constantes negociações com os diversos setores sociais, seja aristocrata ou não. Isso leva a crer que havia relevância nos setores populares para a manutenção do poder do imperador. O que quero dizer é que nem sempre a ociosidade e a frivolidade são características gerais.

Os trabalhos braçais, coisa que ocorreu na maior parte da história humana, ocupavam um grande período de tempo dos trabalhadores, deixando assim muito pouco, ou quase nada de tempo para contemplação da existência. Apesar de concordar com aqueles que argumentam que os benefícios do capitalismo vão além do material, e que há uma elevação moral, de tolerância, e etc. como Benjamin M. Friedman (1944), tenho também que concordar com Luiz Felipe Pondé (1959) quando diz que o capitalismo criou uma geração mimada.



Todo o conforto criado pela sociedade de mercado deu origem, aparentemente, aos seres humanos mais mimados que já passou pela face da Terra. Acreditam realmente que existe direitos para além das obrigações.

Nossos antepassados sabiam que nem ao menos comer era um direito, sabia que caso não estivesse na lavoura ou caçando assim que o sol estivesse raiando não teria o que comer quando o sol se colocasse no horizonte. Hoje, é direito ter um Iphone! A preguiça os faz confundir benefícios com direitos.

Os antigos socialistas – os de verdade, não esse novo fetiche capitalista que chamam de socialismo – diziam que o direito é um sistema burguês usado para domesticar as massas. Friedrich Engels (1820 – 1895) e Karl Kautsky (1854 – 1938), em “Socialismo Jurídico” fizeram uma análise da passagem do mundo em estágio feudal para a concepção de mundo burguesa – a qual chamam de natureza burguesa do direito, relacionando o desenvolvimento, e passagem entre os mundos, ao intercambio de mercadorias.

Hoje, os adeptos socialistas não sabem o que foi o socialismo e, muito menos, saberiam viver sem o capitalismo é uma adesão completa ao estilo de vida burguesa e tudo que os resta é gritar a plenos pulmões – é direito!



O capitalismo estendeu o direito burguês de ser fútil!

Mas, a vida é fútil mesmo, e a fuga do tédio leva a frivolidades – estou pensando em Schopenhauer (1788 – 1860) quando digo isso, quando ele diz que o a vida é um pêndulo entre os desejos e o tédio.

Todos os dias há na televisão uma senhora, agora senhores também, mostrando suas casas, sala de jantar, roupas caríssimas e a prataria nobre. Uma demonstração da vitória da frivolidade burguesa, porque os ricos não têm algo a dizer e os mais pobres têm tempo para escutar toda a bobagem produzida por eles, entre eles há um “espertinho” falando de desigualdade social na internet para preencher o vazia que ninguém quer adentrar. Resumindo, um mundo de futilidades para preencher a monotonia do nada.

Concordo com Emil Cioran (1911 – 1995), “a frivolidade é um privilégio” e também com Charles Bukowski (1920 – 1994), “o mundo exagera demais na sua importância”, e quando diz: “o mundo, infelizmente, vivia infestado de bilhões de criaturas que não têm nada para fazer a não ser matar o tempo e matar a gente”. Parece que toda essa frivolidade é uma forma de fugir de si mesmo.

Parece-me que, de alguma forma, todos concordamos quando o sábio pregador diz: vaidades de vaidades, tudo é vaidade.

Até nós, filósofos, só podemos pensar porque todas as outras necessidades já foram supridas. Mesmo que entremos na mais profunda e honesta filosofia o tempo dedicado a ela é o tempo de fuga da monotonia. E isso também pode ser o tempo entregue a vaidade, e, até certo ponto, ao fútil.

O mundo mudou, a natureza humana não, sempre fomos o que somos, porém, agora, temos mais tempo para a contemplação do nada.