Arte, Moralidade e Liberdade

(…) a própria ideia de relativismo moral não é capaz de se sustentar, se houvesse uma teoria “x” para mostrar que todos os valores são falsos ou relativos, a teoria “x” também seria relativa, então, igualmente, falsa! Já que não poderia existir um valor verdadeiro. Sendo assim, se a teoria “x” existisse, cairia no paradoxo do mentiroso.



As preocupações com as questões morais/ética são tão antigas quanto a filosofia.

Os gregos no século VII a.C já pensavam em um redimensionamento social e político para as polis, cidades-estados, mas pensavam na moral/ética como uma virtude a ser buscada constantemente, o que servia tanto para a vida privada quanto a pública, ou seja, os cidadãos são livres, porém parte de uma comunidade.

Hoje, os conceitos de moralidade estão turvos em parte devido um relativismo moral, que atribui valores intrínsecos a pessoa. Tenta fazer acreditar que os valores são pessoais, que cada um têm seus próprios critérios morais, tornando-os subjetivos. Assim, todos os valores tornam-se falsos, se cada um têm seus próprios valores então, não existem valores. O que parece um absurdo!

Porém, a própria ideia de relativismo moral não é capaz de se sustentar, se houvesse uma teoria “x” para mostrar que todos os valores são falsos ou relativos, a teoria “x” também seria relativa, então, igualmente, falsa! Já que não poderia existir um valor verdadeiro. Sendo assim, se a teoria “x” existisse, cairia no paradoxo do mentiroso.

Desta forma, ao tornar os valores subjetivos, cria um sentimento de que não há ponto de vista alheio ao próprio, e que, o sujeito, dono dos próprios valores, não pode ser julgado, ou seja, seus desejos e ambições são sua única orientação, passando a ver os outros como o entrave aos seus objetivos, não como um regulador de comportamento, coisa tal, que sempre esteve intimamente ligada ao comportamento humano – o julgamento alheio. Com isso, o resultado não pode ser outro se não uma pulverização dos objetivos comuns, ou da comunidade, ninguém mais olha para si mesmo como parte integrante de uma sociedade com objetivos comuns.



Sempre quando se fala em moralidade o senso comum entra em polvorosa a acusar a religião e tudo que a cerca, mas não é essa a questão, não é preciso ser religioso para ter um senso moral, e, principalmente, saber que existem valores irrevogáveis. Valores que sustentam nossa sociedade e a nós mesmo como humanos, ou seja, nossa psique e nossa integridade física, mesmo que esses valores sejam de origem religiosa, como são, e sempre foram, não devem ser banidos pelo simples fato da sua origem.

Quanto a ARTE, parece contraditório, mas, acredito que a liberdade de expressão deve ser total! Mesmo que esta arte questione os valores vigentes, ou queira impor novos. Sem tais contradições não poderí­amos chegar a um consenso, ou seja, é questionando as verdades, que saberemos que as verdades são realmente verdades, e, é, por serem verdades, que devem ser seguidas. A Arte é representação, não a realidade, e é essa característica que a torna livre e questionadora.

Não acredito que a arte seja livre, ou que em algum momento da história tenha sido livre. Durante a o perí­odo Grego a arte já servia para a educação do povo, e incutir sentimentos morais e ensinamentos da elite, dita pensante. O mesmo ocorria no Egito, e em outras civilizações antigas. Na Idade Média estava sobre o domínio da igreja, e a nobreza feudal. Hoje, no capitalismo, esta submetida as vontades do capital, o que levou o Santander pedir desculpas, por exemplo. A arte nunca foi totalmente livre, nem acredito que um dia será, principalmente porque ela é um atributo humano e o humano nunca será totalmente livre, pois liberdade total não existe, ela é contraditória em si mesma. A liberdade sempre estará condicionada a alguma coisa externa a ela. Uns são mais livres que outros, é a natureza, mas todos, de alguma forma, estão submetidos as regras. Para o capitalista a liberdade é a propriedade, para o socialista marxista a liberdade é a revolução, e, assim caminha a humanidade, sem ideia do que esta fazendo, com um refúgio chamado arte!



Marvel mudou nome de vilão para evitar problemas com racismo

Os prejuizos do politicamente correto vão além de meras nomeclaturas.

MAIS UMA DO POLITICAMENTE CORRETO.  Quando qualquer fã de HQ, e acho que qualquer pessoa em sã consciência, vê um personagem super-herói, imagina que o atributo do animal foi fundido ao homem, por exemplo, homem-formiga o atributo “pequeno” tornou-se característica do humano Super, ou homem-aranha os atributos da aranha potencializando os atributos humanos, e assim por diante. É assim há séculos, os deuses do Egito eram representados na forma de animais ou na forma antropozoomorfica (meio humano, meio animal), desta maneira o animal emprestava suas caracteristicas e, qualidades, ao homem, como por exemplo o deus Anúbis, com cabeça de chacal, caracteriza a esperteza noturna ou Hórus, com cabeça de falcão tem a capacidade de voar e, assim por diante.

MAS NÃO, agora transformaram os atributos do gorila, que inicialmente foi lançado em 1969 nas HQs, como: força, grande velocidade, resistência e intelecto superior, em um reducionismo racista.

Quando Nate Moore, produtor executivo, explicou a situação em entrevista à Entertainment Weekly: “Nós não o chamamos de Homem-Gorila. Nós o chamamos de M’Baku. Ter um personagem negro vestido como um macaco traria inúmeras implicações raciais que seriam prejudiciais“, mostra que na realidade o problematizador é o verdadeiro racista, é ele, o próprio sujeito que olha para ao mundo desta forma logo, tenta atribuir aos outros este mesmo sentimento danoso, porque olha para si próprio como o detentor de toda bondade existente no mundo, olha e imagina uma importância tão magnânima ao ponto de precisar educar o resto dos reles mortais.

Porém, este é um belo caso de quão nocivo é o Politicamente Correto, quando faz o cerceamento de palavras suprime a ideia que está por trás delas, como dito anteriormente, no caso, os atributos do animal para potencializar o Homem, mas isso ocorre em todos os discursos do politicamente correto, e assim pode-se eliminar ideias contrárias as agendas da esquerda. Desta forma, entram o mérito dos bons contra os maus e conseguem limitar a liberdade de expressão que é a ponte básica para a construção de ideias dentro do espaço democrático.

Homem Gorila lutando contra o Pantera Negra