ÉTICA EM PLATÃO

Platão, sob a influêcia de seu mestre, Socrátes, discorre sobre diversos temas relacionados à ética.

Quadro Escola de Atenas de Rafaello Sanzio (1483-1520)

Platão (428/427 – 348/347) é considerado o primeiro grande filósofo a trazer à tona o tema ÉTICA. [1] Assuntos como: amizade (lisis), a virtude (mênon), a coragem (laqueado) e o sentimento religioso (eutífron), foram introduzidos no cotidiano grego através dos diálogos platônicos, e discutidos filosoficamente até os dias atuais.

São diálogos entre Sócrates e personagens históricos do cotidiano ateniense e, alguns outros, fictícios, que discutem sobre temas éticos. Acredita-se que Platão, nesse período, está sob a influência de seu mestre Sócrates.

Sócrates, através das letras de Platão, irá levantar importantes questionamentos éticos. Pontos que, no decorrer da história, rendera a filosofia discussões fundamentais como: conceitos, critérios de aplicações na prática cotidiana. E, se, a ética, é parte da natureza humana ou se são apreendidas e, se é possível ensiná-la.

Platão usa, em seus diálogos, o estilo aporético, ou seja, não é possível encontrar uma solução definitiva para os problemas levantados, ou, ao menos, definir conceitos éticos.

Para Danilo Marcondes em “Textos Básicos Sobre Ética: De Platão a Foucault” escreve citando o próprio Sócrates:

“Talvez a lição socrática esteja principalmente na importância do desenvolvimento de uma consciência moral, de uma atitude reflexiva e crítica que nos leve a adotar comportamentos mais éticos, e não na formulação de um saber sobre a ética e seus conceitos. É o que diz Sócrates na célebre passagem da Apologia (38a): “A vida sem exame não vale a pena ser vivida.”

Os diálogos socráticos têm caráter teórico. É o momento em que, Platão desenvolve sua teoria metafísica, conhecida como Teoria das formas ou Teoria das Ideias.

Platão em “Republica” nos livros VI e VII caracteriza a Forma do Bem como “Suprema Forma”, este é seu princípio metafísico mais importante. Desta forma, por ser de difícil explicação, e, principalmente, ser um princípio, o filósofo fornece três mitos para facilitar a exemplificação da sua Teoria. A trilogia “Mito do Sol”, “Linha Dividida” e “A Caverna”. Para esclarecer, em linguagem figurada, a Natureza do Bem.

Na alegoria da Caverna, através de Sócrates, Platão diz:

Nos últimos limites do mundo inteligível aparece-me a ideia (ou forma) do Bem, que se percebe com dificuldade, mas que não se pode ver sem se concluir que ela é a causa de tudo que há de reto e de belo”

Ou seja, para Platão, o sábio é quem alcançou o Bem através da dialética – Ascensão da Alma – até um lugar mais elevado e abstrato do real, podendo, desta maneira, agir de forma justa. 

“Pois ao conhecer o Bem, conhece também a Verdade, a Justiça e a Beleza. É por este motivo que a concepção ética de Platão ficou conhecida como “metafísica do Bem”. A forma do Bem é, por conseguinte, o fundamento da ética.” [2]

Mesmo que Platão faça, posteriormente, uma revisão crítica de sua Teoria das Formas ou Teoria das Ideias, as preocupações éticas reaparecem entre seus últimos diálogos conhecidos, como, por exemplo, Filebo e As Leis.

CONCLUSÃO. Desta forma, é possível compreender o que é fundamental na obra de Platão:

O indivíduo que age de modo ético é aquele que é capaz de autocontrole, de “governar a si mesmo”, como vemos no Górgias. Entretanto, a possibilidade de agir corretamente e de tomar decisões éticas depende de um conhecimento do Bem, que é obtido pelo indivíduo por meio de um longo e lento processo de amadurecimento espiritual, “a ascensão da alma”, tal como descrita na Alegoria da Caverna.”[2]

[1]. Origem da Ética. Os gregos estabelecem uma vida moral como sendo uma vida boa, bem-sucedida – a eudaimonia.

[2]. Danilo Marcondes em “Textos Básicos Sobre Ética: De Platão a Foucault”.

RELATIVISMO MORAL, caracteríticas e as três principais variações

Entenda RELATIVISMO MORAL, e veja quais são as caracteríticas e suas três principais variações

Placa de Destino
A placa de Destino sobre um fundo branco com setas escrito em inglês “Right” em fundo verde, “Wrong” em fundo azul e “it depends” com fundo vermelho.

Não há como falar/escrever sobre Relativismo Moral sem antes explanar sobre a base que o fundamenta e as suas três principais variações.

A principal característica e comum aos distintos gêneros de Relativismo Moral é a que sustenta toda a ideia ou pensamento relativista de que nada pode ser Totalmente bom ou Totalmente mau. Todo o pensamento Relativista é baseado em “DEPENDE”.

PARA ALGUNS, DEPENDE de quais critérios éticos são aceitos para si mesmo como indivíduo. Desta forma, ninguém pode julgar moralmente outro ser humano, ou seja, não pode existir valores morais interpessoais.

PARA OUTROS, DEPENDE o que um grupo de pessoas (sociedade ou comunidade) aceita como valores morais e/ou éticos para si mesmo e sustentados por eles. Considerando que existem valores morais interpessoais somente intra-grupos e nunca inter-grupos. Ou seja, aceitam que existem valores diferentes, porém somente entre indivíduos e não entre diferentes grupos.

E, por fim, para outros, há aqueles que acreditam que as pessoas aceitam valores éticos não somente para si mesmo, mas também para os outros, ou seja, existe um valor de aplicação universal, mas com critérios de que esses valores são sempre subjetivos e não podem ser justificados sobre critérios objetivos.

As três variações ou derivações correspondem respectivamente ao “PERSONALISMO”, ao “RELATIVISMO” no sentido estrito e o “UNIVERSALISMO SUBJETIVO”. Segundo as classificações de James S. Fishkin (1984) em “Beyond Subjective Morality: Ethical Reasoning and Political Philosophy”.

Desta maneira, como os juízos Morais e éticos dependem de valores individuais de cada ser humano e como não aceitam pontos de vista éticos diferentes, ou seja, que existem valores verdadeiros, a conclusão do Relativista Moral é que: qualquer ponto de vista pode e, deve, ser aceito como válido.

Consequentemente, qualquer que seja o posicionamento do Relativista Moral o argumento seria inconsistente, porque na medida que avança em argumentos de tolerância universal destrói os próprios princípios éticos do relativismo. Como exemplifica Roger Scruton (1944) em “A Alma do Mundo”, mesmo que existisse uma teoria relativista “x” para mostrar que os valores são falsos ou relativos, a teoria “x” seria, então, da mesma forma, falsa, já que não pode existir valores verdadeiros. Ou seja, o Relativista Moral, sempre cai no Paradoxo do mentiroso.

Então, para que, a teoria relativista, tenha consistência só resta a opção: aceitar o Amoralismo, no sentido de negar qualquer juízo moral ou ético, pois, para ele, não existe valores. À vista disto, resta, ao relativista, duas posições frente ao confronto, evitar qualquer discussão ética/moral, ou passa a exigir vias racionais “aceitáveis” para que ele (o relativista) abandone suas posições de Relativismo Moral.

VEJA TAMBÉM: A ORIGEM DA ÉTICA

MENTIR é lucrativo



Personagem frente a notebbok com notas de dinheiro saindo da tela.

Todos os dias há um boato novo. Alguém famoso que morreu ou está muito doente. Especulações financeiras e políticas. Tudo em nome da visualização. Blogueiros e palpiteiros de rede sociais nem se dão ao trabalho de verificar as notícias que jogam para seu público ansioso pelo último e mais recente boato. Assim ganham não somente os difusores de mentiras, mas também aqueles que se aproveitam dos difusores de mentiras para ganhar dinheiro.

Há buracos na mídia iterativa, blogs e redes sociais, são muito veloz para dar furos, ou tentativas de furos, precisa desesperadamente de histórias, desta forma, caem fácil em mentiras criadas por usuários.



Há alguns anos um rapaz publicou brincando no site iReport, plataforma online da CNN, que uma fonte segura afirmou que Steve Jobs sofreu um ataque cardíaco. Havia sido a primeira e única mensagem deste usuário. Claro, era obviamente um bait. Apesar de parecer uma simples brincadeira o Silicon Alley Insider mordeu a isca e publicou como notícia verdadeira, vinte e cinco minutos e as ações da Apple estavam em queda livre até que, a empresa, negasse toda a história. Quem ganhou com isso? Quem comprou as ações da Applle! [1].

Boatos econômicos surgem a todo momento. É fácil criar comunicados falsos e ninguém ser responsabilizado. Veja outro caso:

“Foi assim com Lambro Ballas, corretor de ações de Nova York: ele foi acusado pela Comissão de Valores Mobiliários de fazer falsos comunicados de imprensa online a respeito de ações de empresas como Google, Disney e Microsoft e enviá-los a blogs e fóruns sobre finanças. Com a notícia falsa de uma oferta de aquisição supostamente feita pela Microsoft, as ações da Local.com subiram 75 por cento em um dia”

de Ryan Holiday (1987), em seu livro “Acredite, Estou Mentindo – Confissões de um Manipulador das Mídias”.

Imagina o que pode ser feito por políticos com vontade de poder!

Hoje, as informações, circulam em velocidade não em confiabilidade, o que torna cada vez mais difícil discernir sobre a verdade ou sobre o que é verdadeiro, além, claro, do agravante – mentiras são lucrativas! [1]

Muitos dos problemas com as fakenews se deve a velocidade e a quantidade de informação disponibilizada em anonimato, tempo é dinheiro e verificar informações ou “dar a cara a tapa” é caro. É mais fácil publicar e, quem sabe, depois se retratar, mesmo que as retratações não tenham o mesmo efeito da notícia anterior.

Antigamente, com um número menor de jornalistas, a delegação de confiança era mais simples, ao noticiar algo era possível descobrir quem deu o furo, em qual agencia e, principalmente, se era confiável. Coisa difícil hoje em dia.

NÃO ESTOU DEFENDENDO REGULAÇÃO DA MÍDIA, já deixei claro que a checagem é de responsabilidade individual, [2] e que mentiras são o ônus da liberdade [2]. Inclusive como deveríamos agir, [3] com cuidado, e com ceticismo, é claro!

[1]. ÓDIO GERA LUCRO! Ou você acha que a tua opinião importa?

[2]. INFORMAÇÃO E RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL – A Saída da Menoridade Intelectual

[3]. MANIPULAÇÃO DAS MÍDIAS – COMO AGIR?



Corrupção e Ética à Brasileira O “Jeitinho”

O jeitinho brasileiro visto como uma reação à percepção do brasileiro quanto a corrupção histórica brasileira

Corrupção brasileira é histórica e facilmente pode ser identificada através de registros e documentos desde os tempos do império! Corrupção que, inclusive não era vista como corrupção. O Clientelismo, favorecimento de parentes e amigos, e o Patrimonialismo, dificuldade de diferenciar o público do privado [1] são marcas históricas no Brasil.

Ética/Moral são construções com origem filosófica conhecida, e através dos tempos devem ser revisitadas e, no caso do brasil, ainda mais. Com inúmeros casos de corrupção aparecendo todos os dias a população, assim como filósofos e cientistas sociais, pensam o tema, o que implica olhar a corrupção do ponto de vista dos valores fundamentais na moralidade, ou seja, honestidade e confiança, junto aos princípios constitucionais como decoro, dignidade humana e propriedade administrativa. Já que a má percepção brasileira sobre corrupção aumenta a cada instante.

Segundo a ONG Transparência Internacional, entre 168 nações o Brasil ocupa oposição 76 no Corruption Perceptions Index. [2] Índice que serve de parâmetro para que empresas possam investir no país. Quanto mais corrupto um país maior a incerteza e menor serão as receitas.

Como dito anteriormente, o problema da corrupção não é recente no Brasil, porém, a verdade é que toda história humana, é também a história da evolução das sociedades e do seu senso moral, e de justiça. No entanto tantos escândalos consecutivos de corrupção parece minar as forças do cidadão, seja para empreender, como mostra o Índice de percepção da corrupção, seja a força moral, o que leva ao desânimo nos referenciais de ética e moralidades mais básicos.

Desânimo nos Referenciais de Ética e Moralidades. O Homem é, segundo Aristóteles (384 a.C – 322 a.C), zoon Politikon, isso quer dizer, um ser de relações sociais, relações morais, tanto pública como individual, responsável por seus atos diante da comunidade e diante de si mesmo. E é dentro destes conceitos que pensavam os gregos, e que pensam os filósofos até hoje. Se somos animais políticos são necessárias relações éticas, que possam ser mais justas possíveis dentro da convivência humana.

Assim, ao ver as injustas relações entre os compatriotas o ser, o brasileiro, nota que seus esforços não são capazes de gerar o necessário, ou os frutos colhidos não são o suficiente para seu desenvolvimento, ao notar, mesmo que empiricamente, o Clientelismo e Patrimonialismo, vê algo errado no seu agir, então, obviamente, encontrará mecanismos para romper com aquilo que é “certo”, porém não gera frutos, brota, assim, o “Jeitinho” brasileiro. Ou seja, ao perceber o falso discurso de imparcialidade e neutralidade na política, e que os discursos servem somente para o favorecimento de grupos já ligados ao governo, o brasileiro tenta agir de forma que não fira a sua prórpia moral, porém contrariando a lei vigente, que muitas vezes, percebe como injusta.

 

[1]. Como o modelo de colonização lançou as bases para a difusão da corrupção, que seguiu encontrando terreno fértil para se manter na esfera pública, alimentada pela falta de punição e pela manutenção de elites no poder. https://g1.globo.com/educacao/noticia/analise-historica-mostra-que-corrupcao-no-brasil-persiste-desde-o-periodo-colonial.ghtml

[2]. Trata-se de um indicador compilado a partir de outros indicadores, todos estes referentes a opiniões de pessoas ligadas a corporações transnacionais (ou que para elas prestam serviços) a respeito do nível de corrupção que elas imaginam vigorar em um país. O índice da TI é expresso na forma de um ranking. A entidade emprega um “grau” (um número de 0 a 10) para exprimir a posição dos países no ranking (ABRAMO, 2005, p. 34).

Tomadas com gambiarras em preto e branco. Escrito Jeitinho brasileiro

Arte, Moralidade e Liberdade

(…) a própria ideia de relativismo moral não é capaz de se sustentar, se houvesse uma teoria “x” para mostrar que todos os valores são falsos ou relativos, a teoria “x” também seria relativa, então, igualmente, falsa! Já que não poderia existir um valor verdadeiro. Sendo assim, se a teoria “x” existisse, cairia no paradoxo do mentiroso.



As preocupações com as questões morais/ética são tão antigas quanto a filosofia.

Os gregos no século VII a.C já pensavam em um redimensionamento social e político para as polis, cidades-estados, mas pensavam na moral/ética como uma virtude a ser buscada constantemente, o que servia tanto para a vida privada quanto a pública, ou seja, os cidadãos são livres, porém parte de uma comunidade.

Hoje, os conceitos de moralidade estão turvos em parte devido um relativismo moral, que atribui valores intrínsecos a pessoa. Tenta fazer acreditar que os valores são pessoais, que cada um têm seus próprios critérios morais, tornando-os subjetivos. Assim, todos os valores tornam-se falsos, se cada um têm seus próprios valores então, não existem valores. O que parece um absurdo!

Porém, a própria ideia de relativismo moral não é capaz de se sustentar, se houvesse uma teoria “x” para mostrar que todos os valores são falsos ou relativos, a teoria “x” também seria relativa, então, igualmente, falsa! Já que não poderia existir um valor verdadeiro. Sendo assim, se a teoria “x” existisse, cairia no paradoxo do mentiroso.

Desta forma, ao tornar os valores subjetivos, cria um sentimento de que não há ponto de vista alheio ao próprio, e que, o sujeito, dono dos próprios valores, não pode ser julgado, ou seja, seus desejos e ambições são sua única orientação, passando a ver os outros como o entrave aos seus objetivos, não como um regulador de comportamento, coisa tal, que sempre esteve intimamente ligada ao comportamento humano – o julgamento alheio. Com isso, o resultado não pode ser outro se não uma pulverização dos objetivos comuns, ou da comunidade, ninguém mais olha para si mesmo como parte integrante de uma sociedade com objetivos comuns.



Sempre quando se fala em moralidade o senso comum entra em polvorosa a acusar a religião e tudo que a cerca, mas não é essa a questão, não é preciso ser religioso para ter um senso moral, e, principalmente, saber que existem valores irrevogáveis. Valores que sustentam nossa sociedade e a nós mesmo como humanos, ou seja, nossa psique e nossa integridade física, mesmo que esses valores sejam de origem religiosa, como são, e sempre foram, não devem ser banidos pelo simples fato da sua origem.

Quanto a ARTE, parece contraditório, mas, acredito que a liberdade de expressão deve ser total! Mesmo que esta arte questione os valores vigentes, ou queira impor novos. Sem tais contradições não poderí­amos chegar a um consenso, ou seja, é questionando as verdades, que saberemos que as verdades são realmente verdades, e, é, por serem verdades, que devem ser seguidas. A Arte é representação, não a realidade, e é essa característica que a torna livre e questionadora.

Não acredito que a arte seja livre, ou que em algum momento da história tenha sido livre. Durante a o perí­odo Grego a arte já servia para a educação do povo, e incutir sentimentos morais e ensinamentos da elite, dita pensante. O mesmo ocorria no Egito, e em outras civilizações antigas. Na Idade Média estava sobre o domínio da igreja, e a nobreza feudal. Hoje, no capitalismo, esta submetida as vontades do capital, o que levou o Santander pedir desculpas, por exemplo. A arte nunca foi totalmente livre, nem acredito que um dia será, principalmente porque ela é um atributo humano e o humano nunca será totalmente livre, pois liberdade total não existe, ela é contraditória em si mesma. A liberdade sempre estará condicionada a alguma coisa externa a ela. Uns são mais livres que outros, é a natureza, mas todos, de alguma forma, estão submetidos as regras. Para o capitalista a liberdade é a propriedade, para o socialista marxista a liberdade é a revolução, e, assim caminha a humanidade, sem ideia do que esta fazendo, com um refúgio chamado arte!



EM DEFESA DO CHARLATANISMO

Existem charlatões de toda sorte, mas como diz Stuart Mill (1086-1873) as mentiras também devem ser permitidas, faz parte do ônus intrínseco à liberdade, do contrário como saberemos que o que seguimos é verdade?



Entre mentiras, Pós-Verdades, e histeria midiática, com a “Cura Gay”, o que, resumidamente, foi feito pelo juiz federal da 14ª Vara do Distrito Federal Waldemar Cláudio de Carvalho é, simplesmente, proibir a proibição que o Conselho Federal de Psicologia havia imposto sobre os indivíduos – nada demais!

Estamos na era da Informação e ainda é difícil discernir a diferença entre informação e instrução.

Mentiras sempre existiram e sempre existirão – no caso há duas – o texto não fala em Cura Gay e, caso algum Psicólogo queira vender a ideia, continuará sendo mentira. Particularmente, acho que não existe uma cura, e, sinceramente, acho que isso não é importante no século XXI. Mas, a liberdade individual e, neste caso, científica, deve ser respeitada e sempre ampliada.

Sobre mentiras, nada pode ser feito a não ser desmascará-las. A “Cura Gay” é só mais um desses casos – que ganha grande repercussão por causa da agenda LGBT.

Existem charlatões de toda sorte, mas como diz Stuart Mill (1806-1873) as mentiras também devem ser permitidas, faz parte do ônus intrínseco à liberdade, do contrário como saberemos que o que seguimos é verdade? E, mais, as mentiras são uma oportunidade de reconhecermos as verdades e seguirmos pelo caminho mais correto. Desta forma, como saberíamos que algo é mentira se não podemos desmascará-la? Se existe, da parte do leitor, qualquer apego à liberdade e ao bom senso, sabe que proibições criam mitos e mitos dificilmente são desfeitos se não por meio de ideias e discussões.



A proibição é, nada mais, que um puritanismo hipócrita típico de esquerdista – apesar que a direita brasileira não fica atrás, aprendeu direitinho como impor suas vontades no grito – já que todo tipo de proibição é uma proibição para aquilo que a Esquerda ou a Direita acha que é errado e deve ser proibido, nenhuma dessas polarizações estão pensando na liberdade do indivíduo e, sim, numa doutrinação estadista, onde só vale o que um lado deseja. A liberdade esta para além desta polarização! É, nesse, como em outros casos, o indivíduo contra o Estado.

A pauta LGBT é amplamente divulgada devido seu apelo social, mas já imaginou se tivesse que proibir todo o charlatanismo, que hoje paira sobre a medicina? Poderia cortar a metades dos atendimentos hoje prestados por fisioterapeutas, enfermeiros, médicos etc., o próprio SUS promove uma série de programas que não há comprovações científicas.

O que esta em questão, no caso, é a Ética da Liberdade, a compreensão que o homem tem de si mesmo, e do seu lugar, na ordem e harmonia do universo e não a ética dos conselhos de classes – que já deveriam ter sido abolidos há tempos. O que esta em jogo é a liberdade individual, a liberdade de escolha, que é referente ao sujeito e com aqueles com que ele se relaciona, por qualquer que seja o motivo.

Ou seja, a liberdade individual consiste em uma obrigação intrínseca consigo mesmo o que inclui o direito e o dever de governar a si próprio. Isto é, nenhum governo ou qualquer instituição tem legitimidade sobre a vontade do indivíduo.

Desta forma, o direito individual de cada ser humano é também o risco de se colocar em perigo durante qualquer que seja o tratamento que pretende se submeter – bioquímico ou psicológico – ou seja, pode ser a cura gay, acupuntura, remédios homeopáticos ou qualquer outro, e, inclusive, não se submeter a nenhum tratamento, caso assim desejar, seja por motivos religiosos ou não.



A questão, deste específico caso, é nada além de político. É a agenda esquerdista tentado se impor sobre a vontade dos indivíduos para parecer como um salvador das minorias em troca de alguns votos. Porém, a verdade, é outra, os direitos individuais nunca foram pauta da esquerda, pelo contrário, a esquerda sempre olhou para o ser humano como massa, e sempre fez dele massa de manobra. A pauta das liberdades individuais sempre esteve mais à direita desta polarização, mesmo que no Brasil estes conceitos sejam tão confusos.

O debate é conhecido, foi somente depois da Queda do Muro de Berlin (1989) que a esquerda se reorganiza e começa o seu discurso no sentido de liberdades individuais. E, para esquerda, estes novos conceitos se tornam turvos, já que, até hoje, ainda pensa e olha o mundo de forma gregária, ou seja, dividindo-o em grupos.

Porém, estas divisões, sempre criarão conflitos porque o indivíduo não é responsável por si mesmo e o direito não esta vinculado a natureza intrínseca de ser humano, mas na origem daqueles que o possui, ou seja, para o socialista, não se tem o direito à liberdade porque é um ser humano, mas porque pertence ao grupo de mulheres, negros, gays etc., desta forma, sempre o grupo mais forte, ou aquele que gritar mais alto, se sobressairá sobre o outro, aqueles que detiverem o poder de coerção do Estado terá todos os outros nas mãos, e, não poderia ser diferente, porque esse é o objetivo – criar conflitos e possuir o monopólio da violência, o Estado!

A esquerda absorveu a pauta, mas não a compreendeu ainda, não existe direitos coletivos, e, a tentativa de aplicá-los, sempre se tornará uma tragédia.

Desta forma, fica tudo tão confuso que se perguntarmos a alguém o que são Direitos Naturais, cada um responderá segundo seu grupo de origem, o que sempre leva ao detrimento do outro grupo. Ao invés disso se entendermos o direito como sendo intrínseco ao humano, por ser um indivíduo, este direito abarcará também aos semelhantes mesmo que ele seja diferente. As diferenças conceituais são muito sutis, entre direitos de grupos e direitos individuais, mas que acarreta uma grande diferença na organização mental do indivíduo.



ORIGEM DA ÉTICA

A origem da nossa concepção sobre ética e moral nasce nos antigos gregos. Sócrates, Platão e Aristóteles inauguram a filosofia pensando a ética.

 

ORIGEM DA ÉTICA
Fotografia de Fundo, praia desfocada. Escrito “Origem da Ética” e Diarium Filosófico.

A preocupação com a Moral/Ética é antiga. Os gregos, a partir do século VII a.C., já pensavam em redimensionamento social e político da polis – as conhecidas cidades-estados. Desta forma, uma percepção cosmológica passa a ser influente no modo de pensar Grego, orientada pela arete – ética da virtude, que serve tanto para vida pública quanto para a vida privada, os indivíduos cidadãos são livres, porém, parte de uma comunidade.

Isso é, para Ocir de Paula Andreata (2011) em “Ética, prazer e religião nas raízes da antiguidade”, a compreensão que o homem tem de si mesmo, e do seu lugar, na ordem e harmonia do universo. Assim os gregos estabelecem uma vida moral como sendo uma vida boa, bem-sucedida – a eudaimonia.

Em toda filosofia grega, como na teologia latina, modo de agir humano é visto como “ética cosmológica”. O antigo eudaimonia grego torna-se o de beatitude na teologia, ou seja, passa a ser piedade.

Mover a vida em direção à virtude, é uma ideia existente, e que persiste, desde os filósofos pré-socráticos, que através de observações e meditações sobre a physis – princípio de evolução – buscavam o theíon como um modo de vida espiritual, ou seja, através da totalidade cósmica com o qual se comprometem, o indivíduo quanto mais cresce em conhecimento e consciência, mais o sujeito se compromete com esse cosmos.

Filosofar, é, então, um método de como buscar a verdade, como viver melhor ou como fazer escolhas morais.

Ética, como filosofia nasce em Sócrates (469 a.C – 399 a.C.) e em  Platão (428 a.C – 347 a.C), porém, é em Aristóteles que se torna um sistema de ação e reflexão sobre o comportamento humano, ou seja, a filosofia e a ética nascem juntas. Até mesmo os pré-socráticos estabeleciam Virtude como o Objeto da ética, com a finalidade para a felicidade.

O que Sócrates faz é, da reflexão ética o centro filosófico, ou seja, volta-se para o interior do homem buscando a essência da verdade, do ser e do viver. É o buscar dentro da própria alma.

Então, Platão absorve as ideias do mestre e desperta suas próprias sobre o conhecimento, e torna, o princípio moral, objeto para transcendência da alma, em relação ao mundo sensível – mundo onde estão a maioria das pessoas aprisionadas, longe do verdadeiro conhecimento. Assim Platão inaugura concepções teóricas sobre educação, política, arte, natureza da alma, e, finalidade da vida.

Se a ética socrático-platônico põe ênfase na virtude, justiça e verdade é Aristóteles quem definiu éthike como uma ação justa, a éthike pragmatéia – ética pragmática – em vida virtuosa. Ou seja, como um exercício constante das virtudes morais, e investigação dos costumes. Para Aristóteles, a vida não é mais concebida como sabedoria inata do mundo das ideias platônica, mas é um conhecimento produzido pela razão humana.

Veja Também: Relativismo Moral, Características e as três principais Variações

Observação: Não há diferença entre ética e moral para os filósofos gregos. “Moral” é a palavra romana equivalente para a palavra Grega “ética”, então, segui esta mesma definição.

 

Ética de Platão