Ética de David Hume em Tratado da Natureza Humana

A Razão, para Hume, é inativa, ou seja, a mente está sujeita as percepções e não tem influência sobre as propensões naturais dos Homens.

David Hume, nascido na cidade de Edimburgo, Escócia em 1711, mesma cidade onde morreu em 1776. Em Vida, David Hume, foi conhecido e influente como filósofo e historiador. Famoso, principalmente, por seu Empirismo Radical, posição que o tornava cético.

Alguns pontos importantes, a respeito da filosofia de David Hume, são suas críticas a concepção metafísica de causalidade e ao conceito racionalista de “eu”. Pontos estes, tomados como afronta a tradição filosófica.

Porém, as consequências do ceticismo de Hume, advém de sua adesão a soluções naturalista, isto é, proveniente da Natureza Humana, seus impulsos e necessidades, lugar onde estão, para David Hume, nossas crenças básicas e a forma como agimos.

O TRATADO DA NATUREZA HUMANA – Publicado em 1737 é considerada a obra mais importante de David Hume. Com pouco aceitação, o próprio filósofo se queixa em “My Own Life” em 1776, sua autobiografia. Desta forma, resolve escrever o “Abstract” 1740, retomando o tema da causalidade, então, posteriormente, escreve “A Carta a Um Cavaleiro” em 1745 tentando refutar as objeções feitas ao seu Tratado. Assim, em 1748 escrever a “Investigação Sobre o Entendimento Humano”, uma restruturação da primeira parte do “Tratado da Natureza Humana”.

AS DISTINÇÕES MORAIS NÃO SÃO DERIVADAS DA RAZÃO – Segundo o filósofo, as Ações Humanas são baseadas nas paixões, isto é, nos impulsos e sentimentos. Desta maneira, para Hume, a Ação Moral depende de associações marcadas por sentimentos humanos, como, por exemplo, a simpatia, a benevolência e a compaixão. A razão, em David Hume, trabalha nas relações entre ideia ou nas questões empíricas, ou seja, a razão por si só, é insuficiente para explicar e fundamentar um caráter moral das ações.

Como o própria autor afirma:

“Como a moral, portanto, tem influência sobre as ações e os afetos, não pode ser derivada da razão; isso porque a razão por si só, como já provamos, jamais pode ter tal influência. A moral excita paixões e produz ou evita ações. A razão sozinha é inteiramente impotente nesse particular. As regras da moralidade, portanto, não são deduções de nossa razão.”.

Assim, os seres humanos, agem por que desejam algo e isso está mais relacionado com os sentimentos do que com o raciocínio. O que leva a uma outra afirmativa do autor:

“a razão é, ou deveria ser, apenas a escrava das paixões”.

E, depois, pelo mesmo motivo escreve:

“ (…) uma vez que o vício e a virtude não são descobertos apenas por meio da razão, deve ser graças a um sentimento que estabelecemos a diferença”.

No mesmo texto supracitado “As Distinções (…)” é examinada a moral do ponto de vista prática. Hume, analisa as diferenças entre vícios e virtudes e um confronto entre Juízo Moral com os juízos, que podem ser, Falso ou verdadeiros.

“A verdade e a falsidade consistem na concordância ou discordância com as relações reais das ideias, ou com a existência real das coisas. Portanto, tudo que não seja suscetível a essa concordância ou discordância é incapaz de ser verdadeiro ou falso e nunca pode ser objeto de nossa razão”.

E, então, segue em conformidade com o trecho anterior:

“Os que afirmam que a virtude nada mais é que a conformidade com a razão; que há adequações e inadequações eternas das coisas e que estas são as mesmas para todo ser racional que as considera; que os critérios imutáveis de certo e errado impõem uma obrigação, não só às criaturas humanas, mas ao próprio Deus — todos esses sistemas concordam que a moralidade, como a verdade, é discernida meramente por ideias, e pela justaposição e comparação das mesmas. Portanto, para julgar esses sistemas precisamos apenas considerar se é possível, pela razão somente, distinguir entre o bem e o mal moral, ou se alguns outros princípios devem concorrer para nos permitir fazer essa distinção.”

David Hume, considera que, na mente, somente existe as percepções, assim, todas as ações seja ver, ouvir, julgar, amar, odiar e pensar estão sob esta denominação. Por isso, escreve que:

“Se a moralidade não tivesse naturalmente influência alguma sobre as paixões e ações humanas, seria inútil fazer tantos esforços para inculcá-la; e nada seria mais infrutífero que aquela multidão de regras e preceitos abundantes em todos os moralistas.

Razão, para Hume, é inativa, o que o leva a crer que a razão não tem influência sobre as propensões naturais, desta maneira, as distinções morais não são fruto da razão segundo o autor:

“Ações podem ser louváveis ou condenáveis, mas não podem ser racionais — louvável e condenável, portanto, não é o mesmo que racional ou irracional.”

Outro trecho:

“(…) razão. Ele reside em vós, não no objeto. Assim, quando declarais viciosa alguma ação ou caráter, nada quereis dizer senão que, a partir da constituição de vossa natureza, tendes uma sensação ou sentimento de culpa ao contemplá-la. Vício e virtude, portanto, podem ser comparados a sons, cores, calor e frio, os quais, segundo a filosofia moderna, não são qualidades nos objetos, mas percepções na mente.”.

David Hume