Ética em Max Weber

Max Weber foi um proeminente pensador. Contribuiu para diversas áreas do pensamento com temas que circulam entre Ética na política, Limite da Responsabilidade Moral e Política como Vocação

M. Weber (1864 – 1920) foi um intelectual, jurista e economista alemão. Considerado um dos fundadores das ciências sociais contemporânea. Seu pensamento tem enorme relevância e contribui para diversas áreas como política, economia, história e filosofia falando principalmente sobre ética. Sua obra intitulada “A ética protestante e o espírito do capitalismo” de 1905 é provavelmente a mais importante.

Entre os temas centrais da ética de M. Weber está a questão do Limite da responsabilidade de Moral, originado pelo seu interesse pela influência do protestantismo, principalmente calvinista, na formação da sociedade e da cultura na Europa do século XVI.

Nesta análise, sobre a formação da sociedade moderna, o filósofo procura refletir sobre o cálculo racional no momento da decisão em que se considera os meios para atingir os objetivos e, então, discute eficiência como critério para determinar as ações socias.

Outra questão importante, na obra deste pensados, é a contribuição técnica e científica à sociedade.

É importante ressaltar, ainda, a distinção teórica e metodológica que, M. Weber, faz entre ciências naturais e ciências socias que, segundo Danilo Marcondes () é, “(…) uma das discussões mais controvertidas da filosofia da ciência do século XX. A obra, supostamente pessimista, deve ser colocada dentro do contexto temporal em termos sociais, políticos e econômicos já que, M weber faz suas reflexões tanto ás vésperas da Primeira Guerra Mundial quanto, longo em seguida, a crise alemã, no pôs guerra.

A política como Vocação de M. Weber, engloba duas conferências sobre vocação política às quais foram ministradas aos estudantes da universidade de Munique em 1919. Obra onde o filósofo formula sua distinção entre ética da convicção (Gesinnungsethik)  e a ética da responsabilidade (Verantwortungsethik).

Inicialmente é um contraste entre a situação política da Alemanha e as políticas de outros países Europeus, em especial a Inglaterra, também com as nações do oriente e, principalmente com o Estados Unidos, buscando, desta forma, analisar características específicas e a formação dos sistema político de cada um deles. Para, em seguida, questionar a relação entre ética e política.

A pergunta que norteia o pensador é Haveria, na política, uma especificidade ética? Dentro deste contexto, M. Weber, elaborará sua resposta onde faz a diferenciação entre a Ética da Convicção e a Ética da Responsabilidade.

Apesar de utilizar como referência o Sermão da Montanha” – Evangelho segundo Mateus 5; 38-42 -, para M. Weber a ética da Convicção não é necessariamente religiosa, já que é caracterizada, especialmente, por um compromisso com um conjunto de valores associado a determinadas crenças, ou seja, as intenções dos sujeitos são mais importantes que as considerações dos resultados e o sucesso dos seus atos.

Já a Ética da responsabilidade, pelo contrário, procura valorizar as consequências das ações do sujeito, e as relações entre meios e fins, baseando as ações em atos bons ou maus.

Mesmo que, as duas ética de M. Weber, não se excluam, a consideração das consequências e o compromisso com a convicção podem entrar em conflito.

Max Weber, foi um defensor da Ética da Responsabilidade, à qual considerava mais crítica, mais prática e adequada a decisões políticas. Enquanto, a Ética da Convicção, acreditava o filósofo, era mais rígida e dogmática.

Veja Max Weber em Política como Vocação:

“Devemos ser claros quanto ao fato de que toda conduta eticamente orientada pode ser guiada por uma de duas máximas fundamental e irreconciliavelmente diferentes: a conduta pode ser orientada para uma “ética das últimas finalidades”, ou para uma “ética da responsabilidade”. Isto não é dizer que uma ética das últimas finalidades seja idêntica à irresponsabilidade, ou que a ética de responsabilidade seja idêntica ao oportunismo sem princípios. Naturalmente ninguém afirma isso. Há, porém, um contraste abismal entre a conduta que segue a máxima de uma ética dos objetivos finais — isto é, em termos religiosos, “o cristão faz o bem e deixa os resultados ao Senhor” — e a conduta que segue a máxima de uma responsabilidade ética, quando então se tem de prestar conta dos resultados previsíveis dos atos cometidos. Pode-se demonstrar a um sindicalista convicto, partidário da ética dos objetivos finais, que seus atos resultarão num aumento das oportunidades de reação, na maior opressão de sua classe e na obstrução de sua ascensão — sem causar nele a menor impressão. Se uma ação de boa intenção leva a maus resultados, então, aos olhos do agente, não ele, mas o mundo, ou a estupidez dos outros homens, ou a vontade de Deus que assim os fez, é responsável pelo mal. Mas um homem que acredita numa ética da responsabilidade leva em conta precisamente as deficiências médias das pessoas; como Fichte disse corretamente, ele não tem nem mesmo o direito de pressupor sua bondade e perfeição. Não se sente em condições de onerar terceiros com os resultados de suas próprias ações, na medida em que as pôde prever. Dirá: esses resultados são atribuídos à minha ação. Quem acredita numa ética de objetivos finais só se sente responsável por fazer que a chama das intenções puras não seja sufocada: por exemplo, a chama do protesto contra a injustiça da ordem social. Reanimá-la sempre é o propósito de seus atos bastante irracionais, julgados à luz de seu possível êxito. São atos que só podem ter, e só terão, valor exemplar.”

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LIBERDADE E A ORIGEM DA VIOLÊNCIA REVOLUCIONÁRIA em Karl Marx

Esta violência têm origens no método materialista dialético na história, tendo em vista que o controle dos meus de produção não poderia ser espontâneo. Tal violência é inspirada nos jacobinos porém negando seu viés republicano, tornando assim a violência o elemento primordial da luta de classes…



KARL MARX, LIBERDADE E A ORIGEM DA VIOLÊNCIA REVOLUCIONÁRIA. Como em todos os casos, Marx não foge à regra, define liberdade segundo suas convicções políticas e ideológicas. Para György Lukács (1885 – 1971), influente marxista do século XX, a definição nasce de sua admiração pelo jacobinismo ou democratismo radial. O jovem Marx entre 1840 – 1845 esta em transição de um democrata para o comunismo revolucionário. Desta forma há uma forte influência sobre sua concepção de liberdade, com uma definição partindo do jacobinismo se aprofundando em comunismo revolucionário. Então, é impossivel separar o conceito de liberdade de Marx de sua forma/definição de revolução, já que, seja por desagrado com uma burguesia ou com, segundo o próprio Marx, uma revolução insuficiente com o jacobinismo, a liberdade humana passa pela revolução, e o sujeito (proletário) é o agente da sua própria liberdade – a revolução. Aparentemente, até 1842 libertário e admirador da revolução francesa, acaba por identificar-se com o radicalismo. Em 1843 desiludido com a burguesia liberal alemã rompe com a buguesia radical.

Com essas características, a liberdade para Marx não são as mesmas dos dicursos de John Locke (1632 -1704) e de John Stuart Mill (1806 – 1873), em direção da propriedade privada, pois são contrários aos verdadeiros interesses da ideologia comunista, desta forma Marx precisa renovar a ideia de Alienação.



O Fenômeno da Alienação. Em “Teses Sobre Feuerbach” Marx acredita que o ser humano entra em processo de autodestruição e aliena-se a si mesmo projetando um deus imaginário. O que chama “ópio do povo” é a fuga humana, o homem oprimido pelo meio social busca no imaginário da fé um conforto. Então, em “O Capital” torna explícito sua ideia de trabalho. O trabalho ao invés de realizar existencialmente o homem torna-o alienado de si mesmo, já que Marx considera o trabalho externo ao homem, ou seja, não pertence ao seu ser. Assim, o homem não se afirma no trabalho mas precisa renegar a si mesmo para executar a tarefa que esta imposta, desta forma fica infeliz definhando seu próprio corpo por que é incapaz de nutrir seu intelecto, destruindo a si mesmo. Por isso, somente fora do trabalho o homem se sente pleno, porque encontra a si mesmo. Isso o leva a crer que, o trabalho nunca é voluntário, mas uma opressão, sempre será um trabalho forçado. Isto posto, o trabalho torna o operário cada vez mais alienado e pobre na mesma medida que produz para o capitalista, seu patrão.

Retornando. Apesar de Marx falar de liberdade sobre diversos aspectos, Marx não conceitua liberdade. Para Michael Löwy (1938), isso se deve ao fato de Marx ser influenciado por Ludwig Feuerbach (1804 – 1872), e justifica sua afirmação com as palavras do próprio Marx: “Assim que o relâmpago do pensamento tiver penetrado no fundo desse ingênuo terreno popular, os alemães se emanciparão (…) A filosofia é a cabeça dessa emancipação (do homem); o proletariado, o coração”, isso quer dizer que Marx acreditava na filosofia como uma função de emancipação do homem, na superação da dualidade entre razão e paixão, intelecto e massa.

Portanto, para definir liberdade Marx pensa nas revoltas de trabalhadores, e no contato com os operários comunistas na França, ou seja, precisa do conteúdo social. O sujeito proletário precisa se reencontrar com a finalidade trabalho, já que Marx considera o trabalho externo ao homem, desse modo, opressor.

Então, é necessário que o sujeito social da liberdade se transforme em um revolucionário ativo, somente assim o proletário reencontrará sua personalidade, suas potencialidades criativas em uma humanidade livre em capacidades. Para Michael Löwy isso quer dizer uma auto libertação e auto educação.



Assim, unindo a teoria dialética e lutas de classes fica claro, para Marx a violência é o caminho histórico para libertação quando diz: “(…) as armas da crítica não podem de fato substituir a crítica das armas; a força material deve ser deposta por força material“, desta forma, Marx sai do jacobinismo em direção a revolução pensado que liberdade só será possível se houver igualdade no trabalho. Em 1848 em “Manifesto do Partido Comunista” Marx e Engels escreve “Os comunistas se recusam a dissimular suas opiniões e seus projetos. Proclamam abertamente que seus objetivos não podem ser alcançados senão pela derrubada violenta de toda ordem social passada. Que as classes dominantes tremam diante de uma revolução comunista! Os proletários nada têm a perder a não ser suas cadeias. Têm um mundo a ganhar. Proletários de todos os países, uni-vos!“.

Para Marx não existe liberdade sem revolução, e a violência é uma condição da revolução. Esta violência têm origens no método materialista dialético na história, tendo em vista que o controle dos meios de produção não poderia ser espontâneo. Tal violência é inspirada nos jacobinos porém negando seu viés republicano, tornando assim a violência o elemento primordial da luta de classes para a conquista do poder político e produtivo. A revolução comunista a partir do materialismo dialético é orientada para abolição da propriedade privada.



PARA ENTENDER O CONTEXTO. Os Fundamentos do Materialismo Dialético e Histórico. É materialismo por que o conteúdo é material, no sentido de fenômenos naturais, e dialético porque se apoia no conteúdo dialético de Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770 – 1831), no sentido de evolução dos fenômenos sociais, e histórico por que aplica o materialismo na dialética, ou seja, fenômenos materiais aplicados na evolução dos fatos sociais no desenrolar do tempo.

É necessário lembra também que tal tese Hegeliana foi amplamente discutida e questionada por diversos autores.

Deixo a reflexão de Battista Modin (1926) de opnião oposta ao sistema Hegeliano “O pensamento não põe nem cria a realidade. Ele a constata. A interioridade idealista, reduzindo a realidade ao pensamento” em ” Curso de Filosofia” p. 18 Ed. Paulus.



A crítica da Esquerda é Fútil

Apesar do monopólio da Esquerda sobre o pensamento social, ela não consegue fazer uma crítica razoavelmente concreta, cai em clichês e futilidades que nada acrescentam.



A FUTILIDADE É UM PRIVILÉGIO. No outro post CAPITALISMO E O DIREITO BURGUÊS DE SER FÚTIL, citei Emil Cioran (1911 – 1995) que diz “a frivolidade é um privilégio”, na realidade ele é mais profundo, ele diz:  “futilidade é um privilégio e uma arte” em “Breviário da Composição”, poderia colocar aqui o texto completo que não ficaria satisfeito, devido a profundidade de seus escritos. Mas deixarei somente frases soltas e a indicação do livro, continuarei aqui a mesma proposta do pensamento anterior.

A futilidade é um privilégio! E acrescento que a banalidade do mundo é uma oportunidade de fugir do conforto ao reconhecer na existência algo para além do senso comum. Sair da caverna dá medo! Concordo com I. Kant (1724 – 1804), quando diz que a maioridade é de responsabilidade exclusiva do indivíduo, e, somente na liberdade é que podemos nos afirmar moralmente, sem liberdade a moral não pode ser verdadeira!

A banalidade e o medo da liberdade ou da maioridade intelectual, consequentemente, leva a uma vida de rebanho, desprezando a beleza de ser indivíduo, ou como prefere Nietzsche (1844 – 1900), aproveitar a dor e as alegrias da existência humana.

A turma da esquerda, com seu monopólio das ciências sociais, nem ao menos consegue fazer uma crítica razoável ao modo de vida contemporâneo, eles estão, no mínimo, com a cabeça presa na década de 1920. Veja qualquer discurso ideológico de Marilena Chauí (1941), sempre fico com a impressão de ter ligado o radinho de pilha do meu avô e ter sido transportado para época da Guerra Fria.



Ninguém nunca irá abrir mão do conforto dos bens de consumo que somente o modelo capitalista é capaz de gerar – é uma bobagem, um absurdo! Uma crítica vazia. Quem abriria mão de WI-FI, Smartphones, FaceBook Airbnb, Netflix e todo o aparato de mercado? Outra coisa, achar que a tecnologia não nos aproximou é uma cegueira ideológica! Não faz sentido nenhum. Ninguém nunca saiu por aí conversando com todo mundo só por que não existia outros meios de comunicação, o comum é, o isolamento, por uma série de motivos, principalmente, segurança. A verdade é, a tecnologia nos aproximou das pessoas que realmente são importantes, antes quanto tempo demorava para receber uma carta de alguma pessoa importante, os pais, esposa ou filhos? Eu não sei. Mas o que vejo hoje é que estamos a um click de distância de vídeo conferências para qualquer parte do mundo – fácil!

Agora, é claro, muito antes de tudo isso, os antigos Gregos já nos alertavam sobre excessos. Que tal um contraste entre Apolíneo e Dionisíaco? O primeiro deus Grego da moderação o outro representante dos exageros. Ainda, há um outro Grego que vivia dentro um barril, Diógenes de Sinope (412 a. C – 323 a. C), vivia de forma simples buscando um homem honesto. Na Idade Média, a influente filosofia cristã, faz uma filosofia, em boa parte, sobre abusos no modo de viver.

A conversa sobre achar a boa maneira de viver é antiga. Não nasceu ontem na mão de um monte de malucos esbravejando nas redes sociais com um seu Iphone e achando que está protegendo chineses através do seus Likes em páginas contra o mercado. A coisa é séria, e tão séria que podemos ver a preocupação dos nossos antepassados no tema.



Sou de modo geral pessimista, mas acho que estamos indo bem. O mundo é melhor do que já foi. Tirando os países que caíram nas falácias de igualdade e hoje estão na pobreza sem muitas perspectivas de sair, porém até mesmo eles, por que não dizer? Estão melhores do que foram a 200 anos atrás quando começou a Revolução Industrial. Países em desenvolvimento como brasil ainda têm chances.

Somente a história dos últimos cem anos mostra que, entre as escolhas que tínhamos, o capitalismo, foi a melhor opção. Não é perfeito, nada é! Mas pode ser aperfeiçoado. Dizer que não estamos melhor é muito desapego da realidade, ou simplesmente apego ideológico – vai entender!

No mais, quanto as questões humanas, sempre fomos o que somos, animais pouco civilizados que gosta muito da sua privacidade! Dizer que pessoas não se olham nas ruas por causa de celulares é uma bobagem, uma afirmação fácil, fraca e infantil. Basta olhar para imagem acima. Quando é que fomos tão sociáveis como somos hoje, com as redes socias? Esta certo que a turba é enfurecida, mas a realidade é, a turba sempre foi enfurecida, Senêca (4 a. C – 5 a. C) morria de medo de revoltas populares e a concelhava aos reis a moderação e a medidas populistas, para agradar o povo, pão e circo é coisa antiga, Étienne de La Boétie (1530 – 1563) em “Discurso da Servidão voluntária” discorre sobre tempos e lugares que esta prática foi comum. Mas estamos muitos mais sociáveis, sim.

Porém, a verdade é, aqueles que estão a sua volta no transporte público ou qualquer outro lugar não importam, as pessoas que realmente importam são aquelas do seu dia-a-dia, amigos e familiares.



DETURPARAM MARX? Entre os delírios socialistas e a inconveniente realidade

Há, todos os dias, alguém para dizer: “ deturparam Marx! ” Mas a história recente mostra outra, incontestável, versão, pelo menos na antiga União Soviética foram aplicadas boa parte da teoria marxista. Assim o começo do século XX foi manchado pelo vermelho-sangue com respaldo, ou através de boa parte, do que era chamado de socialismo.



Há, todos os dias, alguém para dizer: “ deturparam Marx! ” Mas a história recente mostra outra, incontestável, versão, pelo menos na antiga União Soviética foram aplicadas boa parte da teoria marxista. Assim, o começo do século XX foi manchado pelo vermelho-sangue com respaldo, ou através de boa parte, do que era chamado de socialismo.

Os socialistas/comunistas ofereceram ao mundo uma nova configuração para a sociedade. Era a resposta para solucionar problemas básicos e de sobrevivência material das populações, a solução para o fim da opressão causada pelo capitalismo. E, para isso, era necessário banir as classes sociais. Seria uma nova sociedade, igualitária e livre dos problemas causados pelo livre-mercado, assim, a emancipação do homem no mundo, estaria completa.

Mas, como sempre, e desde o princípio, infelizmente para os socialistas a realidade bate à porta. Entre promessas e realidade há um abismo e o sonho socialista foi por água abaixo, mas, não sem antes deixar seu rastro de morte e destruição por onde passou, neste caso, União Soviética.

Longe da liberdade e da igualdade prometida, a história da União Soviética e da Revolução de 1917 para uma instauração de regime comunista, mostra que nem tudo são flores e que a realidade é cruel. O Estado se mostrou ainda mais opressor e as desigualdades ainda maiores. Mortes e desaparecimento de diversas pessoas tanto da esquerda como da direita, mostrava o cenário muito desconexo das promessas de outrora, os sonhos de ampliação da democracia tornaram-se um pesadelo!

A URSS passou a perseguir todos aqueles que não louvassem o ÚNICO PARTIDO, ou o chefe infalível. Representando um imenso retrocesso para toda população e, agora, uma ditadura sem qualquer liberdade, igualdade ou justiça.

Felizmente o socialismo acaba oficialmente em 1991 com o fim da URSS, mas os rastros de violência seguem até hoje.



Marx e a União Soviética entre a Teoria e a prática 

Karl Marx (1818 – 1883) acreditava que a base da exploração capitalista era a propriedade privada. Logo, a conclusão é, abolir a propriedade privada e socializar os meios de produção e de distribuição, segundo K. Marx com isso a riqueza produzida perderia seu o caráter de valor, assim se reduzindo ao valor de uso, ou seja, produtos para satisfação das necessidades humanas. A própria força de trabalho perderia seu caráter de mercadoria com a eliminação do trabalho assalariado. Acreditava que suprimindo a propriedade privada ninguém conseguiria explorar o outro.

Na URSS toda propriedade privada foi abolida. Houve a nacionalização dos meios de produção e da distribuição – a nacionalização da terra de forma violenta e cruel, e, segundo Moshe Lewin (1921 – 2010) contra a vontade dos camponeses.

Infelizmente a eliminação da propriedade privada e dos meios de produção não foi como teorizado, ou seja, para as mãos e controle do povo, pois, obviamente, ao suprimir a propriedade se suprime junto o poder intrínseco a ela. A natureza da liberdade está condicionada a propriedade, sem a garantia da propriedade não há onde o indivíduo se resguardar, seja da violência física ou psicológica. Porém, os burocratas do Estado sim!

Apesar da propriedade ter sido declarada juridicamente pública, e não estatal, os homens do Estado são os que controlam “a coisa pública” e no Estado sempre estão os homens do partido.

Há, ainda, o Plano Econômico Centralizado. Através de um plano centralizador era estabelecido impostos sem qualquer discussão democrática entre os produtores e consumidores e o Estado. A prática coerciva de arrecadação continuava, e, agora, não havia qualquer oposição.



Outra característica era a Superação da Divisão Social do Trabalho – K. Marx acreditava que existia um topo de onde poucos comandavam enquanto a grande maioria dos trabalhadores, simplesmente executava tarefas sem controle dos instrumentos de trabalho, ou seja, era contra a especialização do trabalho, acreditava que todos deveriam ter plena consciência de todo o processo de produção da mercadoria. Esta característica de divisão era alienante para os produtores, então, era necessário eliminar não somente a relação homem-trabalho, campo e cidade, mas também entre trabalho manual e trabalho intelectual.

Isso não somente não foi possível devido as características individuais, físicas e intelectuais, como desde cedo criou-se apenas duas classes sociais, os burocratas de alto escalão, que se apoderou de toda as tarefas de planejamento, administração e controle – sem, uma relação direta com a produção – e, a outra, grande massa de produtores que não tinham qualquer controle sobre a produção, desprovida de poder sobre os investimentos e consumo, ou o controle da produção e, menos ainda, sobre o ritmo de trabalho.

Quanto aos salários. K Marx admitia que seres humanos são desiguais e que mesmo em um mundo de igualdade os homens seriam desiguais. Então ele propõe que seja cobrado de cada um segundo suas capacidades e dar a cada um segundo suas necessidades – eu não acredito que alguém consegue ver possibilidade nisso! Mas, continuando… Então, a URSS continua com as relações de trabalho assalariado. Mas, agora, está pior. O trabalhador não conseguia produzir se não somente para própria subsistência, já que o Estado arrancava das mãos do trabalhador parte do produto excedente, e, mais, havia também os altos impostos para sustentar a nova burocracia. Assim, ao fim da história, foi possível constatar que a desigualdade social e a alienação do produto não se relacionam com a propriedade privada, como acreditava K. Marx.

Em “Ideologia Alemã” K. Marx imaginou que sem classes e sem a exploração o Estado Progressivamente Desapareceria como consequência. Mesmo negando o anarquismo K. Marx e F. Engels (1820 – 1895) acreditavam que o próprio Estado prepararia sua extinção, ou seja, o Estado e o capitalismo teriam seu fim juntos e uma população autogestora surgiria das cinzas do velho mundo. É de uma inocência fora do normal ou cinismo? Decidam por vocês mesmos.



Mas a realidade é outra, seres humanos são egoístas! Agem segundo suas vontades e farão de tudo para conquistar seus objetivos e manter seus privilégios. E junto aos delírios vem o ônus dos delírios. O Estado é um mostro e crescerá sempre na medida em que for alimentado. E, na URSS cresceu através da burocracia e da violência, tornou as relações assimétricas, enfraqueceu os indivíduos e os desorganizou. Então, um único partido, dono do Estado, com um regime cruel e desumano floresceu através das perseguições e delações.

O totalitarismo da URSS proibiu tanto outros partidos como fragmentações. Suspendeu os direitos democráticos, coletivos e individuais. Assassinou opositores, inclusive da própria esquerda do stalinismo. Teve rígido controle da imprensa, com censuras, onde só poderiam noticiar versões oficiais, qualquer crítica, visão alternativa ou acontecimentos negativos eram rechaçados. Foram suprimidas as organizações sociais, e mantinham sindicatos no cabresto do Estado, assim o stalinismo iludia os trabalhadores com falsas ideias que estavam no poder através do Estado. Não concebia qualquer pluralidade, qualquer um que apresentasse autonomia era visto como opositor, uma ameaça ao regime ou falta de submissão.

Há aqueles que não admitem as relações, as características e os fatos de que a teorias socialista foi colocada em prática, e, existem aqueles que sabem e admitem os erros característicos do marxismo, porém, como sempre, atribuem os erros a algo externo a teoria. Como sempre a culpa nunca é da inviabilidade do socialismo, mas de fatores para além da teoria, como atraso material e cultural da população da velha Rússia, isolamentos etc. Há desculpa para tudo! Mas fica a pergunta: se o socialismo só é possível em um lugar em que já existe prosperidade material e cultural, então é melhor deixar o capitalismo agir primeiro, certo? Já que o comunismo é incapaz de gerar tais condições. E, se é assim, para que serviria o socialismo em um lugar onde as pessoas já têm tudo o que precisam para viver? Estas questões levantadas servem para questionar tanto os marxistas como o próprio K. Marx, pois, ele acreditava que as revoluções ocorreriam primeiro em lugares prósperos.

Mas, todos aqueles que simplesmente dizem que o socialismo é uma ideia de liberdade e generosidade são os que menos bagagem teórica possuem, precisam de palavras subjetivas para defender uma teoria que na prática já foi desmascarada – mostram uma completa desconexão com a realidade! Não importa quais as intenções pelas quais as ideias são concebidas, cabe, simplesmente, saber qual a viabilidade prática. Por mais bem-intencionada que seja uma teoria é na prática que deve se provar necessária e verdadeira.



CAPITALISMO E O DIREITO BUGUÊS DE SER FÚTIL.

A sociedade de mercado – capitalista – trouxe inúmeras facilidades para o codiano, e, com isso, uma geração de mimados se levantou, agora exigem todos seus direitos à futilidades.



Capitalismo, leia-se Livre Mercado, é, sem dúvidas, o melhor sistema econômico criado. Não houve na história humana um sistema que, em tão curto espaço de tempo, tenha tirado um número tão expressivo de pessoas da miséria. Um sistema, que nos últimos 200 anos, elevou as condições de vida humana a ponto de nos fazer esquecer a nossa condição diante da natureza – a pobreza!

Mas o conforto leva a uma certa frivolidade.

Pode-se argumentar que grande maioria da população é movida por suas frivolidades, são ociosas, fúteis e pouco se importam com questões intelectuais. Mas não é inteiramente verdade. Há em Sêneca (4 a.c – 65 d.c) uma preocupação com setores subalternos da sociedade romana. O que chama a atenção é sua doutrina de moderação da parte do soberano para não criar oposições e instabilidade no poder, ou seja, constantes negociações com os diversos setores sociais, seja aristocrata ou não. Isso leva a crer que havia relevância nos setores populares para a manutenção do poder do imperador. O que quero dizer é que nem sempre a ociosidade e a frivolidade são características gerais.

Os trabalhos braçais, coisa que ocorreu na maior parte da história humana, ocupavam um grande período de tempo dos trabalhadores, deixando assim muito pouco, ou quase nada de tempo para contemplação da existência. Apesar de concordar com aqueles que argumentam que os benefícios do capitalismo vão além do material, e que há uma elevação moral, de tolerância, e etc. como Benjamin M. Friedman (1944), tenho também que concordar com Luiz Felipe Pondé (1959) quando diz que o capitalismo criou uma geração mimada.



Todo o conforto criado pela sociedade de mercado deu origem, aparentemente, aos seres humanos mais mimados que já passou pela face da Terra. Acreditam realmente que existe direitos para além das obrigações.

Nossos antepassados sabiam que nem ao menos comer era um direito, sabia que caso não estivesse na lavoura ou caçando assim que o sol estivesse raiando não teria o que comer quando o sol se colocasse no horizonte. Hoje, é direito ter um Iphone! A preguiça os faz confundir benefícios com direitos.

Os antigos socialistas – os de verdade, não esse novo fetiche capitalista que chamam de socialismo – diziam que o direito é um sistema burguês usado para domesticar as massas. Friedrich Engels (1820 – 1895) e Karl Kautsky (1854 – 1938), em “Socialismo Jurídico” fizeram uma análise da passagem do mundo em estágio feudal para a concepção de mundo burguesa – a qual chamam de natureza burguesa do direito, relacionando o desenvolvimento, e passagem entre os mundos, ao intercambio de mercadorias.

Hoje, os adeptos socialistas não sabem o que foi o socialismo e, muito menos, saberiam viver sem o capitalismo é uma adesão completa ao estilo de vida burguesa e tudo que os resta é gritar a plenos pulmões – é direito!



O capitalismo estendeu o direito burguês de ser fútil!

Mas, a vida é fútil mesmo, e a fuga do tédio leva a frivolidades – estou pensando em Schopenhauer (1788 – 1860) quando digo isso, quando ele diz que o a vida é um pêndulo entre os desejos e o tédio.

Todos os dias há na televisão uma senhora, agora senhores também, mostrando suas casas, sala de jantar, roupas caríssimas e a prataria nobre. Uma demonstração da vitória da frivolidade burguesa, porque os ricos não têm algo a dizer e os mais pobres têm tempo para escutar toda a bobagem produzida por eles, entre eles há um “espertinho” falando de desigualdade social na internet para preencher o vazia que ninguém quer adentrar. Resumindo, um mundo de futilidades para preencher a monotonia do nada.

Concordo com Emil Cioran (1911 – 1995), “a frivolidade é um privilégio” e também com Charles Bukowski (1920 – 1994), “o mundo exagera demais na sua importância”, e quando diz: “o mundo, infelizmente, vivia infestado de bilhões de criaturas que não têm nada para fazer a não ser matar o tempo e matar a gente”. Parece que toda essa frivolidade é uma forma de fugir de si mesmo.

Parece-me que, de alguma forma, todos concordamos quando o sábio pregador diz: vaidades de vaidades, tudo é vaidade.

Até nós, filósofos, só podemos pensar porque todas as outras necessidades já foram supridas. Mesmo que entremos na mais profunda e honesta filosofia o tempo dedicado a ela é o tempo de fuga da monotonia. E isso também pode ser o tempo entregue a vaidade, e, até certo ponto, ao fútil.

O mundo mudou, a natureza humana não, sempre fomos o que somos, porém, agora, temos mais tempo para a contemplação do nada.