A crítica da Esquerda é Fútil

Apesar do monopólio da Esquerda sobre o pensamento social, ela não consegue fazer uma crítica razoavelmente concreta, cai em clichês e futilidades que nada acrescentam.



A FUTILIDADE É UM PRIVILÉGIO. No outro post CAPITALISMO E O DIREITO BURGUÊS DE SER FÚTIL, citei Emil Cioran (1911 – 1995) que diz “a frivolidade é um privilégio”, na realidade ele é mais profundo, ele diz:  “futilidade é um privilégio e uma arte” em “Breviário da Composição”, poderia colocar aqui o texto completo que não ficaria satisfeito, devido a profundidade de seus escritos. Mas deixarei somente frases soltas e a indicação do livro, continuarei aqui a mesma proposta do pensamento anterior.

A futilidade é um privilégio! E acrescento que a banalidade do mundo é uma oportunidade de fugir do conforto ao reconhecer na existência algo para além do senso comum. Sair da caverna dá medo! Concordo com I. Kant (1724 – 1804), quando diz que a maioridade é de responsabilidade exclusiva do indivíduo, e, somente na liberdade é que podemos nos afirmar moralmente, sem liberdade a moral não pode ser verdadeira!

A banalidade e o medo da liberdade ou da maioridade intelectual, consequentemente, leva a uma vida de rebanho, desprezando a beleza de ser indivíduo, ou como prefere Nietzsche (1844 – 1900), aproveitar a dor e as alegrias da existência humana.

A turma da esquerda, com seu monopólio das ciências sociais, nem ao menos consegue fazer uma crítica razoável ao modo de vida contemporâneo, eles estão, no mínimo, com a cabeça presa na década de 1920. Veja qualquer discurso ideológico de Marilena Chauí (1941), sempre fico com a impressão de ter ligado o radinho de pilha do meu avô e ter sido transportado para época da Guerra Fria.



Ninguém nunca irá abrir mão do conforto dos bens de consumo que somente o modelo capitalista é capaz de gerar – é uma bobagem, um absurdo! Uma crítica vazia. Quem abriria mão de WI-FI, Smartphones, FaceBook Airbnb, Netflix e todo o aparato de mercado? Outra coisa, achar que a tecnologia não nos aproximou é uma cegueira ideológica! Não faz sentido nenhum. Ninguém nunca saiu por aí conversando com todo mundo só por que não existia outros meios de comunicação, o comum é, o isolamento, por uma série de motivos, principalmente, segurança. A verdade é, a tecnologia nos aproximou das pessoas que realmente são importantes, antes quanto tempo demorava para receber uma carta de alguma pessoa importante, os pais, esposa ou filhos? Eu não sei. Mas o que vejo hoje é que estamos a um click de distância de vídeo conferências para qualquer parte do mundo – fácil!

Agora, é claro, muito antes de tudo isso, os antigos Gregos já nos alertavam sobre excessos. Que tal um contraste entre Apolíneo e Dionisíaco? O primeiro deus Grego da moderação o outro representante dos exageros. Ainda, há um outro Grego que vivia dentro um barril, Diógenes de Sinope (412 a. C – 323 a. C), vivia de forma simples buscando um homem honesto. Na Idade Média, a influente filosofia cristã, faz uma filosofia, em boa parte, sobre abusos no modo de viver.

A conversa sobre achar a boa maneira de viver é antiga. Não nasceu ontem na mão de um monte de malucos esbravejando nas redes sociais com um seu Iphone e achando que está protegendo chineses através do seus Likes em páginas contra o mercado. A coisa é séria, e tão séria que podemos ver a preocupação dos nossos antepassados no tema.



Sou de modo geral pessimista, mas acho que estamos indo bem. O mundo é melhor do que já foi. Tirando os países que caíram nas falácias de igualdade e hoje estão na pobreza sem muitas perspectivas de sair, porém até mesmo eles, por que não dizer? Estão melhores do que foram a 200 anos atrás quando começou a Revolução Industrial. Países em desenvolvimento como brasil ainda têm chances.

Somente a história dos últimos cem anos mostra que, entre as escolhas que tínhamos, o capitalismo, foi a melhor opção. Não é perfeito, nada é! Mas pode ser aperfeiçoado. Dizer que não estamos melhor é muito desapego da realidade, ou simplesmente apego ideológico – vai entender!

No mais, quanto as questões humanas, sempre fomos o que somos, animais pouco civilizados que gosta muito da sua privacidade! Dizer que pessoas não se olham nas ruas por causa de celulares é uma bobagem, uma afirmação fácil, fraca e infantil. Basta olhar para imagem acima. Quando é que fomos tão sociáveis como somos hoje, com as redes socias? Esta certo que a turba é enfurecida, mas a realidade é, a turba sempre foi enfurecida, Senêca (4 a. C – 5 a. C) morria de medo de revoltas populares e a concelhava aos reis a moderação e a medidas populistas, para agradar o povo, pão e circo é coisa antiga, Étienne de La Boétie (1530 – 1563) em “Discurso da Servidão voluntária” discorre sobre tempos e lugares que esta prática foi comum. Mas estamos muitos mais sociáveis, sim.

Porém, a verdade é, aqueles que estão a sua volta no transporte público ou qualquer outro lugar não importam, as pessoas que realmente importam são aquelas do seu dia-a-dia, amigos e familiares.



DETURPARAM MARX? Entre os delírios socialistas e a inconveniente realidade

Há, todos os dias, alguém para dizer: “ deturparam Marx! ” Mas a história recente mostra outra, incontestável, versão, pelo menos na antiga União Soviética foram aplicadas boa parte da teoria marxista. Assim o começo do século XX foi manchado pelo vermelho-sangue com respaldo, ou através de boa parte, do que era chamado de socialismo.



Há, todos os dias, alguém para dizer: “ deturparam Marx! ” Mas a história recente mostra outra, incontestável, versão, pelo menos na antiga União Soviética foram aplicadas boa parte da teoria marxista. Assim, o começo do século XX foi manchado pelo vermelho-sangue com respaldo, ou através de boa parte, do que era chamado de socialismo.

Os socialistas/comunistas ofereceram ao mundo uma nova configuração para a sociedade. Era a resposta para solucionar problemas básicos e de sobrevivência material das populações, a solução para o fim da opressão causada pelo capitalismo. E, para isso, era necessário banir as classes sociais. Seria uma nova sociedade, igualitária e livre dos problemas causados pelo livre-mercado, assim, a emancipação do homem no mundo, estaria completa.

Mas, como sempre, e desde o princípio, infelizmente para os socialistas a realidade bate à porta. Entre promessas e realidade há um abismo e o sonho socialista foi por água abaixo, mas, não sem antes deixar seu rastro de morte e destruição por onde passou, neste caso, União Soviética.

Longe da liberdade e da igualdade prometida, a história da União Soviética e da Revolução de 1917 para uma instauração de regime comunista, mostra que nem tudo são flores e que a realidade é cruel. O Estado se mostrou ainda mais opressor e as desigualdades ainda maiores. Mortes e desaparecimento de diversas pessoas tanto da esquerda como da direita, mostrava o cenário muito desconexo das promessas de outrora, os sonhos de ampliação da democracia tornaram-se um pesadelo!

A URSS passou a perseguir todos aqueles que não louvassem o ÚNICO PARTIDO, ou o chefe infalível. Representando um imenso retrocesso para toda população e, agora, uma ditadura sem qualquer liberdade, igualdade ou justiça.

Felizmente o socialismo acaba oficialmente em 1991 com o fim da URSS, mas os rastros de violência seguem até hoje.



Marx e a União Soviética entre a Teoria e a prática 

Karl Marx (1818 – 1883) acreditava que a base da exploração capitalista era a propriedade privada. Logo, a conclusão é, abolir a propriedade privada e socializar os meios de produção e de distribuição, segundo K. Marx com isso a riqueza produzida perderia seu o caráter de valor, assim se reduzindo ao valor de uso, ou seja, produtos para satisfação das necessidades humanas. A própria força de trabalho perderia seu caráter de mercadoria com a eliminação do trabalho assalariado. Acreditava que suprimindo a propriedade privada ninguém conseguiria explorar o outro.

Na URSS toda propriedade privada foi abolida. Houve a nacionalização dos meios de produção e da distribuição – a nacionalização da terra de forma violenta e cruel, e, segundo Moshe Lewin (1921 – 2010) contra a vontade dos camponeses.

Infelizmente a eliminação da propriedade privada e dos meios de produção não foi como teorizado, ou seja, para as mãos e controle do povo, pois, obviamente, ao suprimir a propriedade se suprime junto o poder intrínseco a ela. A natureza da liberdade está condicionada a propriedade, sem a garantia da propriedade não há onde o indivíduo se resguardar, seja da violência física ou psicológica. Porém, os burocratas do Estado sim!

Apesar da propriedade ter sido declarada juridicamente pública, e não estatal, os homens do Estado são os que controlam “a coisa pública” e no Estado sempre estão os homens do partido.

Há, ainda, o Plano Econômico Centralizado. Através de um plano centralizador era estabelecido impostos sem qualquer discussão democrática entre os produtores e consumidores e o Estado. A prática coerciva de arrecadação continuava, e, agora, não havia qualquer oposição.



Outra característica era a Superação da Divisão Social do Trabalho – K. Marx acreditava que existia um topo de onde poucos comandavam enquanto a grande maioria dos trabalhadores, simplesmente executava tarefas sem controle dos instrumentos de trabalho, ou seja, era contra a especialização do trabalho, acreditava que todos deveriam ter plena consciência de todo o processo de produção da mercadoria. Esta característica de divisão era alienante para os produtores, então, era necessário eliminar não somente a relação homem-trabalho, campo e cidade, mas também entre trabalho manual e trabalho intelectual.

Isso não somente não foi possível devido as características individuais, físicas e intelectuais, como desde cedo criou-se apenas duas classes sociais, os burocratas de alto escalão, que se apoderou de toda as tarefas de planejamento, administração e controle – sem, uma relação direta com a produção – e, a outra, grande massa de produtores que não tinham qualquer controle sobre a produção, desprovida de poder sobre os investimentos e consumo, ou o controle da produção e, menos ainda, sobre o ritmo de trabalho.

Quanto aos salários. K Marx admitia que seres humanos são desiguais e que mesmo em um mundo de igualdade os homens seriam desiguais. Então ele propõe que seja cobrado de cada um segundo suas capacidades e dar a cada um segundo suas necessidades – eu não acredito que alguém consegue ver possibilidade nisso! Mas, continuando… Então, a URSS continua com as relações de trabalho assalariado. Mas, agora, está pior. O trabalhador não conseguia produzir se não somente para própria subsistência, já que o Estado arrancava das mãos do trabalhador parte do produto excedente, e, mais, havia também os altos impostos para sustentar a nova burocracia. Assim, ao fim da história, foi possível constatar que a desigualdade social e a alienação do produto não se relacionam com a propriedade privada, como acreditava K. Marx.

Em “Ideologia Alemã” K. Marx imaginou que sem classes e sem a exploração o Estado Progressivamente Desapareceria como consequência. Mesmo negando o anarquismo K. Marx e F. Engels (1820 – 1895) acreditavam que o próprio Estado prepararia sua extinção, ou seja, o Estado e o capitalismo teriam seu fim juntos e uma população autogestora surgiria das cinzas do velho mundo. É de uma inocência fora do normal ou cinismo? Decidam por vocês mesmos.



Mas a realidade é outra, seres humanos são egoístas! Agem segundo suas vontades e farão de tudo para conquistar seus objetivos e manter seus privilégios. E junto aos delírios vem o ônus dos delírios. O Estado é um mostro e crescerá sempre na medida em que for alimentado. E, na URSS cresceu através da burocracia e da violência, tornou as relações assimétricas, enfraqueceu os indivíduos e os desorganizou. Então, um único partido, dono do Estado, com um regime cruel e desumano floresceu através das perseguições e delações.

O totalitarismo da URSS proibiu tanto outros partidos como fragmentações. Suspendeu os direitos democráticos, coletivos e individuais. Assassinou opositores, inclusive da própria esquerda do stalinismo. Teve rígido controle da imprensa, com censuras, onde só poderiam noticiar versões oficiais, qualquer crítica, visão alternativa ou acontecimentos negativos eram rechaçados. Foram suprimidas as organizações sociais, e mantinham sindicatos no cabresto do Estado, assim o stalinismo iludia os trabalhadores com falsas ideias que estavam no poder através do Estado. Não concebia qualquer pluralidade, qualquer um que apresentasse autonomia era visto como opositor, uma ameaça ao regime ou falta de submissão.

Há aqueles que não admitem as relações, as características e os fatos de que a teorias socialista foi colocada em prática, e, existem aqueles que sabem e admitem os erros característicos do marxismo, porém, como sempre, atribuem os erros a algo externo a teoria. Como sempre a culpa nunca é da inviabilidade do socialismo, mas de fatores para além da teoria, como atraso material e cultural da população da velha Rússia, isolamentos etc. Há desculpa para tudo! Mas fica a pergunta: se o socialismo só é possível em um lugar em que já existe prosperidade material e cultural, então é melhor deixar o capitalismo agir primeiro, certo? Já que o comunismo é incapaz de gerar tais condições. E, se é assim, para que serviria o socialismo em um lugar onde as pessoas já têm tudo o que precisam para viver? Estas questões levantadas servem para questionar tanto os marxistas como o próprio K. Marx, pois, ele acreditava que as revoluções ocorreriam primeiro em lugares prósperos.

Mas, todos aqueles que simplesmente dizem que o socialismo é uma ideia de liberdade e generosidade são os que menos bagagem teórica possuem, precisam de palavras subjetivas para defender uma teoria que na prática já foi desmascarada – mostram uma completa desconexão com a realidade! Não importa quais as intenções pelas quais as ideias são concebidas, cabe, simplesmente, saber qual a viabilidade prática. Por mais bem-intencionada que seja uma teoria é na prática que deve se provar necessária e verdadeira.



CAPITALISMO E O DIREITO BUGUÊS DE SER FÚTIL.

A sociedade de mercado – capitalista – trouxe inúmeras facilidades para o codiano, e, com isso, uma geração de mimados se levantou, agora exigem todos seus direitos à futilidades.



Capitalismo, leia-se Livre Mercado, é, sem dúvidas, o melhor sistema econômico criado. Não houve na história humana um sistema que, em tão curto espaço de tempo, tenha tirado um número tão expressivo de pessoas da miséria. Um sistema, que nos últimos 200 anos, elevou as condições de vida humana a ponto de nos fazer esquecer a nossa condição diante da natureza – a pobreza!

Mas o conforto leva a uma certa frivolidade.

Pode-se argumentar que grande maioria da população é movida por suas frivolidades, são ociosas, fúteis e pouco se importam com questões intelectuais. Mas não é inteiramente verdade. Há em Sêneca (4 a.c – 65 d.c) uma preocupação com setores subalternos da sociedade romana. O que chama a atenção é sua doutrina de moderação da parte do soberano para não criar oposições e instabilidade no poder, ou seja, constantes negociações com os diversos setores sociais, seja aristocrata ou não. Isso leva a crer que havia relevância nos setores populares para a manutenção do poder do imperador. O que quero dizer é que nem sempre a ociosidade e a frivolidade são características gerais.

Os trabalhos braçais, coisa que ocorreu na maior parte da história humana, ocupavam um grande período de tempo dos trabalhadores, deixando assim muito pouco, ou quase nada de tempo para contemplação da existência. Apesar de concordar com aqueles que argumentam que os benefícios do capitalismo vão além do material, e que há uma elevação moral, de tolerância, e etc. como Benjamin M. Friedman (1944), tenho também que concordar com Luiz Felipe Pondé (1959) quando diz que o capitalismo criou uma geração mimada.



Todo o conforto criado pela sociedade de mercado deu origem, aparentemente, aos seres humanos mais mimados que já passou pela face da Terra. Acreditam realmente que existe direitos para além das obrigações.

Nossos antepassados sabiam que nem ao menos comer era um direito, sabia que caso não estivesse na lavoura ou caçando assim que o sol estivesse raiando não teria o que comer quando o sol se colocasse no horizonte. Hoje, é direito ter um Iphone! A preguiça os faz confundir benefícios com direitos.

Os antigos socialistas – os de verdade, não esse novo fetiche capitalista que chamam de socialismo – diziam que o direito é um sistema burguês usado para domesticar as massas. Friedrich Engels (1820 – 1895) e Karl Kautsky (1854 – 1938), em “Socialismo Jurídico” fizeram uma análise da passagem do mundo em estágio feudal para a concepção de mundo burguesa – a qual chamam de natureza burguesa do direito, relacionando o desenvolvimento, e passagem entre os mundos, ao intercambio de mercadorias.

Hoje, os adeptos socialistas não sabem o que foi o socialismo e, muito menos, saberiam viver sem o capitalismo é uma adesão completa ao estilo de vida burguesa e tudo que os resta é gritar a plenos pulmões – é direito!



O capitalismo estendeu o direito burguês de ser fútil!

Mas, a vida é fútil mesmo, e a fuga do tédio leva a frivolidades – estou pensando em Schopenhauer (1788 – 1860) quando digo isso, quando ele diz que o a vida é um pêndulo entre os desejos e o tédio.

Todos os dias há na televisão uma senhora, agora senhores também, mostrando suas casas, sala de jantar, roupas caríssimas e a prataria nobre. Uma demonstração da vitória da frivolidade burguesa, porque os ricos não têm algo a dizer e os mais pobres têm tempo para escutar toda a bobagem produzida por eles, entre eles há um “espertinho” falando de desigualdade social na internet para preencher o vazia que ninguém quer adentrar. Resumindo, um mundo de futilidades para preencher a monotonia do nada.

Concordo com Emil Cioran (1911 – 1995), “a frivolidade é um privilégio” e também com Charles Bukowski (1920 – 1994), “o mundo exagera demais na sua importância”, e quando diz: “o mundo, infelizmente, vivia infestado de bilhões de criaturas que não têm nada para fazer a não ser matar o tempo e matar a gente”. Parece que toda essa frivolidade é uma forma de fugir de si mesmo.

Parece-me que, de alguma forma, todos concordamos quando o sábio pregador diz: vaidades de vaidades, tudo é vaidade.

Até nós, filósofos, só podemos pensar porque todas as outras necessidades já foram supridas. Mesmo que entremos na mais profunda e honesta filosofia o tempo dedicado a ela é o tempo de fuga da monotonia. E isso também pode ser o tempo entregue a vaidade, e, até certo ponto, ao fútil.

O mundo mudou, a natureza humana não, sempre fomos o que somos, porém, agora, temos mais tempo para a contemplação do nada.