ÉTICA EM PLATÃO

Platão, sob a influêcia de seu mestre, Socrátes, discorre sobre diversos temas relacionados à ética.

Quadro Escola de Atenas de Rafaello Sanzio (1483-1520)

Platão (428/427 – 348/347) é considerado o primeiro grande filósofo a trazer à tona o tema ÉTICA. [1] Assuntos como: amizade (lisis), a virtude (mênon), a coragem (laqueado) e o sentimento religioso (eutífron), foram introduzidos no cotidiano grego através dos diálogos platônicos, e discutidos filosoficamente até os dias atuais.

São diálogos entre Sócrates e personagens históricos do cotidiano ateniense e, alguns outros, fictícios, que discutem sobre temas éticos. Acredita-se que Platão, nesse período, está sob a influência de seu mestre Sócrates.

Sócrates, através das letras de Platão, irá levantar importantes questionamentos éticos. Pontos que, no decorrer da história, rendera a filosofia discussões fundamentais como: conceitos, critérios de aplicações na prática cotidiana. E, se, a ética, é parte da natureza humana ou se são apreendidas e, se é possível ensiná-la.

Platão usa, em seus diálogos, o estilo aporético, ou seja, não é possível encontrar uma solução definitiva para os problemas levantados, ou, ao menos, definir conceitos éticos.

Para Danilo Marcondes em “Textos Básicos Sobre Ética: De Platão a Foucault” escreve citando o próprio Sócrates:

“Talvez a lição socrática esteja principalmente na importância do desenvolvimento de uma consciência moral, de uma atitude reflexiva e crítica que nos leve a adotar comportamentos mais éticos, e não na formulação de um saber sobre a ética e seus conceitos. É o que diz Sócrates na célebre passagem da Apologia (38a): “A vida sem exame não vale a pena ser vivida.”

Os diálogos socráticos têm caráter teórico. É o momento em que, Platão desenvolve sua teoria metafísica, conhecida como Teoria das formas ou Teoria das Ideias.

Platão em “Republica” nos livros VI e VII caracteriza a Forma do Bem como “Suprema Forma”, este é seu princípio metafísico mais importante. Desta forma, por ser de difícil explicação, e, principalmente, ser um princípio, o filósofo fornece três mitos para facilitar a exemplificação da sua Teoria. A trilogia “Mito do Sol”, “Linha Dividida” e “A Caverna”. Para esclarecer, em linguagem figurada, a Natureza do Bem.

Na alegoria da Caverna, através de Sócrates, Platão diz:

Nos últimos limites do mundo inteligível aparece-me a ideia (ou forma) do Bem, que se percebe com dificuldade, mas que não se pode ver sem se concluir que ela é a causa de tudo que há de reto e de belo”

Ou seja, para Platão, o sábio é quem alcançou o Bem através da dialética – Ascensão da Alma – até um lugar mais elevado e abstrato do real, podendo, desta maneira, agir de forma justa. 

“Pois ao conhecer o Bem, conhece também a Verdade, a Justiça e a Beleza. É por este motivo que a concepção ética de Platão ficou conhecida como “metafísica do Bem”. A forma do Bem é, por conseguinte, o fundamento da ética.” [2]

Mesmo que Platão faça, posteriormente, uma revisão crítica de sua Teoria das Formas ou Teoria das Ideias, as preocupações éticas reaparecem entre seus últimos diálogos conhecidos, como, por exemplo, Filebo e As Leis.

CONCLUSÃO. Desta forma, é possível compreender o que é fundamental na obra de Platão:

O indivíduo que age de modo ético é aquele que é capaz de autocontrole, de “governar a si mesmo”, como vemos no Górgias. Entretanto, a possibilidade de agir corretamente e de tomar decisões éticas depende de um conhecimento do Bem, que é obtido pelo indivíduo por meio de um longo e lento processo de amadurecimento espiritual, “a ascensão da alma”, tal como descrita na Alegoria da Caverna.”[2]

[1]. Origem da Ética. Os gregos estabelecem uma vida moral como sendo uma vida boa, bem-sucedida – a eudaimonia.

[2]. Danilo Marcondes em “Textos Básicos Sobre Ética: De Platão a Foucault”.

ORIGEM DA ÉTICA

A origem da nossa concepção sobre ética e moral nasce nos antigos gregos. Sócrates, Platão e Aristóteles inauguram a filosofia pensando a ética.

 

ORIGEM DA ÉTICA
Fotografia de Fundo, praia desfocada. Escrito “Origem da Ética” e Diarium Filosófico.

A preocupação com a Moral/Ética é antiga. Os gregos, a partir do século VII a.C., já pensavam em redimensionamento social e político da polis – as conhecidas cidades-estados. Desta forma, uma percepção cosmológica passa a ser influente no modo de pensar Grego, orientada pela arete – ética da virtude, que serve tanto para vida pública quanto para a vida privada, os indivíduos cidadãos são livres, porém, parte de uma comunidade.

Isso é, para Ocir de Paula Andreata (2011) em “Ética, prazer e religião nas raízes da antiguidade”, a compreensão que o homem tem de si mesmo, e do seu lugar, na ordem e harmonia do universo. Assim os gregos estabelecem uma vida moral como sendo uma vida boa, bem-sucedida – a eudaimonia.

Em toda filosofia grega, como na teologia latina, modo de agir humano é visto como “ética cosmológica”. O antigo eudaimonia grego torna-se o de beatitude na teologia, ou seja, passa a ser piedade.

Mover a vida em direção à virtude, é uma ideia existente, e que persiste, desde os filósofos pré-socráticos, que através de observações e meditações sobre a physis – princípio de evolução – buscavam o theíon como um modo de vida espiritual, ou seja, através da totalidade cósmica com o qual se comprometem, o indivíduo quanto mais cresce em conhecimento e consciência, mais o sujeito se compromete com esse cosmos.

Filosofar, é, então, um método de como buscar a verdade, como viver melhor ou como fazer escolhas morais.

Ética, como filosofia nasce em Sócrates (469 a.C – 399 a.C.) e em  Platão (428 a.C – 347 a.C), porém, é em Aristóteles que se torna um sistema de ação e reflexão sobre o comportamento humano, ou seja, a filosofia e a ética nascem juntas. Até mesmo os pré-socráticos estabeleciam Virtude como o Objeto da ética, com a finalidade para a felicidade.

O que Sócrates faz é, da reflexão ética o centro filosófico, ou seja, volta-se para o interior do homem buscando a essência da verdade, do ser e do viver. É o buscar dentro da própria alma.

Então, Platão absorve as ideias do mestre e desperta suas próprias sobre o conhecimento, e torna, o princípio moral, objeto para transcendência da alma, em relação ao mundo sensível – mundo onde estão a maioria das pessoas aprisionadas, longe do verdadeiro conhecimento. Assim Platão inaugura concepções teóricas sobre educação, política, arte, natureza da alma, e, finalidade da vida.

Se a ética socrático-platônico põe ênfase na virtude, justiça e verdade é Aristóteles quem definiu éthike como uma ação justa, a éthike pragmatéia – ética pragmática – em vida virtuosa. Ou seja, como um exercício constante das virtudes morais, e investigação dos costumes. Para Aristóteles, a vida não é mais concebida como sabedoria inata do mundo das ideias platônica, mas é um conhecimento produzido pela razão humana.

Veja Também: Relativismo Moral, Características e as três principais Variações

Observação: Não há diferença entre ética e moral para os filósofos gregos. “Moral” é a palavra romana equivalente para a palavra Grega “ética”, então, segui esta mesma definição.

 

Ética de Platão