PRIVACIDADE, LIBERDADE, DIREITOS INDIVIDUAIS e as Contradições Contemporâneas

Homem sentado frente ao computador, frente a tela. O monitor é transformado em uma luneta. Há um homem observando a luneta.

Para os Antigos Gregos [1] liberdade era permanecer junto à comunidade. Ideias de direitos individuais seriam estranhos ao povo grego, tão coletivistas. Acostumados e educados a viver para o outro. Enquanto, o povo moderno, vê e sente liberdade do ponto de vista dos indivíduos, dos direitos individuais e, principalmente, sem as aparências de opressão. Porém, o curioso é, OS MODERNOS, RARAMENTE QUESTIONAM A INVASÃO DE PRIVACIDADE.



Entre 1933 e 1945 existiu na Alemanha NAZISTA a GESTAPO, [2] abreviação para Geheime Staatspolizei – a Polícia Secreta do Estado – organização que investigava a população sob o pretexto e baseada no DECRETO PARA A PROTEÇÃO DO POVO E DO ESTADO. Basicamente o texto/decreto restringia os direitos civis, liberdade de expressão e de impressa. Era um aparato estatal de controle e fiscalização da população, e, assim, invadir a privacidade, acabar com liberdade e coletivizar a população. Mecanismo útil no avanço do totalitarismo de Hitler.

Avançamos em liberdades individuais e direitos civis, aos trancos, claro, a própria ideia de democracia traz alguns conceitos inexistentes noutros tempos [1]. Porém, em um mundo cada vez mais virtual, parece causar estranheza questionar a falta de privacidade. Uma população cada vez mais temerosa com a violência cotidiana, se sente segura em mostrar onde esta a todo momento. Eis uma, entre as diversas, contradições. Contradição que transforma a população em uma presa fácil para ditadores em potencial.



Todos os dias a privacidade é invadida, através de mecanismos mercadológicos, é verdade. Mas, ao mesmo tempo, a população entrega seus dados deliberadamente e, sem pudor, nos mercados em troca de pontos, ou alguns trocados na nota fiscal, comprovantes de renda e residência entregues em lojas e em compras na internet, entre tantos outros processos de compra e venda no mercado. Desta forma, deixam, não somente as empresas, mas o Estado informados de tudo o que estão fazendo.

E, ainda, os dados são expostos, vendidos e compartilhados entre empresas de diversos ramos e segmentos, e o próprio Estado, sabem qual seu perfil de consumidor e qual o poder de compra.

Os usuários expõem seus dados a todo tempo e não se dão conta que o Google, por exemplo sabe onde eles estão, com quem estão, onde trabalham, o que comem, onde moram, a que horas chegam em casa, quanto recebem de salário, com o que gastam o salário, etc. um sistema de informação, e controle tão eficiente que alguém como Hitler ficaria satisfeito em ter.



Um controle sobre tudo e sobre todos. Tão perfeito que até mesmo questionar a necessidade de privacidade parece loucura.

Ou como Aldous Huxley (1894 – 1963)

“A ditadura perfeita terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão.”

[1]. O Conceito de indivíduos era estranho aos antigos gregos. Na antiguidade o coletivo é tido como anterior a indivíduo. VEJA MAIS

[2]. SOBRE A GESTAPO



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