Preconceito e o sentimento dos fracos!

Os fracos são aqueles que aceitam a condição de vítima calando-se diante da imposição, então, tornam-se ressentidos, diante própria incapacidade de resposta buscam vingança.

O que é ser forte se não amar a própria natureza, amar a vida e aquilo que é, ou, ainda melhor, amor por aquilo que se tornou! Ser forte é seguir firme naquilo que se propôs, seguir na direção daquilo que te traz paz – daquilo que tira água do espírito! Mesmo que seja ao custo do estômago.

Mova-se em direção daquilo que te traz significado, mesmo que seja dolorido!

Garota negra sofreu racismo na universidade onde cursa jornalismo. Tal notícia não é espantosa tendo em vista a natureza discriminatória do ser humano. Em Ensaio sobre a Liberdade Civil deixo um posicionamento sobre o assunto. Mas, aqui quero mudar a perspectiva.

Um ser somente pode ser forte diante de si mesmo, diante das coisas que o aflige, assim como esta garota negra que sofreu racismo, há inúmeros outros casos de discriminação, como o caso do garoto que desistiu do curso de medicina na FAMERP – faculdade de medicina de Rio Preto, por bullying, e, outro, onde uma mulher negra desistiu do curso de direito.

O que chama a atenção, nesses, e em outros, são os inúmeros casos de pessoas que se submetem a opinião alheia, que estão dispostos a seguir a turba mesmo que isto esteja ferindo sua própria vida. Nos três casos acima, como os outros conhecidos, os sujeitos que sofreram o assédio não conseguem olhar para si mesmo e romper com a estrutura do preconceito, preferem o sentir-se vítima ao seguir adiante com seus objetivos.

No caso da garota negra a fala dela é “Na hora, fiquei bastante triste ao ouvir isso dele. Os alunos todos aceitaram isso como verdade, da mesma forma que eu no primeiro momento. Ele se aproveitou da autoridade como professor para impor o que é correto

É comum ficar triste diante da opinião de alguém que provavelmente você admira, mas da mesma forma é preciso compreender que todos têm direito, não somente a opinião, como o direito de escolher com quem quer se relacionar, como diz John Stuart Mill (1806-1873), assim as únicas pessoas que realmente deveriam importar a opinião são aquelas que estão a sua volta, família e amigos próximos, isso para manter a sanidade mental, já que é impossível pensar em um mundo onde todos são amados por todos e admiram-se mutuamente!

Outra coisa, os outros alunos estão dentro do contexto em que é difícil de discordar do professor, não por que aceitam este tipo de comportamento, mas por que a situação é inusitada em primeira vista, e à tendência é assimilar o que foi dito e não questionar, para questionar é necessário tempo. Então, calar-se é o comum.

O que parece estranho é que a própria pessoa aceite isso. Poderão dizer: não aceitou, já que foi feita a denúncia. Mas falo de uma reação espontânea diante do preconceito, como uma resposta fisiológica ao incomodo. Assim, como diz Nietzsche (1844-1900), em “Genealogia da Moral” “sacode de si com um solavanco muitos vermes que em outros [homens] se enterrariam”, no sentido que os fortes agem de forma rápida para que os ressentimentos não façam morada tornando o sujeito fraco, faço, nesses casos citados, uma leitura em que os assediados são incapazes de seguir seus objetivos, porque a vingança contra o agressor também se volta contra si mesmo (eles próprios). No caso, a desistência no curso. Ao sentirem-se feridos fazem como os vermes que se recolhem diminuindo ainda mais seu tamanho afim de não serem pisados novamente, para usar uma expressão Nietzschiana.

Outra frase da aluna “Eu só queria que ele me pedisse desculpas e soubesse o quanto foi cruel com os meus sentimentos. A universidade também não deu importância para os meus sentimentos“, está é o que expressa onde quero chegar, os vítimistas estão condicionados a se achar importantes para pessoas que nem ao menos conhecem, ao dizer “(…) e soubesse o quanto foi cruel com os meus sentimentos” ela demonstra que necessita da aprovação do professor para alguma coisa, o que fica evidente a falta de força do espírito! Necessitar da autoafirmação no outro significa que sua força interna – seu espírito – está abalado. Uma fraqueza!

É uma infantilidade achar que as pessoas precisam medir as palavras para falar umas com as outras no intuído de não machucar sentimentos. Óbvio que é necessária ter o mínimo de respeito uns pelos outros, mas expor uma opinião não deveria ser caso de justiça. A não ser que comecemos a punir indivíduos nos baseando em sentimentos. E, pior, em sentimentos de terceiros e não do agressor.

Não nego o racismo, e todos os desarranjos sociais causados por tão pernicioso sentimento, mas concordo com John Stuart Mill (1806-1873) quando diz que todos têm o direito de escolher com quem quer se relacionar. Assim o racista também sofrerá danos causados por sua opinião, tornando-o inadequado como amigos de outros, ou seja, outros podem usar dos mesmos critérios, ou piores, para decidir não conviver com o racista.

Ser forte é a capacidade de saber que você é o único responsável pela sua vida e tudo que o cerca. Não importam as circunstâncias! O que importa é o que você faz com elas. Em Sartre (1905-1980), não importa o que a vida fez de você o que importa o que você fez do que a vida fez com você.

Ser forte é livrar-se das mágoas, do ressentimento – saber que nem todos são obrigados a desejar estar perto de você. Ser corajoso para esquecer o mal que fizeram. Seguir firme dentro de tudo aquilo que você propôs para si mesmo.

A natureza dos fortes segue em direção daquilo que já é, não precisa buscar ser, ele já conhece o próprio espírito – ele só o aperfeiçoa! Não precisa da manada, dos líderes esquizofrênicos, a autoajuda, para os fortes isso é um delírio de inocentes. O forte sabe que todos seus pecados são seus e pode livremente reger seus demônios em uma sinfônica de “surdos” que só ele conhece, só ele ouve, é só dele a luta e é só dele vitória. E sua vitória é esta – o desdenho dos superficiais, o riso do louco e o ódio daqueles incapazes de amar a própria vida e a si mesmo.

É, então, romper com tudo e todos, com as estruturas e com os empecilhos que estão a sua volta, e propor a caminhada a si mesmo.

Um comentário em “Preconceito e o sentimento dos fracos!”

  1. “A natureza dos fortes segue em direção daquilo que já é, não precisa buscar ser, ele já conhece o próprio espírito “… 👏👏👏

Deixar uma resposta