INFORMAÇÃO E RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL – A Saída da Menoridade Intelectual

 

Rosto de Noam Chomsky sobre o fundo preto com a frase “How it is we have so much information, but know so little?”
― Noam Chomsky

Desde a primeira fase do expansionismo mercantilista – considerado começo da integração capitalismo/globalização – tenta-se criar um sistema que possibilitasse trocas comerciais em nível global. Com a informação não é diferente. Informação também é comércio. Talvez por isso há tanta FakeNews, uma tentativa de moldar a opinião pública momentaneamente, pois são mentiras rápidas, fáceis de serem desmascaradas.

Porém, as mentiras fazem parte do ônus da liberdade. John Stuart Mill (1806 – 1873) parece que acertou quando diz que as mentiras devem ser permitidas, dessa forma saberemos, ao confrontá-las, o que é verdade. Afinal, sem confrontar as mentiras como chegar as verdades?



Mas na velocidade que a informação nos chega hoje nota-se claramente que é impossível absorver tudo que é mostrado todos os dias.

Por exemplo:

“A notícia do assassinato do presidente norte-americano Abraham Lincoln, em 1865, levou 13 dias para cruzar o Atlântico e chegar à Europa. A queda da Bolsa de Valores de Hong Kong (outubro-novembro/97), levou 13 segundos para cair como um raio sobre São Paulo e Tóquio, Nova York e Tel Aviv, Buenos Aires e Frankfurt. Eis ao vivo e em cores, a globalização” (Clóvis Rossi – do Conselho Editorial – Folha de São Paulo). [2]

Mas, somente informação não é suficiente, é necessário a instrução – capacidade de discernir sobre aquilo a que está exposto – saber o que fazer com o conhecimento para não cair nas garras de charlatões da mídia. Schopenhauer (1788 – 1860) em “Arte de Escrever” faz uma diferenciação entre informação e Instrução [1]. Informação está ao alcance de todos, hoje – acredito que sempre foi assim, apesar de proporcionalmente diferente – é necessário saber selecionar e trabalhar com a cascata de informações que chegam a todo momento em nossa TimeLine.

A principal função é instruir-se para lidar com a informação, como Immanuel Kant (1724 – 1804) diz a saída da menoridade intelectual é de responsabilidade pessoal. Perceber o que é informação de qualidade e/ou verdadeira do que é mera especulação.



É compreensível que a  democracia [3], para além de seus valores atuais, tornou os julgamentos turvos. Ou, como preferem alguns: os sofistas venceram! [4]. Na sociedade moderna, o controle foi substituído pelo convencimento e pela participação ou representatividade, o que evita desconfiança no sistema.

Ao afirmar que os homens são a medida de todas as coisas eliminam a possibilidade de busca pela verdade. Logo, cada um com sua própria verdade precisa de representatividade democrática. Impedindo, quem sabe, a maioridade intelectual. Os reflexos mais claros são a irresponsabilidade sobre o que fala e a incapacidade de quem ouve de discernir sobre o que está sendo dito. O simples fato de alguém dizer aquilo que o sujeito quer ouvir elimina a possibilidade de questionar se, o que está sendo dito, é verdade ou mentira.

A democracia, segundo Platão (428/427 – 348/347) é retórica, argumentativa e demagógica. Com toda razão. O que me leva a pensar sobre a necessidade da responsabilidade individual sobre aquilo que falamos e acreditamos pessoalmente.



Sair da bolha, dito do pensamento contemporâneo, liberdade de pensamento como fala Stuart Mill, discernir entre informação e instrução como em Schopenhauer, ou sair da Menoridade Intelectual a expressão Kantiana, é, basicamente – desprezar a massa! Ou seja, faz parte da busca de aprendizado constante conhecer si mesmo, a própria intelectualidade e, principalmente, ser indivíduo na turbulência do povo.

 [1] Informação é diferente de Instrução

[2] Globalização diminui as distâncias e lança o mundo na era da incerteza

[3] Democracia, antiga e moderna, diferenças fundamentais.

[4] A vitória Sofista, Luis F. Pondé – na Folha



 

Deixar uma resposta