Ética em René Descartes

Mesmo que a filosofia cartesiana, em grande parte, seja sobre epistemologia, é possível pinçar alguns textos sobre outros assuntos, como, nesse caso, ÉTICA!

René Descartes (1596 – 1650) – filósofo francês tido como um dos fundadores da filosofia moderna, e, principalmente, como defensor da ciência moderna fundada por Nicolau Copérnico (1473 – 1543) e expandia por Johannes Kepler (1571 – 1630) e Galileu Galilei (1564 – 1642). Junto a isso, críticas a tradição filosófica, em especial a escolástica medieval.

A filosofia de cartesiana têm como condição essencial a fundamentação de um novo método científico que seja capaz de se tornar o suporte para a ciência moderna, ou seja, a obra de Descartes é, quase que totalmente, voltada as questões epistemológicas – Teoria do conhecimento científico.

Assim, o filósofo francês, escreveu pouco sobre outros temas do pensamento filosófico como ética, estética, ou filosofia política. Para René Descartes os outros assuntos da filosofia, dependiam, diretamente, das soluções a Respeito do Conhecimento e de uma fundamentação de um novo método científico, então, somente a partir desse novo método poderíamos desenvolver um novo sistema filosófico e científico.

Mesmo assim, Descartes, não deixou totalmente à parte as questões éticas e a Natureza humana. Em seu “Tratado do Homem”, publicado após sua morte em 1664 – que deveria unir-se ao “Tratado do Mundo” – formulou uma ciência do ser humano. O próprio Descartes, na parte VI, menciona seu interesse em medicina e no conhecimento da Natureza Humana.

A Moral Provisória de Descartes – na parte III de DISCURSO DO MÉTODO, o filósofo demostra as regras para a Moral provisória – da mesma forma que demonstrou os princípios do método científico na parte II – ainda que uma ciência da moral necessitasse se amparar no conhecimento da natureza humana para determinar as regras do bom agir ou diferenciar Certo de Errado e o Bem e o Mal e, enfim, proporcionar os verdadeiros fins da natureza humana, Descartes, acreditava que não podíamos esperar a fundamentação da ciência do agir. Assim, é necessário regras para uma Moral Provisória que sirva até que que a ciência da moral seja definida e definitiva.

A Distinção entre o Certo e o Errado. Em “As Meditações Metafísicas” – sua principal obra sobre os assuntos que contornavam o debate em sua época – de 1641, Descartes dedicou-se as questões sobre metafísica e a existência de Deus, a imortalidade da alma e a sua relação com o corpo. Neste trabalho, busca mostrar que a nova filosofia que defende não é conflitante com a tradição filosófica.

Assim, na meditação IV, Descartes escreve sobre o problema do Erro, e caracteriza não como efeito das faculdades intelectuais, mas como mau uso da Vontade, ou seja, quando a Vontade esta apoiada em ideias que não são nítidas e inteligíveis. É necessário, então, que a Vontade seja guiada pela razão e não pela paixão. Somente dessa maneira será possível diferenciar o Certo do Errado e o Bem e o Mal.

A vontade e as Paixões da Alma. A ultima obra publicada pelo filósofo francês em 1649. Inicialmente, é analisada a fisiologia humana, de um enfoque mecanicista, ou seja, o corpo humano lhe parece uma máquina. É, então, sob essa ótica que, Descartes, concebe sua moral, e escreve no Art. 48:

 

“Em que conhecemos a força ou a fraqueza das almas, e qual é o mal dos mais fracos. Ora, é pelo sucesso desses combates que cada um pode conhecer a força ou a fraqueza de sua alma, pois aqueles em quem naturalmente a vontade pode vencer com mais facilidade as paixões e interromper os movimentos do corpo que as acompanham têm provavelmente as almas mais fortes; mas há outros que não conseguem experimentar a força de sua alma, uma vez que nunca combatem suas vontades com as próprias armas, mas apenas com as fornecidas por certas paixões com a finalidade de resistir a algumas outras. O que chamo de “próprias armas” são julgamentos firmes e determinados, referentes ao conhecimento do bem e do mal, segundo os quais ele resolveu conduzir as ações de sua vida; e as almas mais fracas de todas são as cuja vontade não se determina assim a seguir certos julgamentos e deixa-se levar constantemente pelas paixões presentes, as quais, não raro contrárias umas às outras, arrastam a vontade sucessivamente para o partido delas, e, usando-a para lutar contra si própria, colocam a alma no estado mais deplorável que possa haver. Assim, enquanto o medo representa a morte como um mal extremo e só pode ser evitado com a fuga, a ambição, por outro lado, significa a infâmia dessa fuga como um mal pior que a morte; essas duas paixões agitam diferentemente a vontade, a qual, ao obedecer ora a uma, ora a outra, opõe-se continuamente a si mesma, e assim torna a alma escrava e infeliz.”

Resumidamente, para Danilo Marcondes (1957), em “Textos Básicos de Ética: De Platão à Foucault”, na edição Kindle escreve:

 

“Descartes fundamenta a sua ética no bom uso, isto é, na utilização racional, do livre-arbítrio e na generosidade, entendida como a decisão de usar corretamente a liberdade, que é a mais elevada das virtudes. Ele aponta para a importância de não se permitir que a vontade fique sujeita às paixões, o que a impediria de nos fazer agir de forma equilibrada. É necessário, assim, que nossas atitudes se baseiem no conhecimento da verdade para que possam ser justas.”

Mesmo assim, isso não significa que as paixões deverão ser simplesmente ignoradas, como o próprio Descarte esclarece no art. 212:

 

“Mas o principal uso da sabedoria está em nos ensinar a ser mestres de nossas paixões e a controlá-las com tal destreza que os males que elas possam causar sejam perfeitamente suportáveis e até mesmo tornem-se fonte de alegria.”

Leia Mais Sobre Ética:

Na Grécia Antiga:

A Origem da Ética 

A Ética em Platão

Ética de Aristóteles em Ética à Nicômaco

E a Ética na idade Média:

A ética de Santo Agostinho – Livre Arbítrio e Confissões

Ética de São Tomás de Aquino – em A Suma Teológica

René Descartes

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