Ética em Nietzsche, A Transvaloração de Todos os Valores

Entre os mais ácidos críticos da cultura ocidental, Nietzsche se destaca trazendo, para filosofia ética, uma proposta radical a “Transvaloração de Todos os Valores.

Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844-1900), filósofo, filólogo, crítico cultural, poeta e compositor prussiano, onde hoje é a Alemanha. Filho de pastor luterano foi marcado por uma rígida educação religiosa protestante. É um dos críticos mais ácidos da moral tradicional desde a filosofia grega antiga à filosofia cristã. Ficou conhecido, especialmente pelo radicalismo de propor a “Transvaloração de Todos os Valores” em Ecce Homo de 1888, buscando cortar laços não somente com a filosofia moral tradicional Judaico-cristã, mas, também, com a filosofia grega desde Sócrates, que é representativo no racionalismo e de uma visão unilateral que, segundo Nietzsche, prevaleceu na cultura ocidental.

O próprio Nietzsche define seu pensamento como uma “crítica a modernidade” em Além do Bem e do Mal. Especialmente, no campo da ética, procura mostrar que ela (a ética), não se fundamenta na razão. Para Nietzsche, a ética cristã se caracteriza pela “moral de rebanho” onde os indivíduos são levados pela maioria e seguem os ensinamentos da moral tradicional de maneira não crítica.

Ainda há outro conceito importante sobre moral em Nietzsche o “homem ressentido”, que é aquele que assume a culpa e o pecado como sendo próprio da sua natureza, dessa forma, reprime seus impulsos vitais, sua vontade, e sua criatividade em nome da submissão às autoridades como religiões, o Estado e as instituições em geral. Essa é, para o filósofo, a moral dos fracos, que consegue impor aos fortes, por meio destes recursos, o “remorso” colocado, na cabeça de todos os indivíduos, pela tradição.

Desta maneira, Nietzsche, vai em direção à valores que visam a afirmar a vida, que dê aos seres humanos um impulso para outra direção, ou seja, a superação de suas limitações por meio do encorajamento da Vontade, à sensibilidade e à criatividade.

Em Além do Bem e do Mal de 1886, Nietzsche, questiona a dicotomia entre o Bem e o Mal à qual é baseado toda a moral tradicional, relacionando-a a verdadeiro/falso onde está assentada a tradição filosófica do conhecimento. E, até caracteriza como “preconceito dos filósofos”.

Para Nietzsche, conceitos tratados como objetivos e derivados da razão universal são, na verdade, fruto do sentimentos e instintos humanos, resultantes da história, da cultura e da educação. Assim, é necessário libertar os homens dessas amarras do preconceito dos valores tradicionais e, então, reafirmar a vida, redescobrir valores que permitam aos homens o pleno desenvolvimento do que há de mais nobre na natureza, para que, assim, seja capaz de superar a si mesmo e seguir em direção do “homem do futuro”.

Há, ainda, em Além do Bem e do Mal, a contribuição à história da Moral, onde Nietzsche crítica a tentativa dos filósofos de fundamentar a moral e de criar uma ciência da moral, sem ao menos se perguntarem qual o sentido da moral, ou seja, sem problematizá-la. É neste ponto onde Nietzsche propõe uma perspectiva histórica da moral, mostrando a necessidade de comparar as diversas visões sobre a moral que existem.

Em Genealogia da Moral de 1887, Nietzsche segue a ideia do livro anterior, supracitado, aprofundando ainda mais sua crítica através do método genealógico, assim, o filósofo, deseja mostrar que os conceitos e valores tradicionais não são pactuados objetivamente e nem são universais, ou seja, têm momentos históricos e culturas específicas que o determina. Desde modo, servem a interesses e propósitos que, no decorrer da história ou da tradição, acabam por desmascarar a aparente objetividade dos valores, como, por exemplo a “moral de rebanho” da cultura judaico-cristã, que determinam valores como compaixão e submissão aos fortes como forma de dominá-los. Não se trata de uma análise histórica, o método nietzschiano procura mostrar, através da análise crítica, conjunturas e elementos periféricos da tradição e seu encadeamento de formação.

Em Ecce Homo de 1888, Nietzsche define seu livro Genealogia da Moral como sendo três dissertações.

A Primeira dissertação é a psicologia do cristianismo, nas palavras do filósofo:

“(…) nascido do espírito do ressentimento e não, como se supõe, do Espírito, um movimento contrário em sua essência, uma grande rebelião contra a dominação dos valores nobres”.

A Segunda dissertação trata a “Psicologia da Consciência” não de forma que seja “voz de Deus no homem”, mas o instinto de crueldade que se volta para dentro do homem quando não se pode externá-lo. Na voz do filósofo:

“A crueldade é revelada, pela primeira vez, como um dos mais antigos e mais indispensáveis elementos na fundação da cultura.”

A Terceira dissertação é uma resposta à questão sobre a origem terrível do poder do ideal ascético – no sentido daquele que se volta a vida religiosa, ou espiritual.

Nessas três dissertações Nietzsche acreditava ter a chave para a “Transvaloração de todos os valores”. Segundo o filósofo:

“Trata-se de três ‘aberturas’ psicológicas decisivas que precedem a transvaloração de todos os valores.”

Nietzsche

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