Ética de Spinoza em Ética, demonstrada à maneira dos geômetras

Spinoza, conhecido como um dos filósofo mais originais do seu tempo, escreveu sobre Ética de maneira peculiar e criativa articulando a Metafísica, o Conhecimento e a Antropologia Filosófica e Moral.

Nascido em Amsterdam e proveniente de uma família judaica com origem portuguesa, Baruch, ou Benedito Spinoza (1632 – 1677) é conhecido como um dos filósofos mais originais de seu tempo.

Baruch Spinoza escreveu, originalmente em latim, a “Ética, demonstrada à maneira dos geômetras” entre 1661 e 1673 foi uma obra póstuma. Esta, não é simplesmente, ou somente, uma obra a respeito de ética, mas uma obra sobre metafísica que, partindo da ontologia, desenvolve um tratado da Natureza Humana e o fim último do homem, a beatitude. O filósofo, escreve de modo articulado, sobre metafísica, o Conhecimento, a Antropologia filosófica e moral.

ÉTICA, DEMONSTRADA À MANEIRA DOS GEÔMETRAS é escrita sob o more geometrico ou o método geométrico, influencia de Euclides e sua geometria, conhecida, em seu tempo, por ser um modelo de ciência do pensamento exato. Dessa forma, e por isso, começa por definições e axiomas, formula proposições e demonstrações, ou seja, é uma obra extremamente sistemática, onde conceitos definidos são colocados com exatidão. As consequências das definições são tiradas de um método totalmente lógico. Cada parte do sistema de Spinoza interage com a outra parte o que leva a necessidade de compreendê-lo como um todo.

A parte I ou o Livro I “Sobre Deus”, o filósofo discorre sobre questões metafísicas, isto é, Deus, a Substância, seus modos e atributos. Observe que o Deus de Spinoza não é o Deus criador e transcendente das religiões, mas um princípio metafísico que é a própria realidade, por isso a frase: Deus sive natura, ou seja, Deus ou Natureza. Deus é, para Spinoza, uma substância infinita e causa primeira.

A parte II ou o Livro II é “Sobre a Natureza e a Origem da Alma (mentis)” onde Spinoza explora o tema do Conhecimento, relacionando-o a questão da alma e o corpo e a possibilidade de conhecer a realidade.

A parte III ou o Livro III, “Sobre a Natureza e a Origem das Afecções” é onde começa as primeiras definições a respeita da ética.

Danilo Marcondes em “Textos Básicos de Ética: De Platão à Foucault” escreve sobre o que são as afecções em Spinoza:

 “(…) para Spinoza as afecções são formas de pensamento (Livro III, Definição III), podem ser alteradas pela razão. Podemos igualmente analisá-las e descobrir quais as afecções que são boas e quais são más, no sentido das definições (…). As boas afecções são aquelas que contribuem para o desenvolvimento da natureza humana, que aumentam a potência do ser humano.”

A parte IV ou Livro IV “Sobre a Natureza Humana ou Sobre a Força das Afecções” segue o raciocínio e desenvolve as consequências éticas de suas concepções da Natureza Humana sob as problemáticas da Liberdade, do Auto Controle e seus conceitos de Bem Mal.

Para o próprio Spinoza é:

“I. Por bem, entenderei o que sabemos com certeza ser-nos útil.”

“II. E por mal, o que sabemos com certeza impedir que detenhamos um bem.”

A parte V ou Livro V é “Sobre as Potências do Intelecto, ou Sobre a Liberdade Humana” onde Spinoza opta por defender uma ética racionalista. E, no mesmo livro, o filósofo demostra sua concepção de Felicidade, que é o “Amor Intelectual de Deus” que Spinoza entende como o lugar do Indivíduo no Universo.

Potência e Virtude, para Spinoza é o Mesmo segundo definição do próprio autor:

“VIII. Entendo que virtude e potência são a mesma coisa, isto é (pela Prop. 7), a virtude, na medida em que diz respeito ao homem, é a essência mesma ou natureza dele, pois lhe confere o poder de produzir certos efeitos que podem ser compreendidos como as únicas leis de sua natureza.”

A virtude, em Spinoza, é tudo o que ajuda os seres humanos a preservarem seu Ser, isto é, a definição de Autopreservação, e para isto é necessário agir de acordo com a Natureza, ou seja, agir movido pela razão.

Spinoza define assim:

“Quanto mais alguém procura o que lhe é útil, isto é, conservar o seu ser, e tem poder para tal, mais é dotado de virtude; ocorre o contrário quando alguém desdenha o que lhe é útil, isto é, conservar seu ser, e nisto é impotente”

Referencias:

Marcondes, Danilo. Textos Básicos de Ética: De Platão à Foucault.

Spinoza

 

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