Corrupção e Ética à Brasileira O “Jeitinho”

O jeitinho brasileiro visto como uma reação à percepção do brasileiro quanto a corrupção histórica brasileira

Corrupção brasileira é histórica e facilmente pode ser identificada através de registros e documentos desde os tempos do império! Corrupção que, inclusive não era vista como corrupção. O Clientelismo, favorecimento de parentes e amigos, e o Patrimonialismo, dificuldade de diferenciar o público do privado [1] são marcas históricas no Brasil.

Ética/Moral são construções com origem filosófica conhecida, e através dos tempos devem ser revisitadas e, no caso do brasil, ainda mais. Com inúmeros casos de corrupção aparecendo todos os dias a população, assim como filósofos e cientistas sociais, pensam o tema, o que implica olhar a corrupção do ponto de vista dos valores fundamentais na moralidade, ou seja, honestidade e confiança, junto aos princípios constitucionais como decoro, dignidade humana e propriedade administrativa. Já que a má percepção brasileira sobre corrupção aumenta a cada instante.

Segundo a ONG Transparência Internacional, entre 168 nações o Brasil ocupa oposição 76 no Corruption Perceptions Index. [2] Índice que serve de parâmetro para que empresas possam investir no país. Quanto mais corrupto um país maior a incerteza e menor serão as receitas.

Como dito anteriormente, o problema da corrupção não é recente no Brasil, porém, a verdade é que toda história humana, é também a história da evolução das sociedades e do seu senso moral, e de justiça. No entanto tantos escândalos consecutivos de corrupção parece minar as forças do cidadão, seja para empreender, como mostra o Índice de percepção da corrupção, seja a força moral, o que leva ao desânimo nos referenciais de ética e moralidades mais básicos.

Desânimo nos Referenciais de Ética e Moralidades. O Homem é, segundo Aristóteles (384 a.C – 322 a.C), zoon Politikon, isso quer dizer, um ser de relações sociais, relações morais, tanto pública como individual, responsável por seus atos diante da comunidade e diante de si mesmo. E é dentro destes conceitos que pensavam os gregos, e que pensam os filósofos até hoje. Se somos animais políticos são necessárias relações éticas, que possam ser mais justas possíveis dentro da convivência humana.

Assim, ao ver as injustas relações entre os compatriotas o ser, o brasileiro, nota que seus esforços não são capazes de gerar o necessário, ou os frutos colhidos não são o suficiente para seu desenvolvimento, ao notar, mesmo que empiricamente, o Clientelismo e Patrimonialismo, vê algo errado no seu agir, então, obviamente, encontrará mecanismos para romper com aquilo que é “certo”, porém não gera frutos, brota, assim, o “Jeitinho” brasileiro. Ou seja, ao perceber o falso discurso de imparcialidade e neutralidade na política, e que os discursos servem somente para o favorecimento de grupos já ligados ao governo, o brasileiro tenta agir de forma que não fira a sua prórpia moral, porém contrariando a lei vigente, que muitas vezes, percebe como injusta.

 

[1]. Como o modelo de colonização lançou as bases para a difusão da corrupção, que seguiu encontrando terreno fértil para se manter na esfera pública, alimentada pela falta de punição e pela manutenção de elites no poder. https://g1.globo.com/educacao/noticia/analise-historica-mostra-que-corrupcao-no-brasil-persiste-desde-o-periodo-colonial.ghtml

[2]. Trata-se de um indicador compilado a partir de outros indicadores, todos estes referentes a opiniões de pessoas ligadas a corporações transnacionais (ou que para elas prestam serviços) a respeito do nível de corrupção que elas imaginam vigorar em um país. O índice da TI é expresso na forma de um ranking. A entidade emprega um “grau” (um número de 0 a 10) para exprimir a posição dos países no ranking (ABRAMO, 2005, p. 34).

Tomadas com gambiarras em preto e branco. Escrito Jeitinho brasileiro

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