ÉTICA em SANTO AGOSTINHO – Livre Arbítrio e Confissões.

Santo Agostinho foi o primeiro a fazer leitura Cristã da Antiga filosofia Grega. Assim, marcou não somente a Idade Média, mas influenciou o início da Idade Moderna.

Santo Agostinho (354 d.C – 430 d.C) é, para tradição filosófica ocidental, o representante da primeira síntese entre a filosofia Grega e o cristianismo, principalmente o platonismo – VER Ética em Platão [1]. Dessa forma, Agostinho, com sua obra, não somente marcou a Idade Média, mas, também influenciou o início da Idade Moderna.

A Ética de Agostinho resulta de releituras da filosofia ética Grega [2] em especial Platão e a de origem Romana, em especialmente Sêneca () e seu estoicismo – com o diálogo Beata Vita ou A Vida Feliz, que influenciou seu texto de mesmo nome. E, Hortensius, de Cícero (106 – 43 a.C), sobre filosofia que, segundo o próprio Agostinho, despertou seu interesse por filosofia. Mas, é, em Platão, com leituras à luz do cristianismo, que Agostinho constrói sua filosofia.

Deste modo, as questões levantadas por Agostinho, são uma herança grega tratadas sob o viés Cristão, como, por exemplo, A Natureza Humana e o Caráter inato da Virtude, a Origem do Mal, o Conceito de Felicidade, Liberdade, e a possibilidade de agir de forma Ética.

À vista disso, há duas questões fundamentais na Ética de Agostinho, questões essas que permanecem até os atuais na Ética Cristã.

Afinal, qual a Origem do Mal? Um dos principais temas que contornava o debate na época de Agostinho, pois, a doutrina maniqueísta era muito forte naquele momento e defendiam a existência dos princípios equivalentes, ou seja, o Bem e o Mal em luta constante, identificando em ambos, respectivamente, Deus e o diabo.

Desta maneira, questionavam se Deus é perfeito e entre seus atributos esta a Suprema Bondade – identificada até certo ponto, com a Forma do Bem de Platão – como é possível a existência do Mal? Deus, que é Bom, poderia criar o Mal?

Como Platão, Agostinho defende que só é possível existir o Bem, assim, o Mal, é, na verdade, a ausência do Bem. Deus é bom, mas os seres foram criados inferiores na ordem do Ser, são, portanto, imperfeitos e finitos. O Mal, tem origem a falha ou imperfeição. Esta foi, e é, a solução ética e teológica, criada para o problema da existência do Mal.

Em Confissões, capitulo de 16, Agostinho:

“Senti e não estranhei que o pão tão saboroso ao paladar saudável seja enjoativo ao paladar enfermo e que a luz agradável aos olhos que veem bem seja desagradável aos doentes. E a Vossa justiça é desagradável aos maus — o mesmo acontece com a víbora e os répteis, que foram criados bons e adequados à parte inferior da Criação, à qual os seres maus também pertencem —, sendo tão mais semelhantes quanto são diferentes de Vós. Do mesmo modo, os maus são tão mais semelhantes aos seres superiores quanto mais se tornam semelhantes a Vós. Indaguei sobre a maldade e não encontrei uma substância, mas sim a perversão da vontade afastada de Vós, o Ser Supremo, tendendo em direção às coisas inferiores, expelindo as suas entranhas e inchando-se toda.”

A segunda questão, e diretamente relacionada à primeira é: A LIBERDADE HUMANA. Por quê…

“Se a natureza humana é marcada pelo pecado original, a imperfeição originada na fraqueza de Adão, e faz com que o ser humano esteja sujeito à tentação e aja contrariamente à lei moral, então haveria um determinismo que tornaria inevitável o pecado e, por conseguinte, a ação antiética. Paradoxalmente, os indivíduos não seriam, em última análise, responsáveis por seus atos, já que são levados ao pecado pela própria falha de sua natureza. Neste sentido, não teriam o domínio de suas ações, pois suas atitudes seriam determinadas por esta falha. O ser humano é, assim, compelido a agir contrariamente à ética. Se sua ação é determinada e ele é compelido, então não tem escolha ou liberdade e, portanto, não estaria verdadeiramente pecando.” [3].

Assim, o Livre Arbítrio ou Liberdade Individual, é, para Santo Agostinho, o aspecto humano mais importante, pois, o torna responsável por suas escolhas e decisões. Então, o ser humano com o Livre Arbítrio, pode agir, se bem entender, de forma ética ou não. O Mal Moral, ou o pecado, em Agostinho, resulta das escolhas individuais. Esta possibilidade foi concedida por Deus, para que cada um, individualmente, seja responsável por seus atos. Estejam certos ou errados.

Agostinho, no livro II – em diálogo com Evódio, responde este questionamento e concluí que sem o Livre Arbítrio o homem não poderia ser responsabilizado por seus atos.

“Se é verdade que o homem em si é bom mas não poderia agir bem exceto por querer, seria preciso que tivesse vontade livre para que pudesse agir desse modo. De fato, não é porque o homem pode usar a vontade livre para pecar que se deve supor que Deus a concedeu para isso. Há, portanto, uma razão pela qual Deus deu ao homem esta característica, pois sem ela não poderia viver e agir corretamente. Pode – se compreender, então, que ela foi concedida ao homem para esse fim, considerando – se que se um homem a usar para pecar recairão sobre ele as punições divinas. Ora, isso seria injusto se a vontade livre tivesse sido dada ao homem não apenas para agir corretamente, mas também para pecar. Na verdade, por que deveria ser punido aquele que usasse da sua vontade para o fim para o qual ela lhe foi dada? Quando Deus pune o pecador, não te parece que lhe diz o seguinte: “Estou te punindo porque não usaste de teu livre-arbítrio para fazer aquilo para o que eu o concedi a ti”? Ou seja, para agires corretamente. Entretanto, se o homem não fosse dotado de livre-arbítrio, não poderia existir esse bem que consiste na realização da justiça através da condenação dos pecados e da premiação da ação correta. A conduta de um homem não poderia ser caracterizada nem como correta nem como um pecado, não fosse pelo livre-arbítrio. Da mesma maneira, tanto a punição quanto a recompensa seriam injustas se o homem não tivesse o livre-arbítrio. É preciso que a justiça esteja presente na punição e também na recompensa, porque este é um bem que vem de Deus. Concluo, portanto, que era necessário Deus conceder ao homem o livre-arbítrio.”

[1]. Ética em Platão

[2]. Origem da Ética

[3]. Danilo Marcondes em “Textos Básicos Sobre Ética: De Platão a Foucault

Santo Agostinho

O MUNDO É OTIMIZADO PARA MEDIOCRIDADE



Mostro Mídia
“The fool who feeds the monster”. Viñeta de 1913 en Leslie’s Illustrated Weekly Newspaper. Originally posted by Ricardo Galli

Uma caricatura publicada em 1913 no já extinto Leslie’s Illustrated Weekly Newspaper mostra um mostro sendo alimentado por um executivo jogando-lhe moedas na boca. O monstro se ergue de forma ameaçadora com presas enormes e braços tentaculares que destruíam a cidade em volta. Nos tentáculos dizeres: “cultivar o ódio”, “distorcer os fatos” e “difamar para inflamar”. Ou seja, o executivo é um publicitário e a boca representa a impressa maliciosa que precisa de dinheiro para sobreviver, logo abaixo a legenda: “O TOLO QUE ALIMENTA O MONSTRO”. (Imagem à esquerda).

Venho falando sobre o assunto há alguns dias em “Ódio gera lucro! Ou você acha que tua opinião importa? ”,[1] “Manipulação das Mídias, como agir? ”,[2] e “Informação e responsabilidade individual, A saída da menoridade intelectual”.[3]. A questão é…



O MUNDO É OTIMIZADO PARA MEDIOCRIDADE

Todos os dias crianças e jovens entre 8 e 18 anos permanecem online, em média oito horas por dia. Não incluindo televisão. É gasto todos os dias 50 bilhões de minutos no facebook sem contar outras redes sociais e blogs. Todos os meses é disponibilizado cerca de 150 milhões de vídeos para usuários. É evidente que existe submissão e apatia. Todos estão distraídos por uma mídia cada vez mais veloz que não deixa pensar. De alguma forma a velocidade suprime a capacidade de interpretar e analisar.

A mente humana passa por duas fases quando se depara com a notícia, ou coisas de seus interesses. A primeira é acreditar só depois entra em fase de dúvida e avaliação, mas, para isso, precisa de tempo.

Então, de alguma forma, a velocidade da mídia moderna está impedindo a segunda fase de emergir, ou seja, no momento da dúvida, surge imediatamente outra notícia na timeline desviando a atenção. O que torna a notícia anterior verdade para o leitor, mesmo que não seja algo que ele (o leitor) normalmente acreditaria. Como não conseguiu absorver todos os fatos e passou para a notícia seguinte sem analisar, a opção é confiar na opinião do articulador. Ou seja, transfere a responsabilidade de análise – é, o que chamamos de “delegação de confiança”.

Além de ser difícil permanecer céticos, e, principalmente, ainda mais difícil corrigir crenças. É, ainda, possível fortalecer crenças já estabelecidas mesmo que erradas, o conhecido Backfire Effect o “efeito tiro-pela-culatra”. Desta forma, é possível manipular a opinião pública, em um processo cíclico de mentiras e ganhos através de notícias falsas.

Com a quantidade de tempo que crianças e adolescentes passam na internet, a velocidade em que a mídia moderna acontece, e as possibilidades de manipulação da informação como exposto anteriormente, através de mecanismo mentais que não deixam pensar, a probabilidade de entrar e permanecer em uma bolha é muito grande!

[1]. Ódio gera lucro! Ou você acha que tua opinião importa?

[2]. Manipulação das Mídias, como agir?

[3]. Informação e responsabilidade individual, A saída da menoridade intelectual



PRIVACIDADE, LIBERDADE, DIREITOS INDIVIDUAIS e as Contradições Contemporâneas

Homem sentado frente ao computador, frente a tela. O monitor é transformado em uma luneta. Há um homem observando a luneta.

Para os Antigos Gregos [1] liberdade era permanecer junto à comunidade. Ideias de direitos individuais seriam estranhos ao povo grego, tão coletivistas. Acostumados e educados a viver para o outro. Enquanto, o povo moderno, vê e sente liberdade do ponto de vista dos indivíduos, dos direitos individuais e, principalmente, sem as aparências de opressão. Porém, o curioso é, OS MODERNOS, RARAMENTE QUESTIONAM A INVASÃO DE PRIVACIDADE.



Entre 1933 e 1945 existiu na Alemanha NAZISTA a GESTAPO, [2] abreviação para Geheime Staatspolizei – a Polícia Secreta do Estado – organização que investigava a população sob o pretexto e baseada no DECRETO PARA A PROTEÇÃO DO POVO E DO ESTADO. Basicamente o texto/decreto restringia os direitos civis, liberdade de expressão e de impressa. Era um aparato estatal de controle e fiscalização da população, e, assim, invadir a privacidade, acabar com liberdade e coletivizar a população. Mecanismo útil no avanço do totalitarismo de Hitler.

Avançamos em liberdades individuais e direitos civis, aos trancos, claro, a própria ideia de democracia traz alguns conceitos inexistentes noutros tempos [1]. Porém, em um mundo cada vez mais virtual, parece causar estranheza questionar a falta de privacidade. Uma população cada vez mais temerosa com a violência cotidiana, se sente segura em mostrar onde esta a todo momento. Eis uma, entre as diversas, contradições. Contradição que transforma a população em uma presa fácil para ditadores em potencial.



Todos os dias a privacidade é invadida, através de mecanismos mercadológicos, é verdade. Mas, ao mesmo tempo, a população entrega seus dados deliberadamente e, sem pudor, nos mercados em troca de pontos, ou alguns trocados na nota fiscal, comprovantes de renda e residência entregues em lojas e em compras na internet, entre tantos outros processos de compra e venda no mercado. Desta forma, deixam, não somente as empresas, mas o Estado informados de tudo o que estão fazendo.

E, ainda, os dados são expostos, vendidos e compartilhados entre empresas de diversos ramos e segmentos, e o próprio Estado, sabem qual seu perfil de consumidor e qual o poder de compra.

Os usuários expõem seus dados a todo tempo e não se dão conta que o Google, por exemplo sabe onde eles estão, com quem estão, onde trabalham, o que comem, onde moram, a que horas chegam em casa, quanto recebem de salário, com o que gastam o salário, etc. um sistema de informação, e controle tão eficiente que alguém como Hitler ficaria satisfeito em ter.



Um controle sobre tudo e sobre todos. Tão perfeito que até mesmo questionar a necessidade de privacidade parece loucura.

Ou como Aldous Huxley (1894 – 1963)

“A ditadura perfeita terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão.”

[1]. O Conceito de indivíduos era estranho aos antigos gregos. Na antiguidade o coletivo é tido como anterior a indivíduo. VEJA MAIS

[2]. SOBRE A GESTAPO



Algumas diferenças entre Rousseau e John Locke

Apesar de Locke e Rousseau serem dois contratualistas as divergências são as caracteristicas principais e, fazem toda a diferença!



rosto de rousseau (em cima) e locke (em baixo), em preto e branco

John Locke é um individualista e contratualista, como qualquer outro pensador do contrato social, inclusive, Jean-Jacques Rousseau. Porém, em Rousseau a lei natural tem uma dimensão social, junto a um certo individualismo radical, quando reivindica a igualdade.

É possível perceber que, em estado natural, para Rousseau, o homem não é naturalmente bom, nem naturalmente mal, o homem estaria em estágio amoral. Desta forma, nota-se que quem vê um homem bom em seu estágio natural é John Locke e não Rousseau.



É neste ponto que Rousseau começa a divergir, quando crítica a natureza humana e põe sobre um órgão legislador a necessidade de leis que modifique esta natureza, para reformar o indivíduo e fazer cidadãos. Para Rousseau é na sociedade que o homem se tornará bom o mau.

É a sociedade a culpada pela desigualdade e pelas injustiças, assim Rousseau propõe que através da sociedade o homem deve se livrar dos seus males, ou seja, somente a sociedade é capaz de desfazer aquilo que ela mesma fizera.

É John Locke que reconhece a força da liberdade e, principalmente, sua legitimidade é inegável! Para Locke o consentimento é um ato individual, baseado no inalienável direito natural à liberdade. Locke estava interessado na defesa da liberdade – disposição da pessoa humana – e dos direitos naturais e de propriedade dentro de uma constituição, buscando um governo neutro.

Em Locke O GOVERNO NÃO TEM CARÁCTER SOBERANO, ABSOLUTO OU AUTÔNOMO, como escreve o próprio Locke: “ (…) A isto respondo: o povo será o juiz; porque quem poderá julgar se o depositário ou o deputado age bem e de acordo com o encargo a ele confiado senão aquele que o nomeia, devendo, por tê-lo nomeado, ter ainda poder para afastá-lo quando não agir conforme seu dever? Se isso for razoável no caso particular de homens privados, por que seria diferente o bem-estar de milhões, e também quando o mal, se não for prevenido, é maior e a reparação muito difícil, dispendiosa e arriscada”.



Então, aqui está a verdadeira diferença, para Rousseau a soberania pública não poderá nunca prejudicar seus próprios membros, assim estaria prejudicando a si mesmo. Rousseau considera que a vontade soberana é de sua própria natureza, universal e inspirada na igualdade – acreditava que se prejudicasse um cidadão estaria prejudicando os outros e consequentemente a si mesma.

Rousseau concorda com Locke e se opõe a Hobbes em colocar a soberania nas mãos do povo transformando súditos em cidadãos livres, porém dá a seu contrato social um viés “mais social”, e menor ênfase a propriedade. Ou seja, opõem-se em dois pontos fundamentais, menor ênfase na propriedade e crença na soberania pública.



OS FUNDAMENTOS para os GOVERNOS em John Locke

Em busca da liberdade John Locke pensa em uma forma de poder cada vez mais plural, em busca do indivíduo.



COMO JÁ VISTO, John Locke não abre mão da liberdade humana, ele a defende com vigor por toda sua obra.

Em John Locke o LEGISLATIVO tem como objetivo elaborar leis para reger as sociedades, e para elaboração destas leis é necessário consentimento dos governados. É, a partir deste ponto, que Locke percebe que o Estado deve ser limitado, ou seja, o Estado deve cada vez menos se intrometer na vida dos indivíduos, já que a liberdade é o ponto fundamental de toda a vida humana. Desta forma, e por isso, o poder advém de consentimento! Eis o fundamento de um governo – a liberdade!

Assim, para se opor a soberania do rei são necessários TRÊS PODERES o legislativo, executivo e federativo, de forma a torná-los plurais.



Ao pensar que o poder de muitos seria mais forte que o poder de um – o rei – passa a estruturar um sistema representativo que tem por objetivo resguardar os direitos à propriedade acima de tudo, executando leis municipais dentro dos seus limites com relação a todos os governados.

Este poder representará os interesses da população, então, nunca poderá destruir, escravizar ou empobrecer os cidadãos. Seja para os ricos ou para os pobres, as decisões partem de consentimento, por isso as leis devem ser únicas. As leis devem ser elaboradas pelo legislativo não como fixas ou imutáveis, mas conforme as necessidades das comunidades.

Deste modo, o verdadeiro liberalismo é fundado sobre uma constituição clara e objetiva, com amplo espaço para a liberdade individual.



Porém, todas essas ideias de liberdade, propriedade e de uma legislação que avance no sentido do indivíduo estão muito distantes da nossa realidade. Para John Locke em SEGUNDO TRATADO SOBRE O GOVERNO no capitulo 11 diz:

“Todavia, será ainda com seu próprio consentimento, isto é – o consentimento da maioria, dado diretamente ou por intermédio dos seus representantes, se alguém pretender possuir o poder de lançar impostos sobre o povo, pela autoridade própria sem estar por ele autorizado, invadirá a lei fundamental da propriedade e subverterá o objetivo do governo; porque qual a propriedade que terei naquilo em que outrem tiver o direito de tomar para si, quando lhe aprouver”

Quanto ao poder FEDERATIVO o próprio Locke diz que está denominação é muito inadequada, porém é o poder pertinente a questões externas, ou seja, guerra e paz, tratados e alianças, questões levantadas entre as diversas comunidades. Este poder deve estar nas mãos do titular do Executivo – que, também, deve preservar a lei fundamental, a propriedade. O Executivo, deve ainda fiscalizar o legislativo. A função da lei é preservar e a função do Executivo é preservar o direito.



Quanto as ESCOLHAS DOS REPRESENTANTES deve ser livre como dito por Locke ainda em SEGUNDO TRATADO SOBRE O GOVERNO,

“escolhê-los livremente, e, assim escolhidos, agir livremente e aconselhar conforme as necessidades da comunidade e do bem público se julgasse que exigiam, mediante exame e discussão amadurecida.

Desta forma, não pode existir emprego da força ou subornos, continua…

aos eleitores lhes impondo à escolha alguém que ganhou para os seus desígnios por meio de promessas, ameaças e solicitações ou por outra maneira qualquer…”.

A liberdade de um governo deve ser precedida de justiça que garanta o bem-estar da população, caso contrário é legítimo o retorno ao estado de guerra para tirar do poder o governo despótico pois não está de acordo com os interesses do povo. Dessa maneira, John Locke constrói sua ideia de Estado, fundado na defesa da vida e do direito fundamental – a propriedade!

É muito importante ressaltar a ideia de propriedade, pois para Locke o direito de propriedade não deriva do Estado, o direito à propriedade precede qualquer organização civil sendo um direito pertencente ao indivíduo independente do Estado, porque surge não das leis mas das atividades pessoais do indivíduo – o trabalho.



Do Estado Natural ao Pacto – Contrato Social em John Locke

O ESTADO CIVIL NASCE PARA GARANTIR OS DIREITOS NATURAIS e é baseado em legitimidade e permissões comuns.



Como já dito em A Liberdade em John Locke, o homem é proprietário da vida, da liberdade e dos bens que adquiriu através do seu trabalho, porém, no estado de natureza, percebeu que estava a mercê de ataques, ou seja, mesmo conhecendo seus direitos naturais não estava isento de violações dos seus bens. Desta forma, consente em elevar um homem ao governo, instituído por permissão comum ao qual o único fim era a preservação da propriedade privada, visto que John Locke afirma em “Ensaio Acerca do Entendimento Humano. Segundo Tratado Sobre o Governo”, “(…) visto como o governo não tinha outro fim senão a preservação da propriedade, viu que não poderia jamais gozar de segurança ou tranquilidade na sociedade civil enquanto o poder legislativo não passasse às mãos de corpos coletivos de homens, chamem-se “senado”, “parlamento”, ou o que quiser”.

Ou seja, era necessário que existisse uma lei estável, fixada de consentimento e conhecimento de todos, com fortes critérios morais de bem e mal, certo e errado, e, principalmente, que pudesse estatuir sobre todos. Era necessário juiz conhecido de todos e que todos respeitassem, considerado sábio e imparcial segundo as leis estabelecidas, assim, teria a força para impor as decisões de forma justa.



Desta forma, segundo John Locke o homem migrou do estado de natureza mesclado ao estado de guerra para um poder legislativo. Deste ponto Locke entende o que é um poder respeitável, os limites de Estado, etc.

O ESTADO CIVIL NASCE PARA GARANTIR OS DIREITOS NATURAIS e é baseado em legitimidade e permissões comuns. Por isso o estado é limitado, porque os direitos naturais não podem ser violados e o consenso dado aos governantes estão dentro dos limites estabelecidos por direitos naturais. E é por isso que John Locke se opõe aos monarcas que, para ele não passa de autocratas. Os monarcas roubam a liberdade impondo seus desejos, e invertendo a legalidade. O Estado deixou de ser o defensor da propriedade e da liberdade e passa a ser seu principal violador, concentrado cada vez mais poder político e ideológico, tirando vantagens do povo.

UM GOVERNO LEGÍTIMO nas palavras de John Locke “Sendo os homens…, por natureza, todos livres, iguais e independentes, ninguém pode ser expulso de sua propriedade e submetido ao poder político de outrem sem dar consentimento. A maneira única em virtude da qual uma pessoa qualquer renuncia à liberdade natural e se reveste dos laços da sociedade civil consiste em concordar com outras pessoas em juntar-se e unir-se em comunidade para viverem com segurança, contato e paz umas com as outras, gozando garantidamente das propriedades que tiverem e desfrutando de maior proteção contra quem quer que não faça parte dela.

Então, para evitar o estado de guerra e que a força de alguns pudesse, simplesmente, beneficiar parentes e amigos, ameaçando o bem-estar dos indivíduos, os homens criaram a Sociedade Política como mecanismo de preservação dos inconvenientes do estado de natureza, foi criado, para Locke, um contrato entre governantes e governados, entre homens igualmente livres.



A Liberdade em JOHN LOCKE

Ao contrário de K. Marx Locke não foge do assunto e cria seus próprios conceitos sobre a liberdade e explica, através do estado de natureza e do estado de guerra – com base no jusnaturalismo, porquê a liberdade é fundamental.

PARA JOHN LOCKE A LIBERDADE É UM BEM ESSENCIAL PARA EXISTÊNCIA E A BASE DA VIDA DO CIDADÃO. Desta forma, a liberdade é fundamental para o desenvolvimento da sua filosofia. Há, ainda, inúmeras questões de enorme relevância que afetam e devem ser respondidas hoje em dia como: até que ponto é possível a autonomia de um governo em relação ao povo? O povo é soberano? Onde está a participação do povo? A sociedade é representada de forma correta pelo poder legislativo? O homem é livre? Nasce livre?

Para compreender John Locke e chegar naquilo que é fundamental é necessário entender o ESTADO DE NATUREZA, lugar onde o homem estava em perfeita liberdade, ou seja, era dono de suas próprias ações no mundo, e de suas posses, regulando o que possuía sem precisar a permissão ou depender da vontade de outro – é o estado de igualdade de direitos e posses.

Ou seja, o estado de natureza é a própria razão do homem, do contrário o homem cairia em um estado licencioso – na imoralidade, na libertinagem, etc. os homens, através da razão, no estado de natureza, eram todos iguais e independentes, não prejudicavam uns aos outros em suas vidas ou posses, assim na lei da natureza o que importa é a paz para a manutenção da humanidade.

Isto posto, para John Locke todos nascem livres, mas nem todos escolhem o bem, então, aqueles que prejudicam os outros devem ser punidos pois são agressores. Resumidamente, os agressores optaram por viver uma vida irracional e devem ser retirados da convivência humana – não deve existir tolerância.

Assim, John Locke encontra um problema no estado de natureza, o homem estava sempre sob o risco de invasões e de opressões, o que levou a pergunta: no estado de natureza todos podem ser legisladores na defesa de seus direitos? Desta forma, quando os homens passam a serem superiores uns aos outros o estado de natureza desaba, gerando confusão e desordem. Nasce O PACTO – Contrato Social. < LEIA MAIS

John Locke é contrário ao absolutismo dizendo que é preferível o estado de natureza porque é mais justo do que se subordinar a monarcas que são homens comuns e se tornam juízes somente em causa própria. Com ditadores não existe nenhuma liberdade e nenhum direito. Locke, chega então, a conclusão que há dois estados o de NATUREZA e o de GUERRA.

As diferenças entre ESTADO DE NATUREZA E ESTADO DE GUERRA são ainda bem atuais.

Sendo o estado de natureza o estado de paz, boa vontade, assistência mútua e preservação, enquanto o estado de guerra é a inimizade, a malícia, a violência e destruição mútua. Esta distinção se opõe a de Hobbes [1].

Então, a liberdade que esta na natureza é não estar submetido a qualquer poder político e a ninguém. Foi assim que Locke chega à conclusão que a escravidão é o estado de guerra, por exemplo.

Desta forma, se um ladrão tentar se apoderar de nós ou dos nossos bens estará tirando, justamente, a liberdade do estado de natureza e entrando em estado de guerra, logo, é legítimo matá-lo, para preservar a liberdade do estado de natureza, já que a liberdade é o primeiro dos bens do cidadão e de onde o cidadão se realiza individualmente.

Para chegar a estas conclusões John Locke usa as teorias de Jusnaturalismo [2], e, então, originar a TEORIA DO CONTRATO SOCIAL. É Possível fazer um comparativo do que pensava K. Marx sobre a Liberdade. VEJA!

 

[1]. Para HOBBES entre os dois estados, de natureza e de Guerra, não há diferença.

[2]. Jusnaturalismo é a teoria do direito natural que desde os sofistas acreditam que a natureza fornece um padrão moral que serve para avaliar a lei convencional, principalmente do pressuposto que os homens são todos iguais, conforme Hípias no Protágoras, de Platão. De Grotias a Locke a lei natural ganhou espaço com a teoria contratualista, com teve contribuições de Rousseau. Partindo do pressuposto que os homens são todos iguais e que tem direitos fundamentais como: direito a vida, à liberdade, à segurança, à felicidade, e, em Locke tais direitos estendidos à propriedade.

JOHN LOCKE, foto em Preto em Branco, sobre o fundo negro.

LIBERDADE E A ORIGEM DA VIOLÊNCIA REVOLUCIONÁRIA em Karl Marx

Esta violência têm origens no método materialista dialético na história, tendo em vista que o controle dos meus de produção não poderia ser espontâneo. Tal violência é inspirada nos jacobinos porém negando seu viés republicano, tornando assim a violência o elemento primordial da luta de classes…



KARL MARX, LIBERDADE E A ORIGEM DA VIOLÊNCIA REVOLUCIONÁRIA. Como em todos os casos, Marx não foge à regra, define liberdade segundo suas convicções políticas e ideológicas. Para György Lukács (1885 – 1971), influente marxista do século XX, a definição nasce de sua admiração pelo jacobinismo ou democratismo radial. O jovem Marx entre 1840 – 1845 esta em transição de um democrata para o comunismo revolucionário. Desta forma há uma forte influência sobre sua concepção de liberdade, com uma definição partindo do jacobinismo se aprofundando em comunismo revolucionário. Então, é impossivel separar o conceito de liberdade de Marx de sua forma/definição de revolução, já que, seja por desagrado com uma burguesia ou com, segundo o próprio Marx, uma revolução insuficiente com o jacobinismo, a liberdade humana passa pela revolução, e o sujeito (proletário) é o agente da sua própria liberdade – a revolução. Aparentemente, até 1842 libertário e admirador da revolução francesa, acaba por identificar-se com o radicalismo. Em 1843 desiludido com a burguesia liberal alemã rompe com a buguesia radical.

Com essas características, a liberdade para Marx não são as mesmas dos dicursos de John Locke (1632 -1704) e de John Stuart Mill (1806 – 1873), em direção da propriedade privada, pois são contrários aos verdadeiros interesses da ideologia comunista, desta forma Marx precisa renovar a ideia de Alienação.



O Fenômeno da Alienação. Em “Teses Sobre Feuerbach” Marx acredita que o ser humano entra em processo de autodestruição e aliena-se a si mesmo projetando um deus imaginário. O que chama “ópio do povo” é a fuga humana, o homem oprimido pelo meio social busca no imaginário da fé um conforto. Então, em “O Capital” torna explícito sua ideia de trabalho. O trabalho ao invés de realizar existencialmente o homem torna-o alienado de si mesmo, já que Marx considera o trabalho externo ao homem, ou seja, não pertence ao seu ser. Assim, o homem não se afirma no trabalho mas precisa renegar a si mesmo para executar a tarefa que esta imposta, desta forma fica infeliz definhando seu próprio corpo por que é incapaz de nutrir seu intelecto, destruindo a si mesmo. Por isso, somente fora do trabalho o homem se sente pleno, porque encontra a si mesmo. Isso o leva a crer que, o trabalho nunca é voluntário, mas uma opressão, sempre será um trabalho forçado. Isto posto, o trabalho torna o operário cada vez mais alienado e pobre na mesma medida que produz para o capitalista, seu patrão.

Retornando. Apesar de Marx falar de liberdade sobre diversos aspectos, Marx não conceitua liberdade. Para Michael Löwy (1938), isso se deve ao fato de Marx ser influenciado por Ludwig Feuerbach (1804 – 1872), e justifica sua afirmação com as palavras do próprio Marx: “Assim que o relâmpago do pensamento tiver penetrado no fundo desse ingênuo terreno popular, os alemães se emanciparão (…) A filosofia é a cabeça dessa emancipação (do homem); o proletariado, o coração”, isso quer dizer que Marx acreditava na filosofia como uma função de emancipação do homem, na superação da dualidade entre razão e paixão, intelecto e massa.

Portanto, para definir liberdade Marx pensa nas revoltas de trabalhadores, e no contato com os operários comunistas na França, ou seja, precisa do conteúdo social. O sujeito proletário precisa se reencontrar com a finalidade trabalho, já que Marx considera o trabalho externo ao homem, desse modo, opressor.

Então, é necessário que o sujeito social da liberdade se transforme em um revolucionário ativo, somente assim o proletário reencontrará sua personalidade, suas potencialidades criativas em uma humanidade livre em capacidades. Para Michael Löwy isso quer dizer uma auto libertação e auto educação.



Assim, unindo a teoria dialética e lutas de classes fica claro, para Marx a violência é o caminho histórico para libertação quando diz: “(…) as armas da crítica não podem de fato substituir a crítica das armas; a força material deve ser deposta por força material“, desta forma, Marx sai do jacobinismo em direção a revolução pensado que liberdade só será possível se houver igualdade no trabalho. Em 1848 em “Manifesto do Partido Comunista” Marx e Engels escreve “Os comunistas se recusam a dissimular suas opiniões e seus projetos. Proclamam abertamente que seus objetivos não podem ser alcançados senão pela derrubada violenta de toda ordem social passada. Que as classes dominantes tremam diante de uma revolução comunista! Os proletários nada têm a perder a não ser suas cadeias. Têm um mundo a ganhar. Proletários de todos os países, uni-vos!“.

Para Marx não existe liberdade sem revolução, e a violência é uma condição da revolução. Esta violência têm origens no método materialista dialético na história, tendo em vista que o controle dos meios de produção não poderia ser espontâneo. Tal violência é inspirada nos jacobinos porém negando seu viés republicano, tornando assim a violência o elemento primordial da luta de classes para a conquista do poder político e produtivo. A revolução comunista a partir do materialismo dialético é orientada para abolição da propriedade privada.



PARA ENTENDER O CONTEXTO. Os Fundamentos do Materialismo Dialético e Histórico. É materialismo por que o conteúdo é material, no sentido de fenômenos naturais, e dialético porque se apoia no conteúdo dialético de Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770 – 1831), no sentido de evolução dos fenômenos sociais, e histórico por que aplica o materialismo na dialética, ou seja, fenômenos materiais aplicados na evolução dos fatos sociais no desenrolar do tempo.

É necessário lembra também que tal tese Hegeliana foi amplamente discutida e questionada por diversos autores.

Deixo a reflexão de Battista Modin (1926) de opnião oposta ao sistema Hegeliano “O pensamento não põe nem cria a realidade. Ele a constata. A interioridade idealista, reduzindo a realidade ao pensamento” em ” Curso de Filosofia” p. 18 Ed. Paulus.