Ética em Freud, Sigmund

Com seu Conceito de Inconsciente, Freud, revolucionou o pensamento à respeito da Ética e da Moral do Século XX, questionando, principalmente, o racionalismo Moderno de Descartes e a sua Subjetividade

De origem judaica, Sigmund Schlomo Freud nasceu em Freiberg na Morávia em 1856. O criador da psicanalise foi um pensador de grande influência em campos diversos do conhecimento como ciências, filosofia, religião e artes. Formou-se em medicina e especializou-se em psiquiatria. Morou em Viena, capital do império austríaco, e considerado um grande centro cultural de sua época, início do século XX. Esteve em Paris, porém foi em Viena que passou grande parte de sua vida profissional, lugar onde elaborou sua teoria psicanalítica e realizou seu trabalho clínico. Morreu em Londres 1939, onde estava exilado fugindo da perseguição Nazista.

A interpretação dos Sonhos (1900), foi a primeira obra de relevância deste pensador, onde é possível encontrar, pela primeira vez, o conceito de inconsciente.

Conceito de inconsciente como entrada para à linguagem do inconsciente e a discussão sobre a função da sexualidade na natureza humana, são importantes fontes na crítica ao racionalismo moderno, principalmente, o conceito de subjetividade proveniente de Descartes – onde, acredita-se que, o sujeito pensante, tem total ingresso à sua própria consciência, à sua interioridade. Ou seja, Freud ataca a fundamentação ética da razão e a possibilidade da razão desse valores; questionando, ainda, o ideal de natureza humana, que presume algumas virtudes e, também, ataca, a consciência moral como instância central das decisões éticas.

Isto é, para o psicanalista, as ações humanas não dependem totalmente do controle racional e das decisões conscientes do ser humano, pelo contrário, as ações humanas, em grande parte são determinadas no inconsciente – instintos, desejos reprimidos, traumas, etc. – lugares no indivíduo que ele mesmo não tem acesso, pelo menos não plenamente.

Como funciona o Aparelho Psíquico? Para Freud, é constituído de Id (isso), o que corresponde ao inconsciente; Ego (eu) à consciência; e o SuperEgo (SuperEu), autoridade externa, ou seja, valores morais.

Com estes conceitos, Freud, revolucionou o tradicional pensamento de subjetividade e de consciência, o que, consequentemente, afetou as discussões sobre a Origem da Ética, desde consciência moral até os valores.

O Mal-Estar na Civilização – A consciência Moral, publicado em 1930, em Viena em meio à crises políticas e econômicas, no período conhecido como entreguerras, pouco antes da subida Nazista ao poder. Tem a pretensão de discutir civilização como o resultado do controle sobre os instintos agressivos do ser humano e da luta entre dois atributos  da natureza humana; Eros, a força, agregação entre os homens, ou seja, formação da família, da sociedade etc. e Tânatos; o instinto de morte, para tentar esclarecer a agressividade e instintos destrutivos dos homens.

Desta forma, o pensandor, concluí que “A Culpa” é um dispositivo essencial para a formação da civilização humana, servindo para reprimir os impulsos agressivos dos seres humanos.

Sigmund_Freud

Ética em René Descartes

Mesmo que a filosofia cartesiana, em grande parte, seja sobre epistemologia, é possível pinçar alguns textos sobre outros assuntos, como, nesse caso, ÉTICA!

René Descartes (1596 – 1650) – filósofo francês tido como um dos fundadores da filosofia moderna, e, principalmente, como defensor da ciência moderna fundada por Nicolau Copérnico (1473 – 1543) e expandia por Johannes Kepler (1571 – 1630) e Galileu Galilei (1564 – 1642). Junto a isso, críticas a tradição filosófica, em especial a escolástica medieval.

A filosofia de cartesiana têm como condição essencial a fundamentação de um novo método científico que seja capaz de se tornar o suporte para a ciência moderna, ou seja, a obra de Descartes é, quase que totalmente, voltada as questões epistemológicas – Teoria do conhecimento científico.

Assim, o filósofo francês, escreveu pouco sobre outros temas do pensamento filosófico como ética, estética, ou filosofia política. Para René Descartes os outros assuntos da filosofia, dependiam, diretamente, das soluções a Respeito do Conhecimento e de uma fundamentação de um novo método científico, então, somente a partir desse novo método poderíamos desenvolver um novo sistema filosófico e científico.

Mesmo assim, Descartes, não deixou totalmente à parte as questões éticas e a Natureza humana. Em seu “Tratado do Homem”, publicado após sua morte em 1664 – que deveria unir-se ao “Tratado do Mundo” – formulou uma ciência do ser humano. O próprio Descartes, na parte VI, menciona seu interesse em medicina e no conhecimento da Natureza Humana.

A Moral Provisória de Descartes – na parte III de DISCURSO DO MÉTODO, o filósofo demostra as regras para a Moral provisória – da mesma forma que demonstrou os princípios do método científico na parte II – ainda que uma ciência da moral necessitasse se amparar no conhecimento da natureza humana para determinar as regras do bom agir ou diferenciar Certo de Errado e o Bem e o Mal e, enfim, proporcionar os verdadeiros fins da natureza humana, Descartes, acreditava que não podíamos esperar a fundamentação da ciência do agir. Assim, é necessário regras para uma Moral Provisória que sirva até que que a ciência da moral seja definida e definitiva.

A Distinção entre o Certo e o Errado. Em “As Meditações Metafísicas” – sua principal obra sobre os assuntos que contornavam o debate em sua época – de 1641, Descartes dedicou-se as questões sobre metafísica e a existência de Deus, a imortalidade da alma e a sua relação com o corpo. Neste trabalho, busca mostrar que a nova filosofia que defende não é conflitante com a tradição filosófica.

Assim, na meditação IV, Descartes escreve sobre o problema do Erro, e caracteriza não como efeito das faculdades intelectuais, mas como mau uso da Vontade, ou seja, quando a Vontade esta apoiada em ideias que não são nítidas e inteligíveis. É necessário, então, que a Vontade seja guiada pela razão e não pela paixão. Somente dessa maneira será possível diferenciar o Certo do Errado e o Bem e o Mal.

A vontade e as Paixões da Alma. A ultima obra publicada pelo filósofo francês em 1649. Inicialmente, é analisada a fisiologia humana, de um enfoque mecanicista, ou seja, o corpo humano lhe parece uma máquina. É, então, sob essa ótica que, Descartes, concebe sua moral, e escreve no Art. 48:

 

“Em que conhecemos a força ou a fraqueza das almas, e qual é o mal dos mais fracos. Ora, é pelo sucesso desses combates que cada um pode conhecer a força ou a fraqueza de sua alma, pois aqueles em quem naturalmente a vontade pode vencer com mais facilidade as paixões e interromper os movimentos do corpo que as acompanham têm provavelmente as almas mais fortes; mas há outros que não conseguem experimentar a força de sua alma, uma vez que nunca combatem suas vontades com as próprias armas, mas apenas com as fornecidas por certas paixões com a finalidade de resistir a algumas outras. O que chamo de “próprias armas” são julgamentos firmes e determinados, referentes ao conhecimento do bem e do mal, segundo os quais ele resolveu conduzir as ações de sua vida; e as almas mais fracas de todas são as cuja vontade não se determina assim a seguir certos julgamentos e deixa-se levar constantemente pelas paixões presentes, as quais, não raro contrárias umas às outras, arrastam a vontade sucessivamente para o partido delas, e, usando-a para lutar contra si própria, colocam a alma no estado mais deplorável que possa haver. Assim, enquanto o medo representa a morte como um mal extremo e só pode ser evitado com a fuga, a ambição, por outro lado, significa a infâmia dessa fuga como um mal pior que a morte; essas duas paixões agitam diferentemente a vontade, a qual, ao obedecer ora a uma, ora a outra, opõe-se continuamente a si mesma, e assim torna a alma escrava e infeliz.”

Resumidamente, para Danilo Marcondes (1957), em “Textos Básicos de Ética: De Platão à Foucault”, na edição Kindle escreve:

 

“Descartes fundamenta a sua ética no bom uso, isto é, na utilização racional, do livre-arbítrio e na generosidade, entendida como a decisão de usar corretamente a liberdade, que é a mais elevada das virtudes. Ele aponta para a importância de não se permitir que a vontade fique sujeita às paixões, o que a impediria de nos fazer agir de forma equilibrada. É necessário, assim, que nossas atitudes se baseiem no conhecimento da verdade para que possam ser justas.”

Mesmo assim, isso não significa que as paixões deverão ser simplesmente ignoradas, como o próprio Descarte esclarece no art. 212:

 

“Mas o principal uso da sabedoria está em nos ensinar a ser mestres de nossas paixões e a controlá-las com tal destreza que os males que elas possam causar sejam perfeitamente suportáveis e até mesmo tornem-se fonte de alegria.”

Leia Mais Sobre Ética:

Na Grécia Antiga:

A Origem da Ética 

A Ética em Platão

Ética de Aristóteles em Ética à Nicômaco

E a Ética na idade Média:

A ética de Santo Agostinho – Livre Arbítrio e Confissões

Ética de São Tomás de Aquino – em A Suma Teológica

René Descartes