O MUNDO É OTIMIZADO PARA MEDIOCRIDADE



Mostro Mídia
“The fool who feeds the monster”. Viñeta de 1913 en Leslie’s Illustrated Weekly Newspaper. Originally posted by Ricardo Galli

Uma caricatura publicada em 1913 no já extinto Leslie’s Illustrated Weekly Newspaper mostra um mostro sendo alimentado por um executivo jogando-lhe moedas na boca. O monstro se ergue de forma ameaçadora com presas enormes e braços tentaculares que destruíam a cidade em volta. Nos tentáculos dizeres: “cultivar o ódio”, “distorcer os fatos” e “difamar para inflamar”. Ou seja, o executivo é um publicitário e a boca representa a impressa maliciosa que precisa de dinheiro para sobreviver, logo abaixo a legenda: “O TOLO QUE ALIMENTA O MONSTRO”. (Imagem à esquerda).

Venho falando sobre o assunto há alguns dias em “Ódio gera lucro! Ou você acha que tua opinião importa? ”,[1] “Manipulação das Mídias, como agir? ”,[2] e “Informação e responsabilidade individual, A saída da menoridade intelectual”.[3]. A questão é…



O MUNDO É OTIMIZADO PARA MEDIOCRIDADE

Todos os dias crianças e jovens entre 8 e 18 anos permanecem online, em média oito horas por dia. Não incluindo televisão. É gasto todos os dias 50 bilhões de minutos no facebook sem contar outras redes sociais e blogs. Todos os meses é disponibilizado cerca de 150 milhões de vídeos para usuários. É evidente que existe submissão e apatia. Todos estão distraídos por uma mídia cada vez mais veloz que não deixa pensar. De alguma forma a velocidade suprime a capacidade de interpretar e analisar.

A mente humana passa por duas fases quando se depara com a notícia, ou coisas de seus interesses. A primeira é acreditar só depois entra em fase de dúvida e avaliação, mas, para isso, precisa de tempo.

Então, de alguma forma, a velocidade da mídia moderna está impedindo a segunda fase de emergir, ou seja, no momento da dúvida, surge imediatamente outra notícia na timeline desviando a atenção. O que torna a notícia anterior verdade para o leitor, mesmo que não seja algo que ele (o leitor) normalmente acreditaria. Como não conseguiu absorver todos os fatos e passou para a notícia seguinte sem analisar, a opção é confiar na opinião do articulador. Ou seja, transfere a responsabilidade de análise – é, o que chamamos de “delegação de confiança”.

Além de ser difícil permanecer céticos, e, principalmente, ainda mais difícil corrigir crenças. É, ainda, possível fortalecer crenças já estabelecidas mesmo que erradas, o conhecido Backfire Effect o “efeito tiro-pela-culatra”. Desta forma, é possível manipular a opinião pública, em um processo cíclico de mentiras e ganhos através de notícias falsas.

Com a quantidade de tempo que crianças e adolescentes passam na internet, a velocidade em que a mídia moderna acontece, e as possibilidades de manipulação da informação como exposto anteriormente, através de mecanismo mentais que não deixam pensar, a probabilidade de entrar e permanecer em uma bolha é muito grande!

[1]. Ódio gera lucro! Ou você acha que tua opinião importa?

[2]. Manipulação das Mídias, como agir?

[3]. Informação e responsabilidade individual, A saída da menoridade intelectual



MENTIR é lucrativo



Personagem frente a notebbok com notas de dinheiro saindo da tela.

Todos os dias há um boato novo. Alguém famoso que morreu ou está muito doente. Especulações financeiras e políticas. Tudo em nome da visualização. Blogueiros e palpiteiros de rede sociais nem se dão ao trabalho de verificar as notícias que jogam para seu público ansioso pelo último e mais recente boato. Assim ganham não somente os difusores de mentiras, mas também aqueles que se aproveitam dos difusores de mentiras para ganhar dinheiro.

Há buracos na mídia iterativa, blogs e redes sociais, são muito veloz para dar furos, ou tentativas de furos, precisa desesperadamente de histórias, desta forma, caem fácil em mentiras criadas por usuários.



Há alguns anos um rapaz publicou brincando no site iReport, plataforma online da CNN, que uma fonte segura afirmou que Steve Jobs sofreu um ataque cardíaco. Havia sido a primeira e única mensagem deste usuário. Claro, era obviamente um bait. Apesar de parecer uma simples brincadeira o Silicon Alley Insider mordeu a isca e publicou como notícia verdadeira, vinte e cinco minutos e as ações da Apple estavam em queda livre até que, a empresa, negasse toda a história. Quem ganhou com isso? Quem comprou as ações da Applle! [1].

Boatos econômicos surgem a todo momento. É fácil criar comunicados falsos e ninguém ser responsabilizado. Veja outro caso:

“Foi assim com Lambro Ballas, corretor de ações de Nova York: ele foi acusado pela Comissão de Valores Mobiliários de fazer falsos comunicados de imprensa online a respeito de ações de empresas como Google, Disney e Microsoft e enviá-los a blogs e fóruns sobre finanças. Com a notícia falsa de uma oferta de aquisição supostamente feita pela Microsoft, as ações da Local.com subiram 75 por cento em um dia”

de Ryan Holiday (1987), em seu livro “Acredite, Estou Mentindo – Confissões de um Manipulador das Mídias”.

Imagina o que pode ser feito por políticos com vontade de poder!

Hoje, as informações, circulam em velocidade não em confiabilidade, o que torna cada vez mais difícil discernir sobre a verdade ou sobre o que é verdadeiro, além, claro, do agravante – mentiras são lucrativas! [1]

Muitos dos problemas com as fakenews se deve a velocidade e a quantidade de informação disponibilizada em anonimato, tempo é dinheiro e verificar informações ou “dar a cara a tapa” é caro. É mais fácil publicar e, quem sabe, depois se retratar, mesmo que as retratações não tenham o mesmo efeito da notícia anterior.

Antigamente, com um número menor de jornalistas, a delegação de confiança era mais simples, ao noticiar algo era possível descobrir quem deu o furo, em qual agencia e, principalmente, se era confiável. Coisa difícil hoje em dia.

NÃO ESTOU DEFENDENDO REGULAÇÃO DA MÍDIA, já deixei claro que a checagem é de responsabilidade individual, [2] e que mentiras são o ônus da liberdade [2]. Inclusive como deveríamos agir, [3] com cuidado, e com ceticismo, é claro!

[1]. ÓDIO GERA LUCRO! Ou você acha que a tua opinião importa?

[2]. INFORMAÇÃO E RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL – A Saída da Menoridade Intelectual

[3]. MANIPULAÇÃO DAS MÍDIAS – COMO AGIR?



PRODUZIMOS MAIS INFORMAÇÃO DO QUE SOMOS CAPAZES DE CONSUMIR?

Excesso de informação O Pateta
O Pateta deitado na cama coberto de jornais com o telefone dizendo: Não Minie!Ainda estou tentando ler os jornais do mês passado!

Em parte é verdade, ou seja, é verdade que produzimos mais informações do que somos capazes de consumir, e que a grande maioria das informações produzidas são inúteis, também é verdade!

Porém, também é verdade que sempre produzimos mais informação do que somos capazes de consumir, e, da mesma forma, é verdade que sempre se produziu muito mais inutilidades do que conteúdo.



Informação é um produto infinito – o que pode ser largamente comercializado, como nos mostra os sofistas da Grécia Antiga já no século V [1]. Raramente há escassez de informação, somente, é claro, em países com histórico de controle das liberdades individuais – leia-se origem socialista/comunista – mas, dentro das proporcionalidades, historicamente, sempre produzimos mais informação do que somos capazes de absorver.

Ninguém, foi ou é, capaz de ler todos os jornais publicados no dia. Ou ler todos os livros lançados no ano corrente. Mesmo que adentrássemos na biblioteca de estantes hexagonais de Jorge Luiz Borges (1899 – 1986) em “A biblioteca de Babel”, a quantidade/possibilidade é infinita mesmo para uma eternidade. Não é possível ler tudo que nos interessa no ano, imagina estudar/absorver tudo.

É necessário selecionar o que é bom. É necessário peneirar. Reter simplesmente aquilo que existe algum valor intelectual e prático. E isso somente o tempo é capaz de fornecer. É necessário tempo de dedicação à leitura e aos estudos, selecionando e focando sobre o que é importante. Sem deixar se dispersar. O mundo a sua volta é formatado para te tornar apático e submisso. Mas são os propósitos e objetivos que o torna mais forte.

[1]. Sofistas eram pessoas que criavam demanda por habilidades intelectuais então, vendiam seus serviços a preço de mercado, aos compradores.

Leia mais:

MANIPULAÇÃO DAS MÍDIAS – COMO AGIR?

INFORMAÇÃO E RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL – A Saída da Menoridade Intelectual



Marvel mudou nome de vilão para evitar problemas com racismo

Os prejuizos do politicamente correto vão além de meras nomeclaturas.

MAIS UMA DO POLITICAMENTE CORRETO.  Quando qualquer fã de HQ, e acho que qualquer pessoa em sã consciência, vê um personagem super-herói, imagina que o atributo do animal foi fundido ao homem, por exemplo, homem-formiga o atributo “pequeno” tornou-se característica do humano Super, ou homem-aranha os atributos da aranha potencializando os atributos humanos, e assim por diante. É assim há séculos, os deuses do Egito eram representados na forma de animais ou na forma antropozoomorfica (meio humano, meio animal), desta maneira o animal emprestava suas caracteristicas e, qualidades, ao homem, como por exemplo o deus Anúbis, com cabeça de chacal, caracteriza a esperteza noturna ou Hórus, com cabeça de falcão tem a capacidade de voar e, assim por diante.

MAS NÃO, agora transformaram os atributos do gorila, que inicialmente foi lançado em 1969 nas HQs, como: força, grande velocidade, resistência e intelecto superior, em um reducionismo racista.

Quando Nate Moore, produtor executivo, explicou a situação em entrevista à Entertainment Weekly: “Nós não o chamamos de Homem-Gorila. Nós o chamamos de M’Baku. Ter um personagem negro vestido como um macaco traria inúmeras implicações raciais que seriam prejudiciais“, mostra que na realidade o problematizador é o verdadeiro racista, é ele, o próprio sujeito que olha para ao mundo desta forma logo, tenta atribuir aos outros este mesmo sentimento danoso, porque olha para si próprio como o detentor de toda bondade existente no mundo, olha e imagina uma importância tão magnânima ao ponto de precisar educar o resto dos reles mortais.

Porém, este é um belo caso de quão nocivo é o Politicamente Correto, quando faz o cerceamento de palavras suprime a ideia que está por trás delas, como dito anteriormente, no caso, os atributos do animal para potencializar o Homem, mas isso ocorre em todos os discursos do politicamente correto, e assim pode-se eliminar ideias contrárias as agendas da esquerda. Desta forma, entram o mérito dos bons contra os maus e conseguem limitar a liberdade de expressão que é a ponte básica para a construção de ideias dentro do espaço democrático.

Homem Gorila lutando contra o Pantera Negra