Ética em Max Weber

Max Weber foi um proeminente pensador. Contribuiu para diversas áreas do pensamento com temas que circulam entre Ética na política, Limite da Responsabilidade Moral e Política como Vocação

M. Weber (1864 – 1920) foi um intelectual, jurista e economista alemão. Considerado um dos fundadores das ciências sociais contemporânea. Seu pensamento tem enorme relevância e contribui para diversas áreas como política, economia, história e filosofia falando principalmente sobre ética. Sua obra intitulada “A ética protestante e o espírito do capitalismo” de 1905 é provavelmente a mais importante.

Entre os temas centrais da ética de M. Weber está a questão do Limite da responsabilidade de Moral, originado pelo seu interesse pela influência do protestantismo, principalmente calvinista, na formação da sociedade e da cultura na Europa do século XVI.

Nesta análise, sobre a formação da sociedade moderna, o filósofo procura refletir sobre o cálculo racional no momento da decisão em que se considera os meios para atingir os objetivos e, então, discute eficiência como critério para determinar as ações socias.

Outra questão importante, na obra deste pensados, é a contribuição técnica e científica à sociedade.

É importante ressaltar, ainda, a distinção teórica e metodológica que, M. Weber, faz entre ciências naturais e ciências socias que, segundo Danilo Marcondes () é, “(…) uma das discussões mais controvertidas da filosofia da ciência do século XX. A obra, supostamente pessimista, deve ser colocada dentro do contexto temporal em termos sociais, políticos e econômicos já que, M weber faz suas reflexões tanto ás vésperas da Primeira Guerra Mundial quanto, longo em seguida, a crise alemã, no pôs guerra.

A política como Vocação de M. Weber, engloba duas conferências sobre vocação política às quais foram ministradas aos estudantes da universidade de Munique em 1919. Obra onde o filósofo formula sua distinção entre ética da convicção (Gesinnungsethik)  e a ética da responsabilidade (Verantwortungsethik).

Inicialmente é um contraste entre a situação política da Alemanha e as políticas de outros países Europeus, em especial a Inglaterra, também com as nações do oriente e, principalmente com o Estados Unidos, buscando, desta forma, analisar características específicas e a formação dos sistema político de cada um deles. Para, em seguida, questionar a relação entre ética e política.

A pergunta que norteia o pensador é Haveria, na política, uma especificidade ética? Dentro deste contexto, M. Weber, elaborará sua resposta onde faz a diferenciação entre a Ética da Convicção e a Ética da Responsabilidade.

Apesar de utilizar como referência o Sermão da Montanha” – Evangelho segundo Mateus 5; 38-42 -, para M. Weber a ética da Convicção não é necessariamente religiosa, já que é caracterizada, especialmente, por um compromisso com um conjunto de valores associado a determinadas crenças, ou seja, as intenções dos sujeitos são mais importantes que as considerações dos resultados e o sucesso dos seus atos.

Já a Ética da responsabilidade, pelo contrário, procura valorizar as consequências das ações do sujeito, e as relações entre meios e fins, baseando as ações em atos bons ou maus.

Mesmo que, as duas ética de M. Weber, não se excluam, a consideração das consequências e o compromisso com a convicção podem entrar em conflito.

Max Weber, foi um defensor da Ética da Responsabilidade, à qual considerava mais crítica, mais prática e adequada a decisões políticas. Enquanto, a Ética da Convicção, acreditava o filósofo, era mais rígida e dogmática.

Veja Max Weber em Política como Vocação:

“Devemos ser claros quanto ao fato de que toda conduta eticamente orientada pode ser guiada por uma de duas máximas fundamental e irreconciliavelmente diferentes: a conduta pode ser orientada para uma “ética das últimas finalidades”, ou para uma “ética da responsabilidade”. Isto não é dizer que uma ética das últimas finalidades seja idêntica à irresponsabilidade, ou que a ética de responsabilidade seja idêntica ao oportunismo sem princípios. Naturalmente ninguém afirma isso. Há, porém, um contraste abismal entre a conduta que segue a máxima de uma ética dos objetivos finais — isto é, em termos religiosos, “o cristão faz o bem e deixa os resultados ao Senhor” — e a conduta que segue a máxima de uma responsabilidade ética, quando então se tem de prestar conta dos resultados previsíveis dos atos cometidos. Pode-se demonstrar a um sindicalista convicto, partidário da ética dos objetivos finais, que seus atos resultarão num aumento das oportunidades de reação, na maior opressão de sua classe e na obstrução de sua ascensão — sem causar nele a menor impressão. Se uma ação de boa intenção leva a maus resultados, então, aos olhos do agente, não ele, mas o mundo, ou a estupidez dos outros homens, ou a vontade de Deus que assim os fez, é responsável pelo mal. Mas um homem que acredita numa ética da responsabilidade leva em conta precisamente as deficiências médias das pessoas; como Fichte disse corretamente, ele não tem nem mesmo o direito de pressupor sua bondade e perfeição. Não se sente em condições de onerar terceiros com os resultados de suas próprias ações, na medida em que as pôde prever. Dirá: esses resultados são atribuídos à minha ação. Quem acredita numa ética de objetivos finais só se sente responsável por fazer que a chama das intenções puras não seja sufocada: por exemplo, a chama do protesto contra a injustiça da ordem social. Reanimá-la sempre é o propósito de seus atos bastante irracionais, julgados à luz de seu possível êxito. São atos que só podem ter, e só terão, valor exemplar.”

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