Ética em John Stuart Mill, o Utilitarismo

Conhecido e difundido durante o século XVIII, o utilitarismo, atravessou os séculos e, entre críticos e adeptos, se tornou a inspiração para discursos políticos como “bem-estar social” e “Maximização do Benefício”.

John Stuart Mill (1806 – 1873), filósofo, pensador político e ativista liberal. É considerado, por muitos filósofos da língua inglesa, como um dos mais influentes do século XIX. O filósofo foi membro do parlamento inglês em 1885, defendendo, principalmente, os diretos das mulheres, onde apresentou uma petição para estender o sufrágio às mulheres. É conhecido por trabalhos nos campos da filosofia política, economia, lógica e ética – o Utilitarismo.

UTILITARISMO,

como corrente de pensamento ético e político, é originalmente fruto dos pensadores francês Claude-Adrien Helvétius (1715-71) que influenciou o inglês Jeremy Bentham (1748-1832). Os dois pensadores desenvolveram o “Princípio da Utilidade” como critério para o valor moral de uma atitude. Segundo este princípio, o bem moral é aquilo que aumenta os benefícios e reduz a dor e sofrimento. Desta maneira, o valor da ação moral é medido através do maior número de pessoas beneficiadas, ou seja, o caráter ético da ação é avaliado sob o ponto de vista de suas consequências e resultados.

O Utilitarismo foi bastante difundido no século XVIII, durante o iluminismo, pois ia ao encontro de uma demanda por projetos de reforma social. Influenciado pela revolução francesa, que concedeu a Bentham o título de cidadão honorário, constituiu-se como um princípio de aplicação prática.

O “usefull” (útil) é aquilo que contribui para ao bem-estar geral. Desta forma, fica fácil compreender que, o utilitarismo, enquanto pensamento ético, expandiu sua influência para os séculos posteriores, permanecendo como uma das principais correntes filosóficas, no campo da ética, inspirando posições políticas como o de “Bem-estar social” e o conceito de “Maximização do benefício”.

Contudo, o utilitarismo, foi muito criticado por diversos pensadores racionalistas, como, por exemplo Immanuel Kant, contrário a ética das consequências.

O Utilitarismo em John Stuart Mill

Stuart Mill foi um dos maiores defensores do utilitarismo no século XIX – inclusive, o primeiro a utilizar o termo – buscando argumentar contra seus opositores e críticos, escrevendo, em 1863, a obra Utilitarism.

Sob a influência de Helvétius e Bentham, de quem era afilhado, Mill retoma às ideias de seus antecessores e as coloca à disposição de sua militância política, o liberalismo. No entanto, nem sempre os conceitos em defesa de “prazer” e “felicidade” ficam visíveis, da mesma forma, que, não é clara, a passagem entre “prazer” ou “realização individual” para o “bem comum”, o que acaba por promover um debate ainda mais intenso envolta das ideias utilitaristas até os dias atuais.

Para Stuart Mill, o princípio de máxima felicidade é universal, porém, o filósofo considerava que só é possível aplicá-lo a partir de contextos históricos, para, só então, definir que tipo de liberdade e direitos pode ser definidos.

No livro “Utilitarismo” Stuart Mill tenta busca uma definição para o termo enquanto propõe alguns esclarecimentos para responder as objeções tradicionais.

Desta forma, desvincula o termo utilidade como teste para certo e errado e como uma oposição ao prazer, nas palavras de Mill:

“Uma simples observação deveria bastar contra a confusão dos ignorantes que supõem que aqueles que defendem a utilidade como teste do certo e do errado usam este termo no sentido restrito e meramente coloquial em que o útil se opõe ao prazer.”

Depois vincula “prazer” como sendo a própria utilidade junto a ausência de dor. Nas palavras do filósofo Mill:

“Aqueles que sabem um pouco sobre essa questão estão cientes de que todos os autores, de Epicuro a Bentham, que defenderam o princípio da utilidade o entenderam não como algo a ser contraposto ao prazer, mas sim como o próprio prazer, juntamente com a ausência de dor.”

Dessa forma, explica:

“O credo que aceita como fundamento da moral o Útil ou Princípio da Máxima Felicidade, considera que uma ação é correta na medida em que tende a promover a felicidade, e errada quando tende a gerar o oposto da felicidade. Por felicidade entende-se o prazer e a ausência da dor; por infelicidade, dor, ou privação do prazer. Para proporcionar uma visão mais clara do padrão moral estabelecido por essa teoria, é preciso dizer muito mais; em particular, o que as ideias de dor e prazer incluem e até que ponto essa questão fica em aberto.”

John Stuart Mill