Arte, Moralidade e Liberdade

(…) a própria ideia de relativismo moral não é capaz de se sustentar, se houvesse uma teoria “x” para mostrar que todos os valores são falsos ou relativos, a teoria “x” também seria relativa, então, igualmente, falsa! Já que não poderia existir um valor verdadeiro. Sendo assim, se a teoria “x” existisse, cairia no paradoxo do mentiroso.



As preocupações com as questões morais/ética são tão antigas quanto a filosofia.

Os gregos no século VII a.C já pensavam em um redimensionamento social e político para as polis, cidades-estados, mas pensavam na moral/ética como uma virtude a ser buscada constantemente, o que servia tanto para a vida privada quanto a pública, ou seja, os cidadãos são livres, porém parte de uma comunidade.

Hoje, os conceitos de moralidade estão turvos em parte devido um relativismo moral, que atribui valores intrínsecos a pessoa. Tenta fazer acreditar que os valores são pessoais, que cada um têm seus próprios critérios morais, tornando-os subjetivos. Assim, todos os valores tornam-se falsos, se cada um têm seus próprios valores então, não existem valores. O que parece um absurdo!

Porém, a própria ideia de relativismo moral não é capaz de se sustentar, se houvesse uma teoria “x” para mostrar que todos os valores são falsos ou relativos, a teoria “x” também seria relativa, então, igualmente, falsa! Já que não poderia existir um valor verdadeiro. Sendo assim, se a teoria “x” existisse, cairia no paradoxo do mentiroso.

Desta forma, ao tornar os valores subjetivos, cria um sentimento de que não há ponto de vista alheio ao próprio, e que, o sujeito, dono dos próprios valores, não pode ser julgado, ou seja, seus desejos e ambições são sua única orientação, passando a ver os outros como o entrave aos seus objetivos, não como um regulador de comportamento, coisa tal, que sempre esteve intimamente ligada ao comportamento humano – o julgamento alheio. Com isso, o resultado não pode ser outro se não uma pulverização dos objetivos comuns, ou da comunidade, ninguém mais olha para si mesmo como parte integrante de uma sociedade com objetivos comuns.



Sempre quando se fala em moralidade o senso comum entra em polvorosa a acusar a religião e tudo que a cerca, mas não é essa a questão, não é preciso ser religioso para ter um senso moral, e, principalmente, saber que existem valores irrevogáveis. Valores que sustentam nossa sociedade e a nós mesmo como humanos, ou seja, nossa psique e nossa integridade física, mesmo que esses valores sejam de origem religiosa, como são, e sempre foram, não devem ser banidos pelo simples fato da sua origem.

Quanto a ARTE, parece contraditório, mas, acredito que a liberdade de expressão deve ser total! Mesmo que esta arte questione os valores vigentes, ou queira impor novos. Sem tais contradições não poderí­amos chegar a um consenso, ou seja, é questionando as verdades, que saberemos que as verdades são realmente verdades, e, é, por serem verdades, que devem ser seguidas. A Arte é representação, não a realidade, e é essa característica que a torna livre e questionadora.

Não acredito que a arte seja livre, ou que em algum momento da história tenha sido livre. Durante a o perí­odo Grego a arte já servia para a educação do povo, e incutir sentimentos morais e ensinamentos da elite, dita pensante. O mesmo ocorria no Egito, e em outras civilizações antigas. Na Idade Média estava sobre o domínio da igreja, e a nobreza feudal. Hoje, no capitalismo, esta submetida as vontades do capital, o que levou o Santander pedir desculpas, por exemplo. A arte nunca foi totalmente livre, nem acredito que um dia será, principalmente porque ela é um atributo humano e o humano nunca será totalmente livre, pois liberdade total não existe, ela é contraditória em si mesma. A liberdade sempre estará condicionada a alguma coisa externa a ela. Uns são mais livres que outros, é a natureza, mas todos, de alguma forma, estão submetidos as regras. Para o capitalista a liberdade é a propriedade, para o socialista marxista a liberdade é a revolução, e, assim caminha a humanidade, sem ideia do que esta fazendo, com um refúgio chamado arte!



EM DEFESA DO CHARLATANISMO

Existem charlatões de toda sorte, mas como diz Stuart Mill (1086-1873) as mentiras também devem ser permitidas, faz parte do ônus intrínseco à liberdade, do contrário como saberemos que o que seguimos é verdade?



Entre mentiras, Pós-Verdades, e histeria midiática, com a “Cura Gay”, o que, resumidamente, foi feito pelo juiz federal da 14ª Vara do Distrito Federal Waldemar Cláudio de Carvalho é, simplesmente, proibir a proibição que o Conselho Federal de Psicologia havia imposto sobre os indivíduos – nada demais!

Estamos na era da Informação e ainda é difícil discernir a diferença entre informação e instrução.

Mentiras sempre existiram e sempre existirão – no caso há duas – o texto não fala em Cura Gay e, caso algum Psicólogo queira vender a ideia, continuará sendo mentira. Particularmente, acho que não existe uma cura, e, sinceramente, acho que isso não é importante no século XXI. Mas, a liberdade individual e, neste caso, científica, deve ser respeitada e sempre ampliada.

Sobre mentiras, nada pode ser feito a não ser desmascará-las. A “Cura Gay” é só mais um desses casos – que ganha grande repercussão por causa da agenda LGBT.

Existem charlatões de toda sorte, mas como diz Stuart Mill (1806-1873) as mentiras também devem ser permitidas, faz parte do ônus intrínseco à liberdade, do contrário como saberemos que o que seguimos é verdade? E, mais, as mentiras são uma oportunidade de reconhecermos as verdades e seguirmos pelo caminho mais correto. Desta forma, como saberíamos que algo é mentira se não podemos desmascará-la? Se existe, da parte do leitor, qualquer apego à liberdade e ao bom senso, sabe que proibições criam mitos e mitos dificilmente são desfeitos se não por meio de ideias e discussões.



A proibição é, nada mais, que um puritanismo hipócrita típico de esquerdista – apesar que a direita brasileira não fica atrás, aprendeu direitinho como impor suas vontades no grito – já que todo tipo de proibição é uma proibição para aquilo que a Esquerda ou a Direita acha que é errado e deve ser proibido, nenhuma dessas polarizações estão pensando na liberdade do indivíduo e, sim, numa doutrinação estadista, onde só vale o que um lado deseja. A liberdade esta para além desta polarização! É, nesse, como em outros casos, o indivíduo contra o Estado.

A pauta LGBT é amplamente divulgada devido seu apelo social, mas já imaginou se tivesse que proibir todo o charlatanismo, que hoje paira sobre a medicina? Poderia cortar a metades dos atendimentos hoje prestados por fisioterapeutas, enfermeiros, médicos etc., o próprio SUS promove uma série de programas que não há comprovações científicas.

O que esta em questão, no caso, é a Ética da Liberdade, a compreensão que o homem tem de si mesmo, e do seu lugar, na ordem e harmonia do universo e não a ética dos conselhos de classes – que já deveriam ter sido abolidos há tempos. O que esta em jogo é a liberdade individual, a liberdade de escolha, que é referente ao sujeito e com aqueles com que ele se relaciona, por qualquer que seja o motivo.

Ou seja, a liberdade individual consiste em uma obrigação intrínseca consigo mesmo o que inclui o direito e o dever de governar a si próprio. Isto é, nenhum governo ou qualquer instituição tem legitimidade sobre a vontade do indivíduo.

Desta forma, o direito individual de cada ser humano é também o risco de se colocar em perigo durante qualquer que seja o tratamento que pretende se submeter – bioquímico ou psicológico – ou seja, pode ser a cura gay, acupuntura, remédios homeopáticos ou qualquer outro, e, inclusive, não se submeter a nenhum tratamento, caso assim desejar, seja por motivos religiosos ou não.



A questão, deste específico caso, é nada além de político. É a agenda esquerdista tentado se impor sobre a vontade dos indivíduos para parecer como um salvador das minorias em troca de alguns votos. Porém, a verdade, é outra, os direitos individuais nunca foram pauta da esquerda, pelo contrário, a esquerda sempre olhou para o ser humano como massa, e sempre fez dele massa de manobra. A pauta das liberdades individuais sempre esteve mais à direita desta polarização, mesmo que no Brasil estes conceitos sejam tão confusos.

O debate é conhecido, foi somente depois da Queda do Muro de Berlin (1989) que a esquerda se reorganiza e começa o seu discurso no sentido de liberdades individuais. E, para esquerda, estes novos conceitos se tornam turvos, já que, até hoje, ainda pensa e olha o mundo de forma gregária, ou seja, dividindo-o em grupos.

Porém, estas divisões, sempre criarão conflitos porque o indivíduo não é responsável por si mesmo e o direito não esta vinculado a natureza intrínseca de ser humano, mas na origem daqueles que o possui, ou seja, para o socialista, não se tem o direito à liberdade porque é um ser humano, mas porque pertence ao grupo de mulheres, negros, gays etc., desta forma, sempre o grupo mais forte, ou aquele que gritar mais alto, se sobressairá sobre o outro, aqueles que detiverem o poder de coerção do Estado terá todos os outros nas mãos, e, não poderia ser diferente, porque esse é o objetivo – criar conflitos e possuir o monopólio da violência, o Estado!

A esquerda absorveu a pauta, mas não a compreendeu ainda, não existe direitos coletivos, e, a tentativa de aplicá-los, sempre se tornará uma tragédia.

Desta forma, fica tudo tão confuso que se perguntarmos a alguém o que são Direitos Naturais, cada um responderá segundo seu grupo de origem, o que sempre leva ao detrimento do outro grupo. Ao invés disso se entendermos o direito como sendo intrínseco ao humano, por ser um indivíduo, este direito abarcará também aos semelhantes mesmo que ele seja diferente. As diferenças conceituais são muito sutis, entre direitos de grupos e direitos individuais, mas que acarreta uma grande diferença na organização mental do indivíduo.



ORIGEM DA ÉTICA

A origem da nossa concepção sobre ética e moral nasce nos antigos gregos. Sócrates, Platão e Aristóteles inauguram a filosofia pensando a ética.

 

ORIGEM DA ÉTICA
Fotografia de Fundo, praia desfocada. Escrito “Origem da Ética” e Diarium Filosófico.

A preocupação com a Moral/Ética é antiga. Os gregos, a partir do século VII a.C., já pensavam em redimensionamento social e político da polis – as conhecidas cidades-estados. Desta forma, uma percepção cosmológica passa a ser influente no modo de pensar Grego, orientada pela arete – ética da virtude, que serve tanto para vida pública quanto para a vida privada, os indivíduos cidadãos são livres, porém, parte de uma comunidade.

Isso é, para Ocir de Paula Andreata (2011) em “Ética, prazer e religião nas raízes da antiguidade”, a compreensão que o homem tem de si mesmo, e do seu lugar, na ordem e harmonia do universo. Assim os gregos estabelecem uma vida moral como sendo uma vida boa, bem-sucedida – a eudaimonia.

Em toda filosofia grega, como na teologia latina, modo de agir humano é visto como “ética cosmológica”. O antigo eudaimonia grego torna-se o de beatitude na teologia, ou seja, passa a ser piedade.

Mover a vida em direção à virtude, é uma ideia existente, e que persiste, desde os filósofos pré-socráticos, que através de observações e meditações sobre a physis – princípio de evolução – buscavam o theíon como um modo de vida espiritual, ou seja, através da totalidade cósmica com o qual se comprometem, o indivíduo quanto mais cresce em conhecimento e consciência, mais o sujeito se compromete com esse cosmos.

Filosofar, é, então, um método de como buscar a verdade, como viver melhor ou como fazer escolhas morais.

Ética, como filosofia nasce em Sócrates (469 a.C – 399 a.C.) e em  Platão (428 a.C – 347 a.C), porém, é em Aristóteles que se torna um sistema de ação e reflexão sobre o comportamento humano, ou seja, a filosofia e a ética nascem juntas. Até mesmo os pré-socráticos estabeleciam Virtude como o Objeto da ética, com a finalidade para a felicidade.

O que Sócrates faz é, da reflexão ética o centro filosófico, ou seja, volta-se para o interior do homem buscando a essência da verdade, do ser e do viver. É o buscar dentro da própria alma.

Então, Platão absorve as ideias do mestre e desperta suas próprias sobre o conhecimento, e torna, o princípio moral, objeto para transcendência da alma, em relação ao mundo sensível – mundo onde estão a maioria das pessoas aprisionadas, longe do verdadeiro conhecimento. Assim Platão inaugura concepções teóricas sobre educação, política, arte, natureza da alma, e, finalidade da vida.

Se a ética socrático-platônico põe ênfase na virtude, justiça e verdade é Aristóteles quem definiu éthike como uma ação justa, a éthike pragmatéia – ética pragmática – em vida virtuosa. Ou seja, como um exercício constante das virtudes morais, e investigação dos costumes. Para Aristóteles, a vida não é mais concebida como sabedoria inata do mundo das ideias platônica, mas é um conhecimento produzido pela razão humana.

Veja Também: Relativismo Moral, Características e as três principais Variações

Observação: Não há diferença entre ética e moral para os filósofos gregos. “Moral” é a palavra romana equivalente para a palavra Grega “ética”, então, segui esta mesma definição.

 

Ética de Platão

INFORMAÇÃO é DIFERENTE DE INSTRUÇÃO

Schopenhauer (1788 – 1860), em “A arte de escrever” faz uma crítica ao dizer “(…) de todos os tipos e de qualquer idade têm em mira apenas a informação, não a instrução”, ou seja, não compreenderam ainda que as informações são meros meios para chegar a uma fonte de instrução.



De modo geral – a média das pessoas não são capazes de compreender a própria opinião! Schopenhauer (1788 – 1860), em “A arte de escrever” faz uma crítica ao dizer “(…) de todos os tipos e de qualquer idade têm em mira apenas a informação, não a instrução”, ou seja, não compreenderam ainda que as informações são meros meios para chegar a uma fonte de instrução. Já passaram mais de 200 anos, chegamos, como conhecida, na Era da informação, e tal afirmativa ainda é muito atual. O mundo está cada vez mais informado porém é incapaz de dicernir entre duas ideias, seja distintas ou convergentes, o que, por diversas vezes, vejo pérpetuar mentiras, ou como chamamos, pós verdades, elementos que partem de pressupostos verdadeiros, porém manipulados, deixando que emoções e opniões pessoais, se tornem maiores do que o fato em si. Ai esta a incapacidade de dicernir – ou falta de instrução!

Na idade média, a escolástica, influenciadas pela dialética socrática, os discípulos eram ensinados a assegurar-se que compreendiam perfeitamente bem as próprias opiniões e as opiniões contrárias as suas, os mestres faziam com que os alunos correlacionassem opniões contrárias, fundamentando e refutando umas a outras. Assim, poderiam saber corretamente a origem de suas opiniões, quais as consequências lógicas e onde elas poderiam culminar. Tal prática parece ser desconhecida da grande massa, levando a uma polarização destrutiva, que mais visam um empate de oposições do que uma convergência para um lugar menos conflituoso.



O pensamento brasileiro é Marxista, ou seja, o brasileiro foi ensinado a pensar segundo os critérios do Materialismo Dialético e Histórico (veja no final do texto). Assim, pensar por outras perspectivas torna-se uma guerra, seja interna – não consegue expor ideias sem tais critérios marxistas, ou externa – com aqueles que rejeitaram o marxismo porém não o compreenderam, e, tão pouco sabem, sobre aquilo que defendem, simplesmente se polarizam!

Para identificar o pensamento com viés Marxista colocarei um exemplo antes de prosseguir. Já que o melhor argumento daqueles que dizem que não há doutrinação nas escolas é que os alunos saem das escolas sem ao menos saber explicar o que é Materialismo dialético e Histórico, o que é verdade, porém isso não significa que a maneira, ou os critérios, para chegar a determinadas opiniões não sejam Marxistas.

Vejamos, pergunte a qualquer pessoa se ela acredita que as cotas são importantes, terá imediatamente, da grande maioria das pessoas, uma resposta positiva, depois pergunte os motivos, chegará mais ou menos ao arguemento de “dívida histórica” e não saberá nada para além disso. Ou seja, não compreende a própria opinião! E, ainda, usou o Materialismo dialético e Histórico de Marx. As pessoas não sabem de onde vieram as próprias ideias, sabem apenas que as ideias estão na sua cabeça, fazendo sentido ou não. Estou cansado de ver isso seja de alunos, seja de professores.

O sujeiro pode ser muito bem informado – típico da nossa Era! Porém pode passar a vida toda sob uma perspectiva marxista e nem ao menos perceper, idem para reacionários! Sinceramente, não vejo problema em pensar o mundo de qualquer que seja a posicão, o que realmente me espanta é a incapacidade de compreender, tanto as posições contrárias como os próprios posicionamentos, como faziam nas escolas escolásticas. Tal prática é um exercício filosófico, também conhecido como ceticismo, mas não é  tão complexo assim, inclusive, leva a ser mais humilde, quando se descobre que é impossível ter certeza de tudo.



John Stuart Mill (1806 – 1873) acreditava que a liberdade tinha um importante papel dentro das sociedades, se alguém é capaz de contar uma mentira, isso é útil, já que podem ser desmascarados, então, podemos chegar as verdades desmascarando as mentiras e os mentirosos. Porém, para desmascarar os mentiroso da pós verdade é necessário mais do que informação, é necessário instrução. Há muita informação porém sem conteúdo instrutivo, o que leva a algo vago que facilmente pende para a polarizações e opiniões baseadas em sentimentalismo.

SEM MEIA CULPA. Como já disse algumas vezes por aqui, acredito que sair da menoridade intelectual é um trabalho pessoal que depende única e exclusivamente de cada indivíduo, o que torna toda mentira midiática também responsabilidade daqueles que não instruíram a si mesmo e, assim, acabam por perpetuar mentiras, já que foram incapazes de discernir as mentiras para conseguir desmascará-las.



LIBERDADE E A ORIGEM DA VIOLÊNCIA REVOLUCIONÁRIA em Karl Marx

Esta violência têm origens no método materialista dialético na história, tendo em vista que o controle dos meus de produção não poderia ser espontâneo. Tal violência é inspirada nos jacobinos porém negando seu viés republicano, tornando assim a violência o elemento primordial da luta de classes…



KARL MARX, LIBERDADE E A ORIGEM DA VIOLÊNCIA REVOLUCIONÁRIA. Como em todos os casos, Marx não foge à regra, define liberdade segundo suas convicções políticas e ideológicas. Para György Lukács (1885 – 1971), influente marxista do século XX, a definição nasce de sua admiração pelo jacobinismo ou democratismo radial. O jovem Marx entre 1840 – 1845 esta em transição de um democrata para o comunismo revolucionário. Desta forma há uma forte influência sobre sua concepção de liberdade, com uma definição partindo do jacobinismo se aprofundando em comunismo revolucionário. Então, é impossivel separar o conceito de liberdade de Marx de sua forma/definição de revolução, já que, seja por desagrado com uma burguesia ou com, segundo o próprio Marx, uma revolução insuficiente com o jacobinismo, a liberdade humana passa pela revolução, e o sujeito (proletário) é o agente da sua própria liberdade – a revolução. Aparentemente, até 1842 libertário e admirador da revolução francesa, acaba por identificar-se com o radicalismo. Em 1843 desiludido com a burguesia liberal alemã rompe com a buguesia radical.

Com essas características, a liberdade para Marx não são as mesmas dos dicursos de John Locke (1632 -1704) e de John Stuart Mill (1806 – 1873), em direção da propriedade privada, pois são contrários aos verdadeiros interesses da ideologia comunista, desta forma Marx precisa renovar a ideia de Alienação.



O Fenômeno da Alienação. Em “Teses Sobre Feuerbach” Marx acredita que o ser humano entra em processo de autodestruição e aliena-se a si mesmo projetando um deus imaginário. O que chama “ópio do povo” é a fuga humana, o homem oprimido pelo meio social busca no imaginário da fé um conforto. Então, em “O Capital” torna explícito sua ideia de trabalho. O trabalho ao invés de realizar existencialmente o homem torna-o alienado de si mesmo, já que Marx considera o trabalho externo ao homem, ou seja, não pertence ao seu ser. Assim, o homem não se afirma no trabalho mas precisa renegar a si mesmo para executar a tarefa que esta imposta, desta forma fica infeliz definhando seu próprio corpo por que é incapaz de nutrir seu intelecto, destruindo a si mesmo. Por isso, somente fora do trabalho o homem se sente pleno, porque encontra a si mesmo. Isso o leva a crer que, o trabalho nunca é voluntário, mas uma opressão, sempre será um trabalho forçado. Isto posto, o trabalho torna o operário cada vez mais alienado e pobre na mesma medida que produz para o capitalista, seu patrão.

Retornando. Apesar de Marx falar de liberdade sobre diversos aspectos, Marx não conceitua liberdade. Para Michael Löwy (1938), isso se deve ao fato de Marx ser influenciado por Ludwig Feuerbach (1804 – 1872), e justifica sua afirmação com as palavras do próprio Marx: “Assim que o relâmpago do pensamento tiver penetrado no fundo desse ingênuo terreno popular, os alemães se emanciparão (…) A filosofia é a cabeça dessa emancipação (do homem); o proletariado, o coração”, isso quer dizer que Marx acreditava na filosofia como uma função de emancipação do homem, na superação da dualidade entre razão e paixão, intelecto e massa.

Portanto, para definir liberdade Marx pensa nas revoltas de trabalhadores, e no contato com os operários comunistas na França, ou seja, precisa do conteúdo social. O sujeito proletário precisa se reencontrar com a finalidade trabalho, já que Marx considera o trabalho externo ao homem, desse modo, opressor.

Então, é necessário que o sujeito social da liberdade se transforme em um revolucionário ativo, somente assim o proletário reencontrará sua personalidade, suas potencialidades criativas em uma humanidade livre em capacidades. Para Michael Löwy isso quer dizer uma auto libertação e auto educação.



Assim, unindo a teoria dialética e lutas de classes fica claro, para Marx a violência é o caminho histórico para libertação quando diz: “(…) as armas da crítica não podem de fato substituir a crítica das armas; a força material deve ser deposta por força material“, desta forma, Marx sai do jacobinismo em direção a revolução pensado que liberdade só será possível se houver igualdade no trabalho. Em 1848 em “Manifesto do Partido Comunista” Marx e Engels escreve “Os comunistas se recusam a dissimular suas opiniões e seus projetos. Proclamam abertamente que seus objetivos não podem ser alcançados senão pela derrubada violenta de toda ordem social passada. Que as classes dominantes tremam diante de uma revolução comunista! Os proletários nada têm a perder a não ser suas cadeias. Têm um mundo a ganhar. Proletários de todos os países, uni-vos!“.

Para Marx não existe liberdade sem revolução, e a violência é uma condição da revolução. Esta violência têm origens no método materialista dialético na história, tendo em vista que o controle dos meios de produção não poderia ser espontâneo. Tal violência é inspirada nos jacobinos porém negando seu viés republicano, tornando assim a violência o elemento primordial da luta de classes para a conquista do poder político e produtivo. A revolução comunista a partir do materialismo dialético é orientada para abolição da propriedade privada.



PARA ENTENDER O CONTEXTO. Os Fundamentos do Materialismo Dialético e Histórico. É materialismo por que o conteúdo é material, no sentido de fenômenos naturais, e dialético porque se apoia no conteúdo dialético de Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770 – 1831), no sentido de evolução dos fenômenos sociais, e histórico por que aplica o materialismo na dialética, ou seja, fenômenos materiais aplicados na evolução dos fatos sociais no desenrolar do tempo.

É necessário lembra também que tal tese Hegeliana foi amplamente discutida e questionada por diversos autores.

Deixo a reflexão de Battista Modin (1926) de opnião oposta ao sistema Hegeliano “O pensamento não põe nem cria a realidade. Ele a constata. A interioridade idealista, reduzindo a realidade ao pensamento” em ” Curso de Filosofia” p. 18 Ed. Paulus.



A crítica da Esquerda é Fútil

Apesar do monopólio da Esquerda sobre o pensamento social, ela não consegue fazer uma crítica razoavelmente concreta, cai em clichês e futilidades que nada acrescentam.



A FUTILIDADE É UM PRIVILÉGIO. No outro post CAPITALISMO E O DIREITO BURGUÊS DE SER FÚTIL, citei Emil Cioran (1911 – 1995) que diz “a frivolidade é um privilégio”, na realidade ele é mais profundo, ele diz:  “futilidade é um privilégio e uma arte” em “Breviário da Composição”, poderia colocar aqui o texto completo que não ficaria satisfeito, devido a profundidade de seus escritos. Mas deixarei somente frases soltas e a indicação do livro, continuarei aqui a mesma proposta do pensamento anterior.

A futilidade é um privilégio! E acrescento que a banalidade do mundo é uma oportunidade de fugir do conforto ao reconhecer na existência algo para além do senso comum. Sair da caverna dá medo! Concordo com I. Kant (1724 – 1804), quando diz que a maioridade é de responsabilidade exclusiva do indivíduo, e, somente na liberdade é que podemos nos afirmar moralmente, sem liberdade a moral não pode ser verdadeira!

A banalidade e o medo da liberdade ou da maioridade intelectual, consequentemente, leva a uma vida de rebanho, desprezando a beleza de ser indivíduo, ou como prefere Nietzsche (1844 – 1900), aproveitar a dor e as alegrias da existência humana.

A turma da esquerda, com seu monopólio das ciências sociais, nem ao menos consegue fazer uma crítica razoável ao modo de vida contemporâneo, eles estão, no mínimo, com a cabeça presa na década de 1920. Veja qualquer discurso ideológico de Marilena Chauí (1941), sempre fico com a impressão de ter ligado o radinho de pilha do meu avô e ter sido transportado para época da Guerra Fria.



Ninguém nunca irá abrir mão do conforto dos bens de consumo que somente o modelo capitalista é capaz de gerar – é uma bobagem, um absurdo! Uma crítica vazia. Quem abriria mão de WI-FI, Smartphones, FaceBook Airbnb, Netflix e todo o aparato de mercado? Outra coisa, achar que a tecnologia não nos aproximou é uma cegueira ideológica! Não faz sentido nenhum. Ninguém nunca saiu por aí conversando com todo mundo só por que não existia outros meios de comunicação, o comum é, o isolamento, por uma série de motivos, principalmente, segurança. A verdade é, a tecnologia nos aproximou das pessoas que realmente são importantes, antes quanto tempo demorava para receber uma carta de alguma pessoa importante, os pais, esposa ou filhos? Eu não sei. Mas o que vejo hoje é que estamos a um click de distância de vídeo conferências para qualquer parte do mundo – fácil!

Agora, é claro, muito antes de tudo isso, os antigos Gregos já nos alertavam sobre excessos. Que tal um contraste entre Apolíneo e Dionisíaco? O primeiro deus Grego da moderação o outro representante dos exageros. Ainda, há um outro Grego que vivia dentro um barril, Diógenes de Sinope (412 a. C – 323 a. C), vivia de forma simples buscando um homem honesto. Na Idade Média, a influente filosofia cristã, faz uma filosofia, em boa parte, sobre abusos no modo de viver.

A conversa sobre achar a boa maneira de viver é antiga. Não nasceu ontem na mão de um monte de malucos esbravejando nas redes sociais com um seu Iphone e achando que está protegendo chineses através do seus Likes em páginas contra o mercado. A coisa é séria, e tão séria que podemos ver a preocupação dos nossos antepassados no tema.



Sou de modo geral pessimista, mas acho que estamos indo bem. O mundo é melhor do que já foi. Tirando os países que caíram nas falácias de igualdade e hoje estão na pobreza sem muitas perspectivas de sair, porém até mesmo eles, por que não dizer? Estão melhores do que foram a 200 anos atrás quando começou a Revolução Industrial. Países em desenvolvimento como brasil ainda têm chances.

Somente a história dos últimos cem anos mostra que, entre as escolhas que tínhamos, o capitalismo, foi a melhor opção. Não é perfeito, nada é! Mas pode ser aperfeiçoado. Dizer que não estamos melhor é muito desapego da realidade, ou simplesmente apego ideológico – vai entender!

No mais, quanto as questões humanas, sempre fomos o que somos, animais pouco civilizados que gosta muito da sua privacidade! Dizer que pessoas não se olham nas ruas por causa de celulares é uma bobagem, uma afirmação fácil, fraca e infantil. Basta olhar para imagem acima. Quando é que fomos tão sociáveis como somos hoje, com as redes socias? Esta certo que a turba é enfurecida, mas a realidade é, a turba sempre foi enfurecida, Senêca (4 a. C – 5 a. C) morria de medo de revoltas populares e a concelhava aos reis a moderação e a medidas populistas, para agradar o povo, pão e circo é coisa antiga, Étienne de La Boétie (1530 – 1563) em “Discurso da Servidão voluntária” discorre sobre tempos e lugares que esta prática foi comum. Mas estamos muitos mais sociáveis, sim.

Porém, a verdade é, aqueles que estão a sua volta no transporte público ou qualquer outro lugar não importam, as pessoas que realmente importam são aquelas do seu dia-a-dia, amigos e familiares.



DETURPARAM MARX? Entre os delírios socialistas e a inconveniente realidade

Há, todos os dias, alguém para dizer: “ deturparam Marx! ” Mas a história recente mostra outra, incontestável, versão, pelo menos na antiga União Soviética foram aplicadas boa parte da teoria marxista. Assim o começo do século XX foi manchado pelo vermelho-sangue com respaldo, ou através de boa parte, do que era chamado de socialismo.



Há, todos os dias, alguém para dizer: “ deturparam Marx! ” Mas a história recente mostra outra, incontestável, versão, pelo menos na antiga União Soviética foram aplicadas boa parte da teoria marxista. Assim, o começo do século XX foi manchado pelo vermelho-sangue com respaldo, ou através de boa parte, do que era chamado de socialismo.

Os socialistas/comunistas ofereceram ao mundo uma nova configuração para a sociedade. Era a resposta para solucionar problemas básicos e de sobrevivência material das populações, a solução para o fim da opressão causada pelo capitalismo. E, para isso, era necessário banir as classes sociais. Seria uma nova sociedade, igualitária e livre dos problemas causados pelo livre-mercado, assim, a emancipação do homem no mundo, estaria completa.

Mas, como sempre, e desde o princípio, infelizmente para os socialistas a realidade bate à porta. Entre promessas e realidade há um abismo e o sonho socialista foi por água abaixo, mas, não sem antes deixar seu rastro de morte e destruição por onde passou, neste caso, União Soviética.

Longe da liberdade e da igualdade prometida, a história da União Soviética e da Revolução de 1917 para uma instauração de regime comunista, mostra que nem tudo são flores e que a realidade é cruel. O Estado se mostrou ainda mais opressor e as desigualdades ainda maiores. Mortes e desaparecimento de diversas pessoas tanto da esquerda como da direita, mostrava o cenário muito desconexo das promessas de outrora, os sonhos de ampliação da democracia tornaram-se um pesadelo!

A URSS passou a perseguir todos aqueles que não louvassem o ÚNICO PARTIDO, ou o chefe infalível. Representando um imenso retrocesso para toda população e, agora, uma ditadura sem qualquer liberdade, igualdade ou justiça.

Felizmente o socialismo acaba oficialmente em 1991 com o fim da URSS, mas os rastros de violência seguem até hoje.



Marx e a União Soviética entre a Teoria e a prática 

Karl Marx (1818 – 1883) acreditava que a base da exploração capitalista era a propriedade privada. Logo, a conclusão é, abolir a propriedade privada e socializar os meios de produção e de distribuição, segundo K. Marx com isso a riqueza produzida perderia seu o caráter de valor, assim se reduzindo ao valor de uso, ou seja, produtos para satisfação das necessidades humanas. A própria força de trabalho perderia seu caráter de mercadoria com a eliminação do trabalho assalariado. Acreditava que suprimindo a propriedade privada ninguém conseguiria explorar o outro.

Na URSS toda propriedade privada foi abolida. Houve a nacionalização dos meios de produção e da distribuição – a nacionalização da terra de forma violenta e cruel, e, segundo Moshe Lewin (1921 – 2010) contra a vontade dos camponeses.

Infelizmente a eliminação da propriedade privada e dos meios de produção não foi como teorizado, ou seja, para as mãos e controle do povo, pois, obviamente, ao suprimir a propriedade se suprime junto o poder intrínseco a ela. A natureza da liberdade está condicionada a propriedade, sem a garantia da propriedade não há onde o indivíduo se resguardar, seja da violência física ou psicológica. Porém, os burocratas do Estado sim!

Apesar da propriedade ter sido declarada juridicamente pública, e não estatal, os homens do Estado são os que controlam “a coisa pública” e no Estado sempre estão os homens do partido.

Há, ainda, o Plano Econômico Centralizado. Através de um plano centralizador era estabelecido impostos sem qualquer discussão democrática entre os produtores e consumidores e o Estado. A prática coerciva de arrecadação continuava, e, agora, não havia qualquer oposição.



Outra característica era a Superação da Divisão Social do Trabalho – K. Marx acreditava que existia um topo de onde poucos comandavam enquanto a grande maioria dos trabalhadores, simplesmente executava tarefas sem controle dos instrumentos de trabalho, ou seja, era contra a especialização do trabalho, acreditava que todos deveriam ter plena consciência de todo o processo de produção da mercadoria. Esta característica de divisão era alienante para os produtores, então, era necessário eliminar não somente a relação homem-trabalho, campo e cidade, mas também entre trabalho manual e trabalho intelectual.

Isso não somente não foi possível devido as características individuais, físicas e intelectuais, como desde cedo criou-se apenas duas classes sociais, os burocratas de alto escalão, que se apoderou de toda as tarefas de planejamento, administração e controle – sem, uma relação direta com a produção – e, a outra, grande massa de produtores que não tinham qualquer controle sobre a produção, desprovida de poder sobre os investimentos e consumo, ou o controle da produção e, menos ainda, sobre o ritmo de trabalho.

Quanto aos salários. K Marx admitia que seres humanos são desiguais e que mesmo em um mundo de igualdade os homens seriam desiguais. Então ele propõe que seja cobrado de cada um segundo suas capacidades e dar a cada um segundo suas necessidades – eu não acredito que alguém consegue ver possibilidade nisso! Mas, continuando… Então, a URSS continua com as relações de trabalho assalariado. Mas, agora, está pior. O trabalhador não conseguia produzir se não somente para própria subsistência, já que o Estado arrancava das mãos do trabalhador parte do produto excedente, e, mais, havia também os altos impostos para sustentar a nova burocracia. Assim, ao fim da história, foi possível constatar que a desigualdade social e a alienação do produto não se relacionam com a propriedade privada, como acreditava K. Marx.

Em “Ideologia Alemã” K. Marx imaginou que sem classes e sem a exploração o Estado Progressivamente Desapareceria como consequência. Mesmo negando o anarquismo K. Marx e F. Engels (1820 – 1895) acreditavam que o próprio Estado prepararia sua extinção, ou seja, o Estado e o capitalismo teriam seu fim juntos e uma população autogestora surgiria das cinzas do velho mundo. É de uma inocência fora do normal ou cinismo? Decidam por vocês mesmos.



Mas a realidade é outra, seres humanos são egoístas! Agem segundo suas vontades e farão de tudo para conquistar seus objetivos e manter seus privilégios. E junto aos delírios vem o ônus dos delírios. O Estado é um mostro e crescerá sempre na medida em que for alimentado. E, na URSS cresceu através da burocracia e da violência, tornou as relações assimétricas, enfraqueceu os indivíduos e os desorganizou. Então, um único partido, dono do Estado, com um regime cruel e desumano floresceu através das perseguições e delações.

O totalitarismo da URSS proibiu tanto outros partidos como fragmentações. Suspendeu os direitos democráticos, coletivos e individuais. Assassinou opositores, inclusive da própria esquerda do stalinismo. Teve rígido controle da imprensa, com censuras, onde só poderiam noticiar versões oficiais, qualquer crítica, visão alternativa ou acontecimentos negativos eram rechaçados. Foram suprimidas as organizações sociais, e mantinham sindicatos no cabresto do Estado, assim o stalinismo iludia os trabalhadores com falsas ideias que estavam no poder através do Estado. Não concebia qualquer pluralidade, qualquer um que apresentasse autonomia era visto como opositor, uma ameaça ao regime ou falta de submissão.

Há aqueles que não admitem as relações, as características e os fatos de que a teorias socialista foi colocada em prática, e, existem aqueles que sabem e admitem os erros característicos do marxismo, porém, como sempre, atribuem os erros a algo externo a teoria. Como sempre a culpa nunca é da inviabilidade do socialismo, mas de fatores para além da teoria, como atraso material e cultural da população da velha Rússia, isolamentos etc. Há desculpa para tudo! Mas fica a pergunta: se o socialismo só é possível em um lugar em que já existe prosperidade material e cultural, então é melhor deixar o capitalismo agir primeiro, certo? Já que o comunismo é incapaz de gerar tais condições. E, se é assim, para que serviria o socialismo em um lugar onde as pessoas já têm tudo o que precisam para viver? Estas questões levantadas servem para questionar tanto os marxistas como o próprio K. Marx, pois, ele acreditava que as revoluções ocorreriam primeiro em lugares prósperos.

Mas, todos aqueles que simplesmente dizem que o socialismo é uma ideia de liberdade e generosidade são os que menos bagagem teórica possuem, precisam de palavras subjetivas para defender uma teoria que na prática já foi desmascarada – mostram uma completa desconexão com a realidade! Não importa quais as intenções pelas quais as ideias são concebidas, cabe, simplesmente, saber qual a viabilidade prática. Por mais bem-intencionada que seja uma teoria é na prática que deve se provar necessária e verdadeira.



CAPITALISMO E O DIREITO BUGUÊS DE SER FÚTIL.

A sociedade de mercado – capitalista – trouxe inúmeras facilidades para o codiano, e, com isso, uma geração de mimados se levantou, agora exigem todos seus direitos à futilidades.



Capitalismo, leia-se Livre Mercado, é, sem dúvidas, o melhor sistema econômico criado. Não houve na história humana um sistema que, em tão curto espaço de tempo, tenha tirado um número tão expressivo de pessoas da miséria. Um sistema, que nos últimos 200 anos, elevou as condições de vida humana a ponto de nos fazer esquecer a nossa condição diante da natureza – a pobreza!

Mas o conforto leva a uma certa frivolidade.

Pode-se argumentar que grande maioria da população é movida por suas frivolidades, são ociosas, fúteis e pouco se importam com questões intelectuais. Mas não é inteiramente verdade. Há em Sêneca (4 a.c – 65 d.c) uma preocupação com setores subalternos da sociedade romana. O que chama a atenção é sua doutrina de moderação da parte do soberano para não criar oposições e instabilidade no poder, ou seja, constantes negociações com os diversos setores sociais, seja aristocrata ou não. Isso leva a crer que havia relevância nos setores populares para a manutenção do poder do imperador. O que quero dizer é que nem sempre a ociosidade e a frivolidade são características gerais.

Os trabalhos braçais, coisa que ocorreu na maior parte da história humana, ocupavam um grande período de tempo dos trabalhadores, deixando assim muito pouco, ou quase nada de tempo para contemplação da existência. Apesar de concordar com aqueles que argumentam que os benefícios do capitalismo vão além do material, e que há uma elevação moral, de tolerância, e etc. como Benjamin M. Friedman (1944), tenho também que concordar com Luiz Felipe Pondé (1959) quando diz que o capitalismo criou uma geração mimada.



Todo o conforto criado pela sociedade de mercado deu origem, aparentemente, aos seres humanos mais mimados que já passou pela face da Terra. Acreditam realmente que existe direitos para além das obrigações.

Nossos antepassados sabiam que nem ao menos comer era um direito, sabia que caso não estivesse na lavoura ou caçando assim que o sol estivesse raiando não teria o que comer quando o sol se colocasse no horizonte. Hoje, é direito ter um Iphone! A preguiça os faz confundir benefícios com direitos.

Os antigos socialistas – os de verdade, não esse novo fetiche capitalista que chamam de socialismo – diziam que o direito é um sistema burguês usado para domesticar as massas. Friedrich Engels (1820 – 1895) e Karl Kautsky (1854 – 1938), em “Socialismo Jurídico” fizeram uma análise da passagem do mundo em estágio feudal para a concepção de mundo burguesa – a qual chamam de natureza burguesa do direito, relacionando o desenvolvimento, e passagem entre os mundos, ao intercambio de mercadorias.

Hoje, os adeptos socialistas não sabem o que foi o socialismo e, muito menos, saberiam viver sem o capitalismo é uma adesão completa ao estilo de vida burguesa e tudo que os resta é gritar a plenos pulmões – é direito!



O capitalismo estendeu o direito burguês de ser fútil!

Mas, a vida é fútil mesmo, e a fuga do tédio leva a frivolidades – estou pensando em Schopenhauer (1788 – 1860) quando digo isso, quando ele diz que o a vida é um pêndulo entre os desejos e o tédio.

Todos os dias há na televisão uma senhora, agora senhores também, mostrando suas casas, sala de jantar, roupas caríssimas e a prataria nobre. Uma demonstração da vitória da frivolidade burguesa, porque os ricos não têm algo a dizer e os mais pobres têm tempo para escutar toda a bobagem produzida por eles, entre eles há um “espertinho” falando de desigualdade social na internet para preencher o vazia que ninguém quer adentrar. Resumindo, um mundo de futilidades para preencher a monotonia do nada.

Concordo com Emil Cioran (1911 – 1995), “a frivolidade é um privilégio” e também com Charles Bukowski (1920 – 1994), “o mundo exagera demais na sua importância”, e quando diz: “o mundo, infelizmente, vivia infestado de bilhões de criaturas que não têm nada para fazer a não ser matar o tempo e matar a gente”. Parece que toda essa frivolidade é uma forma de fugir de si mesmo.

Parece-me que, de alguma forma, todos concordamos quando o sábio pregador diz: vaidades de vaidades, tudo é vaidade.

Até nós, filósofos, só podemos pensar porque todas as outras necessidades já foram supridas. Mesmo que entremos na mais profunda e honesta filosofia o tempo dedicado a ela é o tempo de fuga da monotonia. E isso também pode ser o tempo entregue a vaidade, e, até certo ponto, ao fútil.

O mundo mudou, a natureza humana não, sempre fomos o que somos, porém, agora, temos mais tempo para a contemplação do nada.



O DINHEIRO DO ESTADO NÃO PERTENCE AO POVO!

Os impostos aumentam, e o brasileiro segue estadista. não consegue ver a relação entre o Estado que suga o trabalhador e seu difícil cotidiano.



A conveniente frase de Mussolini (1883 – 1945), “Tudo no estado, nada fora do estado, nada contra o Estado” aplica-se facilmente aos dias de hoje em diversos países afora, Brasil incluso. Época em que o já grande Estado brasileiro insiste em aumento de impostos, assim, fácil! Os gastos de um Estado inchado aumentam e a resposta rápida é: “Vamos retirar mais dinheiro da população! Os ‘contribuintes’ irão entender”, afinal, tudo pelo glorioso Estado.

A notícia G1: Aumento do PIS/Cofins cobrados sobre gasolina, diesel e etanol. Com o reajuste o governo pretende arrecadar, leia-se ROUBAR, R$ 10,42 bilhões dos pagadores de impostos. É simples, a decisão não passa pela autorização do congresso. Então, a arrecadação é imediata!

Assim segue a extorsão, normalmente, através de coerção estatal, para sustentar um sistema de parasitas.

Dada a notícia. Gostaria de colocar O DINHEIRO DO ESTADO NÃO PERTENCE AO POVO! O DINHEIRO DO ESTADO É DO ESTADO, E O ESTADO FARÁ O QUE QUISER COM O DINHEIRO. Queira você ou não, o Estado não produz absolutamente nada, o Estado existe, única e exclusivamente, porque subtrai de quem produz. Nem ao menos é dado o direito de rastrear a “contribuição”, se não pode ser rastreado e nem decidido onde será aplicado fica simples entender, O DINHEIRO É DO ESTADO!

E mais: “O que realmente ocorre na prática é que pagamos impostos majoritariamente para bancar salários de políticos, burocratas, funcionários públicos e, principalmente, para alimentar o parasitismo de lobistas e grupos de interesse que, por causa de suas boas relações com políticos, obtêm acesso irrestrito ao orçamento do governo por meio de contratos de obras públicas, subsídios, empréstimos subsidiados e criação de regulamentações que lhes beneficiem e prejudiquem a concorrência.

Ou seja, pagamos impostos para que esse dinheiro seja repassado a funcionários do estado e a grupos de interesse muito bem organizados — os quais obtêm esse dinheiro em troca de propina que pagam a políticos.” (Trecho retirado de Impostos nada mais são do que roubo legalizado, diversos autores), Além de ser um roubo é usado para cometer injustiças!



Sabendo disso sempre me pergunto: por quê, raios! As pessoas ainda confiam em políticos?

Os gregos céticos diziam que devemos desconfiar do mundo. As pessoas são egoístas e vão agir segundo suas vontades para satisfazer seus desejos. Há uma falácia ao dizer “falta vontade política” o que não falta é vontade de político. Políticos têm é vontade demais. Ainda, por ilustre vontade, aumentam cada vez mais o Estado simplesmente para satisfazerem ainda mais suas vontades. O que falta é justamente o contrário, cortar vontades políticas, enfraquecer o Estado e diminuir a quantidade de políticos, só assim é possível diminuir as vontades dos políticos. É tanta gente satisfazendo suas vontades, através da máquina estatal, que não há povo para aguentar!

Sêneca (4 A.C – 64 D.C) dizia que deveríamos desprezar o mundo. Faz sentido quando se têm a impressão que tudo é mentira. Sêneca foi tutor de Nero, conhecia bem a vida política e, principalmente, que era baseada em mentiras e trapaças. Isso a tanto tempo que qualquer pessoa, com um pingo de consciência, é capaz de identificar que os propósitos dos políticos não é o bem público.

Séculos adiante Voltaire (1694 – 1778), exprime com precisão cirúrgica “A política é o meio através do qual homens sem princípios dirigem os homens sem memória”, nada mais certeiro, e, principalmente, para o Brasil nada mais atual! E, ainda, seguindo dentro do mesmo pensamento Thomas Sowell (1930) coloca: “O propósito da política não é solucionar problemas, mas achar problemas para justificar a expansão do poder do governo e um aumento nos impostos”.

E mesmo diante de tantos escândalos, mandos e desmandos estatais, o brasileiro ainda continua acreditando no Estado. É um ser domesticado – foi educado para isso. Um tipo de sebastianista por instinto. Acredita que haverá uma salvação vinda de políticos, gosta de mitos. Acredita que um dia virá um ser iluminado que administrará com amor e justiça a pátria amada. Uma tolice!

Políticos brasileiros têm praticamente os mesmos projetos de organização estatal – os mesmos projetos de governo – e mesmo assim não se questiona o óbvio, por quê? O brasileiro vota em pessoas, acredita que o problema é a corrupção, mas que um dia acertará, e então alguém virá administrar o espólio de forma honesta – más notícias, imposto é roubo, depois disso o dinheiro não é mais do cidadão “contribuinte”.

Nietzsche (1944 – 1900) dizia que na medida em que cresce o Estado o indivíduo diminui, verdade! Não existe coexistência entre os indivíduos e o Estado, é inevitável, o Estado sempre gastará mais do que a capacidade dos indivíduos de gerar riqueza.



Preconceito e o sentimento dos fracos!

Os fracos são aqueles que aceitam a condição de vítima calando-se diante da imposição, então, tornam-se ressentidos, diante própria incapacidade de resposta buscam vingança.

O que é ser forte se não amar a própria natureza, amar a vida e aquilo que é, ou, ainda melhor, amor por aquilo que se tornou! Ser forte é seguir firme naquilo que se propôs, seguir na direção daquilo que te traz paz – daquilo que tira água do espírito! Mesmo que seja ao custo do estômago.

Mova-se em direção daquilo que te traz significado, mesmo que seja dolorido!

Garota negra sofreu racismo na universidade onde cursa jornalismo. Tal notícia não é espantosa tendo em vista a natureza discriminatória do ser humano. Em Ensaio sobre a Liberdade Civil deixo um posicionamento sobre o assunto. Mas, aqui quero mudar a perspectiva.

Um ser somente pode ser forte diante de si mesmo, diante das coisas que o aflige, assim como esta garota negra que sofreu racismo, há inúmeros outros casos de discriminação, como o caso do garoto que desistiu do curso de medicina na FAMERP – faculdade de medicina de Rio Preto, por bullying, e, outro, onde uma mulher negra desistiu do curso de direito.

O que chama a atenção, nesses, e em outros, são os inúmeros casos de pessoas que se submetem a opinião alheia, que estão dispostos a seguir a turba mesmo que isto esteja ferindo sua própria vida. Nos três casos acima, como os outros conhecidos, os sujeitos que sofreram o assédio não conseguem olhar para si mesmo e romper com a estrutura do preconceito, preferem o sentir-se vítima ao seguir adiante com seus objetivos.

No caso da garota negra a fala dela é “Na hora, fiquei bastante triste ao ouvir isso dele. Os alunos todos aceitaram isso como verdade, da mesma forma que eu no primeiro momento. Ele se aproveitou da autoridade como professor para impor o que é correto

É comum ficar triste diante da opinião de alguém que provavelmente você admira, mas da mesma forma é preciso compreender que todos têm direito, não somente a opinião, como o direito de escolher com quem quer se relacionar, como diz John Stuart Mill (1806-1873), assim as únicas pessoas que realmente deveriam importar a opinião são aquelas que estão a sua volta, família e amigos próximos, isso para manter a sanidade mental, já que é impossível pensar em um mundo onde todos são amados por todos e admiram-se mutuamente!

Outra coisa, os outros alunos estão dentro do contexto em que é difícil de discordar do professor, não por que aceitam este tipo de comportamento, mas por que a situação é inusitada em primeira vista, e à tendência é assimilar o que foi dito e não questionar, para questionar é necessário tempo. Então, calar-se é o comum.

O que parece estranho é que a própria pessoa aceite isso. Poderão dizer: não aceitou, já que foi feita a denúncia. Mas falo de uma reação espontânea diante do preconceito, como uma resposta fisiológica ao incomodo. Assim, como diz Nietzsche (1844-1900), em “Genealogia da Moral” “sacode de si com um solavanco muitos vermes que em outros [homens] se enterrariam”, no sentido que os fortes agem de forma rápida para que os ressentimentos não façam morada tornando o sujeito fraco, faço, nesses casos citados, uma leitura em que os assediados são incapazes de seguir seus objetivos, porque a vingança contra o agressor também se volta contra si mesmo (eles próprios). No caso, a desistência no curso. Ao sentirem-se feridos fazem como os vermes que se recolhem diminuindo ainda mais seu tamanho afim de não serem pisados novamente, para usar uma expressão Nietzschiana.

Outra frase da aluna “Eu só queria que ele me pedisse desculpas e soubesse o quanto foi cruel com os meus sentimentos. A universidade também não deu importância para os meus sentimentos“, está é o que expressa onde quero chegar, os vítimistas estão condicionados a se achar importantes para pessoas que nem ao menos conhecem, ao dizer “(…) e soubesse o quanto foi cruel com os meus sentimentos” ela demonstra que necessita da aprovação do professor para alguma coisa, o que fica evidente a falta de força do espírito! Necessitar da autoafirmação no outro significa que sua força interna – seu espírito – está abalado. Uma fraqueza!

É uma infantilidade achar que as pessoas precisam medir as palavras para falar umas com as outras no intuído de não machucar sentimentos. Óbvio que é necessária ter o mínimo de respeito uns pelos outros, mas expor uma opinião não deveria ser caso de justiça. A não ser que comecemos a punir indivíduos nos baseando em sentimentos. E, pior, em sentimentos de terceiros e não do agressor.

Não nego o racismo, e todos os desarranjos sociais causados por tão pernicioso sentimento, mas concordo com John Stuart Mill (1806-1873) quando diz que todos têm o direito de escolher com quem quer se relacionar. Assim o racista também sofrerá danos causados por sua opinião, tornando-o inadequado como amigos de outros, ou seja, outros podem usar dos mesmos critérios, ou piores, para decidir não conviver com o racista.

Ser forte é a capacidade de saber que você é o único responsável pela sua vida e tudo que o cerca. Não importam as circunstâncias! O que importa é o que você faz com elas. Em Sartre (1905-1980), não importa o que a vida fez de você o que importa o que você fez do que a vida fez com você.

Ser forte é livrar-se das mágoas, do ressentimento – saber que nem todos são obrigados a desejar estar perto de você. Ser corajoso para esquecer o mal que fizeram. Seguir firme dentro de tudo aquilo que você propôs para si mesmo.

A natureza dos fortes segue em direção daquilo que já é, não precisa buscar ser, ele já conhece o próprio espírito – ele só o aperfeiçoa! Não precisa da manada, dos líderes esquizofrênicos, a autoajuda, para os fortes isso é um delírio de inocentes. O forte sabe que todos seus pecados são seus e pode livremente reger seus demônios em uma sinfônica de “surdos” que só ele conhece, só ele ouve, é só dele a luta e é só dele vitória. E sua vitória é esta – o desdenho dos superficiais, o riso do louco e o ódio daqueles incapazes de amar a própria vida e a si mesmo.

É, então, romper com tudo e todos, com as estruturas e com os empecilhos que estão a sua volta, e propor a caminhada a si mesmo.