Ética de São Tomás de Aquino em A Suma Teológica

Como Santo Agostinho, São Tomás de Aquino realiza uma leitura Cristã dos antigos filósofos gregos. Com ênfase em Aristóteles, São Tomás tornou-se, em sua época, o principal nome a demonstrar a compatibilidade da antiga filosofia grega com o cristianismo

Da mesma forma que Agostinho [1] havia feito 800 anos antes, são Tomás de Aquino (1225 – 1274) produz uma leitura cristã da filosofia Grega, com ênfase em Aristóteles [2]. Assim, Tomás de Aquino, tornou-se o principal nome, em sua época, a demonstrar a compatibilidade entre a ética aristotélica e o cristianismo. Com isso, criou condições para a leitura da filosofia de Aristóteles no final do século XIII que, sob diversas vertentes, perdurou até o final do século XV. E, ainda, é possível encontrar seguidores nos escolásticos da Era Moderna, sobre tudo em questões éticas.

São Tomás ao absorver o pensamento aristotélico sobre Virtude considerando a possibilidade de aperfeiçoamento da Natureza Humana cria um contraste entre a sua ética e a ética de santo Agostinho que, vigente até momento e  perpetuada por pensadores como Bernardo de Clairvaux (1091 – 1153), consideravam, o homem, um ser imperfeito e marcado pelo pecado original.

A VIRTUDE PARA SÃO TOMÁS DE AQUINO, não é o mesmo que para os antigos filósofos gregos – que a relacionavam aos valores da cidade [3] [4] com valores como Coragem, Amizade e Lealdade. Para Tomás de Aquino as Virtudes Teologais são as realmente importantes como a , a Esperança e a Caridade no sentido de amor ao próximo e a Deus. Tomás de Aquino, ainda, reinterpreta o conceito aristotélico de Felicidade transformando-o em Beatitude – visão beatífica de Deus somente possível pela Revelação e Graça Divina.

Outra diferença importante entre o filósofo grego Aristóteles e Tomás de Aquino é sobre o Pecado Original, conceito do filósofo cristão que é inexistente no pensador grego. Apesar das diferenças é possível constatar que Tomás de Aquino invoca constantemente os conceitos aristotélicos como por exemplo Ato/Potência, Finalidade (telos) e o Ente (ens).

A SUMA TEOLÓGICA DE SÃO TOMÁS DE AQUINO escrita, ao estilo de Suma Teológica Medieval, entre 1266 e 1274 que, apesar de ser uma obra inacabada, é o mais importante feito do autor. É uma síntese de caráter sistemático das questões centrais da sua concepção de filosofia e teologia.

A Suma é organizada por meio de respostas às principais questões das áreas tradicionais da filosofia, o Ser, o Conhecimento, e a Verdade e, também, as principais questões da teologia Deus, a Criação, a Graça Divina, os Sacramentos.

É importante notar que Tomás de Aquino utiliza-se tanto da autoridade da Bíblia como dos antigos filósofos gregos, em especial, é claro, Aristóteles.

São Tomás, escreveu também comentários sobre as obras de Aristóteles com destaque para o Corolário à ética a Nicômaco onde retoma questões de sua Suma Teológica.

O Mal Está nas Coisas? Ou A Natureza do Mal. na primeira parte da Suma, Tomás de Aquino analisa por que Deus sendo Bom pode ter criado o Mal, discutindo a tese Agostiniana onde o Mal é privação. Tomás de Aquino rejeita essa ideia e em seguido também a ideia de que o Mal é alguma coisa ou uma entidade passando a compreendê-lo como parte da natureza no sentido de corrupção das coisas que foram criadas por Deus coisas, essas, que podem ser perecíveis e imperfeitas.

Parte I da Suma Teológica “Sobre o Deus Criador” São Tomás escreve sobre A Natureza do Mal:

 

“Respondo que, segundo o que foi dito acima, a perfeição do Universo requer que haja desigualdade entre as coisas de modo que todos os graus de bondade se realizem. Há um grau de bondade em que uma coisa é tão boa que não pode deixar de existir. Há outro em que a coisa é boa de modo que pode deixar de existir. E tais gradações se encontram também no ser. Há coisas, as incorruptíveis, que não podem perder o próprio ser, e há outras, as corruptíveis, que podem perdê-lo. A perfeição do Universo requer que haja coisas incorruptíveis assim como coisas corruptíveis, portanto, que haja coisas que possam deixar de ser boas, o que de fato por vezes ocorre. Assim, é evidente que o mal está presente nas coisas, bem como a corrupção, que é uma espécie de mal.”

E, então, segue:

 

“Não é próprio da Providência destruir a natureza, mas sim salvá-la, e segundo Dionísio (Tratado dos nomes divinos, IV) faz parte da natureza que coisas que podem falhar algumas vezes falhem. Ou ainda, como afirma Agostinho (Enchirydion, II), Deus é tão poderoso que pode até fazer o bem a partir do mal. Assim sendo, muitos bens não existiriam se Deus não permitisse a existência de nenhum mal, pois o fogo não seria produzido se o ar não fosse corrompido, a vida do leão não seria preservada se o asno não fosse morto e não se elogiaria a justiça punitiva, nem a paciência do que sofre, se não existisse a iniquidade.”

Homem Possui Livre Arbítrio? Em “Tratado Sobre o Homem”, questão 83, são Tomás escreve a respeito no sentido de Ato Voluntário e Escolha Pessoal. Para Tomás de Aquino o Livre Arbítrio é derivado da racionalidade humana e é um pressuposto da ética – a saber, a possibilidade de escolha. Veja:

 

 “(…) o homem possui o livre-arbítrio, caso contrário seriam vãos os conselhos, as exortações, as ordens, as proibições, as recompensas e as punições. Como evidência disso deve-se considerar que algumas coisas agem sem juízo. Por exemplo, a pedra que se move para baixo e todas as outras coisas que carecem de conhecimento. Outras agem com juízo, mas este não é livre, como no caso dos animais. Por exemplo, a ovelha quando vê o lobo julga que deve fugir, mas tal decisão não é livre, pois ela julga não por comparação, mas por instinto natural. Isso acontece com todos os juízos dos animais. Porém o homem age com juízo porque, devido a sua capacidade cognitiva, julga se deve fugir de alguma coisa ou procurá-la. Mas como seu juízo não resulta de uma aplicação do instinto natural a uma ação particular, e sim de uma comparação realizada pela razão, o homem age de acordo com seu livre juízo, podendo orientar-se para diferentes decisões. A razão pode, com efeito, em relação ao contingente, seguir direções opostas, como nos mostram os silogismos dialéticos e os argumentos retóricos. Como as ações particulares são contingentes, o juízo da razão sobre elas se aplica a diversas ações e não a uma única determinada. Portanto, é necessário que o homem possua o livre-arbítrio pelo simples fato de ser racional.”

A Virtude é um Habito? Na parte II da Suma teológica encontra-se o “Tratado dos Hábitos e das Virtude”, seguindo Aristóteles, entendendo Virtude como um hábito são Tomás concede uma definição, caracterizando os bons hábitos, ou seja, a Virtude.

 

 “Algumas vezes denominamos “virtude” aquilo a que a virtude se dirige, seja o seu objeto ou o ato correspondente. Por exemplo, chamamos de “fé” aquilo em que acreditamos ou o ato de acreditar, bem como o hábito pelo qual acreditamos. Quando dizemos que a virtude é o mais elevado grau de uma potência, “virtude” é entendida como “objeto da virtude”, uma vez que o ponto máximo que uma potência pode atingir é considerado a sua virtude.”

[1] Ética em Santo Agostinho – Livre Arbítrio e Confissões

[2] Ética de Aristóteles em Ética a NICÔMACO

[3] Origem da Ética

[4] Democracia Antiga e Moderna – Diferenças Fundamentais

ÉTICA em SANTO AGOSTINHO – Livre Arbítrio e Confissões.

Santo Agostinho foi o primeiro a fazer leitura Cristã da Antiga filosofia Grega. Assim, marcou não somente a Idade Média, mas influenciou o início da Idade Moderna.

Santo Agostinho (354 d.C – 430 d.C) é, para tradição filosófica ocidental, o representante da primeira síntese entre a filosofia Grega e o cristianismo, principalmente o platonismo – VER Ética em Platão [1]. Dessa forma, Agostinho, com sua obra, não somente marcou a Idade Média, mas, também influenciou o início da Idade Moderna.

A Ética de Agostinho resulta de releituras da filosofia ética Grega [2] em especial Platão e a de origem Romana, em especialmente Sêneca () e seu estoicismo – com o diálogo Beata Vita ou A Vida Feliz, que influenciou seu texto de mesmo nome. E, Hortensius, de Cícero (106 – 43 a.C), sobre filosofia que, segundo o próprio Agostinho, despertou seu interesse por filosofia. Mas, é, em Platão, com leituras à luz do cristianismo, que Agostinho constrói sua filosofia.

Deste modo, as questões levantadas por Agostinho, são uma herança grega tratadas sob o viés Cristão, como, por exemplo, A Natureza Humana e o Caráter inato da Virtude, a Origem do Mal, o Conceito de Felicidade, Liberdade, e a possibilidade de agir de forma Ética.

À vista disso, há duas questões fundamentais na Ética de Agostinho, questões essas que permanecem até os atuais na Ética Cristã.

Afinal, qual a Origem do Mal? Um dos principais temas que contornava o debate na época de Agostinho, pois, a doutrina maniqueísta era muito forte naquele momento e defendiam a existência dos princípios equivalentes, ou seja, o Bem e o Mal em luta constante, identificando em ambos, respectivamente, Deus e o diabo.

Desta maneira, questionavam se Deus é perfeito e entre seus atributos esta a Suprema Bondade – identificada até certo ponto, com a Forma do Bem de Platão – como é possível a existência do Mal? Deus, que é Bom, poderia criar o Mal?

Como Platão, Agostinho defende que só é possível existir o Bem, assim, o Mal, é, na verdade, a ausência do Bem. Deus é bom, mas os seres foram criados inferiores na ordem do Ser, são, portanto, imperfeitos e finitos. O Mal, tem origem a falha ou imperfeição. Esta foi, e é, a solução ética e teológica, criada para o problema da existência do Mal.

Em Confissões, capitulo de 16, Agostinho:

“Senti e não estranhei que o pão tão saboroso ao paladar saudável seja enjoativo ao paladar enfermo e que a luz agradável aos olhos que veem bem seja desagradável aos doentes. E a Vossa justiça é desagradável aos maus — o mesmo acontece com a víbora e os répteis, que foram criados bons e adequados à parte inferior da Criação, à qual os seres maus também pertencem —, sendo tão mais semelhantes quanto são diferentes de Vós. Do mesmo modo, os maus são tão mais semelhantes aos seres superiores quanto mais se tornam semelhantes a Vós. Indaguei sobre a maldade e não encontrei uma substância, mas sim a perversão da vontade afastada de Vós, o Ser Supremo, tendendo em direção às coisas inferiores, expelindo as suas entranhas e inchando-se toda.”

A segunda questão, e diretamente relacionada à primeira é: A LIBERDADE HUMANA. Por quê…

“Se a natureza humana é marcada pelo pecado original, a imperfeição originada na fraqueza de Adão, e faz com que o ser humano esteja sujeito à tentação e aja contrariamente à lei moral, então haveria um determinismo que tornaria inevitável o pecado e, por conseguinte, a ação antiética. Paradoxalmente, os indivíduos não seriam, em última análise, responsáveis por seus atos, já que são levados ao pecado pela própria falha de sua natureza. Neste sentido, não teriam o domínio de suas ações, pois suas atitudes seriam determinadas por esta falha. O ser humano é, assim, compelido a agir contrariamente à ética. Se sua ação é determinada e ele é compelido, então não tem escolha ou liberdade e, portanto, não estaria verdadeiramente pecando.” [3].

Assim, o Livre Arbítrio ou Liberdade Individual, é, para Santo Agostinho, o aspecto humano mais importante, pois, o torna responsável por suas escolhas e decisões. Então, o ser humano com o Livre Arbítrio, pode agir, se bem entender, de forma ética ou não. O Mal Moral, ou o pecado, em Agostinho, resulta das escolhas individuais. Esta possibilidade foi concedida por Deus, para que cada um, individualmente, seja responsável por seus atos. Estejam certos ou errados.

Agostinho, no livro II – em diálogo com Evódio, responde este questionamento e concluí que sem o Livre Arbítrio o homem não poderia ser responsabilizado por seus atos.

“Se é verdade que o homem em si é bom mas não poderia agir bem exceto por querer, seria preciso que tivesse vontade livre para que pudesse agir desse modo. De fato, não é porque o homem pode usar a vontade livre para pecar que se deve supor que Deus a concedeu para isso. Há, portanto, uma razão pela qual Deus deu ao homem esta característica, pois sem ela não poderia viver e agir corretamente. Pode – se compreender, então, que ela foi concedida ao homem para esse fim, considerando – se que se um homem a usar para pecar recairão sobre ele as punições divinas. Ora, isso seria injusto se a vontade livre tivesse sido dada ao homem não apenas para agir corretamente, mas também para pecar. Na verdade, por que deveria ser punido aquele que usasse da sua vontade para o fim para o qual ela lhe foi dada? Quando Deus pune o pecador, não te parece que lhe diz o seguinte: “Estou te punindo porque não usaste de teu livre-arbítrio para fazer aquilo para o que eu o concedi a ti”? Ou seja, para agires corretamente. Entretanto, se o homem não fosse dotado de livre-arbítrio, não poderia existir esse bem que consiste na realização da justiça através da condenação dos pecados e da premiação da ação correta. A conduta de um homem não poderia ser caracterizada nem como correta nem como um pecado, não fosse pelo livre-arbítrio. Da mesma maneira, tanto a punição quanto a recompensa seriam injustas se o homem não tivesse o livre-arbítrio. É preciso que a justiça esteja presente na punição e também na recompensa, porque este é um bem que vem de Deus. Concluo, portanto, que era necessário Deus conceder ao homem o livre-arbítrio.”

[1]. Ética em Platão

[2]. Origem da Ética

[3]. Danilo Marcondes em “Textos Básicos Sobre Ética: De Platão a Foucault

Santo Agostinho

ÉTICA de Aristóteles em ÉTICA a NICÔMACO

A Ética de Aristóteles é Sistemática e Analítica. Ao contrário de Platão, Aristóteles busca uma ética objetiva.

Como já visto, em Ética em Platão [1] as questões levantadas são interligadas, ou seja, passa-se de Verdade e Conhecimento para problemas de Natureza Éticas. Já, a Ética em Aristóteles (384 – 322 a. C) é de caráter sistemático e analítico [2]. Para Aristóteles a vida humana é dividida em três grandes grupos: O SABER TEÓRICO, ou Campo de Conhecimento; O SABER PRÁTICO, ou Campo de Ação; e o SABER CRIATIVO, ou produtivo.

Outra distinção a ser feita é o que diz respeito aos textos que chegaram aos dias atuais. Ao passo que os textos de Platão nos apresentam diálogos os de Aristóteles são, infelizmente, apenas as notas de aulas que nos sobraram. Apesar de Aristóteles também ter produzido diálogos. Tal diferença faz com que os textos aristotélicos aparentem mais “frios”.

No sistema aristotélicos, Ética e Política, são parte do “Saber Prático”, como contraposição ao “Saber Teórico”.

Enquanto a área de domínio do Campo Saber Teórico é a metafisica, a matemática e as Ciências Naturais – principalmente a física, com o intuito de conhecer a realidade. Ou seja, leis e princípios gerais. À medida que, no Campo Prático, o objetivo é determinar em quais condições podemos agir da melhor maneira possível aspirando o objetivo principal que é a felicidade (eudaimonia), ou realização pessoal. O Saber prático é intitulado de “Prudencial”, por ser definido por prudência.

Mas, afinal, O QUE É FELICIDADE e como o SER HUMANO pode alcança-la? São as indagações de Aristóteles em ÉTICA A NICÔMACO. Para isso, Aristóteles analisa a Natureza Humana, e as características que a define da perspectiva da ética, ou seja, as VIRTUDES. Desta forma, a maior parte do texto é destinado aos conceitos de VIRTUDE MORAL (areté), ou excelência de caráter.

Aristóteles define seus objetivos como práticos, ao mesmo tempo em que crítica Platão e sua Forma do bem ou Forma da ideia, por ter caráter genérico e abstrato, o que o distancia da Natureza humana. Como o próprio Aristóteles destaca:

“Acontece o mesmo em relação à forma do bem; ainda que haja um bem único que seja um predicado universal dos bens, ou capaz de existir separada e independentemente, tal bem não poderia obviamente ser praticado ou atingido pelo homem, e agora estamos procurando algo atingível” [2].

Para Aristóteles FELICIDADE OU BEM-ESTAR, é apresentada como algo que todos desejam e buscam e também como objetivo da ética. Veja:

“Chamamos aquilo que é mais digno de ser perseguido em si mais final que aquilo que é digno de ser perseguido por causa de outra coisa , e aquilo que nunca é desejável por causa de outra coisa chamamos de mais final que as coisas desejáveis tanto em si quanto por causa de outra coisa , e portanto chamamos absolutamente final aquilo que é sempre desejável em si , e nunca por causa de algo mais . Parece que a felicidade, mais que qualquer outro bem, é tida como este bem supremo, pois a escolhemos sempre por si mesma, e nunca por causa de algo mais;” [2].

Porém, em seu último livro de Ética a Nicômaco, Aristóteles aclara que felicidade não é deve ser confundida com Prazeres. Mas, sim, entendida em um sentido mais elevado, ou seja, como a contemplação das verdades eternas. Isso quer dizer: é uma característica dos sábios ou dos filósofos.

“De fato, toda a existência dos deuses é bem-aventurada, e a atividade dos seres humanos também o é enquanto apresenta alguma semelhança com a atividade divina, mas nenhum dos outros animais participa da felicidade, porque eles não participam de forma alguma da atividade contemplativa. Então a felicidade chega apenas até onde há contemplação, e as pessoas mais capazes de exercerem a atividade contemplativa fruem mais intensamente a felicidade, não como um acessório da contemplação, mas como algo inerente a ela, pois a contemplação é preciosa por si mesma” [2].

E o que é VIRTUDE? Para Aristóteles é um hábito. Ao contrário de Platão, Aristóteles acredita que virtude pode ser ensinada. Inclusive, esse deve ser o objetivo da filosofia. A virtude não é inata, mas pode ser aprendida e tornar-se um hábito. Ou seja, é preciso prática para se tornar virtuoso. No livro VI Aristóteles clarifica Virtude e o Saber prático em cinco formas: a Arte (techné), o Conhecimento Científico (episteme), a Prudência que é o Saber Prático ou Discernimento (phronesis), a Intuição Intelectual (noesis), e Sabedoria (sophia).

Outro conceito importante é MEIO-TERMO OU A JUSTA MEDIDA (mesotes). É um dos princípios fundamentais na obra Aristotélica. Pois, Aristóteles acredita que, tratando-se de Ética, os extremos são danosos, tanto para excesso quanto à falta de algum atributo. Ou seja, é necessário o equilíbrio. O que pode variar com as situações e ou circunstâncias. Para Aristóteles, moderação é característica de indivíduos éticos.

“Em relação ao meio – termo, em alguns casos é a falta e em outros é o excesso que está mais afastado ; por exemplo , não é a temeridade, que é o excesso, mas a covardia, que é a falta , que é mais oposta à coragem, e não é a insensibilidade, que é uma falta, mas a concupiscência, que é um excesso, que é mais oposta à moderação.” [2].

[1]. Ética em Platão

[2]. Marcondes, Danilo. Textos Básicos de Ética: De Platão à Foucault. Edição do Kindle.

Busto de Aristóteles sobre fundo preto.

ÉTICA EM PLATÃO

Platão, sob a influêcia de seu mestre, Socrátes, discorre sobre diversos temas relacionados à ética.

Quadro Escola de Atenas de Rafaello Sanzio (1483-1520)

Platão (428/427 – 348/347) é considerado o primeiro grande filósofo a trazer à tona o tema ÉTICA. [1] Assuntos como: amizade (lisis), a virtude (mênon), a coragem (laqueado) e o sentimento religioso (eutífron), foram introduzidos no cotidiano grego através dos diálogos platônicos, e discutidos filosoficamente até os dias atuais.

São diálogos entre Sócrates e personagens históricos do cotidiano ateniense e, alguns outros, fictícios, que discutem sobre temas éticos. Acredita-se que Platão, nesse período, está sob a influência de seu mestre Sócrates.

Sócrates, através das letras de Platão, irá levantar importantes questionamentos éticos. Pontos que, no decorrer da história, rendera a filosofia discussões fundamentais como: conceitos, critérios de aplicações na prática cotidiana. E, se, a ética, é parte da natureza humana ou se são apreendidas e, se é possível ensiná-la.

Platão usa, em seus diálogos, o estilo aporético, ou seja, não é possível encontrar uma solução definitiva para os problemas levantados, ou, ao menos, definir conceitos éticos.

Para Danilo Marcondes em “Textos Básicos Sobre Ética: De Platão a Foucault” escreve citando o próprio Sócrates:

“Talvez a lição socrática esteja principalmente na importância do desenvolvimento de uma consciência moral, de uma atitude reflexiva e crítica que nos leve a adotar comportamentos mais éticos, e não na formulação de um saber sobre a ética e seus conceitos. É o que diz Sócrates na célebre passagem da Apologia (38a): “A vida sem exame não vale a pena ser vivida.”

Os diálogos socráticos têm caráter teórico. É o momento em que, Platão desenvolve sua teoria metafísica, conhecida como Teoria das formas ou Teoria das Ideias.

Platão em “Republica” nos livros VI e VII caracteriza a Forma do Bem como “Suprema Forma”, este é seu princípio metafísico mais importante. Desta forma, por ser de difícil explicação, e, principalmente, ser um princípio, o filósofo fornece três mitos para facilitar a exemplificação da sua Teoria. A trilogia “Mito do Sol”, “Linha Dividida” e “A Caverna”. Para esclarecer, em linguagem figurada, a Natureza do Bem.

Na alegoria da Caverna, através de Sócrates, Platão diz:

Nos últimos limites do mundo inteligível aparece-me a ideia (ou forma) do Bem, que se percebe com dificuldade, mas que não se pode ver sem se concluir que ela é a causa de tudo que há de reto e de belo”

Ou seja, para Platão, o sábio é quem alcançou o Bem através da dialética – Ascensão da Alma – até um lugar mais elevado e abstrato do real, podendo, desta maneira, agir de forma justa. 

“Pois ao conhecer o Bem, conhece também a Verdade, a Justiça e a Beleza. É por este motivo que a concepção ética de Platão ficou conhecida como “metafísica do Bem”. A forma do Bem é, por conseguinte, o fundamento da ética.” [2]

Mesmo que Platão faça, posteriormente, uma revisão crítica de sua Teoria das Formas ou Teoria das Ideias, as preocupações éticas reaparecem entre seus últimos diálogos conhecidos, como, por exemplo, Filebo e As Leis.

CONCLUSÃO. Desta forma, é possível compreender o que é fundamental na obra de Platão:

O indivíduo que age de modo ético é aquele que é capaz de autocontrole, de “governar a si mesmo”, como vemos no Górgias. Entretanto, a possibilidade de agir corretamente e de tomar decisões éticas depende de um conhecimento do Bem, que é obtido pelo indivíduo por meio de um longo e lento processo de amadurecimento espiritual, “a ascensão da alma”, tal como descrita na Alegoria da Caverna.”[2]

[1]. Origem da Ética. Os gregos estabelecem uma vida moral como sendo uma vida boa, bem-sucedida – a eudaimonia.

[2]. Danilo Marcondes em “Textos Básicos Sobre Ética: De Platão a Foucault”.

RELATIVISMO MORAL, caracteríticas e as três principais variações

Entenda RELATIVISMO MORAL, e veja quais são as caracteríticas e suas três principais variações

Placa de Destino
A placa de Destino sobre um fundo branco com setas escrito em inglês “Right” em fundo verde, “Wrong” em fundo azul e “it depends” com fundo vermelho.

Não há como falar/escrever sobre Relativismo Moral sem antes explanar sobre a base que o fundamenta e as suas três principais variações.

A principal característica e comum aos distintos gêneros de Relativismo Moral é a que sustenta toda a ideia ou pensamento relativista de que nada pode ser Totalmente bom ou Totalmente mau. Todo o pensamento Relativista é baseado em “DEPENDE”.

PARA ALGUNS, DEPENDE de quais critérios éticos são aceitos para si mesmo como indivíduo. Desta forma, ninguém pode julgar moralmente outro ser humano, ou seja, não pode existir valores morais interpessoais.

PARA OUTROS, DEPENDE o que um grupo de pessoas (sociedade ou comunidade) aceita como valores morais e/ou éticos para si mesmo e sustentados por eles. Considerando que existem valores morais interpessoais somente intra-grupos e nunca inter-grupos. Ou seja, aceitam que existem valores diferentes, porém somente entre indivíduos e não entre diferentes grupos.

E, por fim, para outros, há aqueles que acreditam que as pessoas aceitam valores éticos não somente para si mesmo, mas também para os outros, ou seja, existe um valor de aplicação universal, mas com critérios de que esses valores são sempre subjetivos e não podem ser justificados sobre critérios objetivos.

As três variações ou derivações correspondem respectivamente ao “PERSONALISMO”, ao “RELATIVISMO” no sentido estrito e o “UNIVERSALISMO SUBJETIVO”. Segundo as classificações de James S. Fishkin (1984) em “Beyond Subjective Morality: Ethical Reasoning and Political Philosophy”.

Desta maneira, como os juízos Morais e éticos dependem de valores individuais de cada ser humano e como não aceitam pontos de vista éticos diferentes, ou seja, que existem valores verdadeiros, a conclusão do Relativista Moral é que: qualquer ponto de vista pode e, deve, ser aceito como válido.

Consequentemente, qualquer que seja o posicionamento do Relativista Moral o argumento seria inconsistente, porque na medida que avança em argumentos de tolerância universal destrói os próprios princípios éticos do relativismo. Como exemplifica Roger Scruton (1944) em “A Alma do Mundo”, mesmo que existisse uma teoria relativista “x” para mostrar que os valores são falsos ou relativos, a teoria “x” seria, então, da mesma forma, falsa, já que não pode existir valores verdadeiros. Ou seja, o Relativista Moral, sempre cai no Paradoxo do mentiroso.

Então, para que, a teoria relativista, tenha consistência só resta a opção: aceitar o Amoralismo, no sentido de negar qualquer juízo moral ou ético, pois, para ele, não existe valores. À vista disto, resta, ao relativista, duas posições frente ao confronto, evitar qualquer discussão ética/moral, ou passa a exigir vias racionais “aceitáveis” para que ele (o relativista) abandone suas posições de Relativismo Moral.

VEJA TAMBÉM: A ORIGEM DA ÉTICA

O MUNDO É OTIMIZADO PARA MEDIOCRIDADE



Mostro Mídia
“The fool who feeds the monster”. Viñeta de 1913 en Leslie’s Illustrated Weekly Newspaper. Originally posted by Ricardo Galli

Uma caricatura publicada em 1913 no já extinto Leslie’s Illustrated Weekly Newspaper mostra um mostro sendo alimentado por um executivo jogando-lhe moedas na boca. O monstro se ergue de forma ameaçadora com presas enormes e braços tentaculares que destruíam a cidade em volta. Nos tentáculos dizeres: “cultivar o ódio”, “distorcer os fatos” e “difamar para inflamar”. Ou seja, o executivo é um publicitário e a boca representa a impressa maliciosa que precisa de dinheiro para sobreviver, logo abaixo a legenda: “O TOLO QUE ALIMENTA O MONSTRO”. (Imagem à esquerda).

Venho falando sobre o assunto há alguns dias em “Ódio gera lucro! Ou você acha que tua opinião importa? ”,[1] “Manipulação das Mídias, como agir? ”,[2] e “Informação e responsabilidade individual, A saída da menoridade intelectual”.[3]. A questão é…



O MUNDO É OTIMIZADO PARA MEDIOCRIDADE

Todos os dias crianças e jovens entre 8 e 18 anos permanecem online, em média oito horas por dia. Não incluindo televisão. É gasto todos os dias 50 bilhões de minutos no facebook sem contar outras redes sociais e blogs. Todos os meses é disponibilizado cerca de 150 milhões de vídeos para usuários. É evidente que existe submissão e apatia. Todos estão distraídos por uma mídia cada vez mais veloz que não deixa pensar. De alguma forma a velocidade suprime a capacidade de interpretar e analisar.

A mente humana passa por duas fases quando se depara com a notícia, ou coisas de seus interesses. A primeira é acreditar só depois entra em fase de dúvida e avaliação, mas, para isso, precisa de tempo.

Então, de alguma forma, a velocidade da mídia moderna está impedindo a segunda fase de emergir, ou seja, no momento da dúvida, surge imediatamente outra notícia na timeline desviando a atenção. O que torna a notícia anterior verdade para o leitor, mesmo que não seja algo que ele (o leitor) normalmente acreditaria. Como não conseguiu absorver todos os fatos e passou para a notícia seguinte sem analisar, a opção é confiar na opinião do articulador. Ou seja, transfere a responsabilidade de análise – é, o que chamamos de “delegação de confiança”.

Além de ser difícil permanecer céticos, e, principalmente, ainda mais difícil corrigir crenças. É, ainda, possível fortalecer crenças já estabelecidas mesmo que erradas, o conhecido Backfire Effect o “efeito tiro-pela-culatra”. Desta forma, é possível manipular a opinião pública, em um processo cíclico de mentiras e ganhos através de notícias falsas.

Com a quantidade de tempo que crianças e adolescentes passam na internet, a velocidade em que a mídia moderna acontece, e as possibilidades de manipulação da informação como exposto anteriormente, através de mecanismo mentais que não deixam pensar, a probabilidade de entrar e permanecer em uma bolha é muito grande!

[1]. Ódio gera lucro! Ou você acha que tua opinião importa?

[2]. Manipulação das Mídias, como agir?

[3]. Informação e responsabilidade individual, A saída da menoridade intelectual



PRODUZIMOS MAIS INFORMAÇÃO DO QUE SOMOS CAPAZES DE CONSUMIR?

Excesso de informação O Pateta
O Pateta deitado na cama coberto de jornais com o telefone dizendo: Não Minie!Ainda estou tentando ler os jornais do mês passado!

Em parte é verdade, ou seja, é verdade que produzimos mais informações do que somos capazes de consumir, e que a grande maioria das informações produzidas são inúteis, também é verdade!

Porém, também é verdade que sempre produzimos mais informação do que somos capazes de consumir, e, da mesma forma, é verdade que sempre se produziu muito mais inutilidades do que conteúdo.



Informação é um produto infinito – o que pode ser largamente comercializado, como nos mostra os sofistas da Grécia Antiga já no século V [1]. Raramente há escassez de informação, somente, é claro, em países com histórico de controle das liberdades individuais – leia-se origem socialista/comunista – mas, dentro das proporcionalidades, historicamente, sempre produzimos mais informação do que somos capazes de absorver.

Ninguém, foi ou é, capaz de ler todos os jornais publicados no dia. Ou ler todos os livros lançados no ano corrente. Mesmo que adentrássemos na biblioteca de estantes hexagonais de Jorge Luiz Borges (1899 – 1986) em “A biblioteca de Babel”, a quantidade/possibilidade é infinita mesmo para uma eternidade. Não é possível ler tudo que nos interessa no ano, imagina estudar/absorver tudo.

É necessário selecionar o que é bom. É necessário peneirar. Reter simplesmente aquilo que existe algum valor intelectual e prático. E isso somente o tempo é capaz de fornecer. É necessário tempo de dedicação à leitura e aos estudos, selecionando e focando sobre o que é importante. Sem deixar se dispersar. O mundo a sua volta é formatado para te tornar apático e submisso. Mas são os propósitos e objetivos que o torna mais forte.

[1]. Sofistas eram pessoas que criavam demanda por habilidades intelectuais então, vendiam seus serviços a preço de mercado, aos compradores.

Leia mais:

MANIPULAÇÃO DAS MÍDIAS – COMO AGIR?

INFORMAÇÃO E RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL – A Saída da Menoridade Intelectual



Corrupção e Ética à Brasileira O “Jeitinho”

O jeitinho brasileiro visto como uma reação à percepção do brasileiro quanto a corrupção histórica brasileira

Corrupção brasileira é histórica e facilmente pode ser identificada através de registros e documentos desde os tempos do império! Corrupção que, inclusive não era vista como corrupção. O Clientelismo, favorecimento de parentes e amigos, e o Patrimonialismo, dificuldade de diferenciar o público do privado [1] são marcas históricas no Brasil.

Ética/Moral são construções com origem filosófica conhecida, e através dos tempos devem ser revisitadas e, no caso do brasil, ainda mais. Com inúmeros casos de corrupção aparecendo todos os dias a população, assim como filósofos e cientistas sociais, pensam o tema, o que implica olhar a corrupção do ponto de vista dos valores fundamentais na moralidade, ou seja, honestidade e confiança, junto aos princípios constitucionais como decoro, dignidade humana e propriedade administrativa. Já que a má percepção brasileira sobre corrupção aumenta a cada instante.

Segundo a ONG Transparência Internacional, entre 168 nações o Brasil ocupa oposição 76 no Corruption Perceptions Index. [2] Índice que serve de parâmetro para que empresas possam investir no país. Quanto mais corrupto um país maior a incerteza e menor serão as receitas.

Como dito anteriormente, o problema da corrupção não é recente no Brasil, porém, a verdade é que toda história humana, é também a história da evolução das sociedades e do seu senso moral, e de justiça. No entanto tantos escândalos consecutivos de corrupção parece minar as forças do cidadão, seja para empreender, como mostra o Índice de percepção da corrupção, seja a força moral, o que leva ao desânimo nos referenciais de ética e moralidades mais básicos.

Desânimo nos Referenciais de Ética e Moralidades. O Homem é, segundo Aristóteles (384 a.C – 322 a.C), zoon Politikon, isso quer dizer, um ser de relações sociais, relações morais, tanto pública como individual, responsável por seus atos diante da comunidade e diante de si mesmo. E é dentro destes conceitos que pensavam os gregos, e que pensam os filósofos até hoje. Se somos animais políticos são necessárias relações éticas, que possam ser mais justas possíveis dentro da convivência humana.

Assim, ao ver as injustas relações entre os compatriotas o ser, o brasileiro, nota que seus esforços não são capazes de gerar o necessário, ou os frutos colhidos não são o suficiente para seu desenvolvimento, ao notar, mesmo que empiricamente, o Clientelismo e Patrimonialismo, vê algo errado no seu agir, então, obviamente, encontrará mecanismos para romper com aquilo que é “certo”, porém não gera frutos, brota, assim, o “Jeitinho” brasileiro. Ou seja, ao perceber o falso discurso de imparcialidade e neutralidade na política, e que os discursos servem somente para o favorecimento de grupos já ligados ao governo, o brasileiro tenta agir de forma que não fira a sua prórpia moral, porém contrariando a lei vigente, que muitas vezes, percebe como injusta.

 

[1]. Como o modelo de colonização lançou as bases para a difusão da corrupção, que seguiu encontrando terreno fértil para se manter na esfera pública, alimentada pela falta de punição e pela manutenção de elites no poder. https://g1.globo.com/educacao/noticia/analise-historica-mostra-que-corrupcao-no-brasil-persiste-desde-o-periodo-colonial.ghtml

[2]. Trata-se de um indicador compilado a partir de outros indicadores, todos estes referentes a opiniões de pessoas ligadas a corporações transnacionais (ou que para elas prestam serviços) a respeito do nível de corrupção que elas imaginam vigorar em um país. O índice da TI é expresso na forma de um ranking. A entidade emprega um “grau” (um número de 0 a 10) para exprimir a posição dos países no ranking (ABRAMO, 2005, p. 34).

Tomadas com gambiarras em preto e branco. Escrito Jeitinho brasileiro

Selvagem é o Socialismo

As mentiras são costumeiras e fazem parte do ônus da liberdade, mas sempre levam a erros, principalmente, conceituais. Ouvir que o capitalismo leva a miséria, ou que o acúmulo de riqueza só existe porque há pobres, é senso comum por todos os lados, mesmo essas chamadas sensacionalistas sendo nada mais que um devaneio cheio de incoerência.



NA ERA DA INFORMAÇÃO E DAS PÓS-VERDADES, há inúmeras mentiras que circulam sem qualquer fundamento, somado a isso, a incapacidade dos indivíduos de discernir a respeito dos diferentes assuntos que saltam à tela todos os dias sem cessar.

As mentiras são costumeiras e fazem parte do ônus da liberdade, mas sempre levam a erros, principalmente, conceituais. Ouvir que o capitalismo leva a miséria, ou que o acúmulo de riqueza só existe porque há pobres, é senso comum por todos os lados, mesmo essas chamadas sensacionalistas sendo nada mais que um devaneio cheio de incoerência.

Porém, entre as mentiras mais distante da verdade esta “CAPITALISMO SELVAGEM” termo primeiramente cunhado por k. Marx (1818 – 1883), em O Capital, agora, usam para se referir a grandes corporações mundiais, mas sem qualquer definição plausível, pergunte a alguém o que é capitalismo selvagem, provavelmente ninguém responderá de forma, no mínimo, coerente, ou entrarão em um consenso, ou seja, é uma dessas palavras que esta na boca de todo mundo e ninguém sabe o que é.



Mas o que quero dizer realmente é que selvagem é o socialismo. O socialismo é selvagem quando suprime a liberdade dos indivíduos, quando arranca sua vontade de potência e o joga no meio da turba, é selvagem quando transforma o coletivo em um meio de agressão de forma impiedosa.

Selvageria é dilacerar o espírito dos fortes e dar seu sangue aos incapazes de olhar para si mesmo como indivíduo responsável por si próprio, é selvageria sugar a vontade de conquista, e entrega para aqueles que preferem a calmaria das multidões, o conforto das opiniões simples e do jeito fácil. Para se manter no poder, políticos roubam dos que produzem e entregam como esmola aos que tem medo ou incapacidade de produzir, aos invejosos! Isto é ser selvagem. Selvagem é o coletivismo!

A livre iniciativa é a resposta do indivíduo para com o mundo externo, para criar soluções e facilidades em troca de alguma coisa. Quando ideias socialistas pervertem esse “sentimento” o sujeito se vê preso e restrito aos conluios com os governos ou com as manadas que o cerca. Quanto maior a liberdade, maiores serão as necessidades e maior será a vontade de romper tais necessidades, assim cria-se riqueza – com liberdade!

A liberdade é colocar a prova a moral do Homem. Sem liberdade não há qualquer resquício de moral, se não há escolhas não se pode optar pelo certo ou pelo bem. Só é possível escolher o certo/bem se existir a possibilidade do errado/mal. É a possibilidade de escolha que pode decidir o que é o belo e moral.

O socialismo é imoral porque rouba o primordial, a liberdade. Faz o mundo parecer perigoso, assim, suprime a coragem e faz com que todos vivam como gados.



Não somente os socialistas, mas todos as formas de coletivismo, fizeram os fortes parecerem maus. Quando Jean-Jacques Rousseau (1712 – 1778), escreve em “Discurso da Desigualdade “O primeiro homem que cercou um pedaço de terra e disse que era sua propriedade e encontrou pessoas que acreditaram nele foi o fundador da sociedade civil. Daí vieram muitos crimes, muitas guerras, horrores e assassinatos que poderiam ter sido evitados se alguém tivesse arrancado as cercas e alertado para que ninguém aceitasse este impostor. Não podemos esquecer que os frutos da terra pertencem a todos nós e a terra a ninguém” ou outros coletivistas que falam em emparelhamento dos homens – sempre através do Estado – negam os instintos mais profundos. Ao cercar, os homens estava se protegendo, ao fazer do espaço propriedade separada o obteve o necessário para desenvolverem suas potencialidades, quando os outros viram as possibilidades de troca e ajuda mútua tiveram que desenvolver a moral, o direito, e a justiça. Não existe justiça sem propriedade privada, já a que a ideia  de propriedade é diretamente vinculada a de direito a algo ou alguma coisa, então, a injustiça é a invasão e violação desse direito, como demonstra John Locke (1632 – 1704) e F. A Hayek (1899 – 1992). Depois, dizer que a violência surgiu após a propriedade separa é notável falácia, quando a verdade é justamente ao contrário. A natureza é violenta, e foi justamente a capacidade de respeito mútuo pelos direitos naturais que nos elevou para além da condição de animais.

Os fortes, em qualquer espécie animal sobre a Terra, são os que delimita seu espaço, forjam suas próprias armas, produzem sua própria comida e alimenta sua prole. Forte sabem que o mundo é muito mais deveres do que direitos. O socialismo é selvagem, principalmente porque é coletivista!

Há inúmeros e persistentes erros na interpretação da história, mesmo que a história seja contada de um ponto de vista, é impossível que qualquer pessoa com senso crítico não veja que o capitalismo foi, entre as opções disponíveis a 100 anos, a melhor opção. Poderia, ainda, falar dos mitos da Revolução Industrial, interpretada como escravidão quando, na verdade, foi a emancipação do homem e de sua vida no campo, servindo antigos senhores feudais, desmistificar ideias equivocadas sobre livre mercado e pobreza. entre tantos outros.

Mas, o que desejei mostrar, de forma simples, é que tais discursos são, principalmente, desonestos e vazios. E, novamente, há uma diferença enorme entre informação e instrução.



Processo Revolucionário e a Arte

No começo do século XX com o que é conhecido como “Crise da Consciência Europeia” e, enquanto eclodia a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), foi a primeira vez que a ideia de um Estado como motor para realizar a revolução utópica de “Um mundo sem Capitalismo” apareceu. Para isso os revolucionários precisavam de todos as armas possíveis, físicas ou não, assim, artistas se tornam o elemento de propagação de ideias, novos valores, e uma nova consciência para um novo mundo, que abandona o velho mundo burguês, seus valores, ideias e consciência. Desta forma, uns combatiam liderando a revolução política outros a revolução estética, encontrando uma convergência para criação do novo mundo.



A ideia “Guerra Cultural” não é recente, os mecanismos usados por socialistas são, inclusive, anteriores a Revolução Russa. O que é chamado de “Processo revolucionário” sempre foi uma estratégia de conquista pré-revolucionário, não somente na economia com Leon Trotski (1879 – 1940), por exemplo em “Programa de Transição” de 1936, demostrando, como poderia ser implantado o socialismo de forma gradualista, mas, o Processo Revolucionário, deveria se estender por toda área da vida humana, inclusive, é claro, na arte.

No começo do século XX com o que é conhecido como “Crise da Consciência Europeia” e, enquanto eclodia a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), foi a primeira vez que a ideia de um Estado como motor para realizar a revolução utópica de “Um mundo sem Capitalismo” apareceu. Para isso os revolucionários precisavam de todos as armas possíveis, físicas ou não, assim, artistas se tornam o elemento de propagação de ideias, novos valores, e uma nova consciência para um novo mundo, que abandona o velho mundo burguês, seus valores, ideias e consciência. Desta forma, uns combatiam liderando a revolução política outros a revolução estética, encontrando uma convergência para criação do novo mundo.



Revolução e Cultura. Eram comuns as expressões “Agitação Cultural” e “Construção da Nova Ordem Socialista” tais expressões faziam parte da mesma problemática, Marcos Napolitano (1997) em “Arte e Revolução – Entre o artesanato do sonho e a engenharia da alma” diz que é possível ver na recém-criada União Soviética duas fortes tendências que debatiam na cultura.

Um eram os Formalistas ligados à revista frente de Esquerda da Arte (LEF), que através de nomes como Isaac Babel e Meyerhold influenciavam o cinema. O outro eram os “proletkult” um movimento de 1904 criado por Bogdanov que buscava uma arte proletária, para se diferenciar da “arte burguesa”.

Dentro deste contexto revolucionário, e ao longo do século XX, outra corrente alinhada ao partido surge, ganha força rejeitando tanto os revolucionários (LEF), como os que desejavam romper com a herança cultural burguesa, os Naturalistas, ligados ao naturalismo social de 1890 e as ideias de Gueorgui Plekhanov (1856 – 1918), entre outros diversos artistas revolucionários.

Havia, ainda, um Comissário de Instrução A. V. Lunatcharski (1875 – 1933), dramaturgo e crítico literário, alinhado ao proletkult, que coodernava as frentes de esforço na “Guerra Cultural”.

Óbivio que, mesmo com as contradições e conflitos entre o movimento cultural e o partido, sempre estiveram alinhados, inclusive em períodos anteriores a revolução. Desta forma, a arte tornou-se objetiva! A busca pela verdade, o Belo, e o Sublime desapareceu, dando lugar ao Reformismo Revolucinário.