MENTIR é lucrativo



Personagem frente a notebbok com notas de dinheiro saindo da tela.

Todos os dias há um boato novo. Alguém famoso que morreu ou está muito doente. Especulações financeiras e políticas. Tudo em nome da visualização. Blogueiros e palpiteiros de rede sociais nem se dão ao trabalho de verificar as notícias que jogam para seu público ansioso pelo último e mais recente boato. Assim ganham não somente os difusores de mentiras, mas também aqueles que se aproveitam dos difusores de mentiras para ganhar dinheiro.

Há buracos na mídia iterativa, blogs e redes sociais, são muito veloz para dar furos, ou tentativas de furos, precisa desesperadamente de histórias, desta forma, caem fácil em mentiras criadas por usuários.



Há alguns anos um rapaz publicou brincando no site iReport, plataforma online da CNN, que uma fonte segura afirmou que Steve Jobs sofreu um ataque cardíaco. Havia sido a primeira e única mensagem deste usuário. Claro, era obviamente um bait. Apesar de parecer uma simples brincadeira o Silicon Alley Insider mordeu a isca e publicou como notícia verdadeira, vinte e cinco minutos e as ações da Apple estavam em queda livre até que, a empresa, negasse toda a história. Quem ganhou com isso? Quem comprou as ações da Applle! [1].

Boatos econômicos surgem a todo momento. É fácil criar comunicados falsos e ninguém ser responsabilizado. Veja outro caso:

“Foi assim com Lambro Ballas, corretor de ações de Nova York: ele foi acusado pela Comissão de Valores Mobiliários de fazer falsos comunicados de imprensa online a respeito de ações de empresas como Google, Disney e Microsoft e enviá-los a blogs e fóruns sobre finanças. Com a notícia falsa de uma oferta de aquisição supostamente feita pela Microsoft, as ações da Local.com subiram 75 por cento em um dia”

de Ryan Holiday (1987), em seu livro “Acredite, Estou Mentindo – Confissões de um Manipulador das Mídias”.

Imagina o que pode ser feito por políticos com vontade de poder!

Hoje, as informações, circulam em velocidade não em confiabilidade, o que torna cada vez mais difícil discernir sobre a verdade ou sobre o que é verdadeiro, além, claro, do agravante – mentiras são lucrativas! [1]

Muitos dos problemas com as fakenews se deve a velocidade e a quantidade de informação disponibilizada em anonimato, tempo é dinheiro e verificar informações ou “dar a cara a tapa” é caro. É mais fácil publicar e, quem sabe, depois se retratar, mesmo que as retratações não tenham o mesmo efeito da notícia anterior.

Antigamente, com um número menor de jornalistas, a delegação de confiança era mais simples, ao noticiar algo era possível descobrir quem deu o furo, em qual agencia e, principalmente, se era confiável. Coisa difícil hoje em dia.

NÃO ESTOU DEFENDENDO REGULAÇÃO DA MÍDIA, já deixei claro que a checagem é de responsabilidade individual, [2] e que mentiras são o ônus da liberdade [2]. Inclusive como deveríamos agir, [3] com cuidado, e com ceticismo, é claro!

[1]. ÓDIO GERA LUCRO! Ou você acha que a tua opinião importa?

[2]. INFORMAÇÃO E RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL – A Saída da Menoridade Intelectual

[3]. MANIPULAÇÃO DAS MÍDIAS – COMO AGIR?



ÓDIO GERA LUCRO! Ou você acha que a tua opinião importa?

 

Homem todo de preto e máscara tem uma vara com anzol frente a um notebook outro homem esta acessando a internet.

As mídias sociais, como dizem alguns: deu voz aos idiotas! Verdade, em parte, claro, porque a democracia sempre desejou a voz dos idiotas. E o capitalismo – depois de 1914 com a entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial, derrubando monarquias e abrindo espaço para Republicas Democráticas – conseguiu aumentar a capacidade tecnológica de comunicação mundial. Aumento da democracia e a ingenuidade de achar que o povo é a voz da razão junto a capacidade do capitalismo de expansão tecnológica multiplicou a capacidade de disseminação de idiotices!



Platão (428 a.C – 347 a.C) dizia que a democracia é retórica e demagógica. [1] Ou seja, é fácil manipular a opinião das massas, basta conhecer os mecanismos. [2]

Agora, a junção entre democracia e um sofisticado sistema de preços pela opinião e atenção do cliente transformou o mundo contemporâneo em lugar onde o importante é ser visto, ou “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”.

O capitalismo fez com que as pessoas acreditem que suas opiniões têm valor, quando, na verdade, têm, somente, o preço do anunciante. E, os preços, não são dados ao que é importante ou, pelo menos relevante nos assuntos, mas, simplesmente, porque foram manifestos. O que torna, cada vez mais, as redes sociais e blogs improdutivos.

O dinheiro está nos cliques não no conteúdo. Então ao transformar tudo em polêmica sobe a audiência. A opinião não importa, o que importa é a manifestação da opinião! Então, criar postagens que irritam o público é muito mais lucrativo do que criar postagens com conteúdo que deixem as pessoas pensativas e em silêncio. Ou seja, instigar a irritabilidade através de polarizações aumenta a lucratividade. No fim, as opiniões não mudaram em nada os editoriais, por isso são improdutivas, e apenas elevaram os lucros das empresas de notícias.



Fuja de palpiteiros, todos ganham dinheiro para irritar você!

No brasil, muitos blogueiros ganham dinheiro através de polêmicas que, inclusive, fizeram a ascensão de candidatos à presidência da república. Se aproveitam da impulsividade típica de ser contrariado para criar visualizações.

Quando jornalistas palpiteiros atiçam você, ou pede tua opinião, ele está usando a tua indignação para movimentar a conta bancária dele. Ele realmente não se importa com a opinião, muitos não têm tempo para ver ou responder comentários, na verdade eles se importam é com a manifestação da sua indignação a através de comentários nas páginas de redes sociais ou blogs. Dessa forma, criam engajamento, ganham views e bastante dinheiro.

[1]. Informação e responsabilidade Individual, a Saída da Menoridade intelectual. http://diariumfilosofico.com/filosofia-pratica/informacao-e-responsabilidade-individual-a-saida-de-menoridade-intelectual/

[2]. Manipulação das Mídias, como agir? http://diariumfilosofico.com/filosofia-politica/manipulacao-das-midias-como-agir/



MANIPULAÇÃO DAS MÍDIAS – COMO AGIR?

Ícones de diversas redes sociais. Facebook, Instagram, Twitter, Google plus, etc.

A grande maioria das pessoas não entende como suas próprias ideias chegaram em sua cabeça. Não compreende como são influenciadas através de mídias sociais. não compreendem que tudo que acontece Off-line começou On-line!

Não à toa, todos os anos é publicado no Facebook 3,3 milhões de post, no Instagram 50.000 posts, enquanto no Twiiter 400.000 posts em contagem por minuto [1]. PRODUZIMOS MAIS DO QUE PODEMOS CONSUMIR? Não necessariamente! A quantidade de ideologia produzida parece muito mais uma guerra de narrativas do que propriamente conteúdo. E ideologia não ensina. Ideologia é doutrina!



A nova mídia, e a nova economia na Era digital, são movidas por cliques. Quanto maior o número de cliques, entradas no site ou blog, maiores são os ganhos. Então, as chamadas sensacionalistas, são elaboradas para isso. E, como os seres humanos, sempre foram movidos por impulsos, caem, ou melhor, clicam naquilo que mais chama a sua atenção. Aumentando, assim, a monetização, que aumenta o sensacionalismo que aumenta a curiosidade que aumenta, novamente, a monetização.

Desta forma, há inúmeras maneiras de manipular a opinião pública, vender produtos ou, até mesmo, candidatos. O escritor Ryan Holiday (1987), em seu livro “Acredite, Estou Mentindo – Confissões de um Manipulador das Mídias” descreve e mostra como é fácil manipular grupos inteiros de ativistas, faz isso criando controvérsias e ódio. E ódio gera cliques, e cliques geram cada vez mais repercussão que geram mais cliques.

Ao promover um filme, por exemplo, vandalizou os próprios cartazes que havia mandado fazer, assim com alguns e-mails anônimos, criou euforia controversa entorno do filme, depois deixou que os movimentos feministas fizessem o trabalho com “boicotes” e manifestações. O filme não era controverso, e depois de alguns anos, passado o calor do momento, todos perceberam que se tratava de algo arranjado, e manipulado, para criar polêmica em torno do filme, deu certo,

“Tucker Max se tornava cada vez mais famoso e controverso”

palavras do escritor. Ou seja, conte uma mentira até ela se tornar verdade, ou quem sabe, só vender o que deseja.

Explorar a percepção das pessoas para vender produtos – pessoas e ideias também são produtos – é muito fácil, com as técnicas certas, objetivos definidos e conhecendo bem as mídias.

As mentiras e as FakeNews poderiam facilmente serem desmascaradas – e é para isso que a liberdade de impressa serve – mas, se as pessoas desconfiassem daquilo que acreditam não cairiam tão facilmente em conto do vigário On-line.

Um pouco de ceticismo, no sentido filosófico, conservadorismo político, e pessimismo com a natureza humana evitariam muitas dores de cabeça. Porém, o que mais vejo, é gente tentando confirmar aquilo que elas já acreditam, através de notícias – e isso é um prato cheio para os manipuladores da mídia!

[1]. Os Números Retirados do Site DIGITAL MARKET – ASIA.  http://www.digitalmarket.asia/solving-internets-tmi-much-information-problem/



O NOVO SOCIALISMO – A BOBAGEM PERIGOSA DE SEMPRE

Socialismo utópico
Imagem Preto e Branco com a foto dos três nomes mais conhecidos do socialismo utópico Saint-Simon ,Robert Owen, Charles Fourier.

Os primeiros socialistas, conhecidos como Socialistas Utópicos – assim chamados porque, apesar de fazerem críticas ao capitalismo não apresentavam qualquer solução, ou proposta, mas, como até hoje, acreditavam em uma “sociedade ideal”, eram pacifistas, desejam mudanças graduais com, inclusive, ajuda burguesa.

Desta origem, nasceram os Socialistas Científicos ou Marxistas – que não necessariamente baseiam-se em Karl Marx – o objetivo era compreender a dinâmica do capitalismo. É científico porque as análises são feitas do ponto de vista histórico e filosófico.

Desta forma, partindo da compreensão dialética histórica, é o fim do pacifismo, anteriormente imaginado, já que passam a entender que o controle dos meus de produção não acontecerá de forma espontânea, então, inspirados nos jacobinismos, sem o viés republicano, teoriza-se a VIOLÊNCIA REVOLUCIONÁRIA [1].

Entre as diversas críticas dos conservadores aos socialistas esta que os socialistas nunca definiram nada [2]. Seus pensamentos são sempre abstratos e indefinidos. Ou seja, acabam por usar palavras abstratas para mexer com os sentimentos dos mais simples e desavisados. Incapazes de perceber que palavras aleatórias na concretizam-se pelo simples fato de serem invocadas com entusiasmo. [3] E nem se meia dúzia de burocratas decidirem escrever em um pedaço de papel o que é justo e o que não é.

Em “Fatos e Falácias da Economia” Thomas Sowell (1930) escreve:

“(…)“Justo” é uma dessas palavras indefinidas que já atraíram apoio para políticas públicas que variam de leis de Comércio Justo até a Lei dos Padrões Justos de Trabalho. Essa indefinição é uma desvantagem intelectual, mas representa uma imensa vantagem política.”

Isso quer dizer, pessoas totalmente diferentes umas das outras, ou que desejam políticas públicas distintas daquelas as quais os candidatos desejam implementar, sejam induzidas a acreditar nas palavras. São enganadas através de discursos efusivos. Claro, ninguém é a favor de injustiças. Assim, os discursos podem seguir com palavras indecifráveis “igualdade”, “liberdade” e etc. e, ninguém será contra, mesmo que as definições de igualdade e liberdade sejam diferentes de quem fala daquela de quem ouve. O mesmo ocorre em qualquer categoria, que seria contra saúde, segurança e educação para todos?

[1]. Origem da Violência Revolucionária

[2]. Aviso aos socialistas: é impossível argumentar contra o histórico 100% fracassado do socialismo

[3] Politicamente Correto, O Problema da Linguagem. A LINGUAGEM não é nada mais que uma máscara das ideias.

INFORMAÇÃO E RESPONSABILIDADE INDIVIDUAL – A Saída da Menoridade Intelectual

 

Rosto de Noam Chomsky sobre o fundo preto com a frase “How it is we have so much information, but know so little?”
― Noam Chomsky

Desde a primeira fase do expansionismo mercantilista – considerado começo da integração capitalismo/globalização – tenta-se criar um sistema que possibilitasse trocas comerciais em nível global. Com a informação não é diferente. Informação também é comércio. Talvez por isso há tanta FakeNews, uma tentativa de moldar a opinião pública momentaneamente, pois são mentiras rápidas, fáceis de serem desmascaradas.

Porém, as mentiras fazem parte do ônus da liberdade. John Stuart Mill (1806 – 1873) parece que acertou quando diz que as mentiras devem ser permitidas, dessa forma saberemos, ao confrontá-las, o que é verdade. Afinal, sem confrontar as mentiras como chegar as verdades?



Mas na velocidade que a informação nos chega hoje nota-se claramente que é impossível absorver tudo que é mostrado todos os dias.

Por exemplo:

“A notícia do assassinato do presidente norte-americano Abraham Lincoln, em 1865, levou 13 dias para cruzar o Atlântico e chegar à Europa. A queda da Bolsa de Valores de Hong Kong (outubro-novembro/97), levou 13 segundos para cair como um raio sobre São Paulo e Tóquio, Nova York e Tel Aviv, Buenos Aires e Frankfurt. Eis ao vivo e em cores, a globalização” (Clóvis Rossi – do Conselho Editorial – Folha de São Paulo). [2]

Mas, somente informação não é suficiente, é necessário a instrução – capacidade de discernir sobre aquilo a que está exposto – saber o que fazer com o conhecimento para não cair nas garras de charlatões da mídia. Schopenhauer (1788 – 1860) em “Arte de Escrever” faz uma diferenciação entre informação e Instrução [1]. Informação está ao alcance de todos, hoje – acredito que sempre foi assim, apesar de proporcionalmente diferente – é necessário saber selecionar e trabalhar com a cascata de informações que chegam a todo momento em nossa TimeLine.

A principal função é instruir-se para lidar com a informação, como Immanuel Kant (1724 – 1804) diz a saída da menoridade intelectual é de responsabilidade pessoal. Perceber o que é informação de qualidade e/ou verdadeira do que é mera especulação.



É compreensível que a  democracia [3], para além de seus valores atuais, tornou os julgamentos turvos. Ou, como preferem alguns: os sofistas venceram! [4]. Na sociedade moderna, o controle foi substituído pelo convencimento e pela participação ou representatividade, o que evita desconfiança no sistema.

Ao afirmar que os homens são a medida de todas as coisas eliminam a possibilidade de busca pela verdade. Logo, cada um com sua própria verdade precisa de representatividade democrática. Impedindo, quem sabe, a maioridade intelectual. Os reflexos mais claros são a irresponsabilidade sobre o que fala e a incapacidade de quem ouve de discernir sobre o que está sendo dito. O simples fato de alguém dizer aquilo que o sujeito quer ouvir elimina a possibilidade de questionar se, o que está sendo dito, é verdade ou mentira.

A democracia, segundo Platão (428/427 – 348/347) é retórica, argumentativa e demagógica. Com toda razão. O que me leva a pensar sobre a necessidade da responsabilidade individual sobre aquilo que falamos e acreditamos pessoalmente.



Sair da bolha, dito do pensamento contemporâneo, liberdade de pensamento como fala Stuart Mill, discernir entre informação e instrução como em Schopenhauer, ou sair da Menoridade Intelectual a expressão Kantiana, é, basicamente – desprezar a massa! Ou seja, faz parte da busca de aprendizado constante conhecer si mesmo, a própria intelectualidade e, principalmente, ser indivíduo na turbulência do povo.

 [1] Informação é diferente de Instrução

[2] Globalização diminui as distâncias e lança o mundo na era da incerteza

[3] Democracia, antiga e moderna, diferenças fundamentais.

[4] A vitória Sofista, Luis F. Pondé – na Folha



 

PRIVACIDADE, LIBERDADE, DIREITOS INDIVIDUAIS e as Contradições Contemporâneas

Homem sentado frente ao computador, frente a tela. O monitor é transformado em uma luneta. Há um homem observando a luneta.

Para os Antigos Gregos [1] liberdade era permanecer junto à comunidade. Ideias de direitos individuais seriam estranhos ao povo grego, tão coletivistas. Acostumados e educados a viver para o outro. Enquanto, o povo moderno, vê e sente liberdade do ponto de vista dos indivíduos, dos direitos individuais e, principalmente, sem as aparências de opressão. Porém, o curioso é, OS MODERNOS, RARAMENTE QUESTIONAM A INVASÃO DE PRIVACIDADE.



Entre 1933 e 1945 existiu na Alemanha NAZISTA a GESTAPO, [2] abreviação para Geheime Staatspolizei – a Polícia Secreta do Estado – organização que investigava a população sob o pretexto e baseada no DECRETO PARA A PROTEÇÃO DO POVO E DO ESTADO. Basicamente o texto/decreto restringia os direitos civis, liberdade de expressão e de impressa. Era um aparato estatal de controle e fiscalização da população, e, assim, invadir a privacidade, acabar com liberdade e coletivizar a população. Mecanismo útil no avanço do totalitarismo de Hitler.

Avançamos em liberdades individuais e direitos civis, aos trancos, claro, a própria ideia de democracia traz alguns conceitos inexistentes noutros tempos [1]. Porém, em um mundo cada vez mais virtual, parece causar estranheza questionar a falta de privacidade. Uma população cada vez mais temerosa com a violência cotidiana, se sente segura em mostrar onde esta a todo momento. Eis uma, entre as diversas, contradições. Contradição que transforma a população em uma presa fácil para ditadores em potencial.



Todos os dias a privacidade é invadida, através de mecanismos mercadológicos, é verdade. Mas, ao mesmo tempo, a população entrega seus dados deliberadamente e, sem pudor, nos mercados em troca de pontos, ou alguns trocados na nota fiscal, comprovantes de renda e residência entregues em lojas e em compras na internet, entre tantos outros processos de compra e venda no mercado. Desta forma, deixam, não somente as empresas, mas o Estado informados de tudo o que estão fazendo.

E, ainda, os dados são expostos, vendidos e compartilhados entre empresas de diversos ramos e segmentos, e o próprio Estado, sabem qual seu perfil de consumidor e qual o poder de compra.

Os usuários expõem seus dados a todo tempo e não se dão conta que o Google, por exemplo sabe onde eles estão, com quem estão, onde trabalham, o que comem, onde moram, a que horas chegam em casa, quanto recebem de salário, com o que gastam o salário, etc. um sistema de informação, e controle tão eficiente que alguém como Hitler ficaria satisfeito em ter.



Um controle sobre tudo e sobre todos. Tão perfeito que até mesmo questionar a necessidade de privacidade parece loucura.

Ou como Aldous Huxley (1894 – 1963)

“A ditadura perfeita terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão.”

[1]. O Conceito de indivíduos era estranho aos antigos gregos. Na antiguidade o coletivo é tido como anterior a indivíduo. VEJA MAIS

[2]. SOBRE A GESTAPO



DEMOCRACIA Antiga e Moderna – Diferenças Fundamentais



Quadro de Philipp Von Foltz. Péricles, O Grande líder ateniense no Século V a.C. É possível ver a Acrópole de Atenas. Apesar de representar a presença de mulheres e escravos, a pintura é considerada fiel.

A DEMOCRACIA NA PÓLIS tem sido importante estímulo no pensamento moderno devido a seus ideais de liberdade, igualdade e respeito às leis. No entanto, há na democracia moderna um distanciamento considerável na sua concepção e na sua forma. Ou seja, mesmo que tenhamos guardados seus ideais, suas características são distintas.

Ao falarmos de democracia estamos sob axiomas diferentes. Princípios desconhecidos para os antigos cidadãos gregos. Hoje, tenta-se um sistema representativo, de Estado constitucional e, principalmente, das garantias das liberdades individuais. E isto mostra que as semelhanças são pouquíssimas.



DIFERENÇAS FUNDAMENTAIS

A CONCEPÇÃO MODERNA DE INDIVÍDUO conforme a qual as relações sociais são realizadas entre diversos indivíduos, que esculpem a sociedade de acordo com os seus interesses. Concepção divergente da antiga Grécia, onde o coletivo é anterior ao indivíduo, ou seja, na antiguidade a sociedade tem suas próprias leis independente da vontade individual.

Na democracia moderna os seres humanos são seres particulares com interesses particulares e necessidades próprias com valor na constituição das instituições sociais. Enquanto para os antigos a comunidade se opõe aos indivíduos, ou seja, na democracia antiga, a virtude esta em subordinar os interesses pessoais em favor dos direitos coletivos. À medida que para os modernos às intuições públicas devem respeitar os interesses individuais. É justamente o oposto.

A democracia moderna é a afirmação do indivíduo em torno de seus interesses privados.

Em “DA LIBERDADE DOS ANTIGOS COMPARADA À DOS MODERNOS” de Benjamin Constant (1767-1830), traz à tona que, para os antigos, liberdade era distribuir poder e participação coletiva, enquanto para os modernos liberdade é segurança na esfera privada e individual.

O que B. Constant deseja colocar é que os antigos não conheceram nenhuma forma de independência ou vontade individual. O coletivo absorvia o indivíduo constantemente. Ou seja, não estavam acostumados com ideias de espaço privado ou livre arbítrio. Os homens só eram plenos dentro da comunidade, do coletivo, dentro da pólis.

Da mesma forma que indica Hannah Arendt (1906 – 1975) em “A CONDIÇÃO HUMANA”, na Grécia antiga LIBERDADE É UM CONCEITO POLÍTICO.



PARA OS GREGOS o que era particular e próprio do indivíduo estava restrito a vida doméstica, educação das crianças, convívio com familiares e práticas religiosas. A experiência do “eu” era orientada de forma diferente da concepção moderna. Não existia a “consciência de si mesmo” de “interioridade”. Os homens eram educados para exterioridade, para a pólis, para o coletivo. Desta forma fica evidente o distanciamento da ideia moderna democracia, já que o privado tem outro significado, e o indivíduo é singular e autodeterminado, afirmando sempre autonomia e escolhas.

A CONCEPÇÃO MODERNA DE INDIVÍDUO foi lenta, e não há um pensador ou um evento específico de origem. Começando desde Nominalismo Medieval, passando por Renascimento e a Reforma, ganha força no Jusnaturalismo do século XVII e XVIII e, finalmente, se torna um sistema no liberalismo.

Em SOBRE A LIBERDADE John Stuart Mill (1806 – 1873), define liberdade como a situação onde ninguém deve ser constrangido a fazer aquilo que não deseja, e não pode ser impedido de buscar aquilo que deseja, só encontrando limite na liberdade do outro. Ou seja, uma liberdade democrática é a possibilidade de cada indivíduo conviver com diversas opiniões e interesses, abrindo assim espaço para as diferentes forças políticas.

Então, mesmo que os gregos tenham valorizado o livre debate entre os considerados cidadãos, independentemente da posição social ou econômica, ou seja, valorizando as diferenças e as divergências nos assuntos públicos a condição coletivista gerou poder centralizado – a assembleia soberana dos cidadãos. Desta forma, a democracia grega antiga é um poder monolítico enquanto a concepção moderna conquistou um sistema pluripartidário, onde diferentes grupos interagem e contrapõem pela conquista temporária do governo. Pode-se entender a democracia moderna como pluralista.



A IGUALDADE POLÍTICA, ou seja, poder igual para todos está muito distante da realidade política dos antigos gregos. A democracia participativa na Grécia não era para todos. Somente eram considerados cidadãos os homens maiores de 18 anos, desta forma, eram excluídos mulheres, escravos e estrangeiros e seus descendentes – conhecidos como os Metecos.

É somente na idade moderna que cidadania recebe a dimensão universal, com o domínio público estendido a todos. E, foi nos séculos XVIII e XIX que se ampliou os direitos individuais e de cidadania.



Outro ponto importante é o CONSTITUCIONALISMO, não foram os modernos que criaram um sistema constitucional, na forma de garantir direitos individuais e distribuir poderes de modo que não haja poder absoluto.

Mas, mesmo que os gregos famosos, como Platão e Aristóteles tenham defendido o governo das leis, defendendo a submissão de todos, tanto governantes como governados, ou seja, obediência as leis como uma condição de estabilidade e ordem política. Esta forma moderna de constitucionalismo (direitos individuais e distribuição de poder) era desconhecida pelos gregos, e, também desconhecido o dever do governo de proteger as liberdades individuais e a distinção entre as funções dos poderes – executivo, legislativo e judiciário.



Foi o Jusnaturalismo que destacou que todos os homens têm direitos fundamentais intrínsecos por sua condição humana como direito à vida, à segurança, à liberdade, direitos que não podem ser violados. E ao estado cabe respeitar, garantir e proteger esses direitos.

Locke [1], Montesquieu e I. Kant entre outros, que encorparam um sistema capaz de impedir a perpetuação do poder absoluto e dar garantias aos indivíduos.



Na noção de CORPO REPRESENTATIVO, o Estado moderno pouco tem da antiga politéia. Os antigos um corpo representativo dedicado ao autogoverno, enquanto hoje o que marca a sociedade moderna é um Estado impessoal.

Para os antigos, o Estado era uma comunidade, koinomia, ou seja, só eram considerados cidadãos aqueles que participavam ativamente, de forma contínua e direta nas decisões públicas. O polítes passava sua vida inteira dedicado a governar.

No processo representativo moderno as decisões não são tomadas pelo coletivo, mas, são próprias da administração pública. Para os modernos o direito do cidadão não é o de governar, mas, sim o de autorizar alguém a governar. E, principalmente de não ficar à mercê de decisões arbitrarias dos governantes. 

Para os antigos gregos diferenciar Estado de sociedade, cidadão de governo e representantes de representados era algo desconhecido e insólito. 

Já, para a o homem moderno a questão é ser governado sem perder a liberdade individual. Ser governado sem ser oprimido. E isso mostra que há pouquíssimas semelhanças com a antiga ideia de “autogoverno” da demokratia grega. 

Desta forma, pode-se dizer que a democracia representativa moderna somente apresentou seus primeiros traços entre os séculos XVIII e XIX, se fortaleceu nos últimos cem anos com a possibilidade de um número maior de indivíduos na política, com individualismo, constitucionalismo e representação.

[1]. Em busca da liberdade John Locke pensa em uma forma de poder cada vez mais plural, em busca do indivíduo. Veja Mais http://diariumfilosofico.com/sobre-a-liberdade/os-fundamentos-do-governo-em-john-locke/





O PRÍNCIPE de MAQUIAVEL – O Que saber antes de ler



A obra de Nicolau Maquiavel (1469 – 1527) é defina como uma nova perspectiva sobre política, ou seja, é um pensamento diferente do até então modo de pensar e fazer política. Assim, o livro é expresso por diversas vezes com frases como “observando-se pela experiência”, “na realidade” e com diversas citações históricas, tanto antigos príncipes como aqueles próprios de sua época, analisando a psicologia humana e citando particularidades. Nasce, então, o que é conhecido como realismo político, ou seja, falar de questões política como elas realmente são, e não como deveriam ser. O príncipe de Maquiavel, foi escrito dentro da literária de conselhos aos governantes, ou Specula Principes, gênero que dizia aos governantes como deveriam agir, com referência nos valores cristãos, porém, cria um novo olhar na abordagem política, observando o presente e buscando referência no passado.



Niccolo Machiavelli

BIOGRAFIA. Como visto, N. Maquiavel, baseou-se na realidade que o cercava para escrever seu livro, então, quem era Nicolau Maquiavel? Nascido em Firenze, atual Florença, na Itália em 1469. Em uma família não abastada, porém possuíam algumas terras. Criado em ambiente culto, o pai tinha um certo gosto por estudos literários e históricos. Estudou, também aritmética, latim, e leu os principais autores latinos. Iniciou a carreira pública aos 29 anos como diplomata na Segunda Chancelaria, responsável por tratar de negócios internos e externos relacionados à guerra, sendo, por diversas vezes, negociador e mediador, além, é claro, de tratar dos relacionamentos entre Florença e outros principados e ou repúblicas. Foram essas funções que deram enorme material histórico e político que compõe a espinha dorsal de toda sua obra.



O RENACIMENTO, época em que os renascentistas, redescobrem uma dimensão política deixada de lado pelos antigos medievais. Medievais colocaram a contemplação acima da razão. Ou seja, para os renascentistas era necessário colocar valor à vida ativa. Valores àqueles que, realmente operam na pólis, os que fazem política.

Maquiavel acredita na ação. Entendia política de modo prático, e a caracterizava como algo inerente ao humano. Para ele, era necessário atuar como se pudesse lidar com todas as possibilidades. Não era um pensamento anticristão, mas um pensamento laico, ou seja, um distanciamento das doutrinas políticas defendidas na Idade Média.

O filosofo, apesar de ser o herdeiro das tradições humanistas, era também um crítico, julgava que os humanistas anteriores não conceberam uma teoria plausível de analisar e compreender a política. Foi um crítico também dos antigos gregos, principalmente Platão, pois, este acreditava na possibilidade de construção pela razão, pelo logos, ou seja, uma forma ideal de governo criado através da razão, através de um modelo regulador, ou um guia, mesmo que distante da realidade.



Uma QUESTÕES IMPORTANTE, para Maquiavel, é que a aplicação de conjunto de valores à política nem sempre promove os efeitos desejados. E, na maioria das vezes, leva os governantes ao fracasso. Isso quer dizer que, um conjunto de valores tomados como bons, na esfera moral, ou uma tradição, se aplicado fora do campo para o qual foram pensados, trará o fracasso ao governante. Ou seja, é preciso pensar em política de forma autônoma, onde os valores não se aplicam ipsis litteris. A política tem seus próprios mecanismo para ser investigada, e Maquiavel busca esses mecanismos, mas para achá-los não há como manter-se fixo a valores cristãos.



COMO A NATUREZA HUMANA DE SER PENSADA QUANDO PENSAMOS A POLÍTICA? Segundo Maquiavel, os homens, de modo geral, observando a realidade, são maus, ingratos, volúveis, simulados, gananciosos, diferente da doutrina cristão onde o Homem tende a ser bom, e deve seguir esta tendência. Assim, é mais sensato pensar política de uma perspectiva negativa.

Maquiavel não esta dizendo que política não precisa de ética ou que políticos não possam ser éticos, mas que são coisas diferentes se comunicando constantemente. Ou seja, mostra a existência de inúmeras possibilidades e não somente uma única fórmula. O filósofo torna a política mais complexa ou invés de simplificar. Nada é absoluto em política. A vida é a soma de imaginação, desejos, valores, é preciso abandonar o IDEAL e olhar para la verittà effettuale dele cose, a VERDADE efetiva das coisas. Assim, Maquiavel se distancia das tradições do Espelho dos Príncipes e do modelo clássico de Estado Ideal.



Em O Príncipe, capítulo XV, Maquiavel apresenta a ideia de que o governante deve ser realista, ou seja, ver política como ela realmente é e não como imagina que seja. Assim, “Todavia, como é meu intento escrever coisa útil para os que se interessarem, pareceu-me mais conveniente procurar a verdade pelo efeito das coisas, do que pelo que delas se possa imaginar. E muita gente imaginou repúblicas e principados que nunca se viram nem jamais foram reconhecidos como verdadeiros. Vai tanta diferença como se vive e como se deveria viver. ”, argumenta que há uma distância entre a maneira em que vivemos e aquela que deveríamos viver.

Como a perfeição não é uma característica própria dos seres humanos, nem é possível reunir em si todas as virtudes, é preciso prudência par evitar escândalos e assim, praticar qualidades essências para continuar no poder. Não deve se preocupar com vícios que não podem salvar o Estado, e, dependendo, algumas virtudes podem levar à ruína.

O filósofo desmontou os valores, mostrando que não são universais, ou melhor, não podem ser aplicados universalmente a condições específicas. Circunstancias particulares necessitam de outros valores.



No capítulo XVII, mostra que é melhor ser temido do que amado quando diz:

“E os homens hesitam menos em ofender aos que se fazem amar do que aos que se fazem temer, porque o amor é mantido por um vínculo de obrigação, o qual devido a serem os homens pérfidos, é rompido sempre que lhes aprouver, ao passo que o temor que se infunde é alimentado pelo receio de castigo, que é um sentimento que não se abandona nunca. Deve, portanto, o príncipe fazer-se temer de maneira que, se não se fizer amado, pelo menos evite o ódio, pois é fácil ser ao mesmo temido e não odiado […]”.

SER E PARECER é a abordagem de Maquiavel no capítulo XVIII. A questão dos símbolos e das imagens que são fundamentais na política. Nenhum homem pode possuir todas as virtudes, então precisa equilibrar entre o SER e o PARECER SER. O príncipe não precisa ter todas as virtudes mas precisa parecer ter todas as virtudes.

“É que os homens, em geral, julgam mais pelos olhos do que pelas mãos, pois todos podem ver, mas poucos são os que sabem sentir. Todos vêem o que tu pareces, mas poucos o que és realmente, e estes poucos não têm a audácia de contrariar a opinião dos que têm por si a majestade do Estado”.

Como já dito, dependendo conjuntura, virtudes podem se tornar vícios.

FORTUNA, É OUTRO CONCEITO IMPORTANTE. Fortuna é a deusa romana, instável e imprevisível, e pode ser a portadora do bem ou do mal, ou seja, a sorte, ou o acaso, não podem ser controlados, cabe aos governantes estar preparado para quando a deusa der as caras.

A argumentação do autor é que o mundo é governado pela sorte ou acaso, ou seja, não há garantias que as coisas saíram como planejadas, ou sempre do mesmo jeito, há sempre mudanças, alterações e modificações constantes nas manifestações políticas.

Então, aos que desejam fazer política, é preciso deixar a fortuna governe em alguns momentos. Maquiavel acredita que a fortuna é responsável por, pelo menos, metade das ações humanas, e somente a outra metade é possível controlar. A fortuna é como um rio que por onde passa destrói tudo.



PARA DOMINAR A FORTUNA É NECESSÁRIO VIRTÚ que, para Maquiavel não é o mesmo que virtude. Virtú pode ser traduzida como a capacidade de ação do agente político de conseguir lidar com as circunstâncias. É a competência de se contrapor à fortuna.

Não existe cálculo ou probabilidade que consiga englobar todas as possibilidades do mundo, ou seja, há incerteza, ambiguidades inimagináveis e incontroláveis, a fortuna. Na presença da realidade, há uma tensão entre a Virtú e a fortuna. Ou seja, a fortuna não pode simplesmente ser eliminada, então, também não é possível uma ciência positiva da política.

Assim, afirma Maquiavel:

“Estou convencido de que é melhor ser impetuoso do que circunspecto, porque a sorte é mulher e, para dominá-la, é preciso […] contrariá-la. E é geralmente reconhecido que ela se deixa dominar mais por estes do que por aqueles que procedem friamente. A sorte, como mulher, é sempre amiga dos jovens, porque são menos circunspectos, mais ferozes e com maior audácia a dominam”.



CONCLUSÃO, no pensamento de Maquiavel os governantes são alertados a darem valor a vida ativa, valor àqueles que agem na cidade, que fazem política. Com seu realismo político rompe com o idealismo platônico e com os valores cristãos dentro da política, já que nem sempre valores fixos na política traz os efeitos desejados, e, consequentemente, pode levar o governo a falência.

Não se pode pensar em política como ambiente de valores aplicados literalmente. Alguns valores tomados como bons, que fazem parte da tradição ou da moral podem levar a ruína, se levados a um domínio para o qual não foram pensados.

REFERÊNCIAS:

MEGALE, Januário. O Príncipe: Roteiro de Leitura. São Paulo: Ática,1993.MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. São Paulo: Golden Book, 2008



E SE CUBA ABANDONASSE O SOCIALISMO?

Mesmo depois do fim do socialismo as feridas causadas perduram por muitos anos.



E SE CUBA CONSEGUISSE SAIR DAS AMARRAS de uma economia planificada? Existiria, realmente, uma possibilidade de crescimento a curto prazo? 

Essas são algumas das perguntas que sempre ouço, e, inclusive, vi matérias a respeito em revistas de circulação nacional. E SE….? 

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Bandeira de Cuba

Houve em 2008 [1] a notícia “Cuba diz ter 20 bilhões de barris de petróleo em alto-mar” Houve, inclusive especulações [2]. Em 2015 “Cuba pode se tornar uma potência em minério e petróleo? ” especulava o jornal. Porém em 2016 “Cuba pede petróleo à Rússia por problemas com fornecimento” devido problemas enfrentados pela Venezuela.[3]

Dito isto, as notícias mostram que mesmo que existisse 20 bilhões de barris, como anunciado, em Cuba não faria grande diferença, apesar de toda histeria em volta disso, e do artigo delirante do Alexandre Versignassi, na revista Superinteressante (2014). Porque mesmo que os USA desejasse comprar de Cuba ao invés de importar do oriente médio, como faz hoje, Cuba não teria a capacidade de extraí-lo, muito menos sem a tecnologia estadunidense, ou seja, precisa deles para vender para eles. E, infelizmente no curto prazo não se faz riqueza [4].



Outro delírio é achar que os cubanos voltariam para Cuba. Sim podem voltar, mas lembrem-se já se passaram quase 60 anos da Revolução cubana, é uma outra geração, é uma outra perspectiva de vida, são dos filhos dos antigos cubanos que estamos falando, a maioria deles nem ao menos sabem o que é Cuba! São Norte Americanos, vivem como Norte Americanos.

Cuba está se abrindo economicamente – é verdade! Apesar dos desmandos políticos, desde 2014 vem tomando medidas que visam o investimento estrangeiro [5]. Porém a verdade é que as chagas do socialismo costumam durar muito mais do que o próprio socialismo.

Vejamos, se jovens cubanos, seguir o exemplo dos jovens alemães de hoje, [6] 25 anos depois da queda do Muro de Berlim, os cubanos migrariam para lugares de economia mais livre e com melhores condições de trabalho, ou seja, a tendência não é voltar para as terras que foram de seus pais, mas, com a abertura, a tendência é migrar para lugares melhores economicamente.

E, outra ainda, entre os argumentos de grande prosperidade, está o “cubano têm boa educação”, bom, eu não acredito nisso! Mas, suponhamos que seja verdade, a educação cubana não é voltada para o mercado, é totalmente estatal para manter um status quo, saber ler não é saber lidar com o mundo, o cubano terá que aprender o que é mercado, gerir, administrar, acumular capital e outras tantas condições de um mundo quase totalmente desconhecido para os cubanos que vivem na ilha desde sua infância, lembre-se estamos falando de uma geração que nunca viu a prosperidade capitalista.

Nesses casos, como norte coreanos, chineses, alemães do oriente e, claro, cubanos são necessárias gerações para desenvolver uma mentalidade pró-mercado!



Os exemplos dos Norte Coreanos que conseguem fugir e chegar a Coreia do Sul, mostra que mesmo eles, povo de mesma língua e etnia, percebem que sua capacidade é inferior aos dos seus vizinhos, muitos médicos norte coreanos não conseguem passar nos exames sul coreanos, o patamar de conhecimentos é enorme. O mesmo acontece com médicos cubanos que chegam ao Brasil. Mesmo que exista os cursos equivalentes no socialismo, em uma economia aberta, pela própria dinâmica do mercado, e a tecnologia, os níveis de conhecimento são muito mais altos.

Sim, para Cuba seria uma nova revolução abandonar o comunismo, mas há tantas nuances para a prosperidade de um povo e, principalmente, levando em conta os patrões modernos, que é praticamente impossível prever qualquer reação cubana, diante do mercado mundial.



A verdade é que a ferida cubana, mesmo que abandonando o socialismo, ainda demoraria gerações para ser fechada.

A ditadura dos Castros em Cuba está longe de ter um fim, mas se um dia terminar e o povo cubano desejar uma abertura do mercado, ainda assim a sua recuperação demoraria um tempo impossível de prever. Qualquer tentativa de dizer que Cuba tem educação, saúde e direitos sei lá a quê! É um delírio achar que serviria de alavanca em um mundo globalizado.

[1]. Cuba diz ter 20 bilhões de barris de petróleo em alto-mar http://economia.estadao.com.br/noticias/geral,cuba-diz-ter-20-bilhoes-de-barris-de-petroleo-em-alto-mar,261235

[2]. Cuba pode se tornar uma potência em minério e petróleo? http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/05/150425_cuba_potencia_minerio_petroleo_rb

[3]. Cuba pede petróleo à Rússia por problemas com fornecimento https://exame.abril.com.br/economia/cuba-pede-petroleo-a-russia-por-problemas-com-fornecimento/

[4]. O problema é que, na vida real, a riqueza só pode ser construída por meio da poupança, da acumulação de capital e da divisão do trabalho. http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2584

[5]. Medidas tem sido tomadas no sentido de abrir espaço para o capital estrangeiro. http://www.cubalibredigital.com/index.php?option=com_content&view=article&id=18515:apos-55-anos-de-fracasos-cuba-qsocialistaq-se-abre-ao-capitalismo-estrageiro&catid=28:quaternaria&Itemid=25

[6]. The Berlin Wall fell 25 years ago, but Germany is still divided. https://www.washingtonpost.com/news/worldviews/wp/2014/10/31/the-berlin-wall-fell-25-years-ago-but-germany-is-still-divided/?utm_term=.d21a8eb62100



O QUE É IDEOLOGIA para K. Marx, Lenin e GRAMSCI

a IDEOLOGIA GRAMSCISTA é a busca de construção de consenso em torno dos interesses, desta forma, o consenso, que é estabelecido na ideologia, traz o fortalecimento dos grupos que adere.



HISTÓRIA – COMO SURGE A TEORIA DO CONHECIMENTO, A IDEOLOGIA. Inúmeros pensadores através dos séculos buscaram compreender o tema “ideologia”, e, sobre diversas correntes filosóficas, tratam do que é a Teoria do Conhecimento. Desde defender que ideias são elementos preexistentes, aos que argumentam que as ideias nascem da percepção de coisas físicas existentes no exterior da consciência humana. Outros ainda, acreditam que as coisas físicas somente existem enquanto existir na consciência, ou seja, acreditam que ao desvio do olhar deixam de existir.

Desta forma, é possível notar as dificuldades de estabelecer verdades enquanto ideias, ou quais deveriam ser as orientações de comportamento individuais e sociais que precisam ser seguidos. Ou seja, nunca foi simples estabelecer parâmetros comportamentais ou ideológicos. Em certo consenso, as verdades só existem em termo de fato, de juízo ou dogmas.



OS CONCEITOS DE IDEOLOGIA NÃO NASCEM EM COLETIVOS OU PENSADORES MARXISTAS. As ideologias têm um ponto de partida conhecido, o pensamento de Conde Tracy, AntoineLouis-Claude Destutt (1754 – 1836), nascido em Paris, na revolução francesa, ocupou cadeira no parlamento defendendo ideias republicanas em oposição aos bonapartistas, fundou a escola filosófica chamados de “ideólogos”, trazendo ao pensamento que as ideias são elementos naturais oriundos das relações dos homens com a natureza, ou seja, o Conde de Tracy está propondo uma explicação de como nascem as ideias no seio da sociedade.

Porém o termo ideologia nas de seus opositores, os bonapartistas da revolução francesa século XVIII, ou seja, nasce como uma crítica. Era um insulto equivalente a dizer que os ideólogos pautavam suas reflexões não no mundo real, mas nos devaneios das ideias.



Para Karl Marx (1818 – 1883), a ideologia é o conjunto de ideias que servem de ilusão, com o intuito de mascarar a verdadeira luta de classes, e, então, conservar a exploração justificando como elemento natural. Considerando que, para Marx, ideologia é o pensamento burguês, o capitalismo.

Ou seja, a consciência de classe é a compressão da classe operária e de sua condição. Desta forma, o operário precisa olhar para si mesmo como uma classe distinta daquela que possui o capital. E, aqueles que defendem este modo burguês, está falseando a realidade através de uma ideologia, logo, não possui uma “consciência de classe”.

Vladimir Lenin (1870 -1924), de outro modo, pensa o termo ideologia não mais de forma negativa, mas de maneira a transformá-la em uma concepção legitima da realidade, englobando a classe dominante e classe dominada. Para Lenin, todo e qualquer grupo social precisa de alguma forma legitimar suas práticas sociais, e suas crenças, já que as classes têm seus próprios interesses, desta forma precisa de formulações teóricas para legitimá-las, para que faça sentido.



Antônio Gramsci
Foto em preto e branco de Antônio Gramsci

Enfim, Antônio Gramsci (1891 – 1937), filósofo italiano de orientação marxista, e que desde muito cedo já havia absorvido as ideias de Lenin, aprendeu que a luta da classe operária não teria sucesso sem a construção de lideranças e partidos revolucionários. Então, acaba por notar que a ideologia é uma verdade que solidifica e cria a estabilidade na sociedade.

Em Gramsci o conjunto de ideias cria o senso comum que afirmará, posteriormente o que é justo e o comportamento apropriado. Ou seja, uma ideologia depois de ser aceita se torna consenso, então hegemônica e racional. Pelo menos até novas ideias surgirem e tomar o lugar no sistema. Gramsci entende ideologia como sendo um fator histórico, mutável cheios de rompimentos e extinções.

Para compreender melhor, para Gramsci, a ideologia marxista também irá ser superada, como qualquer outra ideologia, basta que a ideologia que a mantém de pé também deixe de existir. Ou seja, assim que a propriedade privada for abolida e os meios de produção forem coletivizados, a contra ideologia, o marxismo, perece junto, porque aquilo que era visto como ideologia para a ser visto como realidade, ou a nova estrutura ideológica.

Desta forma, a realidade do mundo nunca é imutável, dogmática ou intransponível, pelo contrário, a ideologia é influenciável se reformulando sempre e gerando algo novo, que não necessariamente é diferente do seu oposto. Assim, diante de novos determinantes, as ideologias se reconfiguram e se conserva, mesmo que somente em conteúdo ou temática.



PARA GRAMSCI A IDEOLOGIA É O ESTRUTURADOR DA SOCIEDADE. É um mecanismo que se bem usado diminuirá a necessidades de força violenta e coerção estatal, para impor outra realidade. Assim a ideologia é uma maneira cordial de buscar o consenso para explicar a ou justificar a realidade.

Então, a IDEOLOGIA GRAMSCISTA é a busca de construção de consenso em torno dos interesses, desta forma, o consenso, que é estabelecido na ideologia, traz o fortalecimento dos grupos que adere.

Há, ainda, o uso do senso comum como mecanismo estruturador da sociedade. É em cima do senso comum que serão construídas todas as outras visões de mundo dos indivíduos – mesmo que de maneira incoerente e desconexa da realidade – porém com trocas constantes de ideias entre a ideologia considerada hegemônica, e com reformulação no campo cultural da ideologia contra hegemônica (marxismo), desta forma, ganhando autonomia, e avançando para noções mais claras.

Como dito anteriormente, em Karl Marx sobre a consciência de classe, o proletário precisa se perceber como classe, então perceberá as contradições próprias das ideologias, para só então insurgir. Gramsci vê esta estrutura de forma que possa atuar sobre ela, afirmando que são necessários operários intelectivos do marxismo para orquestrar essa manifestação quando ocorrer.

Ou seja, a luta não é no campo intelectual ou político, no processo revolucionário o importante é o intelectual orgânico, para adentrar o campo intelectual e cultural. E, somente através dos intelectuais orgânicos que a tão sonhada consciência de classe será fortalecida e ampliada.



Outro ponto importante em Gramsci é o significado e a importância das escolas, serão lá que as maturações nas cabeças dos educandos serão organizadas. Gramsci, vê nas escolas o canal que possibilitará a construção de consciência de classe, e a emancipação cognitiva e cultural. A escola é o local de conflitos cultural e dialético para, segundo Gramsci, avançar no sentido da autoconsciência.

A INFLUÊNCIA DO GRAMSCISMO NO BRASIL. Em Paulo Freire é possível notar as características dessa doutrina quando considera que há no aluno um conhecimento prévio, ou seja, sua cultura, afirmando que tal conhecimento, mesmo que senso comum, é a realidade do aluno e é a partir de tal ponto que o professor deve desconstrui-la, e buscar a mudança que deseja, tanto psicológica quanto cognitiva. É a partir do já conhecido que de orientar para mudança ou nova realidade.