LIBERDADE E A ORIGEM DA VIOLÊNCIA REVOLUCIONÁRIA em Karl Marx

Esta violência têm origens no método materialista dialético na história, tendo em vista que o controle dos meus de produção não poderia ser espontâneo. Tal violência é inspirada nos jacobinos porém negando seu viés republicano, tornando assim a violência o elemento primordial da luta de classes…



KARL MARX, LIBERDADE E A ORIGEM DA VIOLÊNCIA REVOLUCIONÁRIA. Como em todos os casos, Marx não foge à regra, define liberdade segundo suas convicções políticas e ideológicas. Para György Lukács (1885 – 1971), influente marxista do século XX, a definição nasce de sua admiração pelo jacobinismo ou democratismo radial. O jovem Marx entre 1840 – 1845 esta em transição de um democrata para o comunismo revolucionário. Desta forma há uma forte influência sobre sua concepção de liberdade, com uma definição partindo do jacobinismo se aprofundando em comunismo revolucionário. Então, é impossivel separar o conceito de liberdade de Marx de sua forma/definição de revolução, já que, seja por desagrado com uma burguesia ou com, segundo o próprio Marx, uma revolução insuficiente com o jacobinismo, a liberdade humana passa pela revolução, e o sujeito (proletário) é o agente da sua própria liberdade – a revolução. Aparentemente, até 1842 libertário e admirador da revolução francesa, acaba por identificar-se com o radicalismo. Em 1843 desiludido com a burguesia liberal alemã rompe com a buguesia radical.

Com essas características, a liberdade para Marx não são as mesmas dos dicursos de John Locke (1632 -1704) e de John Stuart Mill (1806 – 1873), em direção da propriedade privada, pois são contrários aos verdadeiros interesses da ideologia comunista, desta forma Marx precisa renovar a ideia de Alienação.



O Fenômeno da Alienação. Em “Teses Sobre Feuerbach” Marx acredita que o ser humano entra em processo de autodestruição e aliena-se a si mesmo projetando um deus imaginário. O que chama “ópio do povo” é a fuga humana, o homem oprimido pelo meio social busca no imaginário da fé um conforto. Então, em “O Capital” torna explícito sua ideia de trabalho. O trabalho ao invés de realizar existencialmente o homem torna-o alienado de si mesmo, já que Marx considera o trabalho externo ao homem, ou seja, não pertence ao seu ser. Assim, o homem não se afirma no trabalho mas precisa renegar a si mesmo para executar a tarefa que esta imposta, desta forma fica infeliz definhando seu próprio corpo por que é incapaz de nutrir seu intelecto, destruindo a si mesmo. Por isso, somente fora do trabalho o homem se sente pleno, porque encontra a si mesmo. Isso o leva a crer que, o trabalho nunca é voluntário, mas uma opressão, sempre será um trabalho forçado. Isto posto, o trabalho torna o operário cada vez mais alienado e pobre na mesma medida que produz para o capitalista, seu patrão.

Retornando. Apesar de Marx falar de liberdade sobre diversos aspectos, Marx não conceitua liberdade. Para Michael Löwy (1938), isso se deve ao fato de Marx ser influenciado por Ludwig Feuerbach (1804 – 1872), e justifica sua afirmação com as palavras do próprio Marx: “Assim que o relâmpago do pensamento tiver penetrado no fundo desse ingênuo terreno popular, os alemães se emanciparão (…) A filosofia é a cabeça dessa emancipação (do homem); o proletariado, o coração”, isso quer dizer que Marx acreditava na filosofia como uma função de emancipação do homem, na superação da dualidade entre razão e paixão, intelecto e massa.

Portanto, para definir liberdade Marx pensa nas revoltas de trabalhadores, e no contato com os operários comunistas na França, ou seja, precisa do conteúdo social. O sujeito proletário precisa se reencontrar com a finalidade trabalho, já que Marx considera o trabalho externo ao homem, desse modo, opressor.

Então, é necessário que o sujeito social da liberdade se transforme em um revolucionário ativo, somente assim o proletário reencontrará sua personalidade, suas potencialidades criativas em uma humanidade livre em capacidades. Para Michael Löwy isso quer dizer uma auto libertação e auto educação.



Assim, unindo a teoria dialética e lutas de classes fica claro, para Marx a violência é o caminho histórico para libertação quando diz: “(…) as armas da crítica não podem de fato substituir a crítica das armas; a força material deve ser deposta por força material“, desta forma, Marx sai do jacobinismo em direção a revolução pensado que liberdade só será possível se houver igualdade no trabalho. Em 1848 em “Manifesto do Partido Comunista” Marx e Engels escreve “Os comunistas se recusam a dissimular suas opiniões e seus projetos. Proclamam abertamente que seus objetivos não podem ser alcançados senão pela derrubada violenta de toda ordem social passada. Que as classes dominantes tremam diante de uma revolução comunista! Os proletários nada têm a perder a não ser suas cadeias. Têm um mundo a ganhar. Proletários de todos os países, uni-vos!“.

Para Marx não existe liberdade sem revolução, e a violência é uma condição da revolução. Esta violência têm origens no método materialista dialético na história, tendo em vista que o controle dos meios de produção não poderia ser espontâneo. Tal violência é inspirada nos jacobinos porém negando seu viés republicano, tornando assim a violência o elemento primordial da luta de classes para a conquista do poder político e produtivo. A revolução comunista a partir do materialismo dialético é orientada para abolição da propriedade privada.



PARA ENTENDER O CONTEXTO. Os Fundamentos do Materialismo Dialético e Histórico. É materialismo por que o conteúdo é material, no sentido de fenômenos naturais, e dialético porque se apoia no conteúdo dialético de Georg Wilhelm Friedrich Hegel (1770 – 1831), no sentido de evolução dos fenômenos sociais, e histórico por que aplica o materialismo na dialética, ou seja, fenômenos materiais aplicados na evolução dos fatos sociais no desenrolar do tempo.

É necessário lembra também que tal tese Hegeliana foi amplamente discutida e questionada por diversos autores.

Deixo a reflexão de Battista Modin (1926) de opnião oposta ao sistema Hegeliano “O pensamento não põe nem cria a realidade. Ele a constata. A interioridade idealista, reduzindo a realidade ao pensamento” em ” Curso de Filosofia” p. 18 Ed. Paulus.



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