CAPITALISMO E O DIREITO BUGUÊS DE SER FÚTIL.

A sociedade de mercado – capitalista – trouxe inúmeras facilidades para o codiano, e, com isso, uma geração de mimados se levantou, agora exigem todos seus direitos à futilidades.



Capitalismo, leia-se Livre Mercado, é, sem dúvidas, o melhor sistema econômico criado. Não houve na história humana um sistema que, em tão curto espaço de tempo, tenha tirado um número tão expressivo de pessoas da miséria. Um sistema, que nos últimos 200 anos, elevou as condições de vida humana a ponto de nos fazer esquecer a nossa condição diante da natureza – a pobreza!

Mas o conforto leva a uma certa frivolidade.

Pode-se argumentar que grande maioria da população é movida por suas frivolidades, são ociosas, fúteis e pouco se importam com questões intelectuais. Mas não é inteiramente verdade. Há em Sêneca (4 a.c – 65 d.c) uma preocupação com setores subalternos da sociedade romana. O que chama a atenção é sua doutrina de moderação da parte do soberano para não criar oposições e instabilidade no poder, ou seja, constantes negociações com os diversos setores sociais, seja aristocrata ou não. Isso leva a crer que havia relevância nos setores populares para a manutenção do poder do imperador. O que quero dizer é que nem sempre a ociosidade e a frivolidade são características gerais.

Os trabalhos braçais, coisa que ocorreu na maior parte da história humana, ocupavam um grande período de tempo dos trabalhadores, deixando assim muito pouco, ou quase nada de tempo para contemplação da existência. Apesar de concordar com aqueles que argumentam que os benefícios do capitalismo vão além do material, e que há uma elevação moral, de tolerância, e etc. como Benjamin M. Friedman (1944), tenho também que concordar com Luiz Felipe Pondé (1959) quando diz que o capitalismo criou uma geração mimada.



Todo o conforto criado pela sociedade de mercado deu origem, aparentemente, aos seres humanos mais mimados que já passou pela face da Terra. Acreditam realmente que existe direitos para além das obrigações.

Nossos antepassados sabiam que nem ao menos comer era um direito, sabia que caso não estivesse na lavoura ou caçando assim que o sol estivesse raiando não teria o que comer quando o sol se colocasse no horizonte. Hoje, é direito ter um Iphone! A preguiça os faz confundir benefícios com direitos.

Os antigos socialistas – os de verdade, não esse novo fetiche capitalista que chamam de socialismo – diziam que o direito é um sistema burguês usado para domesticar as massas. Friedrich Engels (1820 – 1895) e Karl Kautsky (1854 – 1938), em “Socialismo Jurídico” fizeram uma análise da passagem do mundo em estágio feudal para a concepção de mundo burguesa – a qual chamam de natureza burguesa do direito, relacionando o desenvolvimento, e passagem entre os mundos, ao intercambio de mercadorias.

Hoje, os adeptos socialistas não sabem o que foi o socialismo e, muito menos, saberiam viver sem o capitalismo é uma adesão completa ao estilo de vida burguesa e tudo que os resta é gritar a plenos pulmões – é direito!



O capitalismo estendeu o direito burguês de ser fútil!

Mas, a vida é fútil mesmo, e a fuga do tédio leva a frivolidades – estou pensando em Schopenhauer (1788 – 1860) quando digo isso, quando ele diz que o a vida é um pêndulo entre os desejos e o tédio.

Todos os dias há na televisão uma senhora, agora senhores também, mostrando suas casas, sala de jantar, roupas caríssimas e a prataria nobre. Uma demonstração da vitória da frivolidade burguesa, porque os ricos não têm algo a dizer e os mais pobres têm tempo para escutar toda a bobagem produzida por eles, entre eles há um “espertinho” falando de desigualdade social na internet para preencher o vazia que ninguém quer adentrar. Resumindo, um mundo de futilidades para preencher a monotonia do nada.

Concordo com Emil Cioran (1911 – 1995), “a frivolidade é um privilégio” e também com Charles Bukowski (1920 – 1994), “o mundo exagera demais na sua importância”, e quando diz: “o mundo, infelizmente, vivia infestado de bilhões de criaturas que não têm nada para fazer a não ser matar o tempo e matar a gente”. Parece que toda essa frivolidade é uma forma de fugir de si mesmo.

Parece-me que, de alguma forma, todos concordamos quando o sábio pregador diz: vaidades de vaidades, tudo é vaidade.

Até nós, filósofos, só podemos pensar porque todas as outras necessidades já foram supridas. Mesmo que entremos na mais profunda e honesta filosofia o tempo dedicado a ela é o tempo de fuga da monotonia. E isso também pode ser o tempo entregue a vaidade, e, até certo ponto, ao fútil.

O mundo mudou, a natureza humana não, sempre fomos o que somos, porém, agora, temos mais tempo para a contemplação do nada.



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