POLITICAMENTE CORRETO, O Problema da Linguagem

A linguagem nada mais é do que máscaras das ideias, permitir que o politicamente correto interfera na linguagem é o mesmo que não deixar ideias se desenvolvam



A LINGUAGEM não é nada mais que uma máscara das ideias. Ao expormos ideias o fluxo é interrompido pela máscara incapaz de reproduzir fielmente suas intenções, ou seja, as reais intenções daquele que se comunica é incapaz de serem comunicadas em sua totalidade através da linguagem, seja falada ou escrita. Então para isso, o interlocutor, usa linguagens que facilitem a totalidade de forma que possa resumir, ou diminuir a linguagem, por exemplo a linguagem cotidiana ou corriqueiras de um povo ou região, como “Em terra de cego quem tem um olho é rei”, demostra que o que realmente nos importa é o significado da ideia não o que a linguagem coloca.

A ideia que o “mundo” e a linguagem são coisas diferentes e de natureza distinta esta incorporada a filosofia ocidental há séculos. Ou seja, a função da linguagem é reportar os fatos não de cria-los. Assim, para a grande maioria dos filósofos, o discurso tem como objetivo relatar os fatos, então o melhor discurso é aquele que reproduz o mais fielmente possível os fatos do mundo.

Platão (427 a.C – 387 a.C), em seus diálogos já pensava em linguagem como exterior ao homem, ou seja, a linguagem é o corpo que esta sujeito a degradação própria da matéria enquanto o pensamento é o que perdurará para sempre.

Karl Marx (1818 – 1883), não foge de igual conclusão dos anteriores filósofos, e muitos até hoje, quando diz “Até agora os filósofos se preocuparam em interpretar o mundo de várias formas. O que importa é transformá-lo” Em “Teses sobre Feuerbach”.



Já para filósofos da escola do pragmatismo Norte-americano, como Richard Rorty (1931 – 2007), a linguagem não passa de mera ficção que só existe na cabeça dos filósofos, o que o leva a acreditar que muitos dos problemas filosóficos só passaram a existir quando os filósofos passaram a ver a linguagem como instrumento para determinadas finalidades.

Resumidamente Karl Marx acredita que somente descrever o mundo não é o suficiente, Richard Rorty, ao contrário, acredita que é pretensão até mesmo tentar descrevê-lo.

Politicamente correto
O politicamente correto é um fenômeno incapaz de tratar com profundidade das questões da alma humana, decidiu resolver tudo, simplificadamente, atropelando estas indagações com o rolo compressor da hipocrisia. Marcelo Madureira

Isto posto, o POLITCAMENTE CORRETO não deixa, ou dificulta ainda mais, a ideia tornar-se real. Mesmo que seja impossível torna-la material, uma linguagem livre dá a oportunidade de aproximação com a real intenção. Uma linguagem livre é, inclusive mais benéfico do ponto de vista social, já que torna mais fácil identificar más intenções.

Acreditar que suprimir o discurso e a linguagem suprime-se junto toda ideia advinda do discurso é infantil, e, no mínimo danoso, principalmente quando evita o surgimento de novas ideias advindas da própria linguagem que se tornou “incorreta”.

Um exemplo claro foi a palavra “Denegrir” usada pelo juiz Sergio Moro, onde o ex presidente Lula tenta alertá-lo para uma possível represaria do movimento negro, um racista não deixaria de ser racista simplesmente por estar acuado em não usar a palavra “denegrir”, mas a exposição de um, no caso, juiz para demonstração da sua ideia é comprometida quando ele necessita vigiar as palavras para não ofender um grupo que nem ao menos esta posto em questão naquele momento.

A coisa existe antes da linguagem. Como diz William Shakespeare (1564 – 1616), uma rosa não terá outra fragrância mesmo que você queira chamá-la por outro nome.



É um equívoco infantil considerar que a simples troca de palavras é capaz de diminuir preconceitos, é simplista! No caso da Marvel seria mais benéfico manter o nome do personagem, desta forma, veríamos quem realmente são os racistas, agora ficou fácil se esconder atrás do politicamente correto.

O mais acertado é que os preconceitos existem antes da linguagem, outro exemplo é a palavra “Judiar” que se refere a ser maltratado como os judeus foram maltratados, ora o que veio primeiro a palavra – para então começarem a maltratar judeus – ou os maltratos – para então associar aos judeus?

Mesmo que se argumente que o discurso retroalimente o preconceito, é o preconceito que existe anterior ao discurso. O politicamente correto é um disfarce da realidade, não adiante trocar a máscara se a pessoa por traz dela é o verdadeiro problema. Como disse anteriormente, um discurso livre torna mais fácil identificar os verdadeiros preconceituosos, tais imposições de linguagem é a maneira de empurrar assuntos delicados para escanteio.

Argumentos em defesa do politicamente correto são recentes, marqueteiros que acreditam que a coisa toma valor segundo seu nome. Mas as coisas não mudam sua natureza de acordo com seu nome, como já exposto. E o cenário político brasileiro mostra como isso não é possível, inclusive através dos próprios marqueteiros. Todos os dias inúmeras acusações de corrupção envolvendo políticos e seus marqueteiros, entre outros, mostram as mentiras do discurso. Qualquer pessoa que tenha interesse em seguir qualquer candidato, verá as diferenças discrepantes entre os momentos de campanha e os anos que seguem eleitos.

Mesmo que o poder da mídia esteja na linguagem, ou seja, fazer aquilo que não é vir a ser, isso mostra que a realidade esta sendo maquiada. Objeto continua o mesmo. E, por mais que se acredite que o marketing, através da linguagem consiga interferir no mundo, tal interferência é, falsa, baseada em mentiras, logo qualquer pessoa que desejar se aprofundar no objeto mascarado retornará a realidade e acabará a interferência da mídia/máscara.

Se o melhor relato do mundo é o mais fiel ao objeto qualquer desvio é nocivo! É uma mentira. É absorver a máscara em detrimento da verdade.

 



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