Ética em Foucault

Influenciado por Nietzsche, Freud e Marx ficou conhecido como um dos mais originais filósofos do século XX, inspirando, assim, diversas área do conhecimento como fiosofia, história, psicologia e ciências socias.

Michel Foucault (1926 – 1984), francês. É considerado um dos pensadores mais originais do século XX. Foucault, através de suas obras, abalou tanto a filosofia como a psicologia e, também, as ciências socias. Influenciado pelo estruturalismo francês e a fenomenologia e, como o próprio autor admite, foi influenciado profundamente por Nietzsche, Freud e Marx.

Principais Obras de Foucault

A História da Loucura (1961), foi seu primeiro trabalho de relevância, inovou a tradicional explicação sobre o conhecimento psiquiátrico e sobre conceitos de loucura e qual a função do louco na sociedade moderna.

O Nascimento da Clínica (1963), um retornou a suas suposições sobre “A História da Loucura”. Com um método arqueológico, reinterpreta a história, tentando demonstrar os pressupostos e elementos subjacentes à alguns saberes determinados dentro do período histórico e, então, relativiza-os.

As Palavras e as Coisas (1966), obra onde o pensador criticou a modernidade, principalmente o iluminismo, questionando seus pressupostos racionalistas e de subjetividade, formulando, assim, sua crítica sobre o nascimento da ciência humana. A partir de uma análise da “formação discursiva”, usando, neste momento, não mais a arqueologia mas, a genealogia – claramente influenciado por Nietzsche – tenta mostrar rupturas e transições entre várias formas de discursos e diferentes períodos históricos.

Arqueologia do Saber (1969), obra onde Foucault começa a esquivar-se do estruturalismo, porém ainda guiado por ele (o estruturalismo) de forma bastante relevante.

Mais tarde, em debates com Jurgen Habermas, Foucault revê seu posicionamento sobre iluminismo a partir de Kant e “O Que é Esclarecimento?”, entendendo a importância kantiana como crítica de um pensamento que busca alternativa.

O Uso Dos Prazeres – Moral e Prática de Si (1984), obra póstuma. Faz parte do segundo volume de “História da Sexualidade” que, por sua vez, faz parte de um projeto maior, em que, Foucault, trabalhava pouco antes de morrer, inclui três volumes “Vontade de Saber” (1976), basicamente metodológico, “Cuidado de Si” (1983) e “Confissões da Carne”(seria o volume 4), ficou inacabado.

O objetivo deste trabalho é aplicar o método genealógico à história da sexualidade desde a Grécia Antiga e o helenismo, passando pelo cristianismo até a modernidade. E, assim, levar adiante sua obra “Vigiar e Punir” (1975), onde crítica os saberes disciplinares que, segundo o filósofo, são formas de controlar os indivíduos e a sociedade.

Para Foucault, as concepções de subjetividade, indivíduo e terapia formaram os saberes, e o período helenístico, com epicurismo e estoicismo, tem relevância essencial nesta formação, desta forma, o pensador, entende que influenciou fortemente a o moral cristã.

Foucault, Michel

Ética em Max Weber

Max Weber foi um proeminente pensador. Contribuiu para diversas áreas do pensamento com temas que circulam entre Ética na política, Limite da Responsabilidade Moral e Política como Vocação

M. Weber (1864 – 1920) foi um intelectual, jurista e economista alemão. Considerado um dos fundadores das ciências sociais contemporânea. Seu pensamento tem enorme relevância e contribui para diversas áreas como política, economia, história e filosofia falando principalmente sobre ética. Sua obra intitulada “A ética protestante e o espírito do capitalismo” de 1905 é provavelmente a mais importante.

Entre os temas centrais da ética de M. Weber está a questão do Limite da responsabilidade de Moral, originado pelo seu interesse pela influência do protestantismo, principalmente calvinista, na formação da sociedade e da cultura na Europa do século XVI.

Nesta análise, sobre a formação da sociedade moderna, o filósofo procura refletir sobre o cálculo racional no momento da decisão em que se considera os meios para atingir os objetivos e, então, discute eficiência como critério para determinar as ações socias.

Outra questão importante, na obra deste pensados, é a contribuição técnica e científica à sociedade.

É importante ressaltar, ainda, a distinção teórica e metodológica que, M. Weber, faz entre ciências naturais e ciências socias que, segundo Danilo Marcondes () é, “(…) uma das discussões mais controvertidas da filosofia da ciência do século XX. A obra, supostamente pessimista, deve ser colocada dentro do contexto temporal em termos sociais, políticos e econômicos já que, M weber faz suas reflexões tanto ás vésperas da Primeira Guerra Mundial quanto, longo em seguida, a crise alemã, no pôs guerra.

A política como Vocação de M. Weber, engloba duas conferências sobre vocação política às quais foram ministradas aos estudantes da universidade de Munique em 1919. Obra onde o filósofo formula sua distinção entre ética da convicção (Gesinnungsethik)  e a ética da responsabilidade (Verantwortungsethik).

Inicialmente é um contraste entre a situação política da Alemanha e as políticas de outros países Europeus, em especial a Inglaterra, também com as nações do oriente e, principalmente com o Estados Unidos, buscando, desta forma, analisar características específicas e a formação dos sistema político de cada um deles. Para, em seguida, questionar a relação entre ética e política.

A pergunta que norteia o pensador é Haveria, na política, uma especificidade ética? Dentro deste contexto, M. Weber, elaborará sua resposta onde faz a diferenciação entre a Ética da Convicção e a Ética da Responsabilidade.

Apesar de utilizar como referência o Sermão da Montanha” – Evangelho segundo Mateus 5; 38-42 -, para M. Weber a ética da Convicção não é necessariamente religiosa, já que é caracterizada, especialmente, por um compromisso com um conjunto de valores associado a determinadas crenças, ou seja, as intenções dos sujeitos são mais importantes que as considerações dos resultados e o sucesso dos seus atos.

Já a Ética da responsabilidade, pelo contrário, procura valorizar as consequências das ações do sujeito, e as relações entre meios e fins, baseando as ações em atos bons ou maus.

Mesmo que, as duas ética de M. Weber, não se excluam, a consideração das consequências e o compromisso com a convicção podem entrar em conflito.

Max Weber, foi um defensor da Ética da Responsabilidade, à qual considerava mais crítica, mais prática e adequada a decisões políticas. Enquanto, a Ética da Convicção, acreditava o filósofo, era mais rígida e dogmática.

Veja Max Weber em Política como Vocação:

“Devemos ser claros quanto ao fato de que toda conduta eticamente orientada pode ser guiada por uma de duas máximas fundamental e irreconciliavelmente diferentes: a conduta pode ser orientada para uma “ética das últimas finalidades”, ou para uma “ética da responsabilidade”. Isto não é dizer que uma ética das últimas finalidades seja idêntica à irresponsabilidade, ou que a ética de responsabilidade seja idêntica ao oportunismo sem princípios. Naturalmente ninguém afirma isso. Há, porém, um contraste abismal entre a conduta que segue a máxima de uma ética dos objetivos finais — isto é, em termos religiosos, “o cristão faz o bem e deixa os resultados ao Senhor” — e a conduta que segue a máxima de uma responsabilidade ética, quando então se tem de prestar conta dos resultados previsíveis dos atos cometidos. Pode-se demonstrar a um sindicalista convicto, partidário da ética dos objetivos finais, que seus atos resultarão num aumento das oportunidades de reação, na maior opressão de sua classe e na obstrução de sua ascensão — sem causar nele a menor impressão. Se uma ação de boa intenção leva a maus resultados, então, aos olhos do agente, não ele, mas o mundo, ou a estupidez dos outros homens, ou a vontade de Deus que assim os fez, é responsável pelo mal. Mas um homem que acredita numa ética da responsabilidade leva em conta precisamente as deficiências médias das pessoas; como Fichte disse corretamente, ele não tem nem mesmo o direito de pressupor sua bondade e perfeição. Não se sente em condições de onerar terceiros com os resultados de suas próprias ações, na medida em que as pôde prever. Dirá: esses resultados são atribuídos à minha ação. Quem acredita numa ética de objetivos finais só se sente responsável por fazer que a chama das intenções puras não seja sufocada: por exemplo, a chama do protesto contra a injustiça da ordem social. Reanimá-la sempre é o propósito de seus atos bastante irracionais, julgados à luz de seu possível êxito. São atos que só podem ter, e só terão, valor exemplar.”

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Ética em John Stuart Mill, o Utilitarismo

Conhecido e difundido durante o século XVIII, o utilitarismo, atravessou os séculos e, entre críticos e adeptos, se tornou a inspiração para discursos políticos como “bem-estar social” e “Maximização do Benefício”.

John Stuart Mill (1806 – 1873), filósofo, pensador político e ativista liberal. É considerado, por muitos filósofos da língua inglesa, como um dos mais influentes do século XIX. O filósofo foi membro do parlamento inglês em 1885, defendendo, principalmente, os diretos das mulheres, onde apresentou uma petição para estender o sufrágio às mulheres. É conhecido por trabalhos nos campos da filosofia política, economia, lógica e ética – o Utilitarismo.

UTILITARISMO,

como corrente de pensamento ético e político, é originalmente fruto dos pensadores francês Claude-Adrien Helvétius (1715-71) que influenciou o inglês Jeremy Bentham (1748-1832). Os dois pensadores desenvolveram o “Princípio da Utilidade” como critério para o valor moral de uma atitude. Segundo este princípio, o bem moral é aquilo que aumenta os benefícios e reduz a dor e sofrimento. Desta maneira, o valor da ação moral é medido através do maior número de pessoas beneficiadas, ou seja, o caráter ético da ação é avaliado sob o ponto de vista de suas consequências e resultados.

O Utilitarismo foi bastante difundido no século XVIII, durante o iluminismo, pois ia ao encontro de uma demanda por projetos de reforma social. Influenciado pela revolução francesa, que concedeu a Bentham o título de cidadão honorário, constituiu-se como um princípio de aplicação prática.

O “usefull” (útil) é aquilo que contribui para ao bem-estar geral. Desta forma, fica fácil compreender que, o utilitarismo, enquanto pensamento ético, expandiu sua influência para os séculos posteriores, permanecendo como uma das principais correntes filosóficas, no campo da ética, inspirando posições políticas como o de “Bem-estar social” e o conceito de “Maximização do benefício”.

Contudo, o utilitarismo, foi muito criticado por diversos pensadores racionalistas, como, por exemplo Immanuel Kant, contrário a ética das consequências.

O Utilitarismo em John Stuart Mill

Stuart Mill foi um dos maiores defensores do utilitarismo no século XIX – inclusive, o primeiro a utilizar o termo – buscando argumentar contra seus opositores e críticos, escrevendo, em 1863, a obra Utilitarism.

Sob a influência de Helvétius e Bentham, de quem era afilhado, Mill retoma às ideias de seus antecessores e as coloca à disposição de sua militância política, o liberalismo. No entanto, nem sempre os conceitos em defesa de “prazer” e “felicidade” ficam visíveis, da mesma forma, que, não é clara, a passagem entre “prazer” ou “realização individual” para o “bem comum”, o que acaba por promover um debate ainda mais intenso envolta das ideias utilitaristas até os dias atuais.

Para Stuart Mill, o princípio de máxima felicidade é universal, porém, o filósofo considerava que só é possível aplicá-lo a partir de contextos históricos, para, só então, definir que tipo de liberdade e direitos pode ser definidos.

No livro “Utilitarismo” Stuart Mill tenta busca uma definição para o termo enquanto propõe alguns esclarecimentos para responder as objeções tradicionais.

Desta forma, desvincula o termo utilidade como teste para certo e errado e como uma oposição ao prazer, nas palavras de Mill:

“Uma simples observação deveria bastar contra a confusão dos ignorantes que supõem que aqueles que defendem a utilidade como teste do certo e do errado usam este termo no sentido restrito e meramente coloquial em que o útil se opõe ao prazer.”

Depois vincula “prazer” como sendo a própria utilidade junto a ausência de dor. Nas palavras do filósofo Mill:

“Aqueles que sabem um pouco sobre essa questão estão cientes de que todos os autores, de Epicuro a Bentham, que defenderam o princípio da utilidade o entenderam não como algo a ser contraposto ao prazer, mas sim como o próprio prazer, juntamente com a ausência de dor.”

Dessa forma, explica:

“O credo que aceita como fundamento da moral o Útil ou Princípio da Máxima Felicidade, considera que uma ação é correta na medida em que tende a promover a felicidade, e errada quando tende a gerar o oposto da felicidade. Por felicidade entende-se o prazer e a ausência da dor; por infelicidade, dor, ou privação do prazer. Para proporcionar uma visão mais clara do padrão moral estabelecido por essa teoria, é preciso dizer muito mais; em particular, o que as ideias de dor e prazer incluem e até que ponto essa questão fica em aberto.”

John Stuart Mill

 

ÉTICA de Aristóteles em ÉTICA a NICÔMACO

A Ética de Aristóteles é Sistemática e Analítica. Ao contrário de Platão, Aristóteles busca uma ética objetiva.

Como já visto, em Ética em Platão [1] as questões levantadas são interligadas, ou seja, passa-se de Verdade e Conhecimento para problemas de Natureza Éticas. Já, a Ética em Aristóteles (384 – 322 a. C) é de caráter sistemático e analítico [2]. Para Aristóteles a vida humana é dividida em três grandes grupos: O SABER TEÓRICO, ou Campo de Conhecimento; O SABER PRÁTICO, ou Campo de Ação; e o SABER CRIATIVO, ou produtivo.

Outra distinção a ser feita é o que diz respeito aos textos que chegaram aos dias atuais. Ao passo que os textos de Platão nos apresentam diálogos os de Aristóteles são, infelizmente, apenas as notas de aulas que nos sobraram. Apesar de Aristóteles também ter produzido diálogos. Tal diferença faz com que os textos aristotélicos aparentem mais “frios”.

No sistema aristotélicos, Ética e Política, são parte do “Saber Prático”, como contraposição ao “Saber Teórico”.

Enquanto a área de domínio do Campo Saber Teórico é a metafisica, a matemática e as Ciências Naturais – principalmente a física, com o intuito de conhecer a realidade. Ou seja, leis e princípios gerais. À medida que, no Campo Prático, o objetivo é determinar em quais condições podemos agir da melhor maneira possível aspirando o objetivo principal que é a felicidade (eudaimonia), ou realização pessoal. O Saber prático é intitulado de “Prudencial”, por ser definido por prudência.

Mas, afinal, O QUE É FELICIDADE e como o SER HUMANO pode alcança-la? São as indagações de Aristóteles em ÉTICA A NICÔMACO. Para isso, Aristóteles analisa a Natureza Humana, e as características que a define da perspectiva da ética, ou seja, as VIRTUDES. Desta forma, a maior parte do texto é destinado aos conceitos de VIRTUDE MORAL (areté), ou excelência de caráter.

Aristóteles define seus objetivos como práticos, ao mesmo tempo em que crítica Platão e sua Forma do bem ou Forma da ideia, por ter caráter genérico e abstrato, o que o distancia da Natureza humana. Como o próprio Aristóteles destaca:

“Acontece o mesmo em relação à forma do bem; ainda que haja um bem único que seja um predicado universal dos bens, ou capaz de existir separada e independentemente, tal bem não poderia obviamente ser praticado ou atingido pelo homem, e agora estamos procurando algo atingível” [2].

Para Aristóteles FELICIDADE OU BEM-ESTAR, é apresentada como algo que todos desejam e buscam e também como objetivo da ética. Veja:

“Chamamos aquilo que é mais digno de ser perseguido em si mais final que aquilo que é digno de ser perseguido por causa de outra coisa , e aquilo que nunca é desejável por causa de outra coisa chamamos de mais final que as coisas desejáveis tanto em si quanto por causa de outra coisa , e portanto chamamos absolutamente final aquilo que é sempre desejável em si , e nunca por causa de algo mais . Parece que a felicidade, mais que qualquer outro bem, é tida como este bem supremo, pois a escolhemos sempre por si mesma, e nunca por causa de algo mais;” [2].

Porém, em seu último livro de Ética a Nicômaco, Aristóteles aclara que felicidade não é deve ser confundida com Prazeres. Mas, sim, entendida em um sentido mais elevado, ou seja, como a contemplação das verdades eternas. Isso quer dizer: é uma característica dos sábios ou dos filósofos.

“De fato, toda a existência dos deuses é bem-aventurada, e a atividade dos seres humanos também o é enquanto apresenta alguma semelhança com a atividade divina, mas nenhum dos outros animais participa da felicidade, porque eles não participam de forma alguma da atividade contemplativa. Então a felicidade chega apenas até onde há contemplação, e as pessoas mais capazes de exercerem a atividade contemplativa fruem mais intensamente a felicidade, não como um acessório da contemplação, mas como algo inerente a ela, pois a contemplação é preciosa por si mesma” [2].

E o que é VIRTUDE? Para Aristóteles é um hábito. Ao contrário de Platão, Aristóteles acredita que virtude pode ser ensinada. Inclusive, esse deve ser o objetivo da filosofia. A virtude não é inata, mas pode ser aprendida e tornar-se um hábito. Ou seja, é preciso prática para se tornar virtuoso. No livro VI Aristóteles clarifica Virtude e o Saber prático em cinco formas: a Arte (techné), o Conhecimento Científico (episteme), a Prudência que é o Saber Prático ou Discernimento (phronesis), a Intuição Intelectual (noesis), e Sabedoria (sophia).

Outro conceito importante é MEIO-TERMO OU A JUSTA MEDIDA (mesotes). É um dos princípios fundamentais na obra Aristotélica. Pois, Aristóteles acredita que, tratando-se de Ética, os extremos são danosos, tanto para excesso quanto à falta de algum atributo. Ou seja, é necessário o equilíbrio. O que pode variar com as situações e ou circunstâncias. Para Aristóteles, moderação é característica de indivíduos éticos.

“Em relação ao meio – termo, em alguns casos é a falta e em outros é o excesso que está mais afastado ; por exemplo , não é a temeridade, que é o excesso, mas a covardia, que é a falta , que é mais oposta à coragem, e não é a insensibilidade, que é uma falta, mas a concupiscência, que é um excesso, que é mais oposta à moderação.” [2].

[1]. Ética em Platão

[2]. Marcondes, Danilo. Textos Básicos de Ética: De Platão à Foucault. Edição do Kindle.

Busto de Aristóteles sobre fundo preto.

ÓDIO GERA LUCRO! Ou você acha que a tua opinião importa?

 

Homem todo de preto e máscara tem uma vara com anzol frente a um notebook outro homem esta acessando a internet.

As mídias sociais, como dizem alguns: deu voz aos idiotas! Verdade, em parte, claro, porque a democracia sempre desejou a voz dos idiotas. E o capitalismo – depois de 1914 com a entrada dos Estados Unidos na Primeira Guerra Mundial, derrubando monarquias e abrindo espaço para Republicas Democráticas – conseguiu aumentar a capacidade tecnológica de comunicação mundial. Aumento da democracia e a ingenuidade de achar que o povo é a voz da razão junto a capacidade do capitalismo de expansão tecnológica multiplicou a capacidade de disseminação de idiotices!



Platão (428 a.C – 347 a.C) dizia que a democracia é retórica e demagógica. [1] Ou seja, é fácil manipular a opinião das massas, basta conhecer os mecanismos. [2]

Agora, a junção entre democracia e um sofisticado sistema de preços pela opinião e atenção do cliente transformou o mundo contemporâneo em lugar onde o importante é ser visto, ou “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”.

O capitalismo fez com que as pessoas acreditem que suas opiniões têm valor, quando, na verdade, têm, somente, o preço do anunciante. E, os preços, não são dados ao que é importante ou, pelo menos relevante nos assuntos, mas, simplesmente, porque foram manifestos. O que torna, cada vez mais, as redes sociais e blogs improdutivos.

O dinheiro está nos cliques não no conteúdo. Então ao transformar tudo em polêmica sobe a audiência. A opinião não importa, o que importa é a manifestação da opinião! Então, criar postagens que irritam o público é muito mais lucrativo do que criar postagens com conteúdo que deixem as pessoas pensativas e em silêncio. Ou seja, instigar a irritabilidade através de polarizações aumenta a lucratividade. No fim, as opiniões não mudaram em nada os editoriais, por isso são improdutivas, e apenas elevaram os lucros das empresas de notícias.



Fuja de palpiteiros, todos ganham dinheiro para irritar você!

No brasil, muitos blogueiros ganham dinheiro através de polêmicas que, inclusive, fizeram a ascensão de candidatos à presidência da república. Se aproveitam da impulsividade típica de ser contrariado para criar visualizações.

Quando jornalistas palpiteiros atiçam você, ou pede tua opinião, ele está usando a tua indignação para movimentar a conta bancária dele. Ele realmente não se importa com a opinião, muitos não têm tempo para ver ou responder comentários, na verdade eles se importam é com a manifestação da sua indignação a através de comentários nas páginas de redes sociais ou blogs. Dessa forma, criam engajamento, ganham views e bastante dinheiro.

[1]. Informação e responsabilidade Individual, a Saída da Menoridade intelectual. http://diariumfilosofico.com/filosofia-pratica/informacao-e-responsabilidade-individual-a-saida-de-menoridade-intelectual/

[2]. Manipulação das Mídias, como agir? http://diariumfilosofico.com/filosofia-politica/manipulacao-das-midias-como-agir/



MANIPULAÇÃO DAS MÍDIAS – COMO AGIR?

Ícones de diversas redes sociais. Facebook, Instagram, Twitter, Google plus, etc.

A grande maioria das pessoas não entende como suas próprias ideias chegaram em sua cabeça. Não compreende como são influenciadas através de mídias sociais. não compreendem que tudo que acontece Off-line começou On-line!

Não à toa, todos os anos é publicado no Facebook 3,3 milhões de post, no Instagram 50.000 posts, enquanto no Twiiter 400.000 posts em contagem por minuto [1]. PRODUZIMOS MAIS DO QUE PODEMOS CONSUMIR? Não necessariamente! A quantidade de ideologia produzida parece muito mais uma guerra de narrativas do que propriamente conteúdo. E ideologia não ensina. Ideologia é doutrina!



A nova mídia, e a nova economia na Era digital, são movidas por cliques. Quanto maior o número de cliques, entradas no site ou blog, maiores são os ganhos. Então, as chamadas sensacionalistas, são elaboradas para isso. E, como os seres humanos, sempre foram movidos por impulsos, caem, ou melhor, clicam naquilo que mais chama a sua atenção. Aumentando, assim, a monetização, que aumenta o sensacionalismo que aumenta a curiosidade que aumenta, novamente, a monetização.

Desta forma, há inúmeras maneiras de manipular a opinião pública, vender produtos ou, até mesmo, candidatos. O escritor Ryan Holiday (1987), em seu livro “Acredite, Estou Mentindo – Confissões de um Manipulador das Mídias” descreve e mostra como é fácil manipular grupos inteiros de ativistas, faz isso criando controvérsias e ódio. E ódio gera cliques, e cliques geram cada vez mais repercussão que geram mais cliques.

Ao promover um filme, por exemplo, vandalizou os próprios cartazes que havia mandado fazer, assim com alguns e-mails anônimos, criou euforia controversa entorno do filme, depois deixou que os movimentos feministas fizessem o trabalho com “boicotes” e manifestações. O filme não era controverso, e depois de alguns anos, passado o calor do momento, todos perceberam que se tratava de algo arranjado, e manipulado, para criar polêmica em torno do filme, deu certo,

“Tucker Max se tornava cada vez mais famoso e controverso”

palavras do escritor. Ou seja, conte uma mentira até ela se tornar verdade, ou quem sabe, só vender o que deseja.

Explorar a percepção das pessoas para vender produtos – pessoas e ideias também são produtos – é muito fácil, com as técnicas certas, objetivos definidos e conhecendo bem as mídias.

As mentiras e as FakeNews poderiam facilmente serem desmascaradas – e é para isso que a liberdade de impressa serve – mas, se as pessoas desconfiassem daquilo que acreditam não cairiam tão facilmente em conto do vigário On-line.

Um pouco de ceticismo, no sentido filosófico, conservadorismo político, e pessimismo com a natureza humana evitariam muitas dores de cabeça. Porém, o que mais vejo, é gente tentando confirmar aquilo que elas já acreditam, através de notícias – e isso é um prato cheio para os manipuladores da mídia!

[1]. Os Números Retirados do Site DIGITAL MARKET – ASIA.  http://www.digitalmarket.asia/solving-internets-tmi-much-information-problem/



O NOVO SOCIALISMO – A BOBAGEM PERIGOSA DE SEMPRE

Socialismo utópico
Imagem Preto e Branco com a foto dos três nomes mais conhecidos do socialismo utópico Saint-Simon ,Robert Owen, Charles Fourier.

Os primeiros socialistas, conhecidos como Socialistas Utópicos – assim chamados porque, apesar de fazerem críticas ao capitalismo não apresentavam qualquer solução, ou proposta, mas, como até hoje, acreditavam em uma “sociedade ideal”, eram pacifistas, desejam mudanças graduais com, inclusive, ajuda burguesa.

Desta origem, nasceram os Socialistas Científicos ou Marxistas – que não necessariamente baseiam-se em Karl Marx – o objetivo era compreender a dinâmica do capitalismo. É científico porque as análises são feitas do ponto de vista histórico e filosófico.

Desta forma, partindo da compreensão dialética histórica, é o fim do pacifismo, anteriormente imaginado, já que passam a entender que o controle dos meus de produção não acontecerá de forma espontânea, então, inspirados nos jacobinismos, sem o viés republicano, teoriza-se a VIOLÊNCIA REVOLUCIONÁRIA [1].

Entre as diversas críticas dos conservadores aos socialistas esta que os socialistas nunca definiram nada [2]. Seus pensamentos são sempre abstratos e indefinidos. Ou seja, acabam por usar palavras abstratas para mexer com os sentimentos dos mais simples e desavisados. Incapazes de perceber que palavras aleatórias na concretizam-se pelo simples fato de serem invocadas com entusiasmo. [3] E nem se meia dúzia de burocratas decidirem escrever em um pedaço de papel o que é justo e o que não é.

Em “Fatos e Falácias da Economia” Thomas Sowell (1930) escreve:

“(…)“Justo” é uma dessas palavras indefinidas que já atraíram apoio para políticas públicas que variam de leis de Comércio Justo até a Lei dos Padrões Justos de Trabalho. Essa indefinição é uma desvantagem intelectual, mas representa uma imensa vantagem política.”

Isso quer dizer, pessoas totalmente diferentes umas das outras, ou que desejam políticas públicas distintas daquelas as quais os candidatos desejam implementar, sejam induzidas a acreditar nas palavras. São enganadas através de discursos efusivos. Claro, ninguém é a favor de injustiças. Assim, os discursos podem seguir com palavras indecifráveis “igualdade”, “liberdade” e etc. e, ninguém será contra, mesmo que as definições de igualdade e liberdade sejam diferentes de quem fala daquela de quem ouve. O mesmo ocorre em qualquer categoria, que seria contra saúde, segurança e educação para todos?

[1]. Origem da Violência Revolucionária

[2]. Aviso aos socialistas: é impossível argumentar contra o histórico 100% fracassado do socialismo

[3] Politicamente Correto, O Problema da Linguagem. A LINGUAGEM não é nada mais que uma máscara das ideias.

PRIVACIDADE, LIBERDADE, DIREITOS INDIVIDUAIS e as Contradições Contemporâneas

Homem sentado frente ao computador, frente a tela. O monitor é transformado em uma luneta. Há um homem observando a luneta.

Para os Antigos Gregos [1] liberdade era permanecer junto à comunidade. Ideias de direitos individuais seriam estranhos ao povo grego, tão coletivistas. Acostumados e educados a viver para o outro. Enquanto, o povo moderno, vê e sente liberdade do ponto de vista dos indivíduos, dos direitos individuais e, principalmente, sem as aparências de opressão. Porém, o curioso é, OS MODERNOS, RARAMENTE QUESTIONAM A INVASÃO DE PRIVACIDADE.



Entre 1933 e 1945 existiu na Alemanha NAZISTA a GESTAPO, [2] abreviação para Geheime Staatspolizei – a Polícia Secreta do Estado – organização que investigava a população sob o pretexto e baseada no DECRETO PARA A PROTEÇÃO DO POVO E DO ESTADO. Basicamente o texto/decreto restringia os direitos civis, liberdade de expressão e de impressa. Era um aparato estatal de controle e fiscalização da população, e, assim, invadir a privacidade, acabar com liberdade e coletivizar a população. Mecanismo útil no avanço do totalitarismo de Hitler.

Avançamos em liberdades individuais e direitos civis, aos trancos, claro, a própria ideia de democracia traz alguns conceitos inexistentes noutros tempos [1]. Porém, em um mundo cada vez mais virtual, parece causar estranheza questionar a falta de privacidade. Uma população cada vez mais temerosa com a violência cotidiana, se sente segura em mostrar onde esta a todo momento. Eis uma, entre as diversas, contradições. Contradição que transforma a população em uma presa fácil para ditadores em potencial.



Todos os dias a privacidade é invadida, através de mecanismos mercadológicos, é verdade. Mas, ao mesmo tempo, a população entrega seus dados deliberadamente e, sem pudor, nos mercados em troca de pontos, ou alguns trocados na nota fiscal, comprovantes de renda e residência entregues em lojas e em compras na internet, entre tantos outros processos de compra e venda no mercado. Desta forma, deixam, não somente as empresas, mas o Estado informados de tudo o que estão fazendo.

E, ainda, os dados são expostos, vendidos e compartilhados entre empresas de diversos ramos e segmentos, e o próprio Estado, sabem qual seu perfil de consumidor e qual o poder de compra.

Os usuários expõem seus dados a todo tempo e não se dão conta que o Google, por exemplo sabe onde eles estão, com quem estão, onde trabalham, o que comem, onde moram, a que horas chegam em casa, quanto recebem de salário, com o que gastam o salário, etc. um sistema de informação, e controle tão eficiente que alguém como Hitler ficaria satisfeito em ter.



Um controle sobre tudo e sobre todos. Tão perfeito que até mesmo questionar a necessidade de privacidade parece loucura.

Ou como Aldous Huxley (1894 – 1963)

“A ditadura perfeita terá a aparência da democracia, uma prisão sem muros na qual os prisioneiros não sonharão sequer com a fuga. Um sistema de escravatura onde, graças ao consumo e ao divertimento, os escravos terão amor à sua escravidão.”

[1]. O Conceito de indivíduos era estranho aos antigos gregos. Na antiguidade o coletivo é tido como anterior a indivíduo. VEJA MAIS

[2]. SOBRE A GESTAPO



DEMOCRACIA Antiga e Moderna – Diferenças Fundamentais



Quadro de Philipp Von Foltz. Péricles, O Grande líder ateniense no Século V a.C. É possível ver a Acrópole de Atenas. Apesar de representar a presença de mulheres e escravos, a pintura é considerada fiel.

A DEMOCRACIA NA PÓLIS tem sido importante estímulo no pensamento moderno devido a seus ideais de liberdade, igualdade e respeito às leis. No entanto, há na democracia moderna um distanciamento considerável na sua concepção e na sua forma. Ou seja, mesmo que tenhamos guardados seus ideais, suas características são distintas.

Ao falarmos de democracia estamos sob axiomas diferentes. Princípios desconhecidos para os antigos cidadãos gregos. Hoje, tenta-se um sistema representativo, de Estado constitucional e, principalmente, das garantias das liberdades individuais. E isto mostra que as semelhanças são pouquíssimas.



DIFERENÇAS FUNDAMENTAIS

A CONCEPÇÃO MODERNA DE INDIVÍDUO conforme a qual as relações sociais são realizadas entre diversos indivíduos, que esculpem a sociedade de acordo com os seus interesses. Concepção divergente da antiga Grécia, onde o coletivo é anterior ao indivíduo, ou seja, na antiguidade a sociedade tem suas próprias leis independente da vontade individual.

Na democracia moderna os seres humanos são seres particulares com interesses particulares e necessidades próprias com valor na constituição das instituições sociais. Enquanto para os antigos a comunidade se opõe aos indivíduos, ou seja, na democracia antiga, a virtude esta em subordinar os interesses pessoais em favor dos direitos coletivos. À medida que para os modernos às intuições públicas devem respeitar os interesses individuais. É justamente o oposto.

A democracia moderna é a afirmação do indivíduo em torno de seus interesses privados.

Em “DA LIBERDADE DOS ANTIGOS COMPARADA À DOS MODERNOS” de Benjamin Constant (1767-1830), traz à tona que, para os antigos, liberdade era distribuir poder e participação coletiva, enquanto para os modernos liberdade é segurança na esfera privada e individual.

O que B. Constant deseja colocar é que os antigos não conheceram nenhuma forma de independência ou vontade individual. O coletivo absorvia o indivíduo constantemente. Ou seja, não estavam acostumados com ideias de espaço privado ou livre arbítrio. Os homens só eram plenos dentro da comunidade, do coletivo, dentro da pólis.

Da mesma forma que indica Hannah Arendt (1906 – 1975) em “A CONDIÇÃO HUMANA”, na Grécia antiga LIBERDADE É UM CONCEITO POLÍTICO.



PARA OS GREGOS o que era particular e próprio do indivíduo estava restrito a vida doméstica, educação das crianças, convívio com familiares e práticas religiosas. A experiência do “eu” era orientada de forma diferente da concepção moderna. Não existia a “consciência de si mesmo” de “interioridade”. Os homens eram educados para exterioridade, para a pólis, para o coletivo. Desta forma fica evidente o distanciamento da ideia moderna democracia, já que o privado tem outro significado, e o indivíduo é singular e autodeterminado, afirmando sempre autonomia e escolhas.

A CONCEPÇÃO MODERNA DE INDIVÍDUO foi lenta, e não há um pensador ou um evento específico de origem. Começando desde Nominalismo Medieval, passando por Renascimento e a Reforma, ganha força no Jusnaturalismo do século XVII e XVIII e, finalmente, se torna um sistema no liberalismo.

Em SOBRE A LIBERDADE John Stuart Mill (1806 – 1873), define liberdade como a situação onde ninguém deve ser constrangido a fazer aquilo que não deseja, e não pode ser impedido de buscar aquilo que deseja, só encontrando limite na liberdade do outro. Ou seja, uma liberdade democrática é a possibilidade de cada indivíduo conviver com diversas opiniões e interesses, abrindo assim espaço para as diferentes forças políticas.

Então, mesmo que os gregos tenham valorizado o livre debate entre os considerados cidadãos, independentemente da posição social ou econômica, ou seja, valorizando as diferenças e as divergências nos assuntos públicos a condição coletivista gerou poder centralizado – a assembleia soberana dos cidadãos. Desta forma, a democracia grega antiga é um poder monolítico enquanto a concepção moderna conquistou um sistema pluripartidário, onde diferentes grupos interagem e contrapõem pela conquista temporária do governo. Pode-se entender a democracia moderna como pluralista.



A IGUALDADE POLÍTICA, ou seja, poder igual para todos está muito distante da realidade política dos antigos gregos. A democracia participativa na Grécia não era para todos. Somente eram considerados cidadãos os homens maiores de 18 anos, desta forma, eram excluídos mulheres, escravos e estrangeiros e seus descendentes – conhecidos como os Metecos.

É somente na idade moderna que cidadania recebe a dimensão universal, com o domínio público estendido a todos. E, foi nos séculos XVIII e XIX que se ampliou os direitos individuais e de cidadania.



Outro ponto importante é o CONSTITUCIONALISMO, não foram os modernos que criaram um sistema constitucional, na forma de garantir direitos individuais e distribuir poderes de modo que não haja poder absoluto.

Mas, mesmo que os gregos famosos, como Platão e Aristóteles tenham defendido o governo das leis, defendendo a submissão de todos, tanto governantes como governados, ou seja, obediência as leis como uma condição de estabilidade e ordem política. Esta forma moderna de constitucionalismo (direitos individuais e distribuição de poder) era desconhecida pelos gregos, e, também desconhecido o dever do governo de proteger as liberdades individuais e a distinção entre as funções dos poderes – executivo, legislativo e judiciário.



Foi o Jusnaturalismo que destacou que todos os homens têm direitos fundamentais intrínsecos por sua condição humana como direito à vida, à segurança, à liberdade, direitos que não podem ser violados. E ao estado cabe respeitar, garantir e proteger esses direitos.

Locke [1], Montesquieu e I. Kant entre outros, que encorparam um sistema capaz de impedir a perpetuação do poder absoluto e dar garantias aos indivíduos.



Na noção de CORPO REPRESENTATIVO, o Estado moderno pouco tem da antiga politéia. Os antigos um corpo representativo dedicado ao autogoverno, enquanto hoje o que marca a sociedade moderna é um Estado impessoal.

Para os antigos, o Estado era uma comunidade, koinomia, ou seja, só eram considerados cidadãos aqueles que participavam ativamente, de forma contínua e direta nas decisões públicas. O polítes passava sua vida inteira dedicado a governar.

No processo representativo moderno as decisões não são tomadas pelo coletivo, mas, são próprias da administração pública. Para os modernos o direito do cidadão não é o de governar, mas, sim o de autorizar alguém a governar. E, principalmente de não ficar à mercê de decisões arbitrarias dos governantes. 

Para os antigos gregos diferenciar Estado de sociedade, cidadão de governo e representantes de representados era algo desconhecido e insólito. 

Já, para a o homem moderno a questão é ser governado sem perder a liberdade individual. Ser governado sem ser oprimido. E isso mostra que há pouquíssimas semelhanças com a antiga ideia de “autogoverno” da demokratia grega. 

Desta forma, pode-se dizer que a democracia representativa moderna somente apresentou seus primeiros traços entre os séculos XVIII e XIX, se fortaleceu nos últimos cem anos com a possibilidade de um número maior de indivíduos na política, com individualismo, constitucionalismo e representação.

[1]. Em busca da liberdade John Locke pensa em uma forma de poder cada vez mais plural, em busca do indivíduo. Veja Mais http://diariumfilosofico.com/sobre-a-liberdade/os-fundamentos-do-governo-em-john-locke/





O PRÍNCIPE de MAQUIAVEL – O Que saber antes de ler



A obra de Nicolau Maquiavel (1469 – 1527) é defina como uma nova perspectiva sobre política, ou seja, é um pensamento diferente do até então modo de pensar e fazer política. Assim, o livro é expresso por diversas vezes com frases como “observando-se pela experiência”, “na realidade” e com diversas citações históricas, tanto antigos príncipes como aqueles próprios de sua época, analisando a psicologia humana e citando particularidades. Nasce, então, o que é conhecido como realismo político, ou seja, falar de questões política como elas realmente são, e não como deveriam ser. O príncipe de Maquiavel, foi escrito dentro da literária de conselhos aos governantes, ou Specula Principes, gênero que dizia aos governantes como deveriam agir, com referência nos valores cristãos, porém, cria um novo olhar na abordagem política, observando o presente e buscando referência no passado.



Niccolo Machiavelli

BIOGRAFIA. Como visto, N. Maquiavel, baseou-se na realidade que o cercava para escrever seu livro, então, quem era Nicolau Maquiavel? Nascido em Firenze, atual Florença, na Itália em 1469. Em uma família não abastada, porém possuíam algumas terras. Criado em ambiente culto, o pai tinha um certo gosto por estudos literários e históricos. Estudou, também aritmética, latim, e leu os principais autores latinos. Iniciou a carreira pública aos 29 anos como diplomata na Segunda Chancelaria, responsável por tratar de negócios internos e externos relacionados à guerra, sendo, por diversas vezes, negociador e mediador, além, é claro, de tratar dos relacionamentos entre Florença e outros principados e ou repúblicas. Foram essas funções que deram enorme material histórico e político que compõe a espinha dorsal de toda sua obra.



O RENACIMENTO, época em que os renascentistas, redescobrem uma dimensão política deixada de lado pelos antigos medievais. Medievais colocaram a contemplação acima da razão. Ou seja, para os renascentistas era necessário colocar valor à vida ativa. Valores àqueles que, realmente operam na pólis, os que fazem política.

Maquiavel acredita na ação. Entendia política de modo prático, e a caracterizava como algo inerente ao humano. Para ele, era necessário atuar como se pudesse lidar com todas as possibilidades. Não era um pensamento anticristão, mas um pensamento laico, ou seja, um distanciamento das doutrinas políticas defendidas na Idade Média.

O filosofo, apesar de ser o herdeiro das tradições humanistas, era também um crítico, julgava que os humanistas anteriores não conceberam uma teoria plausível de analisar e compreender a política. Foi um crítico também dos antigos gregos, principalmente Platão, pois, este acreditava na possibilidade de construção pela razão, pelo logos, ou seja, uma forma ideal de governo criado através da razão, através de um modelo regulador, ou um guia, mesmo que distante da realidade.



Uma QUESTÕES IMPORTANTE, para Maquiavel, é que a aplicação de conjunto de valores à política nem sempre promove os efeitos desejados. E, na maioria das vezes, leva os governantes ao fracasso. Isso quer dizer que, um conjunto de valores tomados como bons, na esfera moral, ou uma tradição, se aplicado fora do campo para o qual foram pensados, trará o fracasso ao governante. Ou seja, é preciso pensar em política de forma autônoma, onde os valores não se aplicam ipsis litteris. A política tem seus próprios mecanismo para ser investigada, e Maquiavel busca esses mecanismos, mas para achá-los não há como manter-se fixo a valores cristãos.



COMO A NATUREZA HUMANA DE SER PENSADA QUANDO PENSAMOS A POLÍTICA? Segundo Maquiavel, os homens, de modo geral, observando a realidade, são maus, ingratos, volúveis, simulados, gananciosos, diferente da doutrina cristão onde o Homem tende a ser bom, e deve seguir esta tendência. Assim, é mais sensato pensar política de uma perspectiva negativa.

Maquiavel não esta dizendo que política não precisa de ética ou que políticos não possam ser éticos, mas que são coisas diferentes se comunicando constantemente. Ou seja, mostra a existência de inúmeras possibilidades e não somente uma única fórmula. O filósofo torna a política mais complexa ou invés de simplificar. Nada é absoluto em política. A vida é a soma de imaginação, desejos, valores, é preciso abandonar o IDEAL e olhar para la verittà effettuale dele cose, a VERDADE efetiva das coisas. Assim, Maquiavel se distancia das tradições do Espelho dos Príncipes e do modelo clássico de Estado Ideal.



Em O Príncipe, capítulo XV, Maquiavel apresenta a ideia de que o governante deve ser realista, ou seja, ver política como ela realmente é e não como imagina que seja. Assim, “Todavia, como é meu intento escrever coisa útil para os que se interessarem, pareceu-me mais conveniente procurar a verdade pelo efeito das coisas, do que pelo que delas se possa imaginar. E muita gente imaginou repúblicas e principados que nunca se viram nem jamais foram reconhecidos como verdadeiros. Vai tanta diferença como se vive e como se deveria viver. ”, argumenta que há uma distância entre a maneira em que vivemos e aquela que deveríamos viver.

Como a perfeição não é uma característica própria dos seres humanos, nem é possível reunir em si todas as virtudes, é preciso prudência par evitar escândalos e assim, praticar qualidades essências para continuar no poder. Não deve se preocupar com vícios que não podem salvar o Estado, e, dependendo, algumas virtudes podem levar à ruína.

O filósofo desmontou os valores, mostrando que não são universais, ou melhor, não podem ser aplicados universalmente a condições específicas. Circunstancias particulares necessitam de outros valores.



No capítulo XVII, mostra que é melhor ser temido do que amado quando diz:

“E os homens hesitam menos em ofender aos que se fazem amar do que aos que se fazem temer, porque o amor é mantido por um vínculo de obrigação, o qual devido a serem os homens pérfidos, é rompido sempre que lhes aprouver, ao passo que o temor que se infunde é alimentado pelo receio de castigo, que é um sentimento que não se abandona nunca. Deve, portanto, o príncipe fazer-se temer de maneira que, se não se fizer amado, pelo menos evite o ódio, pois é fácil ser ao mesmo temido e não odiado […]”.

SER E PARECER é a abordagem de Maquiavel no capítulo XVIII. A questão dos símbolos e das imagens que são fundamentais na política. Nenhum homem pode possuir todas as virtudes, então precisa equilibrar entre o SER e o PARECER SER. O príncipe não precisa ter todas as virtudes mas precisa parecer ter todas as virtudes.

“É que os homens, em geral, julgam mais pelos olhos do que pelas mãos, pois todos podem ver, mas poucos são os que sabem sentir. Todos vêem o que tu pareces, mas poucos o que és realmente, e estes poucos não têm a audácia de contrariar a opinião dos que têm por si a majestade do Estado”.

Como já dito, dependendo conjuntura, virtudes podem se tornar vícios.

FORTUNA, É OUTRO CONCEITO IMPORTANTE. Fortuna é a deusa romana, instável e imprevisível, e pode ser a portadora do bem ou do mal, ou seja, a sorte, ou o acaso, não podem ser controlados, cabe aos governantes estar preparado para quando a deusa der as caras.

A argumentação do autor é que o mundo é governado pela sorte ou acaso, ou seja, não há garantias que as coisas saíram como planejadas, ou sempre do mesmo jeito, há sempre mudanças, alterações e modificações constantes nas manifestações políticas.

Então, aos que desejam fazer política, é preciso deixar a fortuna governe em alguns momentos. Maquiavel acredita que a fortuna é responsável por, pelo menos, metade das ações humanas, e somente a outra metade é possível controlar. A fortuna é como um rio que por onde passa destrói tudo.



PARA DOMINAR A FORTUNA É NECESSÁRIO VIRTÚ que, para Maquiavel não é o mesmo que virtude. Virtú pode ser traduzida como a capacidade de ação do agente político de conseguir lidar com as circunstâncias. É a competência de se contrapor à fortuna.

Não existe cálculo ou probabilidade que consiga englobar todas as possibilidades do mundo, ou seja, há incerteza, ambiguidades inimagináveis e incontroláveis, a fortuna. Na presença da realidade, há uma tensão entre a Virtú e a fortuna. Ou seja, a fortuna não pode simplesmente ser eliminada, então, também não é possível uma ciência positiva da política.

Assim, afirma Maquiavel:

“Estou convencido de que é melhor ser impetuoso do que circunspecto, porque a sorte é mulher e, para dominá-la, é preciso […] contrariá-la. E é geralmente reconhecido que ela se deixa dominar mais por estes do que por aqueles que procedem friamente. A sorte, como mulher, é sempre amiga dos jovens, porque são menos circunspectos, mais ferozes e com maior audácia a dominam”.



CONCLUSÃO, no pensamento de Maquiavel os governantes são alertados a darem valor a vida ativa, valor àqueles que agem na cidade, que fazem política. Com seu realismo político rompe com o idealismo platônico e com os valores cristãos dentro da política, já que nem sempre valores fixos na política traz os efeitos desejados, e, consequentemente, pode levar o governo a falência.

Não se pode pensar em política como ambiente de valores aplicados literalmente. Alguns valores tomados como bons, que fazem parte da tradição ou da moral podem levar a ruína, se levados a um domínio para o qual não foram pensados.

REFERÊNCIAS:

MEGALE, Januário. O Príncipe: Roteiro de Leitura. São Paulo: Ática,1993.MAQUIAVEL, Nicolau. O Príncipe. São Paulo: Golden Book, 2008